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O ícone da dança moderna, Martha Graham disse: "A dança é a linguagem oculta da alma, do corpo". Foto: Javier del Real.O ícone da dança moderna, Martha Graham disse: "A dança é a linguagem oculta da alma, do corpo". Foto: Javier del Real.

"O flamenco dos ciganos não tem nada a ver com o flamenco para turistas. O verdadeiro flamenco é como o sexo", disse o infame ator polonês/alemão Klaus Kinski. Como muitos de nós, cuja familiaridade com o flamenco vem do som de estalar castanholas, tocar guitarras e às vezes um cantor em uma boate ou sala de música, o flamenco é visto como um 'diversão'.

Quando temos o privilégio de ver o verdadeiro flamenco, essa imagem deve ficar gravada em nossas mentes para sempre. É por isso que somos excepcionalmente afortunados por ver a mais alta expressão artística desta extraordinária forma de arte espanhola, uma das mais antigas da dança, apresentada pela mundialmente famosa Companhia Antonio Gades. Infelizmente, a companhia só fará três apresentações aqui no Teatro Bradesco e depois, como parte do Circuito Cultural Bradesco Seguros, seguirá para Porto Alegre, Curitiba e Belo Horizonte. Eles não podem deixar de ser vistos por ninguém que queira compartilhar a paixão que está no coração do flamenco.

O ícone da dança moderna, Martha Graham disse: "A dança é a linguagem oculta da alma, do corpo". Ela está conosco desde o nascimento da"O verdadeiro flamenco é como o sexo", disse o ator Klaus Kinski. Foto: Javier del Real."O verdadeiro flamenco é como o sexo", disse o ator Klaus Kinski. Foto: Javier del Real. civilização e provavelmente até mesmo antes. Como escreveu o escritor e crítico Walter Sorell, "Antes do homem encontrar um meio de expressão artística no movimento rítmico e medido, ele gostava da sensação de pisar, girar, balançar, swingar, sapatear e saltar. Sempre o fez nas suas danças folclóricas ou naquelas que foram transformadas em formas teatrais - simplesmente porque há uma alegria sem fim na dança".

A história da dança tem sido o caminho do ritual primitivo individual para as danças folclóricas, uma experiência comunitária que dá alegria e expressão exclusivamente aos bailarinos, às "danças de arte", realizadas por artistas treinados para o prazer dos espectadores nas cortes e teatros reais. O flamenco é uma expressão pura dessa jornada porque nunca perdeu sua energia alimentada pelo povo, ao mesmo tempo em que transformava apenas uma expressão individual ou coletiva em pública, proporcionando alívio emocional tanto para o dançarino quanto para o espectador. Nenhuma outra forma de dança manteve o seu elo com as suas raízes, como o flamenco. Nenhum outro deixa seus espectadores suando como os dançarinos.

Diz Stella Arauzo, diretora artística da empresa: “O flamenco primitivo dançava puro e em grande parte com música percussiva e não tinha narrativa no sentido das duas obras apresentadas aqui no Brasil, "Carmen" e "Fuenteovejuna". O flamenco percorreu um longo caminho desde "Bodas de Sangue" (1981) de Carlos Saura, adaptação de uma obra de Federico García Lorca e o primeiro trabalho de dança narrativa de Antonio Gades. Foi, como diz Stella, “um grande passo para contar uma história, inspirada pelas pessoas da Espanha profunda”. O filme, ela diz, foi, “O primeiro flamenco que podia ser visto e entendido em todos os lugares do mundo. Imagine poder explicar sua terra sem uma única palavra."

Pode-se dizer que o flamenco remonta ao século V antes de Cristo, quando a dança espanhola foi desfrutada como parte da supremacia helênica, através da invasão mourisca das partes sul da Espanha no século VI e do seu domínio que durou 800 anos. A Espanha já hospedou a maior comunidade judaica do mundo e sua rica tradição de música e dança foi naturalmente misturada ao flamenco. O 'Cante Jondo' (canto profundo), uma forma inicial de flamenco, escreveu o poeta espanhol Federico García Lorca, "aborda o ritmo das aves e a música natural do choupo negro e das ondas; é simples na velhice e no estilo. É também um raro exemplo de canção primitiva, a mais antiga de toda a Europa" (https://www.todamateria.com.br/flamenco/ )

Cena do filme "Bodas de Sangue" (1981) de Carlos Saura com Antonio Gades, Cristina Hoyos. Imagem: Divulgação.Cena do filme "Bodas de Sangue" (1981) de Carlos Saura com Antonio Gades, Cristina Hoyos. Imagem: Divulgação.

O que é excepcional é que o flamenco mudou tão radicalmente nas mãos de mestres como Antonio Gades, mantendo a pureza de suas origens. Stella Arauzo faz uma clara distinção entre o ensino de flamenco e ballet e dança estilizada. "A linha principal é que o flamenco não precisa do treinamento dessas outras formas. É mais espontâneo (aparentemente). Atualmente é preciso um estudo incrível e dar máxima importância ao trabalho acadêmico, mas ele nasce nas famílias, sendo improvisado e desenvolvido de geração em geração. Diz-se que o passo mais difícil na aprendizagem do flamenco é o primeiro que o aluno dá. Diz Stella, "É o passo mais emocionante, principalmente o ritmo, compasso, braços, mãos, pés, (talvez muito impacto ultimamente) e as voltas. É muito difícil e você deve ser muito paciente e nunca parar de aprender.

O poder está em toda parte na 'Carmen' e 'Fuenteovejuna' da trupe. Foto: Javier del Real.O poder está em toda parte na 'Carmen' e 'Fuenteovejuna' da trupe. Foto: Javier del Real.

Visto fora da Espanha, o flamenco parece emblemático, mas no país, Stella diria que: "Temos nosso folclore variado na Espanha. Somos deliciosos nas variadas culturas, folclores específicos de cada região e o flamenco faz parte desse caldeirão. Mas para mim é o mais poderoso". O poder está em toda parte na "Carmen" e "Fuenteovejuna" da trupe. Para Eugênia Eiriz, diretora geral da Fundação Antonio Gades: "A grande evolução e contribuição da "Carmen" de Gades foi misturar o flamenco com as mais sofisticadas formas líricas e teatrais. É uma ferramenta multidisciplinar e muito poderosa".

Foto: Javier del Real.Foto: Javier del Real.

Contando a história da revolta de 1476 dos moradores andaluces de Fuenteovejuna que se uniram e mataram o comandante militar que os havia maltratado e escapado do castigo dizendo apenas que "Fuenteovejuna fez isso", Gades conseguiu brilhantemente usar o poder bruto da dança flamenca e principalmente a música cantada por membros da companhia para transmitir os sentimentos apaixonados dos moradores, impotentes contra a ordem militar, exceto em sua unidade. Se a narrativa é por vezes menos eficaz do que a soberba dança da companhia, o trabalho ainda nos deixa sem fôlego.

Foto: Javier Del Real.Foto: Javier Del Real.

A conhecida história de Carmen, amante ardente e defensora da liberdade é mais um pretexto para este trabalho de dança do que uma simples recontagem da história. A brilhante justaposição de um ensaio de uma companhia de flamenco com a história de Carmen é totalmente envolvente. Onde a vida real acaba e o drama teatral começa é sempre deixado para que nós decidamos.

Foto: Javier del Real.Foto: Javier del Real.

Desde a morte de Gades, em 2004, segundo Eugênia, a companhia se manteve unida e manteve "não apenas o legado coreográfico, mas também a filosofia estilística e teatral". Novas gerações de bailarinos e coreógrafos estão seguindo o caminho de Antonio Gades.

O crítico Walter Sorell capturou a essência do flamenco quando escreveu: "A dança espanhola é a expressão mais física da emoção do homem. É, seja dançada com extremo abandono, rápida e vigorosa até a nudez animalística, ou com a contenção da paixão terna, a epítome da sensualidade".

As entregas atuais da Companhia Antonio Gades provam que o flamenco não perdeu nenhuma de sua força e beleza.

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Peter Rosenwald mora em São Paulo e combina sua ocupação como estrategista de marketing para grandes empresas brasileiras e internacionais. Tem também carreira em jornalismo onde atuou por dezessete anos como crítico sênior de dança e música do 'The Wall Street Journal'. Escreve toda semana no São Paulo São.

Mapa do Império Inca. Imagem: Museu do Peru.Mapa do Império Inca. Imagem: Museu do Peru.Atualmente fala-se tanto sobre cidades inteligentes, sustentabilidade, inovação, economias: criativa, compartilhada, colaborativa, verde... Produtos orgânicos, negócios de impacto social, mobilidade urbana, política participativa.

Pude comprovar novamente que uma cultura extremamente organizada e evoluída Máscara de ouro Inca. Foto: Arts Review.Máscara de ouro Inca. Foto: Arts Review.praticava tudo isso com excelência há muitos séculos: a civilização Inca!

O Império Inca (1438 – 1533) foi um Estado criado pela civilização inca, resultado de uma sucessão de civilizações andinas e que se tornou o maior da América pré-colombiana. Essa cultura foi uma rede de conhecimentos artísticos, científicos e tecnológicos de seus antepassados.

A base do império Inca era o coletivismo, ou seja, o indivíduo era membro do grupo, apesar de existir uma hierarquia na sociedade. Devido ao seu governo centralizado, a organização social do império inca é frequentemente comparada àquela idealizada por governos socialistas. 

Os Incas eram agricultores, guerreiros, sacerdotes e industriais. Administravam, praticavam políticas e obras públicas, faziam alianças. O comércio propiciou a unificação e integração entre as províncias, as terras eram divididas conforme o tamanho das famílias, a base da alimentação era batata, milho e carne de llama.

A economia inca era baseada no trabalho coletivo e adaptado à idade de cada um. O alicerce da economia era a agricultura, principalmente no cultivo de batatas, milho, pimentas, algodão, mandioca, amendoim, batata doce, entre outros tipos de grãos e vegetais, desenvolvida especialmente na zona montanhosa dos Andes - o que permanece forte na América Latina até hoje. Lavouras se estendiam por encostas íngremes, com o sistema de terraços – espécie de degraus construídos com paredes de pedras - e curvas de nível para o sistema de irrigação. 

Os Incas eram agricultores, guerreiros, sacerdotes e industriais. Imagem © Bernard Duchesne.Os Incas eram agricultores, guerreiros, sacerdotes e industriais. Imagem © Bernard Duchesne.

Não existia uma unidade monetária na civilização inca. O comércio funcionava a partir do escambo. As trocas podiam ser entre diferentes mercadorias, entre serviços ou alimentos. As sementes de cacau possuíam um alto valor comercial na civilização Inca.

Os incas eram donos de um rico artesanato em cerâmica, produziam esculturas de madeira, tecidos finos e objetos de metal. A música também fazia parte da cultura artística dos incas que produziam e utilizavam uma variedade de instrumentos musicais o que incluia vários tipos de flautas e trompetes, feitos de conchas marinhas ou cerâmica, por exemplo.

Os Incas desenvolveram técnicas avançadas, plantio feito em terraços, curvas de nível como sistema de irrigação. Foto: Farming Guide. Os Incas desenvolveram técnicas avançadas, plantio feito em terraços, curvas de nível como sistema de irrigação. Foto: Farming Guide.

Os Incas eram donos de um rico artesanato em cerâmica, madeira, tecidos finos e objetos de metal. Foto: Os Incas eram donos de um rico artesanato em cerâmica, madeira, tecidos finos e objetos de metal. Foto:

Sugiro que políticos, economistas, executivos, empresários e mulheres empreendedoras pesquisem e conheçam um pouco dessa fascinante cultura e possam viver experiências ricas para saber que, através da história dos Incas, temos boa parte da solução dos problemas que vivenciamos hoje.

Panorama da fortaleza Sacsayhuaman com a cidade de Cusco ao fundo. Cusco era a capital do antigo Império Inca, até ser tomada pelo Império Espanhol. Foto: Wikipedia / Reprodução.Panorama da fortaleza Sacsayhuaman com a cidade de Cusco ao fundo. Cusco era a capital do antigo Império Inca, até ser tomada pelo Império Espanhol. Foto: Wikipedia / Reprodução.

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A recente comemoração do Dia Mundial da Água deu ainda mais destaque a um tema que, chegando a temporada de dias mais quentes aqui em Portugal, já começa a tirar o sono de muita gente: o país está mais seco. E quando se fala em menos água por aqui, não é apenas um problema de incômodo para lavar a louça ou tomar banho. O tempo seco é uma bomba-relógio a espera apenas de uma pequena fagulha para incendiar grandes áreas de mata, pondo risco pessoas, animais, casas. É também um problema extremamente sério para setores importantes da economia portuguesa que dependem da água, como a agricultura e a pecuária.

"Historiazinha de quarta-feira, porque tem feijuca no quilão. A Agência Estado tinha um enorme banheiro feminino, com um espelho grande ao fundo. Minha amiga Cacao, um dia, entrou no banheiro, olhou-se no espelho e gritou: ‘Nossa, que mulher parecida comigo, só que mais gorda e mais velha!"'Reflections' :: Campanha da Novartis by ©Tom Hussey :: 2010.'Reflections' :: Campanha da Novartis by ©Tom Hussey :: 2010.

Li esse post no Facebook algum tempo atrás, escrito por uma ‘facefriend’ muito querida, excelente jornalista e também (talvez ela discorde) impagável cronista.

Imagem: Arquivo pessoal / Reprodução.Imagem: Arquivo pessoal / Reprodução.Pelo que tenho escrito por aqui, acho que já deu pra perceber o quanto eu me divirto andando de bicicleta. E não é de hoje, na verdade. Primeiro vieram os velocípedes, que logo se transformaram nas magrelas com rodinhas, que foram abandonadas assim que conquistei equilíbrio e confiança. Sem exagero, pedalar sozinho, sem qualquer tipo de apoio, é como começar a andar com os próprios pés, sem dar a mãozinha pro pai ou pra a mãe.

Eu e as magrelas temos uma relação íntima há umas boas dezenas de anos, sem que a paixão e o amor tenham diminuído. Ao contrário, os olhos ainda brilham quando penso em fazer um bom passeio de bicicleta. E, felizmente, as pernas ainda estão fazendo a parte delas, me levando para todos os lugares. Aqui em Portugal, com tanta gente mais velha do que eu circulando com leveza e disposição pelas ciclovias do país, reforço minha crença de que ainda conseguirei girar o pedal por muitos anos.Ole Kassow. Foto: CWA.Ole Kassow. Foto: CWA.

E quando não tiver mais força nas pernas ou equilíbrio? Admito que cheguei a ficar cabisbaixo com a ideia de um dia perder essa liberdade de movimento que a bicicleta proporciona. Foi aí que conheci um projeto bem bacana (por que eu não tive essa ideia?) que já existe há alguns anos e que acaba de chegar em Portugal, mais precisamente no Porto. Trata-se da iniciativa “Cycling Without Age”, lançado em 2012 na Dinamarca e que hoje já está em 42 países (já há no Brasil também).

O fundador, Ole Kassow, tinha o desejo de fazer com que pessoas mais velhas, já com dificuldade para encarar um selim de bike, pudessem retornar para as suas bicicletas. A solução foi adaptar um triciclo, inicialmente oferecido para as casas de repouso de Copenhagen, no qual uma ou duas pessoas podiam pegar carona (ou boleia, como dizemos aqui em Portugal). Mas o projeto, que vai muito além do “direito ao vento nos cabelos”, foi crescendo e ganhando mais adeptos. É uma experiência de generosidade, de criação de relacionamento, de dignidade, de troca de histórias e experiência, e também, claro, de retomar contato com os passeios sobre rodas.

Já há mais de 2 mil triciclos do projeto rodando pelo mundo, com cerca de 15 mil ciclistas treinados e capacitados a “pilotar” a bike de três rodas. Mais de 60 mil idosos já voltaram a sentir o vento no rosto, em circuitos que, somados, ultrapassam os 2,8 milhões de quilômetros ao ano. E para provar que não há idade para encarar o pedal, o piloto mais velho das bikes é um “jovem” dinamarquês de 90 anos e a passageira mais idosa é uma jovem de 107 anos, de Singapura.

Ole Kassow, tinha o desejo de fazer com que pessoas mais velhas, já com dificuldade para encarar um selim de bike, pudessem retornar para as suas bicicletas. Foto: CWA / Divulgação.Ole Kassow, tinha o desejo de fazer com que pessoas mais velhas, já com dificuldade para encarar um selim de bike, pudessem retornar para as suas bicicletas. Foto: CWA / Divulgação.

Neste início de pedaladas aqui no Porto, cerca de 200 “passageiros” já circularam pela cidade, em parques ou à beira mar. A “ventoleta”, como é carinhosamente chamado o triciclo adaptado para o projeto, também tem entre os seus “motoristas” um senhor de 78 anos, que toda semana faz força no pedal. Além dele, há outros 11 pilotos voluntários, que assumem o guidão em passeios de pouco menos de 1 hora. E sempre sem pressa e com muita conversa, troca de experiências e histórias ao longo do percurso. Por enquanto, há apenas uma ventoleta rodando pela cidade, mas esta semana foi lançada uma campanha nas redes sociais para angariar fundos para a compra de ao menos mais um triciclo.