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Não é só na pandemia. Cidades mudam todo o tempo e Nova York mais que todas. A Ilha de Manhattan já foi uma floresta vendida aos holandeses pela tribo dos Lenapes. Depois, cresceu sob os ingleses, atraiu todo tipo de imigrantes após a independência e durante os séculos XIX e XX e produziu mais riqueza e cultura do que qualquer cidade do mundo.

Sofreu baques com a violência do final dos anos 70, a queda das torres gêmeas, assistiu à gentrificação e mudança da característica dos bairros nos anos 2000, e a uma nova visão de cidade. Nesse último século inteiro, porém, ela nunca deixou de ser uma meca para as pessoas que produzem, consomem e vivem cultura. Para lá acorrem os turistas em busca do último musical, os artistas em busca de fama, e os famosos em busca de inspiração.

Amanhecer do Pão de Açúcar visto de Botafogo, Rio de Janeiro. Foto: Carlos Monteiro.Amanhecer do Pão de Açúcar visto de Botafogo, Rio de Janeiro. Foto: Carlos Monteiro.

Foto: Carlos Monteiro.Foto: Carlos Monteiro.

Foto: Carlos Monteiro.Foto: Carlos Monteiro.

Já fotografei a Cidade Maravilhosa de todos os ângulos, em todos os seus aspectos grandiosos, em todos os dias, horários e estações do ano. De cima, de baixo, de lado, de frente ou fundos, subaquático, como escafandrista e à flor d’água como ‘remador’. Dos céus, sobre a cidade, no topo dos prédios, lajes beirais e telhados, alpinista de pedreiras, montanhas, pedras e pedregulhos, dependurado em antenas, postes, árvores e tudo mais que deu para subir. No calor da imagem perfeita, é sempre tarefa fácil. Tripé nas costas, junto a mochila, mosquetões segurando a câmera ao peito para que não saia esbarrando em tudo e cause uma possível avaria vou eu. Nessas horas o medo não existe e a sensação é de vitória.

2020 foi um ano em que mudou praticamente tudo nas nossas vidas. Ou melhor, quase tudo... Quando o assunto foi escolher o nome da filha que ia nascer, tudo seguiu sem alteração: só deu Maria em Portugal, nome que vem sendo uma das principais escolhas dos casais desde 2005. No ano que passou, foram mais 4872 Maria nas maternidades portuguesas, considerando dados acumulados do ano até meados de dezembro. Depois de Maria, Leonor (1310), Matilde (1255), Carolina (1008) e Alice (968).

Keith Jarrett. Foto: Henry Leutwyler / ECM Records.Keith Jarrett. Foto: Henry Leutwyler / ECM Records.

No dia 30 de outubro de 2020, foi lançado ``Budapest Concert'', o mais recente álbum de Keith Jarrett, gravação do concerto de abertura de sua última turnê europeia.¹  Poucos dias antes do lançamento, em entrevista concedida ao ‘The New York Times’, Jarrett afirmou sentir-se o John Coltrane dos pianistas: “Todos os saxofonistas que vieram depois de Coltrane mostraram o quanto devem a ele. Mas nenhum criou, de fato, uma música própria – foram apenas diferentes maneiras de imitá-lo.”

Foto: BigStock.Foto: BigStock.

A cidade de São Paulo se fez num lugar muito inóspito, séculos atrás. Num certo sentido, ainda tem suas dificuldades de adaptação ao meio. Mas poucas são de adequação geográfica. Muitas são de natureza social.

Se você fosse escolher uma palavra para marcar o ano que passou, qual seria? Vacina? Vírus? Morte? Esperança? Aqui em Portugal, a chamada “Palavra do Ano” é anunciada nos primeiros dias de janeiro, como resultado de um levantamento que vem sendo feito desde 2009, como já escrevi pouco mais de um ano atrás. A iniciativa aponta aquela palavra que mais representou os últimos 365 dias, aquela que mais ficou na cabeça dos portugueses, a que mais foi procurada, falada, ouvida, pensada. E o resultado acaba de sair.