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É a vez do curso de Doçaria Caipira. Este curso, apesar de independente, pode ser tomado como o terceiro módulo do curso Total Immersion na Culinária Caipira, anteriormente oferecido. Ele versa sobre aquele domínio onde mais se fez presente a influência portuguesa, por conta da introdução do açúcar. 

Ele visa a preparação intelectual e prática do aluno de modo a poder identificar um conjunto de pratos como de existência coerente com os demais aspectos da cultura culinária caipira. Ao mesmo tempo, explora as possibilidades de se entender e classificar esse capítulo da doçaria de forma independente em relação à grande tradição ocidental (francesa). 
 
Serei responsável pelo aspecto expositivo do curso, que serão complementadas por atividades práticas, conduzidas por Ana Laura Pinheiro. 
 
O curso terá a duração de 12 horas, em quatro aulas de 3 horas cada. As datas programadas são 9, 10, 11 e 12 de junho, começando às 19 horas no dia 9 e 10; e às 9h nos dias 11 e 12. O local será o mesmo dos módulos anteriores, no Alto de Pinheiros, à Rua Aquiramum 12. 
 
Serão tópicos do curso: 
A introdução do açúcar na capitania de São Vicente; 
Considerações técnicas sobre receitas; 
Considerações técnicas sobre as conservas;
Considerações técnicas sobre os amidos; 
Execução de receitas: milho e mandioca crua; bolaria; biscoitos; compotas; bala; licores; doces de ovos; doce de massa (marmeladas); outros; 
Degustação comentada das receitas.
Sugestões de adaptações modernas.
 
Os que fizeram os demais módulos, terão prioridade nas inscrições.
Demais interessados manifestem a intenção desde logo escrevendo para [email protected], reservando vaga e obtendo maiores detalhes sobre pagamento.

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Carlos Alberto Dória é bacharel em Ciências Sociais pela USP, com doutorado e pós-doutorado na Unicamp, tendo estudado o darwinismo no Brasil. Possui também vários livros publicados sobre sociologia da alimentação: Estrelas no céu da boca; A culinária materialista; Formação da culinária brasileira; e-BocaLivre.

Ana Paula Pinheiro é proprietária da Santinho's Eventos e Treinamentos em Culinária e Gastronomia. Patissiere formada na Espanha, trabalhou no laboratório da Callebaut até recentemente em São Paulo.
 

A noite prometia. Havia ido ao cabelereiro e pela primeira vez pintei as unhas das mãos e dos pés de vermelho. Soltei o cabelão, vesti aquele jeans justo uma blusa decotada nas costas e zarpei no seu Fusca branco para a baixa Augusta. O rumo: Pirandello para encontrar com amigos. Isso era nos anos 80.


Uma forte chuva no final da tarde desta segunda-feira provocou uma situação caótica na região central de São Paulo, próximo a Higienópolis, Consolação e Baixo Augusta.

Menos de meia hora de tempestade de granizo, ventania e volume de água intenso resultaram na queda de árvores e galhos, o que impossibilitou o tráfego de ônibus e automóveis em importantes ruas e avenidas desses bairros.

Além dessas consequências, devido à quebra de fios, o fornecimento de energia elétrica foi interrompido por várias horas. Verifiquei que equipes do Corpo de Bombeiros trabalhava simultaneamente nos pontos afetados e profissionais da CET – Companhia de Engenharia de Tráfego orientavam os usuários.

Por volta das 18 horas, enquanto passava pela Rua Caio Prado, em frente ao quiçá Parque Augusta, moradores antecipavam a tarefa dos especialistas em cortar árvores a fim de acelerar a liberação da via para os veículos.

Em função do alagamento de parte das plataformas do Terminal Bandeira, a circulação de ônibus travou, impedindo o vai e vem dos coletivos. Diante dessa situação e cansados de esperar, os potenciais passageiros decidiram fazer uso da caminhada para chegar aos seus destinos.

Por conta de um fator externo, neste caso a força da natureza, a cidade foi surpreendida, e as suas consequências se espalharam em várias direções, exigindo medidas imediatas e sincronizadas para minimizar os danos, a fim de que a vida na metrópole voltasse a fluir.

Com cada um de nós também pode acontecer o mesmo, porque estamos o tempo todo expostos a fatores externos. Por isso é fundamental que quando situações de fora resolverem te visitar tenha sabedoria, equilíbrio e tranquilidade para acionar rapidamente os seus recursos a fim de que você possa recolocar a sua vida no ritmo certo e, de preferência, sem qualquer efeito colateral. Por aqui, fico. Até a próxima.

Obs.: Fiquei sabendo que ao menos 180 árvores caíram depois da chuva em São Paulo, o que exigirá mais alguns dias de trabalho de dezenas de profissionais para que a cidade volte a fluir normalmente.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.
 


“Há 10 mil modos de pertencer à vida e de lutar pela sua época.” Esta é a frase contundente de Nise da Silveira, no final do belíssimo filme que mostra como a sua visão humanista transformou a vida dos pacientes esquizofrênicos do Complexo Psiquiátrico do Engenho de Dentro, nos anos de 1944, no Rio de Janeiro.

Numa época em que a lobotomia e o eletrochoque eram considerados inovações científicas nos tratamentos de psicóticos, a responsável pelo Setor de Terapia Ocupacional decidiu usar a escuta, a sensibilidade e o respeito àquelas pessoas, denominadas por ela de clientes, e através das artes revelou talentos inimagináveis daquele lugar, até então insalubre, mau-cheiroso e sem qualquer dignidade.

Reconhecido formalmente por Jung, o trabalho terapêutico desenvolvido pela Dra. Nise foi um marco para as lutas antimanicomiais, que muito contribuiu para uma visão multidisciplinar da atenção psiquiátrica, ressiginificando a conduta e o papel dos diversos profissionais de saúde nos processos de atenção aos pacientes.

Não por acaso empresto um ensinamento de Nelson Mandela que se alinha à figura de Nise da Silveira: “O que conta na vida não é o mero fato de que vivemos. A diferença que fizemos para a vida dos outros é o que vai determinar o significado da vida que levamos.”

Nesse mundo em que estamos conectados o tempo todo, o que você está fazendo na sua existência para melhorar a vida dos outros? Por aqui, fico. Até a próxima.

Serviço

Título: Nise – O coração da loucura.
País: Brasil.
Direção: Roberto Berliner.
Elenco: Glória Pires, Simone Mazzer, Julio Adrião.
Gênero: Drama.
Duração: 106 minutos.
Classificação: 16 anos.
Trailer aqui

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 


Dia desses um amigo me perguntou:
 
- Você já assistiu ao desenho Kung Fu Panda?

- Sim, respondi, vi com meus filhos, mas já faz algum tempo.

- É mesmo? Então me conta o que achou do diálogo entre o Mestre Oogway  e o urso Po, no momento em que o panda cogitava desistir de se tornar um guerreiro do Kung fu?
 
A mesma curiosidade que mata o gato, cria impulsos insanos.  E foi investido dessa qualidade que vi o filme tão rápido quanto foi possível.
 
Mestre Oogway é uma  tartaruga ancestral, líder espiritual do Vale da Paz. Po, para quem não assistiu, é um panda desastrado, inseguro, compulsivo e além disso, filho de um pato. Nunca se deu conta que fora adotado.
 
O encontro entre os dois acontece sob um pessegueiro sagrado. O urso está chateado com o resultado do seu dia e afoga sua frustração em dezenas de pêssegos, que come compulsivamente. O diálogo se dá da seguinte maneira:
 
Mestre Oogway com a palavra:
 
- Você está preocupado demais com o que foi ou com o que será. Existe um ditado que diz: “O passado é história, o futuro é um mistério, o hoje é uma dádiva, talvez por isso que se chame presente “.
 
O urso fica paralisado com a revelação, que apesar de óbvia traz a verdade absoluta. A tartaruga vira as costas e desaparece.
 
O silêncio tomou conta da tela, e o lado de cá emudeceu. 
 
A obviedade da mensagem é avassaladora. Contudo, cabe aqui um questionamento igualmente óbvio:
 
Quem neste momento tem a clareza para entender o real valor do agora sem que a batalhas do jogo interno, cedam espaço para o jogo externo estabelecendo um escalar constante em um pessegueiro noturno?
 
Outro dia, na fila do banco, a conversa entre duas pessoas na minha frente me remeteu ao perfume do pêssego:
 
 - Por mim essa fila poderia demorar bastante.
 
- Por que isso?
 
- Porque não quero voltar para o escritório. Por mim só voltava na hora de ir embora.
 
- Mas o que está acontecendo?
 
- Meu chefe foi embora e com o chefe novo não consigo me relacionar. Passo os dias lembrando como era bom trabalhar naquele lugar ou pensando em como mudar de trabalho. Então eu só enrolo. Tudo é pretexto para sair do escritório. Começo meu dia pensando na hora de ir embora. Mas, se Deus quiser, logo arrumo um outro emprego e tudo melhora. 
 
O que está em jogo nesses diálogos é a PRESENÇA.
 
Você já parou para pensar qual é o tipo de trabalho que a pessoa da fila poderia conseguir agindo dessa maneira? A probabilidade de mudar para um emprego pior é muito grande você não acha?
 
Abusando do lugar comum,  o futuro se constrói no agora. O presente é um estado intermediário, sua natureza é dinâmica. O que você tem pra fazer, deve ser feito já, e tem que ser a melhor coisa que você poderia fazer,  não importa onde esteja.
 
Respondendo a pergunta do meu amigo, Mestre Oogway é uma liderança, seu papel é instigar Po a encontrar o caminho para se tornar um guerreiro.
 
Blá, blá, blás à parte, estar presente é estar engajado no agora. E o agora, não importa qual seja ele, é a sua grande oportunidade.
 
Sabe por quê?
 
"... O passado é história, o futuro é um mistério, o hoje é uma dádiva, talvez por isso que se chame presente ".
 
 ***
Adi Leite é Coach, fotógrafo e jornalista.
 
 


Ao atravessar a Consolação na esquina com a Paulista, passei ao lado de uma mini-orquestra de percussão tocada por um homem só, sentado na calçada com as costas apoiadas em um poste.

O rapaz manejava com habilidade as baquetas e tirava sons harmônicos de pinico, panelas diversas e de uma tampa de alumínio. Concentrado na sua música ele não se deixava influenciar pelos ruídos presentes naquele que é um dos pontos mais barulhentos da cidade.

Embora eu não tenha parado para ouvi-lo, admirei a disposição do artista e quase o fotografei em seu exercício. Ao retornar, quase noite, não o vi no “palco”, mas os instrumentos estavam lá, talvez à espera da próxima apresentação.

Além do conjunto sonoro, notei que uma panela servia de cofre para que os ouvintes depositassem contribuições voluntárias. À primeira vista, a quantidade de moedas, muitas de R$ 1,00, devem ter garantido o jantar ou o acesso a qualquer outra coisa que o “performer” tenha decidido adquirir.

Cada vez é mais comum a ocupação dos espaços públicos por artistas de distintas categorias, notadamente na região da Paulista. Além dos já conhecidos “covers” é possível encontrar talentos criativos, os quais com coragem e de peito aberto, se expõem ao crivo do público que transita no corre-corre desta metrópole pulsante e de tantos ritmos. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 

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