Ler no ônibus é 'cool' - São Paulo São

Houve um tempo em que era comum ver pessoas utilizando as viagens de ônibus para leitura de livros, revistas, gibis ou até de catálogos de venda direta.

Eu mesmo, nos quatro anos que fiz faculdade, como o trajeto era relativamente longo, aproveitava o “busão” para estudar, repassar o texto que seria discutido poucas horas depois ou esboçar a redação encomendada pela professora de linguagem da comunicação.

Na era dos Smartphones são restritos os que se arriscam sair de casa acompanhados de um livro para degustar durante a permanência nos transportes públicos. A preferência nessa época de conectividade instantânea é por textos curtos, superficiais na maioria, os quais saltam das telas dos celulares diretamente para os cérebros indisponíveis a exercitar raciocínios mais elaborados ou mesmo tentar uma reflexão básica antes de clicar no ícone “Curtir”, do Facebook ou, no “Coração”, do Instagram.

Embora ameaçados de extinção, os livros persistem, vendem, e ainda se configuram como um produto de primeira necessidade para um bom contingente.

Uma das coisas mais legais de se mergulhar em um livro é a sensação de sair da sua realidade e se colocar no corpo de outra pessoa. Mas isso não acontece só no sentido figurado – pode acontecer num sentido biológico também. Cientistas de uma Universidade dos Estados Unidos, descobriram que ler pode afetar nosso cérebro por dias, como se realmente tivéssemos vivenciado os eventos sobre o qual estamos lendo. Isso talvez esclareça um pouco sobre o prazer da leitura que insiste em nos transformar.

Cena do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (2002) com Audrey Tautou. Imagem; Divulgação.Cena do filme "O Fabuloso Destino de Amélie Poulain" (2002) com Audrey Tautou. Imagem; Divulgação.

E voltando à realidade, num trajeto para casa, outro dia, tive a felicidade de encontrar um senhor sentado no coletivo degustando a sua leitura, com total atenção. E não era ficção. Prestes a descer, ele fechou o seu exemplar e o guardou numa pequena pasta com zíper, a qual acondicionava a obra com perfeição. Pareceu-me até que o acessório foi confeccionado sob medida.

Dos mais de 40 passageiros sentados, apenas o senhor de cabelos brancos preservava um hábito que já foi rotina, mas que agora talvez seja considerado “cool”, mania de “nerd”, ou coisa de quem vive off-line, em outras sintonias.

Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.



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