Estou feliz ou Sou feliz? - São Paulo São

A minha busca e pesquisa sobre a felicidade, teve origem numa fase da vida em que vinha acumulando perdas e em que a minha capacidade de resiliência foi realmente colocada à prova. Desde então, tenho-me deparado com todo o tipo de perspectivas e conceitos sobre o que é a felicidade.

Dentre as pessoas que têm cruzado comigo para falar de felicidade, os dois grupos mais comuns são: os incrédulos ( a felicidade não existe, a felicidade é utopia) e os que não acreditam quese possa ser feliz o tempo todo, mas que a felicidade só pode ser vivida pontualmente, ou seja, defendem que não há vidas felizes. Há momentos felizes.

Bom, também há um outro grupo, que me parece ser também bem representativo,grupo esse que nunca parou para pensar sobre a felicidade e não tem opinião sobre o assunto.

Pergunto-me qual será o conceito de felicidade do primeiro grupo e quais as suas crenças e experiências que os terão trazido até este ponto. Não consegui ainda entender com clareza, mas de uma forma geral, associam a crençana felicidade a algo ingênuo, pueril e em alguns casos consideram tolo.

Já o segundo grupo, que diz fazer experiências momentâneas de felicidade,tenho para mim que se referem a momentos de alegria, momentos de alto grau de contentamento.

Esta distinção entre felicidade e alegria é muito comprometida, porque usamos correntemente o termo “estou feliz” como sinônimo de “ estou contente” ou “estou alegre” ou se a emoção for realmente intensa, dizemos “ estou eufórico”, e isso leva a que se confunda felicidade com alegria.

No meu entendimento a felicidade pode levar-nos a sentir a emoção da alegria, mas a felicidade não é uma emoção.

Sempre que tomamos consciência que somos felizes, dependendo das circunstâncias do momento,  brota junto a emoção da alegria por nos sentirmos plenos e privilegiados e somos tomados por uma vontade de agradecer e celebrar por termos conquistado este status, mas a alegria é uma consequência da felicidade, não é a felicidade.

A felicidade é um estado criado a partir da conexão do indivíduo à sua essência. Ela gera comportamentos e escolhas que promovem a expressão desse ser da forma mais genuína possível, criando uma energia de paz e serenidade perante os desafios da vida.

Quem se aproxima desta conexão descobre o que é ser feliz e sabe que isso não o impede ou protege de viver e experimentar todas as emoções, sejam elas positivas ou negativas.

O medo, a raiva, a tristeza são vividas por todos os seres humanos saudáveis.

Momentos de dor sempre vão existir na vida de todo mundo. Todas as pessoas têm perdas importantes em alguma ocasião, seja perda de saúde, de emprego, de familiares, até da liberdade. Se isso fosse impeditivo de sermos felizes, então aí o primeiro grupo estaria  certo, a felicidade seria uma utopia porque não existe vida humana sem essas emoções.

Mas se entendermos a felicidade como estar num caminho que é o que permite o nosso ser interior se manifestar, o bem-estar e força que emana deste estado tem a ver com algo bem mais profundo que as emoções e os acontecimentos da nossa vida.

A felicidade é esta certeza que estamos no trilho certo, não sabemos o quê nem quem nos vai saltar no caminho, as adversidades podem ser muitas ou poucas, cada um se exercitará a desenvolver competências para as enfrentar.

Mas o pior que nos pode acontecer é nos perdermos na escolha do trajeto e nos sentirmos a divagar na vida, vazios, inquietos, ansiosos, sem objetivo. Mesmo, muitas vezes, tendo tudo, sentimos o abismo à nossa volta. Neste estado procuramos desenfreados momentos que nos devolvam a esperança na alegria.

Um nascimento ( de um filho, de um amor), uma promoção, um presente...e por breves instantes, enquanto a emoção dura, confundimos a alegria desse momento com felicidade.

Estar feliz não é mesma coisa que ser feliz.

Estar feliz tem a ver com o momento, ser feliz tem a ver com o caminho que estamos a trilhar.

Descubra o caminho, descubra a felicidade!

***
Eduarda Oliveira é criadora do International Happiness Forum e das Viagens com Propósito, mestranda em Turismo de Interior e uma eterna apaixonada pelo desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. Escreve quinzenalmente para o São Paulo São.

 



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