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"Historiazinha de quarta-feira, porque tem feijuca no quilão. A Agência Estado tinha um enorme banheiro feminino, com um espelho grande ao fundo. Minha amiga Cacao, um dia, entrou no banheiro, olhou-se no espelho e gritou: ‘Nossa, que mulher parecida comigo, só que mais gorda e mais velha!"

'Reflections' :: Campanha da Novartis by ©Tom Hussey :: 2010.'Reflections' :: Campanha da Novartis by ©Tom Hussey :: 2010.

Li esse post no Facebook algum tempo atrás, escrito por uma ‘facefriend’ muito querida, excelente jornalista e também (talvez ela discorde) impagável cronista.

Pretende-se, coma as medidas, entre outros objetivos, colocar Portugal ao nível de outros países onde a prática do uso de bicicletas já está enraizada. Foto: Público. Pretende-se, coma as medidas, entre outros objetivos, colocar Portugal ao nível de outros países onde a prática do uso de bicicletas já está enraizada. Foto: Público. Enquanto a ex-colônia discute temas ambientais e de mobilidade questionando o aumento do desmatamento, brigando com índios, sugerindo que se vá menos ao banheiro e abolindo os radares de controle de velocidade, Portugal acaba de aprovar a sua Estratégia Nacional para a Mobilidade Ativa Ciclável 2020-2030, proposta para fazer frente aos grandes desafios de sustentabilidade da próxima década. O plano foi apresentado emmarço e ficou em consulta pública nos meses seguintes. A proposta aprovada e anunciada agora em agosto já incorpora uma série de sugestões e emendas propostas por entidades setoriais, indústria e ONGs.

A ideia  foi escolher um lugar numa outra região da cidade nem tão longe e nem tão próxima da convivência com as famílias e o comércio. Foto: Acervo / O Estado de S.Paulo.A ideia foi escolher um lugar numa outra região da cidade nem tão longe e nem tão próxima da convivência com as famílias e o comércio. Foto: Acervo / O Estado de S.Paulo.

Quem passa pela movimentada rua José Paulino, dificilmente pode imaginar que em duas acanhadas ruas paralelas que se fecham no paredão dos trilhos dos trens que dividem os bairros de Campos Elíseos e Bom Retiro, houve durante treze anos uma área de confinamento de prostitutas na cidade de São Paulo. A zona do meretrício do Bom Retiro localizava-se  entre as ruas Aimorés e Césare Lombroso. Nas palavras do escritor João Antônio, ali era o U do Bom Retiro.

 Chevrolet Bel Air 1957 conversível, um dos carros mais icônicos da época. Foto: GM.Chevrolet Bel Air 1957 conversível, um dos carros mais icônicos da época. Foto: GM.

O carro já foi considerado o “cavalo da família” (por Henry Ford, pioneiro na indústria de automóveis, em 1908) e também foi um dos maiores símbolos de status. No Brasil, que copia o modelo norte-americano há décadas, essa crença trouxe problemas que ficaram aguçados nos dias de hoje, como a histórica falta de investimento no transporte coletivo e as políticas públicas que desprezam pedestres e ciclistas. Estão aí as cidades brasileiras, de todos os portes, ausentes de calçadas, ciclovias e espaços públicos para o bem-estar dos caminhantes, das pessoas.

O problema não é o carro em si, mas o seu mau uso: a baixa taxa de ocupação no Brasil aumenta os congestionamentos e a poluição. Foto: BlaBlaCar / Divulgação.O problema não é o carro em si, mas o seu mau uso: a baixa taxa de ocupação no Brasil aumenta os congestionamentos e a poluição. Foto: BlaBlaCar / Divulgação.

Bem, esse império foi terminando e no século 21 o carro se viu comparado a um dos grandes males da sociedade, o cigarro. O carro é o novo cigarro, dizem cientistas, pensadores e líderes do mundo todo. Exagero? Pode parecer uma comparação pesada, mas de fato ele vem sendo apontado, em todo o planeta, como um dos maiores vilões para a saúde. Para ter uma ideia de seus malefícios, só em São Paulo, onde os carros são responsáveis por 73% dos gases poluentes (de acordo com estudo do Instituto de Energia e Meio Ambiente - Iema), acontecem cerca de 11 mil mortes por ano causadas pela poluição.

Carona solidária e sábia

Eliminar totalmente o carro das ruas parece distante e utópico, especialmente no Brasil. Mas ele pode ser usado de forma mais inteligente, consciente e útil. Como? Simplesmente transportando mais gente. A média no país é de 1,5 pessoa por carro. Baixíssima, especialmente se considerarmos os impactos ambientais desse tipo de transporte. Além disso, não é muito sensato usar uma máquina com mais de uma tonelada e 100 cavalos de potência para carregar apenas uma pessoa. 

 A economia colaborativa está crescendo e envolve a mobilidade: compartilhar é o verbo. Foto: Lyft / Divulgação. A economia colaborativa está crescendo e envolve a mobilidade: compartilhar é o verbo. Foto: Lyft / Divulgação.

O importante é usar a capacidade total do veículo. Se cabem cinco, por que a maior parte dos carros roda com um indivíduo apenas? O grande problema não é o carro em si, mas o seu mau uso, que tem como consequência o congestionamento, os acidentes e a poluição.

Esse cenário de compartilhamento de veículos requer atitudes voltadas à coletividade. Pode ser difícil no começo, mas precisamos começar, motivar os amigos, familiares e vizinhos. Além de organizar um grupo de carona no condomínio, com os pais da escola ou os colegas de trabalho, é possível usar aplicativos para dividir viagens como o Waze Carpool, recém-lançado no Brasil, e a BlaBlaCar, maior plataforma de caronas de longa distância no mundo, fundada na França em 2006 e que já conta no Brasil com mais de 2,5 milhões de membros. A economia colaborativa está crescendo e envolve a mobilidade: compartilhar é o verbo.

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Conteúdo semanal assinado pelo Pro Coletivo, blog parceiro de conteúdo, especializado em assuntos da multimodalidade.

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