Mais luzes, menos trevas - São Paulo São

Onde foi parar a nossa humanidade?

Talvez por não ser um produto de primeira necessidade, e de pouco valor agregado, os valores humanos deixaram de ser cultivados por grande parcela da população, que prefere desconsiderá-los quando eles não reúnem determinados “atributos” reconhecidos pelo mercado.

Travestidos de preconceito, racismo, intolerância, homofobia, ódio, dentre outras manifestações perversas, as Redes Sociais se transformaram no palco adequado para a exposição de opiniões, julgamentos e atitudes sem qualquer respeito à dignidade da vida.

Ao optarmos por um modelo de sociedade extremamente competitivo e individualista, perdemos a possibilidade de olhar e de cuidar do todo, e de uns dos outros.

As pessoas são divididas por segmento, classe social, gênero, idade, escolarização, região geográfica, cultura e principalmente pelo poder de consumo. Esquecemos que em cada um de nós o sangue é vermelho, e todos se sentem aliviados quando praticam com regularidade as suas necessidades fisiológicas, um exercício diário imprescindível para a nossa sobrevivência e para mantermos o nosso corpo em equilíbrio saudável.

Isso também vale para os bichos e para todos os seres humanos, incluídos os 8 bilionários que, segundo a Oxfam, detêm riqueza semelhante a 3,6 bilhões de pessoas que representam a metade da população mais pobre do mundo.

Nesse contexto em que o viver se tornou banal, a distância entre riqueza e pobreza se acentua e estamos perdendo a capacidade de dialogar e construir pontes, talvez a única saída seja restaurar a humanidade individual e ao mesmo tempo a coletiva, começando por nos conscientizarmos de que a existência é passageira, que dependemos uns dos outros e que para construímos um mundo mais justo e equilibrado a lógica entre riquezas e desigualdades precisam de equações que nutram as nossas luzes, porque de trevas já estamos muito bem servidos. Por aqui, fico. Até a próxima.

***

Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.