Ensaios - São Paulo São

São Paulo São Ensaios

Porto Alegre tem uma das maiores restrições ao aproveitamento do solo entre todas capitais brasileiras. Foto: Anthony Ling.Porto Alegre tem uma das maiores restrições ao aproveitamento do solo entre todas capitais brasileiras. Foto: Anthony Ling.

O Brasil urbano é feio demais. Por que isso aconteceu? Alguns acusam“a ausência de planejamento urbano e de zoneamento, os gabaritos manipulados, o poder nefasto das empreiteiras e construtoras influindo na elaboração dos planos diretores”.

Em um colóquio sobre as questões mais urgentes das cidades do Brasil e países da região, uma colega nos desafiou com a seguinte pergunta: "Vocês acreditam que as cidades podem comprar sua sustentabilidade?". Depois de um intenso debate, não conseguimos chegar a uma conclusão. No entanto, a semente da incerteza caiu em solo fértil. Para além das respostas por vezes conflitantes, a verdade é que, sendo a América Latina um dos continentes mais urbanizados do planeta, cada decisão de um país ou uma cidade ao adquirir bens, serviços ou obras implica importantes repercussões econômicas e socioambientais.

1939: ao fundo a várzea do rio Pinheiros, atual bairro de Pinheiros. Foto: B. J. Duarte.1939: ao fundo a várzea do rio Pinheiros, atual bairro de Pinheiros. Foto: B. J. Duarte.

Nas décadas de 1920 e 1930, com o objetivo inicial de gerar energia, a Light desapropriou 20 milhões de metros quadrados para a realização das obras, que incluíam a execução de barragens, elevatórias e a reversão do rio Pinheiros que passaria a receber as águas do Tietê, do qual era afluente, para alimentar a Usina Henry Borden nas encostas da Serra do Mar. Desta obra, cerca de 80% das terras passaram para o poder de Light, que tinha o direito de ficar com as terras “saneadas e drenadas” regulamentado por lei.

Esqueça aquela avenida tomada por buzinas estrondosas e passos apressados que vemos durante a semana. Foto: Carta Capital.Esqueça aquela avenida tomada por buzinas estrondosas e passos apressados que vemos durante a semana. Foto: Carta Capital.

Domingo é dia de praia – todo mundo sabe disso. Cadeirinha de plástico nas costas, breja no isopor, protetor na bolsa, garganta aquecida para gritar com a molecada, selfie ostentação e pronto: #partiupraia. Se existe algo que brasileiro ama mais do que polemizar nas redes sociais, com certeza, seria o sol. Basta ele chegar que a cara das pessoas muda; brota um bom dia inesperado no elevador; aparece um sorrisão largo no lugar do amarelo; e troca-se a sofisticação do preto e cinza para a estampa colorida de gosto duvidoso. Assim, ele vai assumindo o papel de maestro das nossas vidas e, como os planetas, giramos em torno dele.

Temos pressa para tudo. Pressa para sair de casa de manhã, para chegar no trabalho, para almoçar, para chegar à consulta do médico ou ao encontro com as amigas. Tem até os que nasceram com pressa, pré-maturos porque não podiam mais esperar.

APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio