A Virada Cultural é um presente para os cidadãos - São Paulo São


Foi realizada no último final de semana mais uma edição da Virada Cultural em São Paulo. Em apenas 24 horas, dezenas de shows e atrações gratuitas, daqui e de outros países, para diferentes gostos, ocuparam espaços distintos da cidade.

Como o sábado amanheceu chuvoso, imaginei que o tempo poderia espantar o público. Contudo, na sua abertura o dia estava seco e fresco. Já o domingo amanheceu ensolarado, o que permitiu a circulação das pessoas com tranquilidade pelas ruas e avenidas do centro velho cantadas por dezenas de intérpretes da nossa Música Popular Brasileira.

Vi o Genival Lacerda no Largo do Arouche. No palco, forró, xaxado e o jeito peculiar dele dançar, e cantar aquelas músicas de duplo sentido que não desgrudam do ouvido da gente. Com vigor e mais de 80 anos, esse nordestino autêntico não deixou de lembrar clássicos de Luiz Gonzaga e Jackson do Pandeiro. E na plateia o povo chacoalhava as cadeiras e alguns arriscavam “forrozar” coladinhos.

Não distante dali, no palco São João, foi maravilhoso ouvir Cartola na voz e com o charme de Teresa Cristina, acompanhada do sensacional Carlinhos Sete Cordas no violão.

Voz e violão foram suficientes para emocionar o público, que cantarolou junto quase todo o repertório. Por uma hora os nossos ouvidos foram abençoados por lindas poesias musicais de autoria de mestres da nossa MPB.

Antes das audições percorri as ruas Aurora, Dos Timbiras e adjacências, e comi um pastel de pizza na feira livre, onde é possível comprar de tudo um pouco fresquinho, e aproveitar a costumeira liquidação quando as barracas estão prestes a desmontar.

Com duração de 24 horas, a Virada Cultural é um presente para os cidadãos desta metrópole que pulsa a semana inteira sem parar. Que ocupemos os espaços públicos o tempo todo. Porque é nas ruas, avenidas, praças, calçadas e em tantos outros lugares que os encontros acontecem. E quando nos encontramos, nos conectamos e fazemos, a cada instante, uma cidade melhor, mais alegre, mais plural, mais generosa, mais segura, mais inclusiva e mais vibrante para todos. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F.Silva é diretor da LENOorb – Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.

 



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