Outros - São Paulo São

São Paulo São Outros


Pinturas, esculturas, fotografias, documentos, entre outras peças dos universos culturais africanos e afro-brasileiros que compõem o acervo do Museu Afro Brasil, em São Paulo, agora estão ao alcance de um click.

Desde o dia 21 de janeiro, mais de 100 obras da coleção da instituição podem ser visualizadas virtualmente graças a uma parceria com o Google Cultural Institute, ferramenta da gigante de tecnologia americana que permite a visitação online dos principais espaços de cultura ao redor do mundo.

Por meio da funcionalidade Google Street View, o internauta poderá se movimentar pelas salas e corredores do museu, conferir exposições temporárias e de longa duração, além de selecionar e obter mais informações sobre as obras de seu interesse.

Mostras temporárias que haviam saído de cartaz passaram por curadoria especial para estarem disponíveis virtualmente, caso de “Espírito da África – Os reis africanos” que traz as fotografias de Alfred Weidinger, austríaco que registrou os remanescentes das monarquias dos maiores reinados africanos.

Esse é também o caso da exposição “Arte, Adorno, Design e Tecnologia no Tempo da Escravidão”, composta por objetos de ofícios urbanos e rurais que revelam as contribuições dos negros para a ciência e a tecnologia no Brasil. A mostra que ficou em exibição por mais de dois anos e ganhou nova montagem no Dia da Consciência Negra de 2015 agora pode ser apreciada de qualquer parte do mundo, sem sair de casa.

Museu Afro Brasil Virtual. Acesse!

***
Fonte: Carta Educação.


O trecho da Avenida Rio Branco (no Rio de Janeiro), entre as avenidas Nilo Peçanha e Presidente Wilson, ao que tudo indica vai mesmo virar um bulevar, com 750 m de extensão, compartilhado por pedestres, ciclistas e o VLT - Veículo Leve sobre Trilhos. Há cinco anos, a prefeitura do Rio chegou a cogitar fechar a Rio Branco, entre a Candelária e a Avenida Beira-Mar, para criação de uma “rambla carioca”, mas a ideia foi descartada. Agora, o prefeito Eduardo Paes 'bateu o martelo' para o novo bulevar.

 O plano de mobilidade no Centro, que está sendo finalizado pela Secretaria Municipal de Transportes, prevê a mudança de itinerários de ônibus, municipais e intermunicipais, que não serão mais circulares e terão como destino cinco terminais. Ao longo do percurso ou a partir dos pontos finais, os passageiros prosseguirão viagem de VLT, metrô, trem ou barca. A promessa é de que tudo isso esteja em pleno funcionamento até o fim do primeiro semestre do ano que vem. Em 2017, a baldeação poderá ser feita também no BRT Transbrasil, que chegará à Avenida Presidente Vargas.

"Queremos atrair a população de volta ao Centro, que ficará mais convidativo para o pedestre", disse o secretário municipal de Transportes, Rafael Picciani. Segundo ele, o bloqueio da Rio Branco para as obras de implantação do bulevarserá ainda neste semestre. O tráfego será interrompido na altura da Nilo Peçanha. De lá, o motorista poderá seguir pela Avenida Graça Aranha e acessar, por exemplo, o Aterro do Flamengo.

Conforme o plano de mobilidade do Centro, entre a Praça Mauá e a Nilo Peçanha, além do VLT (no lado ímpar da via), a Rio Branco terá três faixas de rolamento e sentido único, na direção da Cinelândia. Ainda está sendo estudado se os ônibus ficarão com duas delas e os carros com a restante. A Avenida República do Paraguai e as ruas Gomes Freire e Senador Dantas deverão ter a mão de direção invertida. Já a ciclofaixa da Avenida Graça Aranha será transferida para o futuro bulevar.

Sistema de ônibus

Para muitos usuários do sistema de ônibus, a baldeação será inevitável. Mas Picciani garante que o tempo de viagem será menor, uma vez que a prefeitura deflagra no dia 3 de outubro o processo de racionalização dos ônibus que circulam pela Zona Sul, que prevê a extinção e o encurtamento de linhas com percursos sobrepostos e a criação de linhas integradas.

"Um estudo que encomendamos constatou que 64% das linhas se sobrepõem em 80% dos trajetos. Inundou-se a cidade de ônibus. Com a racionalização, a ideia é que o Centro fique mais transitável. Haverá menos ônibus no Centro", afirma Picciani. 

A estimativa da prefeitura é que só o VLT vai transportar diariamente 300 mil pessoas. O bonde moderno circulará por 28 km de vias, entre o Centro e a Zona Portuária. O percurso terá 32 estações. Não haverá cobrador, e o usuário deverá validar o bilhete dentro da composição. 

"Haverá fiscalização e multas pesadas para evitar que passageiros viajem sem pagar pelo serviço. Mas os que fizerem a integração pagarão a tarifa única", explica o secretário. 

Via expressa terá 6,8 km

Na estação Central do Brasil do VLT, os usuários poderão fazer conexões com trens, metrô e ônibus. Da estação Praça Quinze, poderão seguir de barca e ônibus. Na estação rodoviária, os passageiros poderão fazer a integração com ônibus intermunicipais. Os que chegarem pela Novo Rio e pelo Aeroporto Santos Dumont terão estações exclusivas do bonde. 

Também com entrega prevista para o fim do primeiro semestre de 2016, a Via Expressa (antiga Rodrigues Alves) terá 6,8 km de extensão. O plano de mobilidade para o Centro estará concluído com a chegada do BRT Transbrasil à Avenida Presidente Vargas.

 "Com isso, a cidade, que tinha 18% dos usuários atendidos por transporte de alta capacidade, passará a ter 63%", estima o secretário de Transportes.

***

Selma Schmidt na Mobilize.

 


Bibi e Zé Paulinho são os novos mascotes do São Paulo Carinhosa, que nasceram do desejo da coordenadora do Programa, Ana Estela Haddad, contar com dois personagens que pudessem dialogar com crianças e adultos da cidade sobre os programas municipais voltados à primeira infância.

Criados e batizados pelo lendário cartunista Jaguar, Bibi e Zé Paulinho ganharam corpo por meio da Rede Pública de Laboratórios de Fabricação Digital em São Paulo (Fab Lab Livre SP), da Galeria Olido.

Presente ao lançamento, o secretário municipal, Simão Pedro, comentou um dos principais objetivos da Rede Pública de Laboratórios de Fabricação Digital em São. “Queremos que a população possa ter contato com essas ferramentas mais modernas do mundo da internet, conectadas com outras áreas como marcenaria e eletrônica, que possam colocar sua criatividade para materializar ideias. E colocar a tecnologia a serviço dos trabalhadores jovens e da educação”.

 

Imagem NoticiaImagem Noticia

Bibi e Zé Paulinho com a primeira-dama Ana Estela Haddad e o secretário Simão Pedro. Foto: Eduardo Ogata / SP Carinhosa.

 

Graças às ferramentas do Laboratório como impressoras 3D, cortadoras a laser, software de modelagem e animação para programação em computadores, fresadoras e equipamentos de eletrônica, entre outros recursos utilizados na cultura maker (ou “faça você mesmo”), qualquer pessoa interessada em desenvolver um projeto já iniciado ou que queira aprender do zero pode criar protótipos ou participar de cursos de técnicas de fabricação digital e outros mais.

Os Fab Labs são espaços de produção colaborativa e aprendizado interdisciplinar, que têm como principal público-alvo os estudantes. Segundo Carolina Hernandez, técnica da unidade na Galeria Olido, “a ideia é que as crianças também possam se apropriar desse espaço. Que  venham participar de cursos e criar produtos, sempre com a presença dos pais. Quando quiserem fazer um robô, por exemplo, podem aprender aqui. Temos um curso gratuito no Fab Lab de Itaquera, por exemplo, em que uma criança pode criar um jogo de computador em quatro horas. Estamos com projetos de fazer cursos voltados para a educação infantil e esperamos que o público traga demandas e propostas. É importante pensar que esse é um espaço de troca e de construção de conhecimento coletivo”, diz ela.

João Cassino, coordenador de Conectividade e Convergência Digital da Secretaria de Serviços, complementa: “Os Fab Labs possuem equipamentos muito avançados. Eles podem fabricar quase qualquer coisa. A criança aprende a desenhar a ideia no computador e as máquinas imprimem, tirando a ideia do papel. A criança tem a ideia do brinquedo e a possibilidade de materializá-lo. Já temos quatro Fab Labs em funcionamento, no centro, na Penha, em Cidade Tiradentes e Itaquera. Em março teremos mais oito novas unidades distribuídas pela cidade”.

O Fab Lab Livre SP é gerenciado pelo Instituto de Tecnologia Social (ITS) Brasil, entidade selecionada pela Prefeitura para promover o desenvolvimento e o aproveitamento de tecnologias voltadas para o interesse social. “O grande diferencial é que a pessoa aprende na prática o que pode ser sua profissão, uma habilidade. Daqui vão sair arquitetos e engenheiros”, disse Douglas Alexandre de Souza, coordenador da Fab Lab Livre SP / ITS.

Além de equipamentos digitais avançados, os Laboratórios contam com professores especializados em computação, design e, em alguns casos, com pessoas com deficiência. Beatriz da Rocha é professora de lógica de programação de jogos e eletrônica. Entre seus alunos teve um autista que se fidelizou ao Fab Lab de Itaquera. Segundo ela, toda quinta-feira o aluno frequenta as aulas no Laboratório da zona leste. “A experiência foi incrível. Minha futura tese de mestrado será sobre autismo e inteligência artificial. Eu e o Lucas, técnico do Fab Lab Itaquera, fizemos uma programação especifica pra ele, de modo que nossos equipamentos pudessem interagir com esse aluno”.

Participando do curso de introdução à Lógica de Programação, no Fab Lab da Galeria Olido, Pablo Soares, de 33 anos comentou sua experiência. “Eu faço faculdade de engenharia civil e sou Prounista. Preciso aproveitar uma oportunidade ímpar como esta, que eu pretendo prolongar fazendo outros cursos que estiverem disponíveis”.

O secretário Simão Pedro arremata. “Os paulistanos são criativos. É só dar a oportunidade. Isso a gente já sabia desde a inauguração dos Telecentros, no ano 2000. Você dando oportunidade, instrumentos e abrindo espaços, a criatividade e a inventividade afloram. Iisso é muito fantástico”.

***
Fonte: São Paulo Carinhosa.

 
Quarta-feira, meio-dia e pouquinho, solão de rachar o coco e o pessoal, no melhor estilo paulistano, já se enfileirando para conseguir uma mesa em um dos três restaurantes daquela viela sem nome. Nem a pasmaceira da primeira semana do ano foi capaz de desanimar a clientela cativa. Também, não é para menos. Feijoada completa, no esquema coma à vontade, por um preço camarada que fica entre 16 e 19 reais, não é em qualquer lugar que se encontra. Escolados na arte de fazer o vale-refeição caber no orçamento mensal, quem espera na fila sabe bem disso. Coisa de 200 metros dali, onde trabalham, é impossível bater um almoço tão duplamente honesto — para a barriga e para o bolso. A explicação da disparidade alimentícia entre os dois locais está justamente nessa curta distância. É que esses 200 metros entre origem e destino não são apenas 200 metros. Ao menos não na régua da realidade que separa o Parque Cidade Jardim da sua vizinha de muro, a favela Jardim Panorama.
 
Apesar do cenário da Marginal Pinheiros, às margens de um dos rios mais poluídos do Brasil, verdadeiro esgoto a céu aberto, nem todos os adjetivos usados para designar exclusividade, ou apenas todos eles somados, são capazes de dar conta do Parque Cidade Jardim, na zona sudeste de São Paulo. O complexo é composto por um shopping, onde relógios ao preço de 200 mil reais são artigos triviais nas vitrines; por nove torres residências, com apartamentos que variam entre 235 e 1885 m²; e, por fim, como quase tudo ali é batizado em inglês, pelo Corporate Center, com três towers comerciais. Para chegar ao local, o modo mais indicado é o automóvel, mas como nem todos os funcionários que trabalham ali têm carro, o complexo disponibiliza um serviço de van que faz o traslado da estação de trem da CPTM, do outro lado do rio, para o complexo. O trajeto dura cerca de 15 minutos. De qualquer jeito, para consumidores e clientes, a entrada oficial é uma só: a rampa da garagem.
 
L.B., 24 anos, publicitário de uma das maiores agências do mundo, com sede em 75 países, caminha do Corporate Center, onde fica seu trabalho, para a favela Jardim Panorama diariamente. A opção do almoço, como conta, é feita pensando na barriga e no bolso, mas também na cabeça e no pulmão. Acontece que se o sujeito – assalariado comum – não quiser deixar todo seu ordenado nos restaurantes de alta gastronomia do shopping, como o Pobre Juan e o francês Parigi Bistrot, restam-lhe apenas quatro opções. A primeira, mais aprazível, fica no átrio do Corporate Center. É o Villa Gustto. Em comparação com outros self-services da cidade, o preço de 60 reais o quilo não chega a ser exorbitante, mas pesa bem no orçamento. Contudo, o problema mesmo, conta L.B., é comer no pátio do lugar em que se trabalha. Que tempo para a cabeça descansar vendo outras coisas? Daí que ele e seus colegas botaram uma alcunha no estabelecimento. Para eles, o Villa Gustto virou Vila Angústia.
 
Em vermelho, a Favela Jardim Panorama. Em azul, o complexo do Parque Cidade Jardim.Em vermelho, a Favela Jardim Panorama. Em azul, o complexo do Parque Cidade Jardim.

Em vermelho, a Favela Jardim Panorama. Em azul, o complexo do Parque Cidade Jardim. 
 

Continuando o tour gastronômico, a segunda opção é o Food Hall, espécie de Praça de Alimentação 2.0, onde é possível fazer compras de produtos chiques ou almoçar em um restaurante a la carte. Para chegar lá, L.B. tem que entrar na fila de um carrinho de golfe que faz a ligação subterrânea entre o Corporate Center e o estacionamento do shopping. Dependendo do horário, a fila é tão grande que o pessoal opta por fazer o trajeto de alguns metros de túnel a pé. Mais cinco lances de escada rolante passando pelos corredores do shopping e pronto: assim, o Food Hall, para eles, virou Food Hell. A terceira alternativa é o Divino Fogão, que ainda não ganhou apelido, mas que poderia muito bem ser chamado de Divino Porão. O restaurante por quilo fica no segundo subsolo do shopping, num anexo sem janelas dentro do estacionamento. Haja pulmão! A última opção é o refeitório dos funcionários que, localizado ao lado do Divino Fogão, oferece um prato feito diário e microondas para esquentar marmita. Tudo branco, num estilo que lembra os cenários dos refeitórios de presídios dos filmes americanos.

Para o psicanalista Christian Dunker, autor do livro Mal-estar, sofrimento e sintoma, que estuda a vida em condomínio no Brasil contemporâneo, o projeto do restaurante dos funcionários no subsolo está na arqueologia do condomínio. “Em lançamentos como Alphaville [condomínio fechado da década de 1970, em São Paulo], por exemplo, a ideia era que os funcionários desaparecessem. Ao entrar pela porta dos fundos, usando uniformes que não os diferenciassem, eles fariam as coisas funcionarem sem sequer aparecer”, comenta Dunker. Curiosamente, dentro do shopping, a sensação é de que os corredores largos com lojas milionárias são habitados apenas por seguranças, faxineiros e vendedores. Num dia de semana, pouco se veem clientes e compradores. Um dos diretores do documentário O Castelo, que narra um dia no complexo, Guilherme Giufrida, confirma a sensação. “Na hora de montar o filme, optamos por contar a história a partir dos funcionários daquele local, que são as pessoas que você mais encontra pelos corredores”, conta.

Inaugurado em 2008, quando foram lançados o shopping e as torres residências (o conjunto comercial só viria em 2012), o Parque Cidade Jardim é um projeto da construtora JHSF, especializada em empreendimentos de luxo. O modelo do complexo paulista já foi exportado para outras capitais, como Salvador, onde o Horto Bela Vista funciona numa lógica bem semelhante. E, recentemente, projetos de expansão para um terreno em frente do Parque Cidade Jardim foram revelados pelo portal UOL. Pouco acessível, controlado por um esquema de segurança intenso, o empreendimento é constantemente criticado por urbanistas por ser um enclave fechado dentro da cidade. “A presença de algo assim destrói os tecidos urbano e social da cidade”, diz Maria de Lourdes Zuquim, professora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
 

Entrada do Restaurante do Silvio. Imagem: reprodução de reportagem de TV.


É de lá, contudo, que L.B. e outros funcionários de escritórios do Corporate Center saem rumo à favela Jardim Panorama diariamente. No caminho, descem pelo elevador inteligente de uma das torres comerciais – em que só é necessário digitar, ainda no lobby, o andar desejado –, passam pela catraca eletrônica do térreo e dão num átrio que faz as vias de via privada. Contornando um laguinho artificial (com direito a pontezinha e tudo mais), eles seguem até o elevador que conduz ao nível da rua, não sem antes passar por outra catraca eletrônica. Já na pequena viela da favela, formam-se filas na porta dos restaurantes. Tem de tudo: publicitários com barbas cerradas milimetricamente aparadas, consultores metidos em roupas sociais e sapatos lustrosos, e faxineiros em seus uniformes acinzentados.

O cenário da favela é o habitual. Sobrados mais sólidos de alvenaria dividem espaço com construções esquálidas de dois, três, quatro andares. Do lado de fora das casas, mulheres estendem roupas em varais improvisados, crianças em férias escolares correm para cima e para baixo, cachorros vadeiam em busca de sombras escassas. Em meio a tudo isso, passam cozinheiras carregadas de panelões de feijão, arroz e carne de porco em direção a um dos três restaurantes: o do Fabinho, o da Lu e (ou) do Silvio. Cada um deles recebe cerca de 60 clientes por dia e, com pouco tempo de atividade, já amealham o suficiente para pagar as contas e guardar um pouquinho no final do mês.

Entrada do Restaurante do Fabinho. Imagem: reprodução de reportagem de TV.

Dos três estabelecimentos, o Fabinho, Fabio Gonçalves, 31 anos, é o único que não paga aluguel. Em abril de 2015, depois de ver o sucesso dos dois concorrentes, ele e sua mulher, Soraia Araújo, 29 anos, foram morar em Taboão da Serra, abrindo espaço para o restaurante que ela toca no dia a dia, enquanto ele trabalha como motoboy. A cozinha funciona no andar de baixo, improvisada na casa dos pais de Fabio, enquanto os clientes são atendidos no andar de cima. Logo em frente ao negócio do casal está o restaurante da Luciana Conegero, 37 anos, que se não é a mais antiga na região é, com certeza, a que há mais tempo vende comida para os trabalhadores do Parque Cidade Jardim. É que antes da inauguração do complexo ela já estacionava seu carro por ali e fornecia marmitas para os pedreiros da obra. Moradora da Freguesia do Ó, Luciana chega na Panorama todo dia por volta das 5h30 e dá expediente até às 15h30. Depois ainda toca pro atacadão, lá pros lados da Freguesia, onde faz as compras para o almoço do dia seguinte. Com um aluguel de 1.700 do restaurante, mais 700 reais da cozinha – isso sem falar no salário das duas ajudantes –, não dá para moscar.

Já mais para frente, onde a viela se dobra numa curva à direita, está o restaurante do José Silvane, 44 anos, também conhecido como Silvio. Ele é o símbolo do migrante empreendedor. Em pouco tempo de conversa já está dizendo que chegou em São Paulo em 1991, vindo do Maranhão, que trabalhou como encanador durante muitos anos, até abrir uma padaria que era a menina dos seus olhos, na favela Real Parque, ali perto da Panorama. “Eram 3 mil pãezinhos no balcão todo dia, mas aí veio o incêndio e levou tudo.” Numa busca rápida na internet, é possível encontrar uma reportagem da TV Gazeta, de 2010, em que Silvio aparece aos prantos na frente das câmeras, porque o fogo, iniciado em alojamentos provisórios – que, no entanto, vinham cumprindo essa função há anos –, lambeu todo seu negócio. Desde então, ele tenta se reerguer: sua preocupação agora é pagar o aluguel, mas, principalmente, dar conta dos empréstimos que fez para botar o restaurante de três andares (o mais antigo da viela) de pé.

De comum, Silvio, Lu e Fabinho têm uma expressão cansada de quem vive só para o trabalho. No papo-rápido, apressado pelo entra e sai de clientes, também é clara a importância do Parque Cidade Jardim em suas vidas. Se, por um lado, ele viabiliza o negócio, por outro, é fonte de uma preocupação meio velada, da qual falam usando meias palavras. É que recentemente, como contam, algumas casas da favela foram compradas por um valor que varia entre 50 e 70 mil reais e demolidas pela administração do empreendimento, sem que, no entanto, nada fosse feito no local. Por ora, as demolições foram interrompidas. Mas sabe-se lá quando vão voltar? “Não é um termo acadêmico, mas o que acontece é que o mercado imobiliário vai literalmente comendo pelas bordas. O que acontece na Panorama também acontece em Paraisópolis ou no Jaguaré. A favela existe sob um consentimento assistido, um dia a pressão econômica acaba com ela”, comenta a urbanista Zuquim. A JHSF mesmo prefere não comentar o assunto, não diz que não e nem que sim.

Por enquanto, a favelinha, instalada ali desde a década de 1950 – muito antes de a região do Morumbi deixar de ser um matagal fechado e desvalorizado para passar a ser um dos m² mais caros da cidade – continua lá. Menor, é verdade, mas lá. Vive uma espécie de frágil mutualismo que acaba por expor o mal-estar de se trabalhar e viver em um complexo como o Parque Cidade Jardim. Para Dunker, comer na favela é praticamente um exercício de resistência não planejado dos funcionários do complexo. “Não é só porque é mais barato, mas é porque a vida nesses locais é de mentira, é tudo regulado, tudo pelo manual. As pessoas têm vontade de experiências mais reais, mais informais, por isso querem sair de lá, ao menos no horário do almoço”.

***
André de Oliveira no El País, Brasil.

 


O segundo jardim vertical permanente instalado em prédios vizinhos ao Elevado Presidente Costa e Silva - o Minhocão - foi inaugurado neste sábado (23) no Edifício Santa Cruz, perto ao Largo Santa Cecília, em São Paulo (SP), segundo o Movimento 90º, responsável pela instalação.

A cobertura vegetal composta por espécies de plantas da mata atlântica começou a ser montada em dezembro. O projeto desta segunda instalação é do artista Daniel Mangranè e faz parte de uma proposta para implantar um "corredor verde" no Minhocão, com o plantio de 8 mil metros quadrados de jardins verticais para melhorar a qualidade ambiental da região. 

A ação também é resultado de um decreto publicado em março do ano passado, que permite empresas a fazerem a compensação ambiental de obras e serviços na capital por meio da instalação de jardins verticais e telhados verdes nos condomínios.

Nesta segunda intervenção, o custo para cobrir tem 561 m² de fachada do prédio, em uma área de paredes sem janelas, será de cerca de R$ 500 mil. A manutenção da estrutura será feita pelo grupo Tishman Speyer nos primeiros seis meses. Depois disso, a Prefeitura assume os custos.

O projeto foi desenvolvido pelo Movimento 90º - que reúne profissionais que querem uma cidade mais verde. Além de melhorar a paisagem urbana, essas estruturas ajudam na filtragem da poluição do ar e no conforto térmico tanto no prédio onde está instalado quanto do seu entorno. Em 2013, o Movimento 90º fez um projeto-piloto no local. Durante quase um ano e meio a parede de um prédio do Minhocão ficou coberta com cinco mil plantas.

O movimento quer construir 10 jardins verticais em fachadas só do Minhocão até julho deste ano. Três deles já estão em andamento - Edifício Santos, Edifício Mackenzie e Edifício Filomena - e serão inaugurados até março, segundo o paisagista titular do Movimento 90º, Guil Blanche.

Outros condomínios

Um edital de chamamento público foi aberto em maio do ano passado pela Prefeitura para que edifícios vizinhos ao Minhocão possam receber a instalação de jardins verticais. Podem se candidatar condomínios que possuam empenas cegas (paredes sem janelas) que estejam localizadas a uma quadra do Minhocão.

O primeiro jardim vertical permanente instalado em prédios vizinhos ao Minhocão foi o Edifício Huds, que fica na Rua Helvétia. A inauguração foi em setembro do ano passado. Ao todo, 140 prédios, ou uma área equivalente a nove campos de futebol, são candidatos a receber a cobertura de plantas, segundo o Movimento 90º.

A escolha dos edifícios será feita pela Câmara Técnica de Compensação Ambiental, que levará em conta o fato de a nova área verde proporcionar redução da poluição sonora e do calor no entorno. As cartas de intenção devem ser entregues na Secretaria Municipal do Verde e Meio Ambiente (SVMA), na Rua do Paraíso, 387/389 - térreo, das 9h às 16h.

***
Fonte - GI.

 
Após quase três anos de espera, os paulistanos finalmente poderão voltar a admirar constelações e outros planetas mesmo sob o céu poluído de São Paulo. Isso porque o planetário do Ibirapuera será reaberto neste domingo (24), um dia antes do aniversário da cidade. 
 
Fechado desde 2013, o centro de educação espacial terá duas sessões abertas ao público no dia de reestreia, às 15h e às 17h.
 
A partir de segunda­feira (25) e durante os meses de férias –janeiro, fevereiro, julho e dezembro–, serão oferecidas quatro sessões de terça a domingo e em feriados, às 10h, 12h, 15h e 17h. No restante do ano, são abertas ao público geral somente as apresentações dos finais de semana e feriados.
 
Para participar, é necessário retirar uma das 320 senhas gratuitas meia hora antes. Cada sessão dura 40 minutos. 
 
O planetário Prof. Aristóteles Orsini, localizado no portão 10 do Ibirapuera, é mais conhecido pelo nome do parque que o abriga, na zona sul. 

Problemas

O planetário estava fechado desde maio de 2013, quando um raio danificou o projetor alemão Starmaster. Única alternativa na cidade, o planetário do Carmo, na zona leste, também segue fechado desde 2013, por problemas estruturais. 
 
A reforma nos dois espaços se estendeu e a reabertura foi adiada quatro vezes. Essa também não é a primeira vez que o planetário da zona sul é interditado. 
 
Inaugurado em 1957, ele já ficou fechado entre 1995 e 1997 e depois de 1999 a 2006, quando passou por uma reforma de R$ 9,6 milhões. 
 
Segundo a Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, o planetário do Carmo passa por reestruturação física e de gestão e deve ser reaberto no primeiro semestre deste ano. Após a abertura, ele terá também uma unidade da escola de astrofísica, que antes só operava no Ibirapuera.
 
 
 
 
***
Fonte: Caderno Cotidiano da Folha de S.Paulo.
 
APOIE O SÃO PAULO SÃO

Ajude-nos a continuar publicando conteúdos relevantes e que fazem a diferença para a vida na cidade.
O São Paulo São é uma plataforma que produz conteúdo sobre o futuro de São Paulo e das cidades do mundo.

bt apoio