Cooperação e confiança, os pilares do 'Carona a Pé' - São Paulo São

O Carona a Pé surgiu em junho de 2015, inspirado em outros programas similares que acontecem ao redor do mundo. Foto: Acervo Carona a Pé.O Carona a Pé surgiu em junho de 2015, inspirado em outros programas similares que acontecem ao redor do mundo. Foto: Acervo Carona a Pé.

No início de 2015 a professora Carolina Padilha fundou um programa muito interessante e inédito no Brasil, o Carona a Pé. A ideia é sensibilizar e capacitar pais e crianças para que eles caminhem juntos rumo à escola. Os grupos que moram próximos saem diariamente a pé, em horário pré-estabelecido, seguindo uma rota determinada. 

Todas os participantes do Carona a Pé usam faixas que as identificam tornando-as mais visíveis ao caminhar e atravessar as ruas. Foto: Acervo Carona a Pé.Todas os participantes do Carona a Pé usam faixas que as identificam tornando-as mais visíveis ao caminhar e atravessar as ruas. Foto: Acervo Carona a Pé.

Em conversa com o Pro Coletivo, Carolina contou sobre as novidades do projeto, que cresceu e hoje envolve dez escolas públicas e privadas em São Paulo e em Belo Horizonte, e mostrou as inúmeras vantagens de adotar o transporte a pé para levar os filhos à escola. “É um equivoco pensar que isolar as crianças significa protegê-las. Quando as crianças caminham e ocupam os espaços públicos suas necessidades se tornam evidentes e isso faz com que os adultos repensem esse espaço. Afinal, uma cidade que é boa para as crianças também é boa para todos”, diz Carol Padilha.

O Carona a Pé é um projeto que tem como propósito incentivar o caminhar junto até a escola. Foto: Acervo Carona a Pé.O Carona a Pé é um projeto que tem como propósito incentivar o caminhar junto até a escola. Foto: Acervo Carona a Pé.

E o que a rua pode ensinar às crianças e aos seus pais? “Que o espaço público é rico, diverso e de todos. É circulando pelas ruas que boas perguntas e reflexões surgirão, principalmente do que não está bom e/ou poderia melhorar”.

Foto: Acervo Carona a Pé.Foto: Acervo Carona a Pé.Durante esses quatro anos em que vem caminhando diariamente com crianças e pais, Carol aprendeu que o tempo e o olhar dos pequenos é muito diferente do olhar dos adultos. Elas precisam, por exemplo, de mais tempo para atravessar a rua: os tempos semafóricos de travessia são insuficientes para crianças e idosos. “Elas se sentem pouco incluídas na cidade, até mesmo em áreas escolares. São plantas com espinhos, lixeiras muito altas... Parte do nosso trabalho é escutar atentamente as crianças e os pais e levar essas necessidades para a esfera pública, para gerar mudanças que melhorem a vida da parte mais frágil, o pedestre”.

Hoje, quando implementa o Carona a Pé em uma escola, a taxa de adesão é alta: 30% dos estudantes passam a ir com os grupos. O que conta para as crianças, além da sensação de pertencer a um grupo e da interação com os colegas, é o bem-estar que as caminhadas geram e a possibilidade de observar o percurso e participar da vida da cidade.

“Depois que o Carona a Pé começa ele engaja toda a escola, o comércio local e faz com que várias pessoas repensem a organização das cidades, e isso é incrível! Todos querem uma cidade mais humana, mas para isso são as pequenas escolhas diárias que importam, por exemplo se vai de carro ou vai a pé!”, diz Carol, lembrando que para saber mais sobre o programa ou implantá-lo em sua escola basta entrar em contato pelo site www.caronaape.com.br ou pelas redes sociais.

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Conteúdo semanal assinado pelo parceiro de conteúdo Pro Coletivo, blog especializado em assuntos da multimodalidade.



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