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A Urbe é sinistra quando paro no farol e vejo tantos ambulantes, que vendem de rosas a panos de prato, guarda-chuvas, passando por carregadores de celulares, frutas variadas, tudo na barganha que começa em R$ 25,00, mas dependendo do tempo do farol chega a R$ 10/15, 00 e o vendedor ainda sai feliz.

A urbe é sinistra quando vejo a velocidade dos carros – que um diminui e outro aumenta... E já foi comprovado que nesse quesito menos é mais segurança.

A urbe é sinistra quando vejo que as famílias que habitavam o entorno da Praça 14 Bis estão sumindo. E indo para onde? Quando vejo que há prédios e mais prédios desocupados no centrão e ninguém resolve. Aí tem invasão e depois é outra luta.

A urbe é sinistra quando vejo meninos – moleques de tudo – no túnel que liga a Dr. Arnaldo à Paulista, atravessando feito zumbis pelos carros, e que vem roubar meu celular com arma na mão.

A urbe é sinistra quando vejo amigos com mais de 45 anos que não conseguem mais se empregar. Muita experiência ou salário alto é a alegação do mercado. Precisam trabalhar, mas não podem mais estar no quadro de nenhuma empresa. Não resta alternativa, eles têm que se reinventar.

A urbe é sinistra quando vejo as crianças que vivem em abrigos para serem protegidas dos próprios pais. Mãe e pai que maltratam não têm vez. E estas crianças, crescem com qual identidade?

A urbe é sinistra quando vejo os idosos nos lares que chamam de clínica de retaguarda. Eles não têm condições de voltar para casa nem chance de recuperação física e psicológica. Dependem dos médicos, enfermeiras, cuidadoras, pois a família, além da visita para dar amor e atenção, só pode rezar.

A urbe é sinistra quando vejo tantos pernetas e cadeirantes sem condições de trabalhar fazendo a vida como pedintes de uma vida inteira.

A urbe é sinistra quando há tantas bibliotecas na cidade que poderiam ser melhor utilizadas se programassem atividades para todas as faixas etárias, como poucas fazem. Querem aumentar a leitura, mas elas não chegam à grande maioria carente, que mal sabem os tesouros que têm por lá.

A urbe é sinistra, mas acolhe muitos migrantes e imigrantes que conquistam outra vida por aqui, ralando muito, é claro, mas que dão tudo por viver em SP.

A urbe é sinistra, mas oferece museus, cinemas, shows para quem pode e quem não pode. Muitos não sabem dos seus direitos e das coisas boas que SP dá sem pedir nada em troca.

A urbe é sinistra, mas os apaixonados se encontram no jardim da Casa das Rosas, na Paulista, e ficam felizes só pela presença no local mais romântico da famosa avenida.

A urbe é sinistra, mas quase todos os finais de semana ouço um “parabéns a você” cantado por crianças e jovens na minha vizinhança.

A urbe é sinistra, mas adoro quando estou no chuveiro e ao invés de cantar, ouço do andar de baixo um casal fazendo vocalize para ensaiar a voz.

A urbe é sinistra, mas é um prazer enorme ir ao Ibirapuera e ver o final de semana de várias famílias em busca do verde, tão raro.

A urbe é sinistra, mas fico feliz quando vejo um engravatado de 30 e poucos anos caminhando na chuva sem proteção e assobiando uma melodia deliciosa, sem se preocupar com o aguaceiro em seu terno.

SP é uma urbe sinistra do bem e do mal. Mais que nunca Carlito Maia estava com a razão quando disse “Amo SP, mas com todo ódio!”

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Marina Bueno Cardoso, jornalista, trabalhou na imprensa em São Paulo e na área de Comunicação Corporativa de empresas. É autora do livro “Petit-Fours na Cracolândia”, Editora Patuá. Publica crônicas quinzenalmente no São Paulo São que são replicadas no site literário www.musarara.com.br

Gramado e trilha no interior do parque. Foto: Áreas Verdes das Cidades.Gramado e trilha no interior do parque. Foto: Áreas Verdes das Cidades.

Conheci a então Praça Buenos Aires em 1981, quando iniciei o curso de comunicação social na FAAP – Fundação Armando Álvares Penteado.

Depois de levar quatro prêmios na última edição do Festival de Brasília e ser exibido em mais de 20 cidades brasileiras, o longa “A Cidade Onde Envelheço”, de Marília Rocha, chega às plataformas de streaming no próximo dia 20. O filme traz como mote a relação de duas amigas portuguesas, que migram para o Brasil em momentos diferentes, a intimidade entre elas e suas visões sobre as peculiaridades do país.

Berlim é a terra do cinema. Berlinale, glamour, lembra? Mas deixa isso para lá. Quando o assunto é cinema (e vida também) uma das coisas mais legais de Berlim são os kinos. Lembra de cinema de bairro? Agora pense em cinema de bairro que tem um jeito de bar do rock, brechó e café antigo, tudo ao mesmo tempo. Junte essas coisas maravilhosas e mais um sentimento de amor e você tem um kino. Existem centenas deles em Berlim. Em todos os bairros. E eles nem viraram igreja. Uma maravilha.

O nome dele é Carlos Douglas. Isto mesmo, mas podem chamá-lo de Douglas. O nome pode parecer esquisito, mas foi sua mainha, fã de Roberto Carlos e Michael Douglas, quem escolheu.

Antonio e Camila Pitanga revivem imagens do passado em documentário. Foto: Murillo MeirellesAntonio e Camila Pitanga revivem imagens do passado em documentário. Foto: Murillo Meirelles

É um presente realizar um filme autobiográfico em vida e, além disso, desempenhar papéis distintos de narrador, entrevistador, e intérprete de si mesmo.

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