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"Já dizia o ditado popular que 'Em terra de cegos, quem tem um olho é rei', em linguagem denotativa, aqueles que possuem um pouco de conhecimento dominam a massa ignorante. Nesse momento, você deve estar se perguntando se esse artigo diz respeito à atual situação política do Brasil, já que é consenso nacional a falta de competência e visão daqueles que chegam ao topo da pirâmide e administram importantes organizações de interesse público." Stephen Kanitz.

Gosto de futebol, e a Copa do Mundo da FIFA é um dos maiores eventos esportivos porque mobiliza milhões de pessoas, movimenta recursos espantosos e desafia os atletas a mostrarem em campo todas as suas habilidades e talentos.

Com onze cidades-sede, o campeonato começou a ser disputado em 14 de junho e terminará 15 de julho. A edição de 2018 é a primeira realizada no Leste Europeu e a décima primeira realizada na Europa, depois de a Alemanha ter sediado o torneio pela última vez no continente em 2006.

Esta edição da Copa do Mundo, juntamente com a Universíada de Verão de 2013 e os Jogos Olímpicos de Inverno de 2014, que também foram realizados em território russo, são os primeiros eventos esportivos de importância mundial realizados no país desde os Jogos Olímpicos de Verão de 1980.

A edição deste ano apenas começou e a Seleção Brasileira, comandada pelo Tite, fez um primeiro jogo fraco, sem provocar empolgação. O empate de 1 a 1 contra a Suíça, time aplicado, foi encarado como um alerta pelos especialistas, em concordância com a nação torcedora.

Tem muito chão pela frente e tudo pode acontecer. Os jogadores do escrete canarinho têm qualidade e competência para vencer os seus adversários, desde que encarem seriamente cada partida, e joquem com espírito de uma equipe que sabe muito bem tocar a bola.

Brasil e Suíça empatam em estreia na Copa do Mundo 2018.Gol do Brasil foi marcado por Philippe Coutinho no primeiro tempo. Foto: FIFA / Divulgação.Brasil e Suíça empatam em estreia na Copa do Mundo 2018.Gol do Brasil foi marcado por Philippe Coutinho no primeiro tempo. Foto: FIFA / Divulgação.Aqui o futebol é um esporte nato. Desde cedo os meninos o praticam nos campos de várzea espalhados pelo país, e com a profissionalização e as possibilidades de ganhos dessa indústria poderosa, somos um dos mais expressivos fornecedores de craques para todos os continentes.

A meu ver, em função da situação política e econômica que vivemos; a Copa, nessa primeira semana de competições, despertou pouco entusiasmo.

Andando por algumas ruas de Sampa é possível ver decorações em verde e amarelo, e poucos carros circulando com a bandeira do Brasil. Talvez se os resultados dos próximos jogos da Seleção Canarinho forem positivos, o clima e a torcida ganhem outras conotações.

É acompanhar para ver o que será, e “pimba” na gorduchinha, como bem dizia o nosso querido locutor Osmar Santos. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

Cerca de 270 milhões de pessoas falam português nos nove países que tem esse idioma como língua oficial ou materna. É a mais falada no hemisfério sul e uma das cinco ou seis mais usadas no mundo, de acordo com estatísticas e critérios que podem variar conforme a fonte.

O Brasil, pelo tamanho da população, é o país que reúne o maior número de pessoas que se comunica em português. Começamos a aprender em 1500 e sei que muita coisa na nossa língua-mãe evoluiu, nasceu, morreu e adaptou-se nesses últimos cinco séculos. Mas estar na terra da origem da nossa língua, das nossas expressões e palavras, nosso sotaque (principalmente o dos cariocas) é um grande privilégio. E quando os amigos comentam que o bom de termos vindo morar aqui é a facilidade do idioma, já não sei se eles têm tanta razão assim…

Tenho andado na contramão de (praticamente) todos os motoristas de São Paulo. Explico: não sou usuária do Waze. Aliás, detesto o aplicativo. E detesto por vários motivos: antes de mais nada, por minha enorme dificuldade em obedecer (é séria essa questão na minha vida) – quem o Waze pensa que é para ficar me dando ordens? "Em 300 metros, vire à direita." "Vire à direita". Não sei lidar com esse tom imperativo.

50 são os novos 30 é um dos filmes em exibição no festival. Foto: Divulgação / Festival Varilux.50 são os novos 30 é um dos filmes em exibição no festival. Foto: Divulgação / Festival Varilux.

É prazeroso ir ao cinema e se emocionar com histórias da vida, as quais ganham dimensões marcantes vistas na telona, e principalmente quando nós saímos mexidos da exibição; sensibilizados, incomodados ou com qualquer outro sentimento que nos mobilize e nos faça pensar.

Aproveitando a maratona do Festival Varilux de Cinema Francês 2018, vi três belas produções, nessa ordem: “50 são os novos 30”, “Promessa ao Amanhecer” e “Marvin”. Sem apelar para acrobacias tecnológicas, efeitos especiais assustadores em som Dolby Stereo nem piadas forçadas.

Com um mix de roteiros certeiros, interpretações poderosas e direções seguras, por visões particulares, as três ficções mergulham pelas diferentes facetas das relações familiares, ora com boas pitadas de humor, como na comédia romântica “50 são os novos 30”, em que a cinquentona Marie-Francine (Valérie Lemercier) é abandona pelo marido e, sem outra opção, volta a morar com os pais, e tem que se reencontrar pessoal e profissionalmente… aos 50 anos! Apesar de infantilizada por eles, é numa pequena lojinha de cigarros eletrônicos da qual vai tomar conta, que ela vai conhecer Miguel que, sem ousar confessar, está na mesma situação que ela.

Adaptação do livro de Romain Gary, Promessa ao Amanhecer (La promesse de l´aube), um dos relatos mais comoventes já escritos sobre o amor materno. Foto: Divulgação / Festival Varilux.Adaptação do livro de Romain Gary, Promessa ao Amanhecer (La promesse de l´aube), um dos relatos mais comoventes já escritos sobre o amor materno. Foto: Divulgação / Festival Varilux.

O drama “Promessa ao amanhecer” é inspirado na novela autobiográfica de Romain Gary, publicada na frança em 1960, na qual ele, no filme vivido por Pierre Niney, narra a sua asfixiante relação com a mãe superprotetora, Nina, interpretada pela excelente Charlote Gainsbourg. Desse relacionamento materno de amor verdadeiro e profundo, Romain jamais se recuperou de algumas marcas, e as enfrentou como lhe foi possível. Essa adaptação muito variada, tão avassaladora quanto o relato original, respeita a memória e a vida de Gary (…) O personagem da mãe, Nina, feito por Charlotte Gainsbourg, nos impressiona do início ao fim.

Já em “Marvin” somos convidados a percorrer os caminhos do sensível menino chamado de “bicha” pelos colegas da escola, que utiliza a sua história de vida e a sua experiência familiar como nutrientes para se transformar num artista criativo e bem sucedido, e que encontra na linguagem teatral a via para se encontrar consigo mesmo, e para ocupar o seu lugar nesse mundo. Marvin Bijou está em fuga: primeiro de seu vilarejo em Vosges, depois da família, da tirania do pai, da renúncia da mãe e por último da intolerância, rejeição, humilhações as quais era exposto por tudo que faziam dele um rapaz ”diferente”. 

"Marvin" é um retrato fragmentado e constantemente comovente de um jovem que consegue ir além do espelho. Foto: Divulgação / Festival Varilux."Marvin" é um retrato fragmentado e constantemente comovente de um jovem que consegue ir além do espelho. Foto: Divulgação / Festival Varilux.

O Festival Varilux está em cartaz até 20 de  junho de 2018 nas principais cidades do Brasil. Mais informações em http://www.festivalvarilux.com.br/. Por aqui, fico. Até a próxima!

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

A cidade onde moramos é chamada Museu Vivo do Azulejo. Nas minhas pedaladas pelas ruas estreitas da cidade – e olhe que são muitas – sempre vejo uma cor diferente, um padrão novo, um desenho que ainda não tinha notado.

E são muitas fachadas de casa mesmo – ao menos 800 devidamente identificadas -, a maior parte em edificações privadas. Não por acaso, é aqui em Ovar que fica o ACRA (Atelier de Conservação e Restauro de Azulejo), o único atelier municipal do país, voltado para preservação e recuperação de fachadas históricas (azulejos do século XIX e primeira metade de XX).