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Na próxima semana parte do litoral português vai receber um arsenal de gente para recolher o lixo das praias. Foto: Divulgação.Na próxima semana parte do litoral português vai receber um arsenal de gente para recolher o lixo das praias. Foto: Divulgação.

Basta ter gente nas praias para ter lixo nas praias. Estava acostumado a ver plástico, papel, bitucas de cigarro (as beatas, como falam por aqui), as famosas “palhinhas” (como os portugueses chamam os canudinhos) pelas praias brasileiras, mas aqui no “primeiro mundo” a coisa é mais ou menos parecida. E posso falar com algum conhecimento de causa, porque conhecer praias tem sido um programa nosso por aqui. Do Furadouro, a praia do nosso “quintal”, subindo em direção ao Porto ou descendo no sentido de Aveiro, não há como deixar de ver – em maior ou menor escala – os rastros da presença humana na areia (e não estou falando das pegadas...).

Ilustração do final do século XIX mostra trânsito de carruagens em rua de Londres. Imagem: Public Domain Smithsonian. Ilustração do final do século XIX mostra trânsito de carruagens em rua de Londres. Imagem: Public Domain Smithsonian.

No final do século XIX e no início do século XX, a mobilidade nas principais cidades do mundo dependia muito mais da tração animal do que de veículos automotivos. Charretes puxadas por um cavalo e carruagens tracionadas por dois ou até mesmo quatro cavalos ocupavam os leitos carroçáveis das cidades. Os veículos automotivos começavam a surgir no cenário urbano, onde bondes elétricos já faziam parte do cotidiano. Nesta época a velocidade média de deslocamento ficava em torno dos 20 km/h. Atualmente a velocidade média de um carro, potente ou não, durante o horário de pico, é também de apenas 20 km/h. Em alguns casos pode ser ainda menor.

Propósito e lucro caminharão de mãos dadas no século XXI e a América Latina em desenvolvimento é um prato cheio de oportunidades para os empreendedores e empreendedoras. Foto: Ronald Cuyan.Propósito e lucro caminharão de mãos dadas no século XXI e a América Latina em desenvolvimento é um prato cheio de oportunidades para os empreendedores e empreendedoras. Foto: Ronald Cuyan.

Para a Conferência das Nações Unidas sobre Comércio e Desenvolvimento - UNCTAD, economia criativa é um conceito em evolução, baseado no potencial dos recursos criativos para gerar crescimento econômico e desenvolvimento. 

Para Philip Kotler, mestre do marketing moderno, o marketing empreendedor é quando um indivíduo percebe uma oportunidade e começa um negócio vendendo seus produtos e serviços”. Já o marketing criativo é definido "como o descobrimento e a produção de soluções que os clientes não pediram, mas às quais respondem positivamente".

Portugal tem menos gente que São Paulo (ainda bem!) e sua área é menor do que a de Pernambuco. Mas como pode um país “mais pequeno” Foto: Marcos Freire.Foto: Marcos Freire.(sim, aqui é certo falar mais pequeno!) do que um estado do nordeste do Brasil ser tão grande? Mesmo que a gente só pensasse no fado, no pastel de nata, no bacalhau, nos doces conventuais, na sardinha, nos castelos medievais e nos conventos centenários, já teríamos milhões de motivos para confirmar a grandeza da terrinha.

Mas o bom é que é que há muito mais para ver por aqui do que o tradicional circuito Lisboa – Cascais - Sintra – Óbidos – Évora - Porto (o que, diga-se de passagem, já é sensacional). E a gente, com um pouco mais de um ano de vida portuguesa, não se cansa de ir descobrindo coisas novas.

Uma das deliciosas descobertas desta semana foram as fragas de São Simão, as praias fluviais e as lindíssimas casas de pedra de uma das pequenas aldeias do circuito “Aldeias do Xisto”. Do alto das Fragas, o que para nós está mais para penhasco, miradouros exibem uma vista espetacular da Serra de Lousã, cascatas e trilhas por onde logo iriamos passar. Mas tudo começou em Pedrógão Grande, uma pequena vila portuguesa, com cerca de 4 mil moradores, no distrito de Leiria.

De lá, partindo da porta da igreja matriz, uma construção com mais de oito séculos de história, pusemos o pé na estrada para ir desbravando a região junto com um casal de grandes amigos, moradores da vizinhança, que também decidiram deixar de lado a vida agitada do Brasil. De Pedrógão, rumo ao alto.

Uma parada rápida em um mirante já mostrou o que nos esperava. Além do visual deslumbrante da Barragem do Cabril, que aprisiona as águas do rio Zêzere e forma uma das maiores reservas de água doce de Portugal, apareciam entre árvores, como se estivessem se escondendo do nosso olhar, pequenas pontes de madeira e riachos. Seria o nossa próximo destino.

Barragem do Cabril, que aprisiona as águas do rio Zêzere e forma uma das maiores reservas de água doce de Portugal. Foto: Marcos Freire.Barragem do Cabril, que aprisiona as águas do rio Zêzere e forma uma das maiores reservas de água doce de Portugal. Foto: Marcos Freire.

E lá fomos nós, descendo as fragas por estradas sinuosas, até chegar ao início da nossa trilha. Hora de sair do carro e encarar o mato, margeando pequenas cascatas e corredeiras. E tivemos um pequeno guia mais do que especial: Tico, o cachorro dos amigos, que já fez várias vezes esse mesmo percurso e parece saber exatamente onde parar para beber água e qual caminho seguir quando aparece uma bifurcação. Mesmo eu já sendo um “veterano” dos circuitos bucólicos da região da Ria de Aveiro, conheci um Portugal completamente diferente pela mata ao pé das fragas. Pelo caminho, uma ou outra casa de pedra, muitas abandonadas, mas com um charme encantador. Lagares, pedras de moinho que já não giram mais, mas que ainda carregam muitos anos de história.

O arquiteto e urbanista dinamarquês Jan Gehl cunhou uma expressão que hoje faz parte da essência das melhores e mais sustentáveis metrópoles do mundo: “Cidades para as pessoas” – aliás, este é o título de um de seus livros mais famosos.

Com isso ele quer dizer que devemos planejar e construir cidades amáveis, seguras e democráticas, que estejam atentas às necessidades das pessoas, feitas para que os habitantes se locomovam com facilidade, sejam felizes e tenham vidas saudáveis.

Metrópoles acolhedoras e cheias de bons espaços públicos, com variadas opções de transporte público e muito verde, para que as pessoas tenham o prazer de se encontrar, conversar, caminhar e pedalar. Enfim, viver.

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