Quando o vizinho é o melhor fator externo - São Paulo São

Na cidade de São Paulo ou em qualquer uma das principais capitais do país, nesses tempos em que tudo acontece nas redes sociais, e que as dificuldades de relacionamento intergeracional só crescem, não é difícil conhecer uma família que reside no mesmo espaço físico, mas não convive; os “entes queridos” pouco se conhecem, e praticamente não há interação nem diálogo entre eles.

Imagine como seria o cotidiano de uma trupe assim: sogra com sintomas e atitudes da doença de Alzheimer; genro, corretor de imóveis, que burocraticamente mostra para “interessados” os apartamentos disponíveis, sabendo que as chances de negócios são nulas; esposa infeliz com a solidão e com as tarefas monótonas de dona de casa; e um casal de filhos adolescentes da geração três “I”: inseguros, insatisfeitos, incompreendidos.

Imersos em seus mundos particulares, o singelo protocolo familiar outrora clichê, capitaneado pela matriarca, não resiste ao pedido de pelo menos no jantar todos se sentarem à mesa para orar em agradecimento ao “pão nosso de cada dia”, e para comer “os nuggets” sem sabor, comprados prontos no supermercado.

Nesse contexto imaginado, mas muito presente nos cotidianos de muitos de nós, será preciso um “fator externo”, ou melhor, uma pessoa de fora com personalidade marcante, para mexer com essa dinâmica, e que ao se instalar no apartamento vizinho, sacudirá as emoções, os valores, e os sentimentos dessa gente “normal”.

Se você se identificou com essa breve descrição ou teve a sua curiosidade despertada, corra para o teatro ver “A Porta da Frente”, comédia ácida escrita por Julia Spadaccini, com direção de Marcelo Várzea, e elenco que reúne Miriam Mehler (sogra, em participação muito especial), Roney Facchini (genro), Sandra Pêra (esposa), Greta Antoine e Bruno Sigrist (filhos), e Fabiano Medeiros (vizinho).

Uma família típica: Rui, o pai; Lenita, a mãe; um casal de gêmeos de 16 anos, Jonas e Natália, e a avó, dona Marilu, moram num pequeno apartamento. Uma nuvem de insatisfação, tristeza ou de resignação paira sobre tudo e todos, e a vida vai seguindo, em clima de pequenezas, repleta de birra e frustração, até a chegada de um novo vizinho.

Com duração de 90 minutos, o espetáculo traduz com inteligência um pouco das situações e dos desafios que estamos convidados a enfrentar em nosso cotidiano. Às vezes achamos graça; em outros momentos nos reconhecemos, e parece que estamos nos vendo no espelho de casa. Ou será o do vizinho? Por aqui, fico. Até a próxima.

Serviço

A Porta da Frente 
Teatro Renaissance - Alameda Santos, 2233
Informações: 3069.2286
Bilheteria: Quinta, das 14h às 20h. Sexta a domingo das 14h até o início do último espetáculo. 
Vendas: www.ingressorapido.com.br
Sábados às 19h e Domingos às 20h

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.



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