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O coração do argelino-brasileiro Karim Aïnouz balança entre sua formação em arquitetura e sua função como cineasta. Dedicado aos filmes, de vez em quando dá um jeito de unir as duas coisas como fez num dos episódios do documentário coletivo “Catedrais da Cultura”. No capítulo que ele dirigiu sobre o Beaubourg – o Centro Georges Pompidou, em Paris, prédio que virou emblema cultural – o diretor rastreia a alma dos ícones da arquitetura que o construíram.

Li no vidro traseiro de um automóvel a seguinte frase: “99% da beleza da mulher sai com água e sabão”. Em vez de filosofar sobre o pensamento estampado, faço uma interpretação livre das possíveis razões que levaram o autor a escrevê-la no seu carro.

Descobri a pintura de Deborah Paiva quando vi, pela primeira vez, a imagem que abre este texto. Eram meados de 2015 e a imagem me saltou aos olhos em uma rede social, na página de uma amiga em comum. No mesmo instante vieram à minha mente, todos misturados, os azuis de Kieslowski, o cotidiano de Hopper, as cenas capturadas por Sophie Calle para sua série ‘Voir la mer’ e os bordados de Louise Bourgeois que compõem a ‘Ode a la Bièvre’. Uma bela imagem que me tocava (e ainda toca) por entrelaçar, com elegância e delicadeza, silêncio e solidão, melancolia e contemplação, intimidade e imensidão.

Ela se comunicava em qualquer idioma, até nos sonhos. É isto mesmo, uma ventríloqua dessa babel que é São Paulo. Quando menos pensava, tranchant – estava imitando o japonês da quitanda. Viajava para o Rio de Janeiro e voltava cheia de essix, errix e xiix na língua trançada; e quando foi para o sul, no Paraná, ficou a própria “leiteequeentee”.

Um estilista renomado, Reynolds Woodcock, vivido por Daniel Day-Lewis, leva uma vida confortável, milimetricamente calculada como o rigor por ele aplicado na confecção de cada uma de suas criações sob medida para as mulheres da elite britânica nos anos de 1950.