Musical traz a vida e as poesias de Cartola - São Paulo São

As canções de Cartola são antológicas. Letrista sensível, ele transformou dores e dificuldades em poesias e melodias interpretadas em voz própria e por dezenas de cantores da MPB.

No musical “Cartola – O mundo é um moinho”, a sua trajetória é ressaltada num espetáculo que valoriza o seu talento de compositor e as singularidades de ser humano, de quem viveu para o samba e para a sua Estação Primeira de Mangueira.

Logo na abertura, uma das mais famosas canções é entoada e já deixa o público animado. "O Mundo é um Moinho" dá sequência à apresentação de um jovem Cartola, pobre e morador de um barraco no Morro da Mangueira, no final dos anos 20, sendo abandonado pelo pai, Sebastião, que não quer saber de "filho seu metido com samba".

Numa história de altos e baixos, o jovem Angenor de Oliveira não teve vida fácil, mas foi acolhido por duas mulheres fortes, que souberam lidar com o seu jeito boêmio de ser. A primeira, Deolinda, faleceu subitamente de problema cardíaco, e a segunda, Dona Zica, parceira dedicada, com quem se casou formalmente depois de viverem juntos por muitos anos.

Na sua biografia também mereceu destaque o “conselheiro” e amigo fiel, Carlos Cachaça, parceiro de sambas e de botequins, e que esteve ao lado de Cartola em todos os momentos.

Com mais de duas horas de duração, o musical é uma bela homenagem ao nosso poeta mangueirense. Vale destacar as excelentes interpretações dos quatro personagens centrais: Flávio Bauraqui (Cartola), Adriana Lessa (Deolinda), Eduardo Silva (Carlos Cachaça) e Virginia Rosa (Dona Zica); os talentosos atores que formam o elenco de apoio, e banda que, do mezanino, toca as músicas.

Na última sexta-feira o Teatro Sérgio Cardoso estava lotado. O público introvertido quase não cantou as músicas mais conhecidas. Tudo bem, talvez a plateia tenha preferido o silêncio da emoção, o que é perfeitamente compreensível quando se escuta as poesias de Cartola. Por aqui, fico. Até a próxima.

Serviço

Cartola – O mundo é um moinho
De Artur Xexéu, direção de Roberto Lage e idealização de Jô Santana.
Sextas e segundas às 20h, sábados às 21h e domingos às 18h.
Duração: 150 min (com intervalo de 15 min). 
Atores principais: Flávio Bauraqui, Adriana Lessa, Eduardo Silva e Virginia Rosa.
Classificação indicativa: 12 anos.
Onde: Teatro Sérgio Cardoso, Rua Rui Barbosa, 153, Bela Vista, até 31/10/2016, telefone: 11 – 3288-0136.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Editou 60 Impressões da Terça, 2003, Editora Porto Calendário e 93 Impressões da Terça, 2005, Editora Peirópolis, livros de crônicas.



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