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A Torre Eiffel faz parte dos monumentos projetados para a Exposição Universal – evento público mundial, também conhecido simplesmente como Expo, de proporções magnânimas – que se tornaram símbolos dos países que sediaram o evento. Entre eles estão o Atomium, em Bruxelas, construído para a Expo 58, e o Skyneedle, na Austrália, na Expo 88.

 

O Portal foi lançado na manhã desta quarta-feira, 16/9 com a presença dos secretários municipais Gustavo Vidigal (adjunto de Relações Internacionais), Artur Henrique (Trabalho), a deputada estadual Leci Brandão (PC do B), a vice-prefeita Nádia Campeão, o secretário Maurício Pestana (Igualdade Racial) e o norte-americano Rodney Williams (Chefe Executivo de Operações da Microsoft Brasil).


O São Paulo Diverso – Fórum de Desenvolvimento Econômico Inclusivo é uma iniciativa da Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial (SMPIR) em parceria com o Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID), que objetiva contribuir para um desenvolvimento socioeconômico mais igualitário na cidade de São Paulo por meio da criação de mais oportunidades para a população afrodescendente.

A iniciativa busca fomenter políticas inclusivas e estimular empresas para a criação de ações afirmativas em sua gestão interna e em suas relações com stakeholders externos. O Fórum também pretende promover uma articulação entre empresas, empreendedores afrodescendentes, e representantes do poder público para a ampliação da oferta de empregos e a criação de novos negócios.

O lançamento do Fórum ocorreu em 2014 e reuniu diversos representantes do setor público e privado, de organizações do terceiro setor e da academia. No evento, foi divulgado relatório “Igualdade Racial em São Paulo: Avanços e Desafios” (ver aqui).  A segunda edição ocorrerá nos dias 04 e 05 de novembro de 2015, com o tema “Investindo na igualdade de oportunidades para descobrir talentos”. O  foco estará na criação de soluções para facilitar o acesso da população afrodescendente às oportunidades já existentes e para apoiar empregadores na criação de  vagas e na identificação e recrutamento de talentos normalmente excluídos do mercado formal.

Acesse o Portal: http://saopaulodiverso.org.br/

 


No fim do século 19, a acanhada capital paulista não era nem sombra da metrópole em que se transformou. “Durante a transição do Império para o regime republicano, São Paulo era provinciana, caipira, uma cidade baixa, de taipa, muito aquém das cidades portuárias e que, de repente, enriquece e passa a exercer protagonismo”, conta a historiadora e artista plástica Beatriz Piccolotto Bueno, que leciona História da Urbanização na Universidade de São Paulo (USP).
 

Em quatro décadas, até 1930, brotaram no Centro edifícios que até hoje simbolizam a cidade, como o Theatro Municipal, Palácio da Justiça, Mercadão e Pinacoteca do Estado. Esses marcos paulistanos têm em comum o fato de levarem a assinatura do lendário Escritório Ramos de Azevedo, aberto em 1886 pelo engenheiro e arquiteto Francisco de Paula Ramos de Azevedo.

À exceção da Catedral da Sé, o escritório foi responsável por todos os grandes projetos institucionais de São Paulo até 1928, ano da morte de seu fundador. Um dos grandes destaques é o Theatro Municipal, cuja construção foi autorizada pela Câmara Municipal de São Paulo (CMSP) por meio da Lei 643, de 25 de abril de 1903. “Fica o prefeito autorizado a construir, no terreno cedido pelo governo do Estado, o Theatro Municipal, e aprovadas as plantas e orçamento apresentados pelos engenheiros Francisco de Paula Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi e Claudio Rossi”, diz o texto. A cessão do terreno também foi viabilizada graças a uma iniciativa do Legislativo municipal, que propôs lei para promover uma permuta do espaço com o governo do Estado.

Croquis do Escritório Ramos de Azevedo - Reprodução: Ângelo Dantas/CMSP.

A demanda por atrações teatrais e musicais já era forte na capital. Mas as grandes companhias e atrizes internacionais, como Eleonora Duse e Sarah Bernhardt, não tinham um palco à altura. Muitas vezes, os grupos artísticos partiam direto para Buenos Aires após a temporada no Rio de Janeiro, sem passar por São Paulo. Para resolver esse problema, a CMSP aprovou, de 1895 a 1903, cinco importantes leis de incentivo ao setor.

Uma dessas leis, a 336 de 1898, previa isenção de impostos, pelo período de 50 anos, a teatros construídos mediante concorrência pública. A intenção era suprir a falta do Teatro São José, que ficava no Centro e pegou fogo naquele ano. Um acordo entre empreendedores chegou a ser firmado, mas caducou e ninguém aproveitou o benefício.

Em 1903, com a aprovação da Câmara, o escritório estava automaticamente designado para erguer o tão sonhado Theatro Municipal. A obra, planejada para ser um ícone de modernidade, abrangeria não só o teatro, mas também a escadaria lateral e a fonte, que fariam a transição entre a obra e o Parque do Anhangabaú. Os croquis mostram todos os detalhes internos, indicando até mesmo as banquetas de veludo e os espelhos nos banheiros femininos. As ferragens e o mobiliário foram depois executados pelo Liceu de Artes e Ofícios, do qual Azevedo foi professor e diretor. “Cada profissional, de diferentes áreas, que olhasse o mesmo desenho já teria todas as informações necessárias”, observa o engenheiro Paulo Villares, bisneto de Ramos de Azevedo.
 
Iniciada em junho de 1903, a construção do Theatro durou oito anos e consumiu 4,5 milhões de tijolos e 750 toneladas de ferro. Enquanto duraram os trabalhos, Ramos de Azevedo despachou diariamente em um gabinete montado no canteiro de obras, para acompanhar tudo de perto.

Dedicar-se pessoalmente a um projeto era algo raro para o arquiteto, que, além da atuação em sua empresa e no Liceu, também trabalhou de 1900 a 1921 na Escola Politécnica de São Paulo, onde foi um dedicado professor e diretor. Ainda assim, a engrenagem montada permitiu que o escritório entregasse 4 mil obras completas (do projeto à execução) até 1980, quando encerrou suas atividades. Vários trabalhos eram executados simultaneamente e os prazos eram respeitados. O prédio dos Correios e Telégrafos, no Vale do Anhangabaú, por exemplo, levou apenas dois anos para ser finalizado, do projeto à construção. “Ramos não se tornou uma grande grife por acaso”, diz Beatriz Bueno.“As obras de Ramos no Centro começaram a ser feitas nos últimos anos do Império e deram a cara de São Paulo nas três primeiras décadas do século seguinte”, diz o guia de turismo Laercio Cardoso de Carvalho (veja no final da página o roteiro pelos edifícios assinados por Ramos de Azevedo, no Centro). Para Beatriz, “os projetos possuem estilo eclético; conectados às tendências mundiais de arquitetura da época, têm muita qualidade e são pensados tridimensionalmente, para serem vistos de longe, criando grandes perspectivas”. Além dos prédios públicos, foram vários trabalhos privados: dos 50 palacetes erguidos no período áureo da Avenida Paulista, 11 foram assinados pelo grupo de Azevedo, entre eles a sobrevivente Casa das Rosas.
 
 Ramos de Azevedo (Centro), com a equipe que idealizou o Theatro Municipal. Arquivo: CMSP.
 
Da Taipa à Metrópole 
 
Nascido na capital paulista em 8 de dezembro de 1851, Ramos de Azevedo mudou-se para a Bélgica para estudar engenharia e arquitetura na Universidade de Gante. Voltou ao Brasil em 1878 e trabalhou em Campinas (SP) por alguns anos. Casou-se em 1880 com Eugênia Lacaze, com quem teve Francisco, Lúcia e Laura (avó de Paulo Villares). Seis anos depois, criou em São Paulo o primeiro entre os modernos e o mais duradouro escritório de arquitetura que a capital já teve.

A historiadora Beatriz Bueno, também curadora de uma exposição sobre o escritório, conta que Azevedo foi mais um grande empreendedor do que um notável desenhista: “O melhor dele era o gerenciamento, a visão”. Para garantir a qualidade e a agilidade, o empresário contratou grandes talentos da arquitetura e engenharia. Os funcionários, que chegaram a 500 em 1890, trabalhavam em pequenas equipes, organizadas de acordo com a especialidade e em plena sincronia. “Ramos de Azevedo imprime um padrão taylorista, uma cadeia produtiva impecável, com chefe de seção, de turma, do cálculo, de obras, hierarquias muito claras e as chefias respondendo pela qualidade do trabalho entregue”, explica Beatriz. “Ao final da tarde, os trabalhadores da obra e o pessoal de desenho conversavam sobre o resultado do dia e planejavam a jornada seguinte, numa escala industrial”, completa a professora.
 
Para segurar a clientela, além de qualidade, às vezes era oferecido também o financiamento das obras, com ressarcimento posterior. Prova disso é o parecer favorável da Comissão de Obras da Câmara Municipal, em 17 de junho 1893, ao “pagamento da terceira e última prestação devida ao engenheiro Ramos de Azevedo pelo contrato celebrado com a intendência para reforço do prédio nº 19, à Rua 15 de Novembro”.

Carismático, sociável e comunicativo, o arquiteto “era muito respeitado pela burocracia”, segundo Beatriz. Mais do que respeito, Azevedo desenvolveu interesse pela carreira política. Numa sessão especial, em 22 de junho de 1904, a CMSP anunciou sua eleição como “senador do Congresso estadual”, com 28.265 votos. Exerceu a função por um ano e meio. Em 1917, filiou-se à Liga Nacional de São Paulo, formada por membros da elite paulistana que lutavam pelo voto secreto obrigatório, entre outros aperfeiçoamentos do sistema político. “Ele estabeleceu redes de sociabilidade muito importantes mas, na verdade, sua credibilidade tinha menos a ver com as relações que ele possuía do que com a seriedade que ele imprimia ao escritório”, explica a especialista da USP.

Francisco Ramos de Azevedo morreu em 12 de junho de 1928, no refinado Grand Hôtel La Plage, no Guarujá (SP), outro projeto com a assinatura de sua empresa. Foi enterrado no primeiro cemitério público municipal, o da Consolação, onde também está eternizada a marca de seu escritório, que projetou o portal de entrada do local.

Em meio século de atividade, ligou o seu nome de modo imperecível à cidade de São Paulo”, disse na CMSP o vereador Alexandre Albuquerque, em sessão após a morte do arquiteto. No mesmo discurso, o parlamentar registrou que “em todos os grandes monumentos da nossa terra”, estava gravado, à época, o nome de Azevedo. “Poucas, muito poucas, serão as ruas de São Paulo em que não encontrem edifícios criados e erigidos por este grande arquiteto”, ressaltou. Lembrou, por fim, que graças a Azevedo a cidade rústica havia se transformado num lugar de modernos edifícios, feitos com ferro e concreto: “Foi o obreiro que, com suas próprias mãos, demoliu uma aldeia e construiu uma metrópole”.

Fonte: Câmara Municipal de São Paulo. Por Gisele Machado. Colaborou Leandro Uliam.


A partir do próximo mês de outubro, pelo menos dois dos cinco ônibus para o serviço de City Tour de São Paulo devem estar em funcionamento.

O trajeto foi definido, julho deste ano, passando por 11 pontos: Estação da Luz, Mercado Municipal, Praça da República, Estádio do Pacaembu, Av. Paulista - MASP e Casa das Rosas, Parque do Ibirapuera, Centro Cultural de São Paulo, Liberdade, Patteo do Collegio e Theatro Municipal.

Os ônibus de dois andares estão recebendo os ajustes finais na garagem da Sambaíba Transportes Urbanos, na zona Norte de São Paulo, que vai operar os veículos que são elétrico-híbridos produzidos pela Volvo com carroceria Viale Sunny DD, da Marcopolo. Veículos destas marcas já fazem serviços turísticos em locais como o Parque Nacional do Iguaçu, em Foz do Iguaçu, no Paraná.

Além de veículos de dois andares, haverá de um pavimento. O valor da passagem deve ser fixado em R$ 30 ou R$ 35.

O projeto de um ônibus turístico na cidade de São Paulo é de 2011, na gestão do então prefeito Gilberto Kassab, quando havia uma previsão da passagem custar R$ 70.

A falta de um serviço deste tipo era motivo de críticas por parte da população. Há ônibus de City Tour há mais tempo, por exemplo, em Curitiba, Manaus, Brasília e Campo Grande.

Com informações de Adamo Bazani em seu Blog Ponto de Ônibus.

 


Em 2015, o paulistano está mais na rua. E em praças, escadarias, jardins. Ocupado, o espaço público, sucateado nas últimas décadas, torna-se atraente de novo. Tanto para os empresários de olho nos consumidores quanto para o cidadão que quer um parquinho legal para o filho brincar e conhecer outras crianças.
 
A sãopaulo ouviu coletivos e pessoas por trás de iniciativas que pensam o espaço público como forma de experimentar a cidade. Além disso conversou com Nabil Bonduki, 60, secretário Municipal de Cultura de São Paulo, para saber como o poder público observa o assunto. Veja entrevista abaixo.

sãopaulo - O filósofo Antonio Negri argumenta que deveríamos ver a metrópole como uma fábrica para a produção do comum. Como direito à cidade a ideia parece interessante e sedutora. Esse ideal é muito distante?
Nabil Bonduki - Eu acho que estamos caminhando aqui em São Paulo. Mas historicamente, pelo menos nos últimos 50 anos, nós fizemos um processo contrário. Processos que levaram à progressiva privatização do espaço público e da vida cotidiana. As pessoas passaram a frequentar locais privados e o espaço público passou a ser visto como abandonado e perigoso. Com outras políticas e outra mentalidade estamos tentando transformar esse cenário. Não vai ser fácil, mas é um processo em curso.

Há um mapeamento de tudo que está sendo realizado na cidade nesse sentido?
Não sei se alguém da Prefeitura tem isso de maneira estruturada porque as iniciativas são coordenadas por subprefeituras. É muita coisa. Teria que centralizar em alguém. Seria interessante. Segundo coletivos entrevistados, o diálogo com as subprefeituras melhorou muito. Alguns reclamam, no entanto, que passam muitos projetos superficiais.

É preciso mais cuidado? Os projetos são avaliados por cada subprefeitura.
Não posso falar de todos. Depende de cada caso. A Secretaria de Cultura tem apoiado várias ações no Largo da Batata, como o Carnaval de rua, o aniversário de Pinheiros e outras ações. Claro que não tem que aprovar tudo. Não dá pra aprovar uma ação se não tem recurso, por exemplo. Ou uma atividade às duas da manhã em área residencial e que complica o trânsito. Mas há uma disposição de viabilizar a ocupação do espaço público. A princípio havia uma tendência de proibir.

Qual o próximo passo?
Avançou-se muito nos últimos dois anos. Mas ainda são iniciativas restritas se considerar o tamanho da cidade. Existem 71 parklets implantados ou em processo de implantação na cidade. É muito, mas insignificante se pensar no tamanho de São Paulo. Ainda há uma concentração de atividades no centro e na zona oeste. Precisamos levar experiências piloto de alguns poucos lugares para outros lugares além da Paulista, por exemplo. É uma etapa difícil. Porque quanto mais a gente vai para a periferia, observa que é mais estreito, as casas não tem garagem. Tudo isso dificulta.

Em que fase estamos no processo de resgatar a cidade como espaço de convívio, de encontro?
Nós estamos numa fase ainda de disputa simbólica sobre o que se quer pela cidade. Muita coisa está acontecendo. O fechamento do Minhocão para carros aos sábados foi aprovado no início do mês, a inauguração da ciclovia na avenida Paulista em junho, o fechamento da via para carros aos domingos também deve ser adotado. Mas não acho que esteja consolidado, pelo contrário, há manifestações contrárias a isso. Vou dar um exemplo: o Minhocão lota de pessoas e bicicletas, tem feiras. No entanto, boa parte da população é contra o fechamento e à demolição integral do elevado. Há visões em disputa.

Natália Albertoni na Folha de S.Paulo.

 


Na contramão da retração do setor imobiliário da capital paulista, fruto das incertezas da economia, a emissão de licenças para prédios de uso misto mais do que dobrou na cidade de São Paulo após a aprovação do novo Plano Diretor Estratégico (PDE), há um ano. Foram liberados 120 edifícios que mesclam moradia, comércios e escritórios entre julho do ano passado e junho deste ano, ante 55 empreendimentos entre julho de 2013 e junho de 2014. É um aumento de 118%. Os dados foram obtidos pela Lei de Acesso à Informação.
 
O número chama mais a atenção se comparado aos dados do setor como um todo. Nos últimos 12 meses, caiu 25% o número de pedidos de autorização para novos empreendimentos na Prefeitura. A queda é de 9.283 pedidos – entre julho de 2013 e junho do ano passado – para 6.900 entre julho de 2015 e junho deste ano, segundo a Secretaria de Licenciamentos. Os projetos aprovados foram concebidos seguindo as regras do Plano Diretor antigo, que ainda não previam incentivos a esse tipo de empreendimento que agora existem – como, por exemplo, a elevação por quatro do potencial construtivo dos terrenos que abrigam as obras. Mas, no entender do Sindicato da Habitação (Secovi), já indicam uma disposição do mercado de investir em obras com essas características.
 
 
 
“Esses projetos que estão sendo aprovados agora são certamente daqueles que adquiriram os terrenos em 2014, deram entrada com o projeto ainda no ano passado, e estavam aguardando a aprovação”, diz Ricardo Yazbek, vice­-presidente da entidade. 

Esse crescimento é visto com bons olhos pelo setor. “É muito salutar o que vem acontecendo. O fato de a gente ter lojas no térreo, conversando com a calçada, com as pessoas transitando ali, isso é bom. É bom para a cidade, é bom para o comércio, para os serviços, que são o que normalmente fica no pavimento térreo de edifícios, a exemplo do que temos em alguns trechos de Higienopólis (zona oeste da capital), no Leblon e em Ipanema (Rio) e até em outras cidades, como Buenos Aires”, diz Yazbek. 

Mas o vice­-presidente do Secovi destaca que, mesmo com o crescimento expressivo, o número de aprovações é “muito baixo para uma cidade com o tamanho de São Paulo”, e um dos motivos é a falta de conhecimento das incorporadoras sobre o tamanho desse mercado. Não há certeza se há demanda, por exemplo, para tantas salas comerciais.

“Encomendamos, juntamente com a Associação Comercial, uma pesquisa para tentar dimensionar a demanda por esses espaços”, completa Yazbek. Os resultados devem ser apresentados neste mês. O PDE foi aprovado em julho na Câmara Municipal e sancionado pelo prefeito Fernando Haddad (PT) em agosto. A regulamentação da nova lei ocorreu em abril. A expectativa é de que as aprovações só se transformem em novos lançamentos imobiliários depois das aprovações da Lei de Uso e Ocupação do Solo e do Código de Obras, ambos em discussão no Legislativo e com previsão de aprovação ainda neste ano. 

Repercussão

“A notícia é interessantíssima”, diz o arquiteto e urbanista Lucio Gomes Machado, professor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade de São Paulo (FAU­USP). “Indica o início da mudança de uma mentalidade de mais de 40 anos atrás, que setorizava a cidade em zonas de trabalho, moradia, lazer e circulação. Não se percebia o quanto isso era danoso para a cidade.” 

Diretor da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da Universidade Presbiteriana Mackenzie, o arquiteto e urbanista Valter Caldana concorda. “Em 1972 a cidade adotou um modelo de desenvolvimento urbano rodoviarista disperso, em lei, o que introduziu uma coisa perversa: a segregação e a estratificação do território. Finalmente, parece que tal modelo se exauriu.” 

Caldana só vê vantagens no uso misto. “Primeiramente, porque aproxima a prestação de serviços do usuário do serviço. E porque cria emprego e renda perto de onde há moradia, reequilibrando a relação moradia, emprego e renda.”

Bruno Ribeiro, Edison Veiga em O Estado de S.Paulo.

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