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Na pandemia, novas práticas e novos comportamentos estão sendo gradualmente incorporados. Foto: Getty Images. Na pandemia, novas práticas e novos comportamentos estão sendo gradualmente incorporados. Foto: Getty Images.

A Pandemia é triste. Amigos se foram. E também nos deixaram tantos outros que não conheço, mas por quem também me angustio. Famílias destroçadas. Mandos e desmandos. Oportunismo. Abusos. Notícias falsas. A pandemia tem sido uma grande tristeza. Dito isto, sinto-me mais à vontade para trazer algum sopro de “efeito colateral” positivo no meio desse caos sem fim, sem achar que estou sendo leviano com a dor alheia. Pois é, parece que para grande parte das pessoas (nem todas, infelizmente) e de alguns governos (não aquele, claro) algumas novas práticas, novos comportamentos, estão sendo gradualmente incorporados. Um deles é o uso da bicicleta como opção para a locomoção diária nas grandes cidades. Aqui em Portugal, não há semana em que o assunto deixe de estampar as páginas dos grandes jornais e mesmo da imprensa local e regional.

Como ficam os semáforos da sua cidade após os estragos de um temporal? Use QZela para relatar o funcionamento da sinalização. Foto: QZela / Instagram.Como ficam os semáforos da sua cidade após os estragos de um temporal? Use QZela para relatar o funcionamento da sinalização. Foto: QZela / Instagram.

Como você vê e fiscaliza a sua cidade? Quando depara com uma calçada quebrada ou uma ciclovia esburacada você apenas passa por ela e lamenta ou procura levar esses problemas adiante, ajudando a melhorar o lugar onde vive? Em geral, o individualismo recorrente nos faz apenas seguir nosso solitário caminho. Felizmente, as coisas vêm mudando nesse quesito. Em alta, valores como coletividade e solidariedade têm impulsionado as pessoas a desenvolver a empatia, a exercitar a cidadania. Desde o início da pandemia, em São Paulo, tem sido exemplar a mobilização de moradores que arregaçam as mangas para fazer e distribuir marmitas na cidade, ajudando a combater a fome nessa fase crítica.

E lá da prefeitura brada o alcaide, determinando que, praia agora, só com hora marcada pelo app, diz ele, gratuitamente ou de quem chegar primeiro. A famosa ordem de chegada. Tudo começará numa segunda e, com certeza, como cinzas, se acabará na quarta-feira.

Todo mundo sabia que a volta gradual da cidade à vida traria conflitos. Sistema de transporte, funcionamento do comércio e escolas, combate às aglomerações, distribuição de espaço para pedestres e ciclistas na pandemia eram assuntos que causavam perplexidade em todo o mundo e aqui não seria diferente.

O que pouca gente previu é o quanto os espaços públicos iriam fazer parte das discussões.

Ciclista em ciclovia da Avenida Paulista, criada em 2015. Foto: Ciclo Vivo.Ciclista em ciclovia da Avenida Paulista, criada em 2015. Foto: Ciclo Vivo.

Caro Caetano,

Desculpe a intimidade, mas aprendi com Bethânia que lá vem o mano, eu amo Caetano. Acho que posso, até, te chamar de Caê. 

Você faz aniversário hoje (7 de agosto p.p.). Achei que a data é apropriada para te escrever.

Nada se compara ao embate dos últimos quatro ou cinco meses de confinamento. Foto: iStock.Nada se compara ao embate dos últimos quatro ou cinco meses de confinamento. Foto: iStock.

Levanta a mão aí quem não teve ao menos um arranca rabo com os filhos pequenos nessa fase de “prisão domiciliar”! Pois é. Aqui em casa já foram vários. E com exagero dos dois lados. Pais descontrolados, filhos respondões. Tem a luta do banho, a guerra dos dentes bem escovados, a batalha do “põe-o-prato-na-pia, dobra-as-roupas, arruma-a-cama”, o conflito do desliga o videogame e alguns focos isolados de rebeldia do tipo “faço-se-eu-quiser”, hoje-pulo-o-banho” e o mais radical “você-não-manda-em-mim”. Guerra dos 100 anos? Fichinha... Nada se compara ao embate dos últimos quatro ou cinco meses de confinamento. Claro que há o lado positivo, do maior contato e proximidade com os filhos, mais intimidade e por aí vai. Mas que é duro, isso é. E o negócio é tão complicado que já há uma série de estudos sendo feitos para avaliar a dimensão do que se chama “burnout parental”, algo como “pais entrando em colapso”...