Mais e mais bicicletas - São Paulo São

A fábrica de bicicletas Órbita exporta 80% de sua produção - de elétricas a mountain bikes. Foto: Tony Dias / Global Imagens.A fábrica de bicicletas Órbita exporta 80% de sua produção - de elétricas a mountain bikes. Foto: Tony Dias / Global Imagens.

Portugal está longe de ser o país europeu onde mais se vê bicicletas circulando pelas cidades e estradas, mas é o principal fabricante da União Europeia. Tipo “aqui se faz, mas aqui não se usa”. Ou seja, a maior parte da produção é exportada. Vale dizer, porém, que muito tem se investido para que esse cenário mude, ampliando a quantidade de ciclovias e incentivando o uso e a educação para o ciclismo até mesmo como parte do currículo escolar. E como sabem, a minha parte eu tenho feito, pedalando sempre que a chuva não impede. Sim, gosto muito do pedal, mas reconheço que não sob toda e qualquer condição climática.

De volta à produção, os dados mais recentes mostram que nem a pandemia reduziu a força de Portugal, apesar de as fábricas terem ficado paradas por até três meses.  Aliás, ao contrário. O país assumiu a liderança já em 2019, fabricando 2,7 milhões de bicicletas e deixando para trás a Itália, com os seus 2,1 milhões de unidades. Em terceiro no ranking veio a Alemanha (1,5 milhão), com a Polônia (900 mil) na quarta posição. Ao todo, a União Europeia produziu pouco mais de 11 milhões de bikes. Em 2020, os dados de exportação, por exemplo, mostram a manutenção desta tendência: o crescimento em valor foi 5% superior ao ano anterior, atingindo 424 milhões de euros. Importante pontuar que parte do crescimento vem do novo segmento das bicicletas elétricas, com maior valor agregado.

Portugal tem praticamente consolidado um mercado de mais de 50 países para onde tem enviado as magrelas portuguesinhas ao longo das duas últimas décadas. Há uma lista de cerca de 30 deles que compram sem interrupções neste período. Essa regularidade ajuda a explicar o salto nos montantes exportados: de pouco mais de 50 milhões de euros em 2000 para os mais de 400 milhões no ano passado. O Brasil é um importante comprador, mas não de forma constante neste período de 20 anos.

Por outro lado, os números de Portugal ficam pequenos quando comparados com a exportação registrada por países de fora da União Européia, principalmente Taiwan e Camboja, que mandaram para a UE mais de 5 milhões de bicicletas, num valor de quase 1 bilhão de euros. 


Mas Portugal, embora não seja ainda o país mais “amigo” das bicicletas (é das fábricas de bicicleta, o que já é um bom começo, não?), não deixa de se posicionar como um importante player nesse setor. Agora em 2021, dois grandes eventos ligados à indústria e à cultura da bicicleta vão ser realizados por aqui. Em junho, a cidade de Barcelos, aquela famosa pela lenda do galo que evitou a morte de um peregrino, vai receber o 17.º Congresso Ibérico A Bicicleta e a Cidade, que nesta edição vai focar principalmente na temática da infraestrutura. Serão sete grandes áreas de apresentação de trabalhos e discussão: “bici-economia” e turismo; reorganização das cidades; o futuro tecnológico da bicicleta; a bicicleta, a saúde e o planeta; a bicicleta na comunidade; modos ativos e transportes públicos; e o direito a pedalar em segurança. Em tempo: quem quiser submeter apresentações ou estudos para que sejam incluídos na programação oficial, ainda pode fazer até o fim de fevereiro neste link (https://congressoiberico.fpcub.pt/pt/xvii/envio-de-resumos-xvii). A iniciativa é da Federação Portuguesa de Cicloturismo e Utilizadores de Bicicleta (FPCUB), em parceria com a entidade “irmã” espanhola, Conbici. 

Em seguida, em setembro, será a vez da Velo-City 2021, a maior conferência anual mundial de mobilidade ciclável, que reúne os envolvidos nas definições de políticas e na promoção do uso da bicicleta e no desenvolvimento urbano sustentável. Este ano, o congresso vai acontecer em Lisboa. A capital portuguesa, aliás, já anunciou que vai repetir o incentivo financeiro que deu no ano passado para as pessoas comprarem bicicletas convencionais e elétricas. Em 2020, os lisboetas compraram 3300 bicicletas com valores subsidiados pela câmara municipal, numa ajuda que chegou ao total de 600 mil euros. Neste ano, além das bicicletas, a co-participação vai valer também para a compra de acessórios de segurança e de transporte de crianças em bicicletas (www.pedala.lisboa.pt)

O novo Guia de Percursos Cicláveis, editado pelo Turismo do Algarve, promove a utilização da bicicleta durante o ano inteiro, na região mais a sul de Portugal. Foto: EuroVelo.O novo Guia de Percursos Cicláveis, editado pelo Turismo do Algarve, promove a utilização da bicicleta durante o ano inteiro, na região mais a sul de Portugal. Foto: EuroVelo.Indo mais para o sul de Portugal, mais precisamente para o Algarve, as bicicletas também devem ganhar ainda mais relevância por causa da pandemia. A região, que tem a maior parte da sua economia movimentada pela indústria do turismo, tem vivido dias e meses bem difíceis com a quebra causada pelo vírus, que praticamente expulsou os turistas das suas praias durante todo o ano de 2020, especialmente os ingleses, que tanto pegaram um solzinho na orla portuguesa. Sem os aviões chegando, sem as praias cheias, uma das apostas da região é justamente o cicloturismo, modalidade que pode fazer a economia rodar, sem depender da sazonalidade do verão. Para isso, o Turismo do Algarve acaba de lançar um novo Guia de Percursos Cicláveis, com mais de 20 roteiros turísticos circulares, para todos os níveis de ciclistas, percorrendo estradas e caminhos de terra. As trilhas passam por 16 cidades da região e foram definidas levando em conta os pontos de interesse turístico e a dificuldade técnica. E aí, quer pedalar pelo Algarve? O guia completo pode ser obtido gratuitamente pelo link https://www.visitalgarve.pt/upload_files/client_id_1/website_id_1/Downloads/Guias/percursos%20ciclaveis%2015%20dez_web.pdf

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Marcos Freire mora com a família em Ovar, Portugal, pequena cidade perto do Porto, conhecida pelo Pão de Ló e pelo Carnaval. Marcos é jornalista, com passagens pelas principais empresas e veículos de comunicação do nosso país. Escreve quinzenalmente no São Paulo São.



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