O primeiro Concurso Internacional de Moda Inclusiva é brasileiro e já tem 10 anos - São Paulo São

Inédito no âmbito internacional, o Concurso Moda Inclusiva é anual e acontece há 10 anos. Imagem: Reprodução.Inédito no âmbito internacional, o Concurso Moda Inclusiva é anual e acontece há 10 anos. Imagem: Reprodução.

A ideia partiu da Daniela Auler, estilista e produtora de moda, que queria trazer para a cena principal uma moda que abraçasse a diversidade de corpos, que incluísse ao invés de excluir. Uma moda capaz de possibilitar autonomia e estilo para as pessoa com deficiência.

A iniciativa é da Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo, responsável pela organização do Concurso que premia estilistas que buscam soluções de modelagem, estilo e comunicação, lançando um novo olhar para as pessoas que possuem deficiência poderem ser protagonistas da passarela.

Após a inscrição, os projetos são avaliados em uma seletiva nacional e os 20 finalistas desfilam os looks em evento realizado na cidade de São Paulo. Este ano, o desfile ocorreu dia 28/11, no Centro Cultural São Paulo. Foi um dia de união de saberes, criatividade e inovação, tecnologia e sustentabilidade, Desenho Universal e estética. Um momento de inspiração e eliminação de barreiras de acesso à moda.

Um dos looks premiados foi o da estilista Kátia Monique Toledo, o vestido Tsuru. Inspirado na ideia do origami como transformação da vida, da semente que germina e vira árvore, que se transforma em papel, esse, dobrado de diferentes formas e dando vida às coisas. Assim a estilista pensou o conceito de moda inclusiva: a roupa que como papel, capaz de se transformar.

Isa Meirelles com o vestido Tsuru. Ela segura as tags do vestido com escritos em braille e QR Code. Foto: acervo pessoal.Isa Meirelles com o vestido Tsuru. Ela segura as tags do vestido com escritos em braille e QR Code. Foto: acervo pessoal.

O vestido Tsuru traz etiqueta com braille e QR Code, para que as pessoas cegas ou com baixa visão possam acessar as informações sobre a roupa com autonomia; bolso frontal profundo, para quem utiliza bengala; origamis com textura a fim de valorizar o aspecto tátil e possui uma saia removível, que torna o look versátil: básico e sofisticado ao mesmo tempo.

Os grandes campeões foram os looks do Marco Minoru, do Centro de Tecnologia e Inovação, com um wearable que monitora as funções vitais do indivíduo através de sensores integrados ao tecido; e o vestido de noiva de Sarah Dergham, do Senac, que possui vários comprimentos reguláveis por velcro, atendendo às pessoas com nanismo e com alguma parte do corpo amputada.

Estilistas vencedores do concurso ao lado dos modelos que desfilaram seus vestidos. Foto: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo / Divulgação..Estilistas vencedores do concurso ao lado dos modelos que desfilaram seus vestidos. Foto: Secretaria de Estado dos Direitos da Pessoa com Deficiência de São Paulo / Divulgação..

As criações desses estilistas demonstram que a moda está, aos poucos, abrindo os olhos para outros corpos e que a realização desse concurso tem papel fundamental para o fortalecimento desse movimento. Outra maneira que a secretaria encontrou de incentivar estilistas e criadores a produzir moda para corpos diversos foi por meio da educação: são oferecidos mensalmente cursos gratuitos de Moda Inclusiva, Construção de Imagem na Confecção e Moda Inclusiva com ênfase no Varejo. Os cursos têm duração de dois dias, acontecem até julho de cada ano e são abertos para todas pessoas. Para mais informações, acesse: https://www.cti.org.br/site/cursos/moda-inclusiva/

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Isa Meirelles é relações públicas e coach certificada pelo IBC. Atua como consultora de comunicação inclusiva e tem como propósito de vida o fim da invisibilidade das pessoas com deficiência na sociedade, por meio da comunicação. Isa escreve quinzenalmente no São Paulo São.



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