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Estudo avaliou impactos da pandemia na saúde e na educação. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.Estudo avaliou impactos da pandemia na saúde e na educação. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.

A pandemia de covid-19 causou insônia ou excesso de sono em 50% da população da capital paulista, segundo pesquisa divulgada na última terça-feira (25) pela Rede Nossa São Paulo.

O estudo, que avaliou os impactos da pandemia na saúde e na educação dos moradores da cidade, mostrou que 44% das pessoas têm sofrido mudanças bruscas de humor e 43% delas sentem angústia e medo.

Para elaboração da pesquisa, a empresa Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC) ouviu 800 pessoas com mais de 16 anos, entre os dias 12 e 29 de abril, em todas as regiões da cidade e distribuídas em perfis que levam em consideração idade, classe social e raça.

Saúde pública e privada

Atualmente, em torno de sete em cada dez residentes da cidade de São Paulo não têm plano de saúde (69%). O número é 3 pontos percentuais maior do que o registrado em 2018, quando 66% disseram não contar com planos privados. O percentual dos que têm plano caiu de 31% para 29% no período, sendo que 2% não quiseram ou não souberam responder à questão.

Foto: MS / SUS / Divulgação.Foto: MS / SUS / Divulgação.A proporção de pessoas com plano de saúde é consideravelmente maior na zona oeste da cidade (53%), onde estão concentrados alguns dos bairros com maior renda da capital paulista. Na zona leste apenas 19% têm plano de saúde. O número de pessoas com plano de saúde também é maior entre brancos (39%) do que entre negros, sendo que 80% dos pretos e pardos declararam não ter planos.

No último ano, 77% da população utilizou o Sistema Único de Saúde (SUS) de alguma forma, sendo que 15% do total não usou nenhum sistema de saúde e 8% foram atendidos exclusivamente pelo setor privado. Usaram exclusivamente o SUS, 29% dos residentes na cidade. O serviço de saúde pública mais usado é a distribuição de medicamentos, usufruído por 55% da população, seguido pelo atendimento ambulatorial (54%).

Diagnóstico

Ao menos uma pessoa foi diagnosticada com covid-19 em 23% dos domicílios da cidade. Entre os entrevistados, 34% disseram que ao menos uma pessoa no local onde mora procurou um serviço público de saúde para ser atendido em relação à doença e 26% buscou serviços privados devido a preocupações com o novo coronavírus.

Entre os que tiveram diagnóstico de covid-19 em casa, 64% tiveram alterações no sono e 57% sofreram com angústia ou medo.

Escolas

Foto: iStock.Foto: iStock.

Com relação a crianças e adolescentes que frequentam escolas, 45% dos entrevistados informaram dificuldades com as aulas remotas devido à falta de internet com velocidade adequada. Problemas em manter os filhos concentrados foram relatados por 39% e 32% disseram não ter os equipamentos adequados para educação à distância.

Entre os que têm filhos, 21% disseram que pelo menos um jovem ou criança sob sua responsabilidade abandonaram os estudos durante a pandemia. O índice é maior entre os mais jovens: 37% na faixa entre 16 e 24 anos; 27% entre os negros; e 26% entre os moradores da zona leste.

As dificuldades com conexão e internet foram apontadas como razão de 57% das desistências na escola, seguida pela falta de celulares e computadores adequados (38%) e as dificuldades de concentração (34%).

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Fontes: Rede Nossa São PauloAgência Brasil.

O metrô de Londres é o terceiro sistema de metrô mais movimentado da Europa, depois de Moscou e Paris. Foto: Transport for London. O metrô de Londres é o terceiro sistema de metrô mais movimentado da Europa, depois de Moscou e Paris. Foto: Transport for London.

O metrô mais antigo do mundo é o de Londres (Inglaterra), com 158 anos de operação. Sua inauguração trouxe lições valiosas sobre mobilidade que são importantes até hoje. 

O pioneiro

Ilustração mostra passageiros balançando seus chapéus no ar durante uma viagem experimental no Metrô de Londres. Imagem: BBC Newsround.Ilustração mostra passageiros balançando seus chapéus no ar durante uma viagem experimental no Metrô de Londres. Imagem: BBC Newsround.

O London Underground teve as operações iniciadas em 10 de janeiro de 1863, com 30 mil passageiros já no primeiro dia de transporte. Atualmente, mais de 5 milhões de pessoas usam o sistema diariamente para cruzar a capital.

Ainda no século 19 já havia uma preocupação em oferecer um modelo alternativo de transporte para escapar de congestionamentos, considerando que a região central de Londres estava sobrecarregada de veículos de tração animal como charretes e alta quantidade de pessoas a pé

Começo modesto

O primeiro trem a vapor viaja pelo Túnel do Tamisa. Imagem: BBC Newsround.O primeiro trem a vapor viaja pelo Túnel do Tamisa. Imagem: BBC Newsround.

A primeira linha tinha 6 quilômetros, era composta por sete estações e usava locomotivas bastante simples, movidas a vapor e com estrutura de madeira. Ao todo, a viagem entre os extremos de Paddington e Farringdon levava cerca de 18 minutos, com picos nos horários de entrada e de saída de serviços.

Essa rota foi construída como parte da Metropolitan Railway, a via metropolitana que deu origem ao termo “metrô”. Em dezembro de 1890, o serviço se modernizou com o sistema subterrâneo de trilhos eletrificados.

Estação de metrô de Londres na década de 60. Foto: Rex / Shutterstock.Estação de metrô de Londres na década de 60. Foto: Rex / Shutterstock.

O apelido do sistema de metrôs é “The Tube” (O Tubo), adotado graças aos inovadores túneis que foram abertos em uma profundidade maior para abrigar somente o conjunto de trens subterrâneos. Ainda assim, ele não é feito totalmente debaixo da terra: 55% das vias ficam na superfície.

A unificação do que seria conhecido como London Underground levou mais tempo, afinal as primeiras linhas eram construídas e mantidas por companhias privadas, sem integração entre as plataformas.

Em 1933, o London Passenger Transport Board foi criado, permitindo uma administração mais completa do sistema de transporte da cidade. Em 1948, o serviço foi passado para a British Transport Comission (BTC), uma instituição estatal que finalizou a construção de linhas e ampliou o acesso a outras áreas da cidade.

Sempre em evolução

O “Novo Metrô de Londres” que começou a operar inicialmente na linha Piccadilly e que recebeu ar condicionado pela primeira vez na rede de túneis profundos. Foto: TFL.O “Novo Metrô de Londres” que começou a operar inicialmente na linha Piccadilly e que recebeu ar condicionado pela primeira vez na rede de túneis profundos. Foto: TFL.

O metrô de Londres é uma prova de que plataformas antigas podem ser reformuladas sem perderem a identidade. Melhorias realizadas na última década ampliaram a recepção de sinal mesmo nos túneis subterrâneos, permitindo a utilização de redes de telefonia celular e até Wi-Fi nos vagões.

O London Underground também foi o primeiro metrô do mundo a oferecer serviços noturnos, a partir de 2014, embora em uma operação bem mais limitada do que na linha tradicional.

Atualmente, ele é composto de 11 linhas com 270 estações e um trajeto total que consiste em 402 quilômetros. Por muito tempo, foi o maior metrô do mundo em extensão, até ser superado pelos de Xangai (570 quilômetros) e Pequim (465 quilômetros), ambos na China, e pelo de Nova York (465 quilômetros), nos Estados Unidos.

Mapa do Metrô de Londres. Imagem: TFL.Mapa do Metrô de Londres. Imagem: TFL.

Ainda assim, ele não escapa de críticas: vagões lotados e falta de estações em certas regiões da cidade ainda são um problema, apesar de o sistema já ter recebido diversas obras para melhorar a estrutura e o acesso.

Vale lembrar que o primeiro metrô do Brasil, localizado em São Paulo (SP), iniciou as atividades em 1974.

11 curiosidades sobre o Metrô de Londres

Embora existam mais de 250 estações ao norte do Rio Tâmisa, existem apenas 29 ao sul. Foto: TFL.Embora existam mais de 250 estações ao norte do Rio Tâmisa, existem apenas 29 ao sul. Foto: TFL.

  1. Na gíria de rimas cockney, o London Underground é conhecido como Oxo (Cube / Tube).
  2. Uma média de 2,7 milhões de viagens de metrô são feitas no metrô de Londres todos os dias.
  3. Apenas três bebês nasceram no tubo. O primeiro foi em 1924, o segundo em 2008 e o terceiro em 2009.
  4. A estação mais movimentada é Oxford Circus, que é usada por mais de 98 milhões de passageiros por ano.
  5. O metrô de Londres é o terceiro sistema de metrô mais movimentado da Europa, depois de Moscou e Paris.
  6. A estação mais profunda é Hampstead, 58,5 metros abaixo do solo.
  7. A velocidade média no metrô é de 33 km por hora, incluindo as paradas das estações.
  8. A viagem mais longa em um único trem é a viagem de 54,5 km entre West Ruislip e Epping na Linha Central.
  9. O recorde de visitas a todas as estações da rede do metrô de Londres - conhecido como Tube Challenge - é atualmente detido por Ronan McDonald e Clive. Burgess. A dupla completou o desafio em 16 horas, 14 minutos e 10 segundos em 19 de fevereiro de 2015.
  10. Em Harry Potter, Dumbledore tem uma cicatriz em forma de mapa do metrô de Londres em seu joelho.
  11. Existem apenas dois nomes de estações de metrô que contêm todas as cinco vogais - "Mansion House" e "South Ealing".

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Fontes: Transport for London, London Transport Museum.

Objetos foram encontrados em escavações na área externa do novo museu e são apresentados em série de postagens nas redes sociais. Foto: Governo do Estado de São Paulo.Objetos foram encontrados em escavações na área externa do novo museu e são apresentados em série de postagens nas redes sociais. Foto: Governo do Estado de São Paulo.

O canteiro de obras do Museu do Ipiranga se transformou em um sítio de monitoramento arqueológico. Em escavações na área externa do museu, uma equipe de arqueólogos encontrou ossos, fragmentos de porcelana e objetos de uso pessoal. Em parceria com a Scientia Consultoria Científica, os achados de outras épocas são analisados e divulgados em série de postagens nas redes sociais do museu.

A série foi inaugurada por uma curiosa dentadura, da primeira metade do século 20, que incluía um dente com restauração em ouro, para disfarçar o uso da prótese. Ela foi encontrada durante o processo de remoção de árvores do jardim para replantio.

Foto: Scientia Consultoria Científica.Foto: Scientia Consultoria Científica.

De acordo com a publicação, uma câmara de vácuo pode ser observada na região do encaixe com o palato, recurso utilizado para ajudar na fixação. Com o tempo, observou-se que isso causava uma hiperplasia no céu da boca, e na segunda metade do século 20, outras técnicas passaram a ser utilizadas.

Entre os achados das escavações na área externa do novo Museu do Ipiranga, ossos de animais foram exumados pela Scientia Consultoria Científica: são pedaços de crânio, pélvis e pés de rês (vaca ou boi) com marcas de cortes retos, realizados com instrumentos de metal; um fragmento de mandíbula que pode ter pertencido a um gato e dentes de porco doméstico.

Fotos: Scientia Consultoria Científica.Fotos: Scientia Consultoria Científica.

Também foram encontrados fragmentos de pratos, xícaras e potes de porcelana. A consultoria científica identificou que o conjunto data do fim do século 19 e início do 20. Um deles parece ser o fundo de um prato raso, com o registro Société Céramique Maestrich, marca holandesa de 1859. Também foi identificado um pedaço de prato produzido na Fábrica de Louças Santa Catharina (FSC), uma das primeiras do país.

Quanto valem 200 réis? O canteiro de obras do museu revelou duas moedas que, dependendo da época, equivaleriam de R$ 2,50 até R$ 10. A mais antiga, cunhada na Europa, chegou às ruas no fim de 1901. A outra, comemorativa, é da segunda metade da década de 1930. De um lado, tem uma locomotiva sobre trilhos; do outro, o busto de Visconde de Mauá (foto), industrial que criou a 1ª via férrea do País, em 1854, o que lhe rendeu seu primeiro título de nobreza, o de Barão.

Fotos: Scientia Consultoria Científica.Fotos: Scientia Consultoria Científica.

Durante o acompanhamento das escavações realizadas na área verde do Museu do Ipiranga foram identificados vários fragmentos de vidros, provavelmente do período entre o final do século 19 e o início do século 20. Um deles é um fragmento de uma garrafa de vidro com a inscrição “Labor omnia V”. A consultoria acredita que se trata de um frasco de medicamento importado. O produto da empresa Caswell Mack & Co., Chemists New York & Newport, utilizava em algumas de suas embalagens a frase latina que significa “O trabalho vence tudo”.

Foto: Scientia Consultoria Científica.Foto: Scientia Consultoria Científica.

Este cachimbo de barro foi encontrado no contrapiso do Museu do Ipiranga e, de acordo com análises, provavelmente seja uma peça importada dos Estados Unidos. No entanto, não foi possível identificar um fabricante específico e nem se descarta a possibilidade de influências estilísticas dos cachimbos estrangeiros na produção brasileira.

Embora se tenha indícios sobre a origem da fabricação do cachimbo, a equipe responsável pelo monitoramento e análise dos achados arqueológicos se pergunta: como a peça foi parar no contrapiso do museu? Teria pertencido a algum operário que o esqueceu durante as obras ou seria uma peça perdida do acervo do museu?

Foto: Scientia Consultoria Científica.Foto: Scientia Consultoria Científica.

O Museu do Ipiranga – mais antigo museu da cidade de São Paulo – passa por obras de restauração, ampliação e modernização, e segue fechado para visitação pública desde 2013. A previsão de reabertura é em setembro de 2022, para a celebração do bicentenário da Independência do Brasil.

Acompanhe as atividades do Museu do Ipiranga nas redes sociais:

A orientação de limpeza dos produtos reflete a tentativa de evitar a contaminação quando alguém toca uma área ou objeto contaminados e depois leva a mão ao rosto. Foto: Kadmy / Stock Photos.A orientação de limpeza dos produtos reflete a tentativa de evitar a contaminação quando alguém toca uma área ou objeto contaminados e depois leva a mão ao rosto. Foto: Kadmy / Stock Photos.

A chance de o contato de uma pessoa com uma superfície contaminada pelo coronavírus resultar em uma infecção é menor que 1 em 10 mil, segundo o Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência de saúde pública dos Estados Unidos.

O órgão atualizou neste mês (05/04) as informações sobre transmissão do coronavírus por superfícies e reconheceu que o risco é baixo — uma constatação que alguns pesquisadores vêm apontando desde o ano passado.

"É possível que as pessoas sejam infectadas pelo contato com superfícies ou objetos contaminados, mas o risco é geralmente considerado baixo."

Segundo o CDC, o risco relativo de transmissão do SARS-CoV-2 por superfície "é considerado baixo em comparação com contato direto, transmissão por gotículas ou transmissão aérea".

O risco de contágio pelo ar varia muito, dependendo de fatores como quantidade de pessoas, ventilação, tempo de exposição e uso de máscaras adequadas. Veja os graus de risco de contágio em atividades cotidianas, segundo a Associação Médica do Texas (TMA, na sigla em inglês).

Especialistas afirmam que os consumidores podem estar desperdiçando dinheiro com lenços e sprays antibacterianos. Foto: Paul Bradbury.Especialistas afirmam que os consumidores podem estar desperdiçando dinheiro com lenços e sprays antibacterianos. Foto: Paul Bradbury.

A atualização da agência dos EUA é o mais recente episódio do debate sobre o grau de importância dado à higienização de superfícies durante a pandemia, em comparação a outras medidas preventivas.

Em 2020, ao mesmo tempo em que o coronavírus começou a se espalhar, o hábito de lavar todas as embalagens logo depois de fazer as compras no mercado se popularizou. A orientação de limpeza dos produtos reflete a tentativa de evitar a contaminação quando alguém toca uma área ou objeto contaminados e depois leva a mão ao rosto.

No entanto, conforme os cientistas foram conhecendo melhor o comportamento do vírus, muitos especialistas começaram, ainda em meados de 2020, a alertar sobre o que consideravam um foco exagerado na transmissão por superfície contaminada, enquanto os cuidados com transmissão pelo ar ficavam em segundo plano.

A epidemiologista Adélia Marçal dos Santos, especialista na dinâmica de transmissão de doenças infecciosas e professora de Medicina da Universidade Municipal de São Caetano do Sul, diz que "uma coisa que dificultou muito a contenção da doença no mundo inteiro foi a dificuldade de admitir a transmissão aérea do vírus".

Foi em julho de 2020 que a Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que havia evidências de que o coronavírus podia se espalhar por minúsculas partículas suspensas no ar e que a transmissão aérea não podia ser descartada em ambientes lotados, fechados ou mal ventilados.

O CDC atualizou em outubro de 2020 suas diretrizes sobre os tipos de transmissão do coronavírus e passou a incluir os aerossóis, considerando que a transmissão pode ocorrer pelo ar. Esse entendimento é importante, segundo os especialistas, exatamente para destacar a importância de evitar locais com ventilação ruim ou com muitas pessoas aglomeradas.

No Brasil, a página do Ministério da Saúde atualizada em abril de 2021 menciona, sem entrar em muitos detalhes, que o coronavírus "é transmitido principalmente por três modos: contato, gotículas ou por aerossol".

'Teatro da higiene'

O termo 'teatro da higiene' virou o símbolo das situações em que medidas insuficientes ou ineficazes dão uma falsa sensação de segurança em relação ao combate ao coronavírus. Foto: Getty Images.O termo 'teatro da higiene' virou o símbolo das situações em que medidas insuficientes ou ineficazes dão uma falsa sensação de segurança em relação ao combate ao coronavírus. Foto: Getty Images.

A expressão teatro da higiene (usada primeiro em inglês: hygiene theater) virou o símbolo das situações em que medidas insuficientes ou ineficazes dão uma falsa sensação de segurança em relação ao combate ao coronavírus.

O termo foi usado em um artigo do jornalista Derek Thompson, na revista The Atlantic, em julho de 2020, no qual o autor argumenta que "o teatro de higiene pode retirar recursos limitados de objetivos mais importantes". A matéria descreve ações como a simples limpeza de cardápios em restaurantes e a desinfecção de assentos e paredes no metrô de Nova York.

Imagine um estabelecimento com funcionários fazendo a desinfecção de superfícies com alguma frequência, mas sem medida alguma para garantir uma boa ventilação do local ou para exigir o uso de máscaras apropriadas. Essa é a descrição de uma situação que poderia dar a falsa sensação de segurança, segundo o engenheiro biomédico Vitor Mori, membro do grupo de pesquisadores Observatório Covid-19 BR.

"O teatro da higiene é o ato de desinfetar tudo o tempo todo. Porque é algo mais concreto, visual... Vemos que algo está sendo feito e isso nos dá uma falsa sensação de conforto e de segurança", diz Mori.

O que ele recomenda, no entanto (depois da dica número um, que é "fique em casa o máximo que conseguir"), é que as pessoas prestem mais atenção em medidas como: priorizar ambientes ao ar livre (ou com a maior ventilação possível), fazer distanciamento físico e usar boas máscaras, bem ajustadas ao rosto.

Se por um lado Santos diz que pode haver menos preocupação com cartas, jornais e outras superfícies, ela reforça que a recomendação de lavar as mãos continua valendo, é claro — não só devido à covid-19, mas para evitar outras infecções.

Lavar as mãos com água e sabão é uma das recomendações para evitar a contaminação pelo coronavírus. Foto: Ivabalk / Pixabay.Lavar as mãos com água e sabão é uma das recomendações para evitar a contaminação pelo coronavírus. Foto: Ivabalk / Pixabay.

"A higienização das mãos e de produtos que serão tocados durante preparo e ingestão de alimentos deve ser mantida. Isso o protege da covid e de diversas doenças infecciosas. Mas não é suficiente para impedir a transmissão da covid", diz.

A médica aponta que o investimento em melhoria da ventilação de estabelecimentos geralmente é alto e diz que "ninguém quer falar sobre isso".

"Trabalhadores estão convivendo em espaços que nunca cuidaram da segurança respiratória. A adaptação é cara — a não ser que tenhamos inovações, o que é possível — e poucas empresas terão condições (de fazer o investimento) após o impacto da própria pandemia", diz.

A OMS divulgou neste ano um documento com indicação de estratégias para melhorar a ventilação de ambientes internos e reduzir riscos de transmissão do coronavírus. O arquivo (em inglês) traz recomendações técnicas relativas à ventilação mecânica e natural e aponta que algumas recomendações devem ser avaliadas em consulta com profissionais da área de aquecimento, ventilação e ar condicionado (HVAC, na sigla em inglês).

Ao divulgar esse roteiro técnico, a OMS reforçou que a chance de contrair covid-19 é maior em ambientes cheios e espaços sem ventilação adequada onde as pessoas passam longos períodos de tempo próximas umas das outras.

"Esses ambientes são onde o vírus parece se espalhar por gotículas respiratórias ou aerossóis de forma mais eficiente, por isso, tomar precauções é ainda mais importante."

'Territorios y vivenda' (2018). Imagem: Alberto Kalach.'Territorios y vivenda' (2018). Imagem: Alberto Kalach.

A realidade das grandes cidades, como a Cidade do México é, na maioria dos casos, formada por pessoas de vários estados do país e de vários países ao redor do mundo. No entanto, devido à situação da pandemia e à nova era do trabalho remoto, foi radicalmente despertado um interesse em regressar às províncias e regiões costeiras onde há menos população, superlotação e, aparentemente, menos restrições sanitárias em comparação com as grandes cidades que acolhem os grandes aeroportos.

As tradicionais viradas de ano não serão realizadas em 2020. Foto: Visite São Paulo.As tradicionais viradas de ano não serão realizadas em 2020. Foto: Visite São Paulo.

A tradicional festa de réveillon na capital paulista, que reúne todos os anos cerca de 1 milhão de pessoas na avenida Paulista, está cancelada nesta virada de ano, de 2020 para 2021. A decisão do prefeito Bruno Covas, anunciada em julho, tem o objetivo de evitar a aglomeração de pessoas e a propagação da covid-19.