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"As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino ilustradas pela arquiteta peruana Karina Puente. ‘Zirma‘. Imagem © Karina Puente Frantzen"As Cidades Invisíveis" de Italo Calvino ilustradas pela arquiteta peruana Karina Puente. ‘Zirma‘. Imagem © Karina Puente Frantzen

Da ‘Odisséia’ de Homero às ‘Cidades Invisíveis’ de Calvino, são incontáveis os belíssimos encontros ocorridos, ao longo de nossa História, entre literatura e viagem. Diferentemente dos guias, que têm por objetivo fornecer informações de ordem prática sobre uma determinada cidade ou um lugar, a literatura de viagem, por meio da narrativa de experiências, descobertas e reflexões, coloca a aventura pessoal numa dimensão universal, capaz de instigar a imaginação, despertar sensações e inspirar desejos.

São Paulo e a Igreja de Santa Efigênia no centro da cidade. Foto: Cristiano Mascaro.São Paulo e a Igreja de Santa Efigênia no centro da cidade. Foto: Cristiano Mascaro.

Assim como pessoas, lugares não têm vida senão por meio das relações que neles e por eles se contróem. Narrativas épicas, relatos de exílios, romances ficcionais, séries fotográficas e até mesmo alguns diários de viagem jogam luz sobre essas relações e têm papel fundamental na ampliação de nossa capacidade de perceber, sentir e imaginar o mundo que habitamos. Seria o mesmo nosso olhar sobre a Sícilia sem a leitura do texto de Lampedusa? E nossa percepção de Paris, sem as memórias de Hemingway? Conseguiríamos enxergar a São Paulo de Cristiano Mascaro se não fosse por meio de sua lente? Temos consciência da infinita diversidade de lugares, paisagens, pessoas e culturas que habitam nosso mundo, mas são as experiências frente a essa diversidade que falam à nossa alma, e não seu entendimento racional.

Le Dome Café na Boulevard Montparnasse de Paris em 1920. Foto: National Geographic.Le Dome Café na Boulevard Montparnasse de Paris em 1920. Foto: National Geographic.

Cada um de nós traz dentro de si um profundo arcabouço de imagens, sensações, palavras ou aromas que relacionamos a lugares, vivenciados ou sonhados, dos mais próximos aos mais distantes. Mistura de memórias, desejos e impressões, é um acervo que, de maneira não linear, vamos montando ao longo da vida; dentro de nós, permanece em silêncio, adormecido – mas a menor referência a qualquer dos lugares que nos habitam faz esse universo despertar.

Nesse sentido, a experiência de uma viagem tem início muito antes da efetiva partida. A escolha por um destino, a decisão sobre o meio de transporte, a análise de possibilidades e montagem da agenda, a inclusão (ou não) de uma companhia… Cada passo dado desde o primeiro instante de elaboração de uma viagem é resultado não apenas de um repertório cultural, mas principalmente desse universo onírico e sensorial que nos habita. Quanto mais amplo for esse universo, então, mais bela poderemos tornar a experiência vivenciada – e maior será o prazer que poderemos conferir à nossa alma.

O 2 de Outubro é reconhecido como o Dia Internacional da Não-Violência (ONU), essa condição de convivência tão desejada, por meio da qual todas as pessoas do mundo respeitariam as diversidades e valorizariam os seres humanos em prol da construção permanente do bem comum. 

A data, criada em homenagem ao pacifista Mahatma Gandhi, tem o propósito de incentivar a educação pela Paz, respeitando sempre os direitos humanos.

Mais do que um compromisso das nações, a Paz é um estado de consciência individual com efeitos cotidianos em cada escolha, decisão e atitude que praticamos. Nesse sentido, a Paz se nutre a cada instante porque a todo o momento somos desafiados pelas circunstâncias de dentro e de fora a revalidar as nossas convicções.

Os estímulos externos são relativamente fáceis de serem identificados. Entretanto, os maiores exercícios que a vida  nos convida a enfrentar estão nas situações que criamos internamente, a partir dos nossos pensamentos, os quais podem transformar o imaginário em fatos “reais” que geram em primeira instância desequilíbrio, ansiedade, descontrole, dentre outros sintomas conhecidos.

Nesse dia tão importante para a humanidade foi sintomático o que aconteceu em Las Vegas, uma das cidades mais importantes dos Estados Unidos da América, em que um homem irado decidiu matar pessoas que estavam assistindo a um show de música. Até agora esse ato violento resultou em 58 mortos e mais de 500 feridos.

Foi um ato isolado, mas que demonstrou o quanto a sociedade está doente, visto que, por diversos motivos, massacres contra cidadãos comuns como formas de protesto, indignação, intolerância, posicionamento político ou instabilidade emocional são cada vez mais corriqueiros.

Num mundo em que vivemos conectados e acompanhamos tudo instantaneamente, a tragédia de Las Vegas, como milhares de outras, são descartadas no momento seguinte quando novas postagens  nas Redes Sociais nos convidam a “Curtir”, “Comentar” e “Compartilhar” de maneira automática.

A verdadeira Paz deve ser lapidada segundo a segundo, diante do espelho. Naquele momento solitário e crucial que nos convida a olhar com sinceridade para nós mesmos e a responder pelo menos três questões: 1) Quem sou?;  2) O que eu vim fazer aqui, e 3) Qual a minha contribuição para um mundo melhor? Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.

A gente sabe que existe, no planeta, indivíduos que já chegaram aos 120 ou até mais anos. A maioria, no entanto, do outro lado do mundo. No Nepal. Na Manchuria, por ali, perto do deserto de Gobi.

Do lado ocidental, a idade das pessoas também tem aumentado. Há cada vez mais velhos. Culpa da ciência e das modernas técnicas de rejuvenescimento, cujas clínicas se espalham pelos países  desenvolvidos onde a qualidade de vida colabora para esse efeito. 

E o futuro nos reserva surpresas prodigiosas em genética, nutrição farmacopeia...,etc, que nos ajudarão a ser jovens com 80 anos sem poções milagrosas, mas por conquistas científica. 

Aqui, ou pelo menos ali, nos EUA e/ou na Europa, poderemos  detectar os riscos e evitá-los antes que a doença apareça, ou seja, mediante o diagnóstico precoce; e por outro lado, graças à ação farmacológica.

A fármacogenômica, por sua vez, será capaz de intervir na ativação dos genes que nos protegem contra determinadas doenças e silenciar os que as potencia.

O site em português do diário espanhol El Pais traz importantes e interessantes informações sobre o tema, especialmente um teste que permite a qualquer pessoa saber quantos anos ainda tem de vida.

Aos 77 anos (bem vividos, embora nem sempre vividos bem) é óbvio que eu não deixaria passar a oportunidade de saber quanto tempo ainda me resta. 

Esse teste (publicado na revista Nature em 2004 e modificado por Francisco Mora em seu livro “O Cientista Curioso“) permite estimar quantos anos você irá viver. Pelo menos aproximadamente. 

É preciso começar com 76 (foi mera coincidência) e somar ou subtrair de acordo com as respostas a essas 20 premissas.

1. Tem entre 30 e 50 anos (+2); entre 51-70 (+4).

2. É homem (-3) ou mulher (+4).

3. Vivem em uma área urbana com mais de um milhão de habitantes (-2) ou em uma cidade ou vila pequenas (+2).

4. Um de seus avós viveu até os 85 anos (+2) ou os dois viveram até os 80 anos (+6).

5. Um de seus pais morreu de doença cardíaca ou derrame cerebral antes dos 50 anos (-4).

6. Algum de seus pais ou irmãos têm câncer, uma doença cardíaca ou sofre de diabetes desde criança (-3).

7. Ganha aproximadamente o salário mínimo (-2).

8. Tem estudos primários (+1); ou estudos médios e superiores (+2).

9. Tem 65 anos ou mais e continua ativo (+3).

10. Vive com seu (sua) companheiro (a) ou um amigo (+5).

11. Vive sozinho (-3) ou o fez durante longos períodos de tempo desde seus 25 anos (-3).

12. Trabalha em um escritório (-3) ou em uma profissão que exija um grande esforço (+3).

13. Faz exercícios durante 30 minutos 5 vezes por semana (+4) ou de 2 a 3 vezes por semana (+2).

14. Dorme mais de 10 horas diárias (-4).

15. É uma pessoa relaxada (-3); feliz (+1) ou infeliz (-2).

16. Foi multado por excesso de velocidade nos últimos anos (-1).

17. Bebe diariamente uma ou mais doses de álcool (-1).

18. Fuma mais de dois maços de cigarros por dia (-8), um ou dois (-6); meio ou menos (-3).

19. Seu sobrepeso é de 50 quilos ou mais (-8); de 49-14 quilos (-4), de 13-5 (-2).

20. Tem por volta de 40 anos e fez todos os exames médicos (+2).

Somou e diminuiu direitinho? Não roubou? Descobriu quando você vai morrer? Eu já sei, e me preocupo. Acho que o Brasil vai acabar antes.

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Tão Gomes Pinto é jornalista e escritor. Atuou nos principais veículos da imprensa. 

Minha implicância com o açúcar não é pequena. E nem é de hoje. Me explico: apesar de, em excesso, ele fazer tão mal à saúde, chefs, cozinheiros amadores e donas de casa são bastante indiferentes a isso, considerando-o um mero ingrediente como outro qualquer.

Mira Schendel. Foto: Pinterest.Mira Schendel. Foto: Pinterest.Dentre os artistas europeus que imigraram para o Brasil durante ou logo após a 2ª Guerra Mundial, e que tanto contribuíram para o enriquecimento da linguagem das nossas artes plásticas, Mira Schendel (Myrrha Dagmar Dub: 1919 -1988) é sem dúvida o nome de maior importância.

Nascida em Zurique, viveu também em Berlim, Milão, Sarajevo, Zagreb e em Roma, até imigrar para o Brasil em 1949, instalando-se em Porto Alegre. Não há registros de qualquer produção européia sua; deduz-se que, ao imigrar, ela tenha interrompido sua formação universitária em filosofia na Itália, e tenha iniciado sua produção artística apenas aqui, como autodidata. Como explicou Geraldo de Souza Dias em 2001, no prefácio do catálogo da exposição da artista no Jeu de Paume, Paris, “sua infraestrutura intelectual, alimentada por inquietudes filosóficas e religiosas, encontrou aqui um ambiente cultural muito mais propício ao estímulo da criatividade artística do que ao rigor científico do pensamento filosófico.

Os escritos de Schendel são fundamentais para o entendimento da singularidade de sua obra. Sem se ocupar da história da arte, ela se referenciava na psicologia, na ciência, no conhecimento, na teologia e na filosofia para produzir seus trabalhos, sempre balisados por seus próprios pensamentos e princípios estéticos. Predominante na filosofia ocidental pós Platão, a ideia da cisão inerente à natureza humana – corpo vs. alma, matéria vs. espírito – é central em sua obra, muitas vezes permeada por indagações existenciais ou expressões de origem religiosa.

‘Objeto gráfico‘ (1967). Obra exibida em exposição na Pinacoteca. Acervo: Daros Latinamerica Collection, Zurique, Suíça. Foto:  Peter Schälchli.‘Objeto gráfico‘ (1967). Obra exibida em exposição na Pinacoteca. Acervo: Daros Latinamerica Collection, Zurique, Suíça. Foto: Peter Schälchli.Das naturezas mortas do início, Mira Schendel rapidamente evoluiu para o abstracionismo e em seguida para os escritos – caligrafias de imensa beleza por meio das quais registrava seus pensamentos e inquietudes. Sem abandonar a palavra como expressão do pensamento, Mira foi depois incorporando a esses escritos as letras autocolantes (Letraset), apropriando-se assim dessas letras não apenas como veículos do significado, mas como elementos gráficos de inúmeras possibilidades plásticas. As experimentações com transparências, que permitem que o espectador contemple as 2 faces das monotipias, são exemplos máximos da profundidade e da sensibilidade presentes nessa sua investigação.

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