Recordar é viver! - São Paulo São

Voltei ao passado ao visitar os bairros Vila Vera, São João Climaco e Moinho Velho, nos quais vivi, respectivamente, infância, adolescência e juventude.

Em pouco mais de uma hora, relembrei histórias de mais de duas décadas, e constatei as transformações que o progresso impôs naqueles lugares os quais percorria a pé, e vivenciei experiências presentes para sempre na minha memória e no meu coração.

A casa que acolheu a nossa família quando chegamos de Delmiro Gouveia, Alagoas, em 1961, está lá, completamente reformada. Ao observar a nova fachada fiz uma viagem no tempo, que me trouxe lembranças das brincadeiras, dos amigos, da rua de terra batida, e das farras a céu aberto que a criançada, sem medo e com total integração, fazia o tempo todo.

O terreno enorme que um dia foi campo de futebol, depois abrigou a garagem dos coletivos da Auto Viação São João Climaco e, mais adiante sediou uma concessionária de veículos; hoje, em sua definitiva mudança, recebeu um empreendimento imobiliário de edifícios residenciais.

Da mesma forma, a área em que durante anos funcionou uma serraria “meia boca”, também seguiu as tendências do mercado e agora reúne um conjunto de prédios bacanas. A casa onde um dia morou a Dona Ilza, é a portaria social desse condomínio, que proporcionou o aumento da quantidade de pessoas em circulação pelo pequeno trecho da Rua Santo Albano.

Vista geral e Capela São Vicente de Paulo no bairro do Moinho Velho, região do Ipiranga. Imagem: Viewdrones / Reprodução.Vista geral e Capela São Vicente de Paulo no bairro do Moinho Velho, região do Ipiranga. Imagem: Viewdrones / Reprodução.

A agência do Bradesco, na Via Anchieta, continua lá. A farmácia Copacabana virou um boteco popular. A vilinha da rua Cel. Pires de Andrade ganhou um portão para garantir a segurança dos moradores, e a casa da Rua Jaguapitã permanece do mesmo jeito, apenas com o verde decorando a sua fachada.

Para completar esse flash back, ao comentar esse passeio com um amigo atual que mora na região, concluímos que quase nos encontramos no início dos anos 1980 na mesma rua, e de quebra, descobrimos que temos em comum a amizade do Robertinho, irmão do Douglas e do Ricardo.

O próximo passo é marcarmos um encontro dos três, que certamente revelará que temos muito mais em comum e, talvez nos surpreendamos com as conexões, as “coincidências”, as surpresas, e os caminhos que a vida nos proporciona o tempo todo. Por aqui, fico. Até a próxima.

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Leno F. Silva é diretor da LENOorb - Negócios para um mundo em transformação e conselheiro do Museu Afro Brasil. Escreve às terças-feiras no São Paulo São.



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