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Série 'Aéreas'. Foto: Cassio Vasconcelos.Série 'Aéreas'. Foto: Cassio Vasconcelos.

Assim como pessoas, lugares não têm vida senão por meio das relações que neles e por eles se constroem. Cada pessoa carrega dentro de si um enorme acervo de imagens, sensações, palavras ou aromas relacionados a lugares – uma mistura de memórias, desejos e impressões que se articulam sem muita lógica ou sequência.

Em nossa última coluna, em homenagem aos 466 anos de São Paulo, falamos da multiplicidade dos espaços urbanos. Do quão fértil e enriquecedor a diversidade pode ser para a experiência do viver nas cidades. Diante dos acontecimentos das últimas semanas que trouxeram à baila a discussão sobre desigualdade social e episódios de classismo, racismo, xenofobia, em escala global, vale seguir flertando com temas relacionados a convivialidade possível nas cidades. 

Nos últimos 30 anos a população portuguesa de até 17 anos de idade passou de pouco mais de 2,5 milhões de pessoas para cerca de 1,7 milhão. Foto: CDN / Record.Nos últimos 30 anos a população portuguesa de até 17 anos de idade passou de pouco mais de 2,5 milhões de pessoas para cerca de 1,7 milhão. Foto: CDN / Record.

Claro que a pergunta me parece exagerada, mas já vi que esse tipo de discussão surgiu como resultado de alguns estudos e colóquios aqui ou ali. O fato é que dados recém divulgados confirmam: parece que ninguém quer saber de ter filho por aqui. No ano passado, nasceram cerca de 87 mil pessoas em Portugal, número 0,5% menor do que o de 2018. E para tornar o tema mais drástico, morreram pouco mais de 112 mil. Ou seja, o déficit segue aumentando. Já são onze anos seguidos em que os mortos ganham dos vivos. O tema é sério e, de alguma forma, ajuda a contextualizar a importância da imigração para que a população portuguesa não diminua ainda mais rápido.

A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi foi ignorada pelo presidente Trump enquanto estendia a mão para cumprimentá-lo. Foto: AFP..A presidente da Câmara, a democrata Nancy Pelosi foi ignorada pelo presidente Trump enquanto estendia a mão para cumprimentá-lo. Foto: AFP..

Escrevo este texto ainda sob o impacto das cenas do mais recente encontro entre o presidente dos Estados Unidos e seu Congresso, ocorrido na noite da última terça-feira, 4 de fevereiro. Nesse dia, aconteceu a tradicional cerimônia norte-americana chamada 'Discurso do Estado da União', em que o chefe do executivo apresenta-se à Câmara e ao Senado para a entrega de um relatório anual de atividades, normalmente proferido em forma de discurso. Além de deputados e senadores, participam do evento diversos outros políticos e representantes da sociedade civil, todos convidados pela Presidência da República.

São Paulo que faz Londres parecer uma vila, exagero de londrino apaixonado que aprendeu rápido a chamar-lhe realidade. Foto: Getty Images.São Paulo que faz Londres parecer uma vila, exagero de londrino apaixonado que aprendeu rápido a chamar-lhe realidade. Foto: Getty Images.

São Paulo completou 466 anos no último dia 25. A nossa paulicéia desvairada contemporânea, melhor e mais completa síntese e tradução de tantos Brasis. Aquela que foi um dia chamada de mau gosto, mau gosto, pelo poeta narcísico que ainda não a compreendera, recém se descobriu um dos destinos mais desejados no mundo. Desejada... Nada mal para uma quatrocentona já se aproximando dos cinco séculos de história.

Em 2018, ao contrário, mais de 20 mil pessoas com cidadania portuguesa retornaram ao país, grande parte delas vindo do Brasil, da Venezuela e da Suíça. Foto: Dinheiro Vivo.Em 2018, ao contrário, mais de 20 mil pessoas com cidadania portuguesa retornaram ao país, grande parte delas vindo do Brasil, da Venezuela e da Suíça. Foto: Dinheiro Vivo.

Portugal segue sendo um dos principais destinos para quem quer passear ou mesmo começar uma nova vida. Isso já não é novidade. Turistas e imigrantes chegam aos montes, principalmente os meus conterrâneos brazucas. Mas um movimento que vem se intensificando é a volta dos portugueses que anos atrás saíram do país em busca de melhores condições de vida e de trabalho. O Relatório da Emigração 2018 apresentado pelo Ministério dos Negócios Estrangeiros mostrou que o saldo entre os que querem sair do país e os que voltam foi positivo pelo segundo ano consecutivo, incluindo não só os nascidos em Portugal mas também os que possuem nacionalidade por descendência. Entre 2011 e 2017, por exemplo, Portugal chegou a “perder” mais de cem mil pessoas por ano, que cruzavam as fronteiras para buscar trabalho, salários mais altos e novas oportunidades. Em 2018, ao contrário, mais de 20 mil pessoas com cidadania portuguesa retornaram ao país, grande parte delas vindo do Brasil, da Venezuela e da Suíça. Apesar disso, a população portuguesa continua a encolher, o que tem feito o poder público focar esforços em políticas de fixação dos jovens no mercado de trabalho e nos incentivos para os que querem voltar.

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