Os atletas entram em campo do jeito que são na vida - São Paulo São

O futebol é uma indústria fabulosa, e a Copa do Mundo da FIFA é o seu principal produto global. A cada quatro anos, atletas que atuam em diferentes países são convocados para representar as suas nações em disputas emocionantes.

Em termos comerciais, nos dias de hoje, há pouca diferença entre os superjogadores e produtos ou serviços como hamburguer, molho de tomate, cerveja, cartão de crédito ou quaisquer outras marcas, as quais, por meio de patrocínios muito expressivos, ditam as regras de consumo e, de certa maneira, do toque de bola.

Da mesma forma que os “mercados” dominam as relações econômicas, interesses nem sempre em prol do esporte rondam as disputas futebolísticas fora e dentro das quatro linhas dos gramados.

Diferente das linhas de montagens padronizadas, cada partida de futebol é única, e o resultado não necessariamente beneficiará a equipe de melhor performance, porque a vitória poderá resultar de gol contra, uma falha qualquer do melhor craque, um “frango” do goleiro ou, ainda, de um “erro” de arbitragem.

Enquanto alguns talentos sentem-se honrados em vestir as camisas de suas nações, outros buscam nesse campeonato de enorme visibilidade estratégias de maximizar os seus recursos por meio de publicidade e de contratos com empresas extremamente rentáveis.

Na luta para chegar à final do campeonato, cada disputa é decisiva, e os seus craques jogam não apenas para vencer a Copa, mas também utilizar essa vitrine temporária para valorizar as suas carreiras fora dessa competição.

Os atletas entram em campo do jeito que são na vida e, muitas vezes, por terem que lidar nos noventa minutos com pressões de dentro e de fora do estádio, extravasam no confronto o melhor e o pior de suas naturezas, diante de milhares de espectadores ao vivo, mas bem próximo das centenas de câmeras da TV que repercutirão os seus feitos positivos ou negativos para o mundo inteiro. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.



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