Passei a olhar de frente para tudo quanto me ajudasse a olhar para dentro - São Paulo São

Cresci, acreditando que havia uma só lei!

Uma lei única e verdadeira, que me garantia a felicidade se eu a cumprisse.

Levei umas dezenas de anos para perceber que não era assim.

Pelo menos, a lei a que me tinha sujeitado, não funcionava assim.

Algo tinha falhado.

Primeiro achei que tinha sido eu. Percebi que não e atrevi-me a pôr em causa essa lei e a tentar descobrir, pela primeira vez,os seus fundamentos.

Muitas das regras dessa lei, afinal não tinham mais que umas centenas de anos, eram fruto de uma cultura e mentalidade. Eu tinha uma visão pueril, acreditem. Estava tão convicta que estava do lado da verdade e sentia-me tão confortada com isso, que não colocava nada em causa. Apenas obedecia cegamente e sentia-me muito especial por fazer isso.

Seguiu-se um doloroso período de exploração e confirmação. Toda a estrutura que me tinha sustentado durante cerca de 40 anos, desmoronava-se e eu fiquei sem chão.

Era urgente construir novos alicerces. A procura de novas referências, que me devolvessem a mim própria e me devolvessem o equilíbrio para conduzir-me pela vida, tranquila e feliz, tornou-se uma vontade e uma necessidade. No entanto, a crença na existência de uma única lei continuava cravada bem fundo, agarrada às minhas raízes mais profundas e todas as alternativas que iam surgindo, me pareciam insuficientes, pequenas.

Pensava para comigo: onde está essa lei grande? Tão grande que não precise de mais nada para fazer andar a engrenagem do Universo e tão simples que qualquer humano a entenda e a cumpra?

O acumular de anos a olhar de lado tudo quanto se afastasse da “minha” lei, impediu-me de ver e compreender quanta sabedoria chegava até mim das mais diversas formas.

Alimentei a coragem, a curiosidade e a força de vontade com a energia da frustração e da desolação ao aceitar que “só sei que nada sei”.

A partir desse momento deixei de olhar de lado e passei a olhar de frente.

Passei a olhar de frente para tudo quanto me ajudasse a olhar para dentro.

Nem sempre foi fácil porque o juiz que tinha orientado os meus pensamentos durante anos, ainda lá estava, pronto a ridicularizar tudo quanto para mim era desconhecido, fazendo-me sentir boba, insegura e com vontade de voltar a correr para o meu cantinho onde tudo fazia sentido, mesmo que fosse doloroso, onde me sentia acolhida desde que cumprisse a lei. No entanto, cada vez que me atrevia a olhar de frente  e a ouvir com o coração eu encontrava sempre uma forma de dar mais um passo em direcção a mim. O que ia descobrindo, empoderava-me e deslumbrava-me. Eu era muito mais do que o que eu pensava ser.

Os outros eram muito mais do que eu imaginava.

Ao fim de alguns anos percebi que a lei é só uma: AMOR.

A regra é só uma: ama o outro como a si mesmo.

A primeira coisa a fazer é amar a si mesmo. Ninguém ama o próximo se não souber amar a si.

Não faz sentido essa regra de pensar nos outros antes de pensar em si, anulando-se, magoando-se, desrespeitando-se.

Isso é um insulto à sua criação.

Só na posse de todo o seu esplendor pode ajudar o próximo a encontrar  o seu esplendor, fora isso é uma manobra de charme que pode causar grande sofrimento a você e eventualmente aos outros.

Para amar a si mesmo, precisa se conhecer. E para isso também não há um único caminho, uma única lei. Podemos permitir-nos usar todas as ferramentas que estiverem ao nosso alcance para desbravarmos este caminho. Todas são válidas se fizerem sentido para você, não prejudicarem o próximo e iluminarem um pedacinho desse trilho, nem que seja para dar apenas o próximo passo.

Eu percebi que existe tanta sabedoria, alguma com milhares de anos outra bem recente. É um manancial de mapas que nos guiam todos, à sua maneira, para o mesmo ponto: quem sou eu!

Só descobrindo e aceitando amorosamente quem eu sou, consigo amar o outro como ele é.

Antes disso, não passamos de personagens mascarados, mesmo que cheios de boa vontade e boas intenções, a representarmos acções de amor ao próximo.

Deixei de procurar uma receita, e passei a aprender a ler mapas.

Uns ensinam-me a preparar para a viagem, outros ensinam-se a corrigir atalhos errados no passado, outros a descobrir de onde venho e para onde quero ir, outros a cuidar do meu corpo, outros ainda a perceber como e porque reajo dessa forma quando estou tranquilo e daquela quando estou em stress, e há inclusivamente quem me ensine a usar energia que eu nem sabia que existia, ou saber como funciona o meu cérebro ou a minha mente.

Sabemos tão pouco sobre a grandeza do ser humano, de todas as suas dimensões e sobre a forma como nos relacionamos nesta imensa rede multidimensional constituída por todos os humanos. Só de ter esta consciência me faz sentir grande, me faz sentir o milagre que é, eu estar a fazer esta experiência que é a VIDA.

Quanto mais me permito explorar todas as minhas dimensões e me abrir à visão de um mundo de paz, abundância, e felicidade, mais próxima me sinto desse lugar e mais estimulada me sinto a trabalhar para que cada vez mais pessoas expandam a sua consciência nesse sentido.

Hoje eu sei que a lei que me guiou durante tantos anos, guarda muitas virtudes e emana muita luz sobre o ser que eu sou. O desafio estava  em aprender a sentir o que dessa lei reverberava em mim. O problema foi eu não ter distinguido a sabedoria milenar que chegava através dela daquilo que não passava de regras concebidas por homens no exercício do seu poder, ao longo dos séculos. É mesmo assim, aprender a ler mapas é isto mesmo, é ler com o coração. Quanto mais próximos da nossa essência melhor e mais rápida é a leitura. Valho-me de tudo para chegar até mim, pois acredito que é o único caminho para chegar aos outros e me relacionar com eles.

Eu acredito que a Felicidade assenta no autoconhecimento e que a PAZ assenta na felicidade de todos os seres humanos.

Quem é feliz não faz guerra.

Quem é feliz sabe gerir discordâncias.

***
Eduarda Oliveira é criadora do International Happiness Forum e das Viagens com Propósito, mestranda em Turismo de Interior e uma eterna apaixonada pelo desenvolvimento pessoal e autoconhecimento. Escreve quinzenalmente para o São Paulo São. 






APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio





 
 
APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio