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Uma pausa para a fotografia, expressão artística que tem como principal diferencial a possibilidade de captar com precisão o instante único e definitivo de uma determinada situação. Dependendo do enquadramento, do equilíbrio entre as diferentes nuances, do contexto e da perspectiva do autor, um registro fotográfico pode promover transformações e despertar sentimentos.

Nos dias de hoje, a fotografia é uma atividade acessível a praticamente todas as pessoas, graças ao avanço tecnológico que coloca à disposição dos usuários equipamentos simples que tornaram o ato de fotografar em uma ação automática, que produz imagens pasteurizadas, mas que garantem a publicação instantânea por meio das diversas redes de relacionamento da web.

Além disso, quase que a totalidade dos aparelhos celulares dispõem de câmeras, elevando significativamente o número de situações passíveis de registros. Da foto 3x4 para documento de identidade até ensaios artísticos; passando pela função política e de entretenimento do fotojornalismo, somos abastecidos a cada segundo por milhões de acontecimentos de interesse público e outros tantos "particulares".

Se uma imagem vale mais do que mil palavras, usemos a força e a democratização da fotografia para dar visibilidade e revelar facetas da nossa sociedade e do nosso tempo como inspiração para a construção de um mundo mais solidário, mais equilibrado e único para vivermos em paz e harmonia. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Inspirado pelo filme do italiano Paolo Sorrentino, a tal da juventude me fisgou hoje. Segundo o nosso popular dicionário Aurélio, “Juventude” é a quadra da vida em que se é jovem. Por sua vez, “Jovem” é: a) relativo à juventude ou a quem está na juventude; b) que existe há pouco tempo; c) que ou quem tem pouca idade; que ainda não é adulto; e d) que ou quem está na juventude.

Encontro-me na terceira juventude, com idade avançada, próxima daquela faixa que permitirá gratuidade na utilização do transporte público. Apesar dos anos inevitáveis, minha disposição e energia são de um jovem que batalha o tempo todo para aprender e identificar novos caminhos que nutram a vida.

Enquanto assistia a bela fita estrelada por Michael Caine e Harvey Keitel, respectivamente Fred Ballinger e Mick Boyle, dois amigos de longa data, ambos na casa dos 80 anos, que decidem passar as férias num luxuoso hotel na Suíça, pensava com os meus botões sobre as juventudes que ficaram e aquelas que ainda pretendo desfrutar.

Das experiências que vivi, sou muito grato porque elas me permitiram chegar até aqui. E não posso me queixar de como cheguei. Sinto-me feliz, forte, com saúde, disposição, energia, garra e entusiasmo para continuar agindo e ocupando os espaços os quais me permitam colocar em prática crenças, realizar sonhos, ser um agente de transformação e contribuir para a construção do bem comum.

Da primeira juventude mantenho o ímpeto idealista em lutar por uma sociedade mais justa e mais digna para todos. Da segunda juventude guardo o equilíbrio e a sabedoria as quais me permitem enfrentar quaisquer situações com tranqüilidade.

Para a terceira juventude, recém iniciada, me proponho continuar sonhando e me desafiando o tempo todo para não deixar que o passar dos anos pesem. Para isso é fundamental manter o corpo são, a mente viva, o coração aceso, a língua em ação, os ouvidos atentos, os olhos focados, as caminhadas permanentes, a alimentação saudável e saborosa, a pressão e o colesterol sob controle, a próstata bem cuidada e o vigor ativo.

Estou na juventude e com ela pretendo completar o meu ciclo nessa existência. Independente da idade, por dentro o espírito jovem estará sempre presente, como a lenha que faz o fogo acender, o amor que movimenta os sentidos e a coragem, essa força que nos impulsiona no sentido de enfrentar quaisquer situações. Por aqui, fico. Até a próxima.

Serviço
'A Juventude' (Youth).
Direção: Paolo Sorrentino.
Elenco: Michael Caine, Harvey Keitel, Rachel Weisz, Jane Fonda.
Gênero: Comédia dramatica.
Nacionalidade: Itália, França. Suíça, Reino Unido.
Duração: 124 minutos.
Classificação: 14 anos.
Trailer aqui! 

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Muito se discute sobre a formação de lideranças para o mundo corporativo. Centenas de artigos pipocam nas redes e nas revistas especializadas todos os dias.

Porém, não vi, e me perdoem se estiver errado, qualquer menção aos líderes naturais que florescem em comunidades ao redor do globo, cuja experiência de liderança intrínseca pode contribuir de forma efetiva para  o aprendizado.

Recentemente conheci um senhor que luta há anos para transformar uma área da periferia de São Paulo em parque ecológico, um dos muitos ganhos que o seu movimento trouxe para comunidade foi a educação ambiental. Os resultados disso poderão ser observados e medidos ao longo do tempo, disse ele. Contudo, envolver a comunidade no projeto é o resultado de muita paciência e a certeza de estar fazendo a coisa certa.

"- Foram muitos anos de trabalho, alguns de forma solitária, mas, depois, as pessoas começaram a chegar."

Quando perguntei qual a sua motivação, respondeu muito rapidamente:

"- O benefício de um futuro melhor pra todo mundo, nunca poderia deixar de fazer isso, eu comecei a trabalhar com sete anos. Fiz e vi muita coisa pelo Brasil. Agora todas as coisas são diferentes, mas, mesmo assim eu faço questão de levar todas as crianças da comunidade no parque e explicar tudo o que eu posso, porque daqui a pouco eu posso morrer, não vou estar mais aqui, mas, o parque precisa continuar."

A conversa não se prolongou muito, mas me chamou atenção o fato de em pouco tempo identificar questões básicas.

A primeira delas é a resiliência, a segunda, a sustentabilidade, e a terceira é o propósito, para ficar apenas em três.

Considero importante lembrar que o desgaste dessas palavras pelo massacre midiático e pelos mecanismos do marketing, muitas vezes criam uma abismo entre o nosso entendimento e os verdadeiros significados.

Resiliência vem da física, passou a ser usada pela psicologia na década de 70. Hoje tem sido amplamente difundida através de disciplinas do desenvolvimento humano, como o Coaching.

Na definição do dicionário, resiliência é a propriedade que alguns corpos apresentam de retomar a forma original após terem sido submetidos a uma deformação elástica. Pode ser usada também para definir a capacidade de se recuperar facilmente ou se adaptar a má sorte e às mudanças.

Por que essa palavra é tão presente?

As chuvas e as tempestades são cada vez mais frequentes, e a resiliência é a capacidade de sobreviver e se fortalecer a cada intempérie

Mas como ser, e ou manter-se resiliente?

A lição que podemos extrair da história acima é a clareza de objetivo. Uma liderança precisa antes de qualquer coisa ter muita certeza sobre si mesma.

E principalmente ter um propósito forte, ou seja, um desejo de alcançar algo com paixão. O desejo, e a paixão contaminam fortalecendo a determinação da conquista.

O conceito da sustentabilidade é indissociável do homem  contemporâneo.

Voltando ao dicionário; sustentável é um substantivo derivado do verbo transitivo sustentar, significa manter o equilíbrio, evitar a queda, apoiar, aguentar, segurar por baixo, auxiliar, amparar, impedir que alguma coisa caia, etc.

O princípio básico da liderança é o conceito da sustentabilidade, seu maior desafio é conjugar o verbo sustentar como a equação possível para criar resultados em qualquer área, a curto, médio e longo prazos.

Pensamento a longo prazo é vital para a qualquer iniciativa, o personagem acima tem isso muito claro, entende que a transmissão dos seus conhecimentos é vital para uma maior permanência da sua óbra. E a base deste entendimento está ao significado de outra palavra, sobre a qual ainda não falei. Trata-se da palavra valor.

Porém, se você estiver interessado em saber o significado, eu quero te propor um desafio, o que você acha de começar descrevendo quais são os seus principais valores?

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Adi Leite é coach, jornalista e fotógrafo.

 


Assisti recentemente na programação do Cabaré da III Mostra Internacional de Teatro de São Paulo a uma apresentação inesquecível do Coral de Haitianos, do espetáculo Cidade Vodu.

Sensíveis, verdadeiros e talentosos os jovens, quatro homens e uma mulher, nos presentearam com interpretações belas de canções do seu país, as quais me tocaram profundamente.

No palco do galpão do Centro Compartilhado de Criação, incrustado no bairro da Barra Funda, os cantores tiveram a possibilidade de expressar músicas da sua terra que, por razões sociais e econômicas, tiveram que deixar em busca de oportunidades no Brasil.

Em determinado momento do show um dos intérpretes tentou nos dizer qual era o contexto do seu país relatado na canção. Contudo, a emoção e talvez a saudade, não permitiram que ele seguisse adiante.

A performance durou quase uma hora mas a sua intensidade foi tanta que ela reverbera em mim até agora. E, no final, com total merecimento, o coral foi ovacionado pela platéia.

Naquele instante desejei que muitas das pessoas que hostilizam os refugiados do Haiti tivessem ali para presenciar o grupo, conhecer os talentos daqueles seres humanos, nossos irmãos, que estão no Brasil em função das circunstâncias, e que vieram para aprender, ensinar, dialogar, trabalhar e compartilhar suas histórias de vida com a nossa gente, ofertando o que eles têm de melhor como, por exemplo, as lindas canções que tive o privilégio de ouvir sentado na mesa do gargarejo. Por aqui, fico. Até a próxima

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Onde a mata atlântica está em você? No Brasil os quase 8% que restaram dela encontram-se distribuídos por 17 Estados. Ela é considerada um dos mais importantes biomas deste país, fonte de recursos naturais, e vital para o equilíbrio ambiental e a sobrevivência de milhões de pessoas. A Mata Atlântica é um símbolo, uma luta, e deve ser uma prática cotidiana.

Embora protegida por um a lei específica, evitar o seu desmatamento e promover a sua restauração, são responsabilidades de todos nós. A maioria da população brasileira desconhece esse bioma, principalmente aqueles que residem nas regiões urbanas. Muitos relacionam esse santuário natural apenas com o mico-leão-dourado, que há alguns anos atrás estava ameaçado de extinção e que, por causa disso, virou protagonista de uma campanha de mobilização, a qual serviu de estímulo para uma nova consciência socioambiental.

Mais do que preservar os bichos, as aves, as frutas, as flores, as árvores e apoiar a população que vive e depende da Mata Atlântica, temos o desafio de (re)significá-la, de fazer com que ela pulse em cada um de nós. Quais relações são possíveis estabelecer com as suas escolhas e as suas práticas, a fim de valorizar e contribuir para a restauração desse bioma imprescindível para a sobrevivência da nossa gente e das futuras gerações?

Você sabia que jabuticaba, goiaba, araçá, pitanga e caju, são frutas oriundas da Mata Atlântica? Com também a cambuci, fruta pouco conhecida, que deu origem ao nome do bairro de São Paulo, que fica próximo ao Ipiranga. Quando saborear quaisquer dessas frutas, ou passar pela Av. Lins de Vasconcelos, pense e agradeça a Mata Atlântica. Por aqui, fico. Até a próxima.

Para saber mais, acesse:

www.sosma.org.br
www.clickarvore.com.br
www.conexaososma.org.br

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 
Santi Santamaria, numa entrevista que me concedeu (está lá no Estrelas no Céu da Boca) disse com toda clareza: nós, cozinheiros, somos os filósofos modernos, porque refletimos sobre as relações dos homens com a natureza. Mas muita gente acha absurdo falar em “filosofia” relacionada à gastronomia. E basta atentar para a crítica gastronômica ao longo da história recente para ver que a palavra está lá. Se você abrir o livro do Escoffier (Le Guide Culinaire), verá que o prefácio é uma espécie de “discurso filosófico” no sentido que Santamaria se refere. A mesma coisa acontece com Bocuse, quando expõe a “filosofia” da nouvelle cuisine. E Rafael Garcia Santos, o enfant terrible da crítica gastronõmica espanhola, não estava nem ai para qualquer outro aspecto da cozinha de um chef que não fosse a sua “filosofia”. Sim, finalmente alguém assumia explicitamente esta pretensão filosófica no calor da banalidade da cozinha.
 
 
Lobozó. Foto: E-BocaLivre / Reprodução.
 
Então, o leitor me perdoe ao falar da “filosofia” culinária, por mais que isso arrepie os filósofos canônicos… Aliás, nossa literatura é farta em usos e abusos do termo, discorrendo sobre filosofias “menores” (claro, comparadas com Hegel ou Engels, que tornaram-se populares da noite para o dia…),  como no ensaio de Tobias Barreto sobre a “filosofia do peruismo”. No comportamento do perú ele via uma metáfora filosófica para o comportamento dos intelectuais da época. Mas a nossa questão é outra: qual a “filosofia” da nossa gastronomia hoje?

É uma coisa difícil de determinar, muito difícil. Repare. A tendência geral é todo mundo fazer uma dieta, seja qual for sua duração. Umas pra vida toda; outras, até colocarem uma torta de chocolate diante de nós. Os que fazem dietas “saudáveis” não raro incluem o salmão nessa dieta com lugar de destaque. Mas não existem evidências de que o salmão de criadouro é o demo em forma de peixe - cheio de antibióticos, hormônios de crescimento e até transgenia? Pois é. Isso sem falar na manteiga, na gordura de porco, criminalizadas até recentemente e, agora, liberadas-geral a tal ponto que parece que o porco só tem barriga? E o gluten, então? O pão milenar de trigo de repente se tornou inimigo do homem. Parece, portanto, que não existe filosofia dietética alguma. Come-se o que convêm, ainda que a justificativa tenha que vir do milenar Oriente. Tudo certo, mas tudo incerto.

Pense então nos estilos culinários - nas “filosofias” que importamos de contrabando desde os tempos coloniais. Depois dos ibéricos, assimilamos o francesismo, a nouvellecuisine, os espanhóis e, mais recentemente, o raciocínio-root. Não temos tradição a defender, a não ser nos deixarmos levar gostosamente. O nosso autêntico escondidinho? Nos cansamos dele e pronto: colocamos o recheio por cima, como um “mostradinho”. Importamos o pudim de leite? Logo encontramos como enfiar-lhe o leite condensado e chamarmos isso de “tradição”. Descobrimos a baixa temperatura que já estava descoberta pelos churrasqueiros. Fazemos espumas de tudo, conforme aprendemos com os espanhóis - especialmente quando o mundo todo já as abandonou. Macarrão com molho de pupunha ou com arroz-feijão; petit gateau de cupuaçu; chiclete com banana. Hamburguer gourmet, bobagem transnacional aqui cuidada com carinho. Aqueles que disseram que caminhamos para uma “culinária bossa nova” erraram redondamente. Estamos sempre fora de tom, atravessamos o samba dos outros, fazemos nosso “samba japonês” e vamos para a rua…

Tu me mando cata japão
Cata aí tu que tu que taco no chão

O que nos falta é uma ideia clara do que nos expressa filosoficamente, e acharmos a nossa expressão culinária é o mesmo que nos acharmos; nosso problema é de “achamento” (parodiando Jorge de Lima, em “Todos cantam a sua terra”, 1926). Até hoje os nossos filósofos culinários interpretaram nossa cozinha; é chegado o momento de transforma-la. Ela está de cabeça para baixo. O que nos expressa não é qualquer pureza, mas a mistura. Somos misturados; a nossa filosofia é a misturação. Somos informes, mas não disformes.
 
Por isso gostamos da ideia de miscigenação. Somos raças misturadas, e embora saibamos que raças são entidades sem qualquer poder explicativo vamos para as ruas contra as confusões em torno do seu valor. Gostamos de todas as cores. Achamos que o estrangeiro é igual a nós: tomamos a jaca, a manga, a carambola, como coisas nossas. E quando se trata de coisas autóctones (ah, o pequi, o jatobá!), dizemos, violentando qualquer dicionário, que são “exóticas”. Somos os exóticos de nós mesmos. Autoctone só a mistura.

Misturamos estilos, misturamos ingredientes, misturamos nossas ideias. Nos misturamos nos outros e com os outros. Temos horror à pureza, à clareza, e não reconhecemos nelas qualquer superioridade. Achamos que somos miscigenados - misturados desde o início dos tempos de forma indelével. E se procuramos nossos caracteres, achamos nenhum. Macunaimicamente. 

Misturação é palavra feia. Por isso, em culinária, a nossa é a “filosofia lobozó”. Veja bem: o lobozó, prato apreciadíssimo nos rincões desse Brasil caipira, não tem receita. Sai do nada sem ter sido planejado. É misturar o que se tem à mão, seja jiló, abobrinha, maxixe, quiabo, tomate, grelos (cambuquira), queijo, qualquer coisa, colocar uns ovos e a icônica farinha de milho. Pronto! Tem-se uma coisa qualquer que é um…lobozó! É o contrário do cartesiano arrumadinho, do dissimulado escondidinho, da canônica feijoada que até dia certo tem como uma missa...

Lobozó é a confusão que alimenta, como um Toddy só nosso. Lobozó é gostoso porque é único, se improvisou na hora, até por falta de alternativa. É memorável sem se fixar na tradição.  Lobozó é imediato, é o ser-aí da comida. Nem tem adjetivo. Está na fronteira do refogado, da omelete, e não se resume a nenhum deles. Não se pode zoar, convidando alguém para uma “lobozoada”. Isso não existe. Faz-se, e pronto. Ninguém poderá dizer “o lobozó da minha mãe é melhor do que o da sua” porque não há uma metafísica do lobozó, como há do gefilte fish. Somos amplamente o lobozó. E se alguém ousa imprimir-lhe uma ordem, logo desmonta sobre si mesmo, confundindo o inconfundível.

O jeito é lobozar sem culpa. Reconhecer que inventamos a nouvelle cuisineno quibebe; que somos ibéricos no porco; amamos os norte-americanos no hamburguer; enchemos a beirada da pizza de catupiry para lhe emprestar uma toponimia tupi no prato; queremos porque queremos que o açaí seja universal como o kiwi. Temos a fome, mas a misturamos com a vontade de comer. Isso por acaso não é lobozó na sua mais pura expressão filosófica? Que digam os doutos…

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Carlos Alberto Dória é bacharel em Ciências Sociais pela USP, com doutorado e pós-doutorado na Unicamp, tendo estudado o darwinismo no Brasil. Possui também vários livros publicados sobre sociologia da alimentação: Estrelas no céu da boca; A culinária materialista; Formação da culinária brasileira; e-BocaLivre.
 
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