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As construções remanescentes de casas e sobrados, antes típicas da cidade de São Paulo e hoje substituídas por altos edifícios, são reveladas na mostra “Antes que Acabe“, que reúne desenhos do artista plástico e antropólogo João Galera em cartaz no Museu da Casa Brasileira.

A série apresenta uma variedade de registros da cidade de São Paulo a partir de diversos desenhos feitos por artistas, arquitetos e designers, que observam e analisam a cidade e a representam através de desenhos, ilustrações e outras composições.
 
 
Os desenhos de João Galera, em nanquim sobre papel, resgatam iconograficamente as casas como o símbolo da resistência paulistana contra transformações da cidade ocorridas com a chegada dos prédios e das novas dinâmicas urbanas.
 
 
… pelo registro das fachadas das casas que João Galera explora as evidências da vida privada nelas contida, observando elementos sutis como um vaso, uma planta, uma janela entreaberta ou outros detalhes do cotidiano. Aspectos construtivos típicos, como as janelas voltadas para a rua, a geometria de arcos na entrada, colunas pequenas, grades, chão de cacos vermelhos, reforçam o caráter de elemento cultural outrora usual na cidade, como um registro individual de seus moradores, marcas que se extinguem no anonimato dos grandes conjuntos edificados pela especulação imobiliária. Nesse sentido, a sobrevivência da imagem dessas casas ganha um caráter de resistência e de preservação da memória.
 
 
Tipologia, materiais e estilo variam conforme a época de construção das casas, o bairro, as condições sociais e também os moradores, que transformam sua moradia, criando identidades muitas vezes únicas.
 
 
O livro

Depois da exposição, agora João Galera quer levar este trabalho ao maior número de pessoas com a publicação do livro “Antes que Acabe“ onde reunirá os desenhos do projeto, produzidos ao longo de meses de pesquisa e observação. O livro está sendo produzido pela Mandacaru Design e contará com 58 desenhos.

É possível contribuir para a viabilização do livro acessando o site de crowdfundig para o projeto. O texto abaixo do dramaturgo Mauricio Arruda de Mendonça estará no livro.

O lançamento acontece no próximo dia 31 de julho, último dia da exposição, no Museu da Casa Brasileira.

A Pedra e o Vento

“Que habitações são essas que estão prestes a desaparecer das ruas de São Paulo? Um desaparecer tão completo que elimina a própria saudade, no susto mudo diante de um terreno subitamente vazio. Que casas, que moradias são essas talhadas para os modos de vida de uma cidade para a qual todas as sacadas se debruçavam confiantes em seu progresso e em seu futuro? Quantos desses sobrados não testemunham uma cidade de distâncias em que os automóveis não eram necessários? O olhar e a mão desse flâneur contemporâneo que é João Galera de alguma maneira nos previnem desse espanto de perceber os últimos vestígios de outras São Paulos se apagarem para sempre de nossas retinas. O ato de desenhar torna-se aqui uma atitude de resistência perante a ação do tempo do progresso que se impõe sobre as formas do habitar. Como contemplar esses desenhos-documentos sem sentir emanarem remotas vozes infantis, gemidos de amor, asperezas entre antigos casais, a luz do sol pelos vitreaux nos cafés-da-manhã silenciosos antes do trabalho e da escola, o orvalho gelado no metal das portas-de-enrolar das mercearias– a vida de tantos homens e mulheres, de tantos paulistanos, impregnadas nas paredes e nas fachadas? E como é bom ver esses sobrados, essas esquinas urbanamente líricas. É como se telhados, janelas, portas, escadas, muros, grades de porões adquirissem um valor afetivo em sua materialidade pura. Isso porque em suas gravuras, João Galera nos revela a tensão dialética entre aquilo que foi feito para durar séculos e a força aniquilante do efêmero – como pedra pulverizada pelo vento. Antes que acabe é essa tentativa de perenizar em papel e tinta os habitares paulistanos no redemoinho de um tempo de tamanhas urgências.“

Maurício Arruda Mendonça

Serviço
Projeto “Desenhando a Cidade: Antes que Acabe.“
Visitação: até 31 de julho.
Local: Museu da Casa Brasileira - (11) 3032.3727.
Av. Brig. Faria Lima, 2705 - Jd. Paulistano.
De terça a domingo, das 10h às 18h.
Ingressos: R$ 7 e R$ 3,50 (meia-entrada) | Crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos.
Gratís nos finais de semana e feriados.
Acesso a pessoas com deficiencia / Bicicletário com 40 vagas.
Estacionamento pago no local.

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Informações para a imprensa Luciana Tamaki / Bruno Dória - MCB. Fotos: Divulgação.
 


O Conjunto Arquitetônico da Pampulha se tornou Patrimônio Mundial da Humanidade neste domingo (17). A decisão foi tomada pela Organização das Nações Unidas para a Educação, Ciência e Cultura (Unesco) em Istambul, na Turquia. Em Minas Gerais, os centros históricos de Ouro Preto e Diamantina, além do Santuário de Bom Jesus de Matozinhos, em Congonhas, já possuem este título. Agora são 20 os patrimônios mundiais da humanidade  tombados pela Unesco no Brasil.

Além da Pampulha, o conjunto urbanístico-arquitetônico de Brasília, uma das obras mais emblemáticas do arquiteto, também é Patrimônio Mundial da Humanidade.

Na do Casa do Baile, beleza dos traços de Niemeyer se funde à beleza da natureza. Foto: Ludmila Tavares.

“A candidatura foi muito bem fundamentada. O conjunto foi um marco da arquitetura mundial moderna nos anos 40”, disse o presidente do Icomos no Brasil, Leonardo Castriota. O órgão é uma entidade da Unesco que analisa candidaturas a Patrimônio Mundial da Humanidade.

Cassino, hoje Museu de Arte da Pampulha, a Casa do Baile, que se transformou em Centro de Referência de Urbanismo, Arquitetura e do Design, a Igreja de São Francisco de Assis e o Iate Tênis Clube foram criados para transformar aquela região de Belo Horizonte em um espaço de lazer e de turismo. O projeto, desenvolvido nos anos 40, contou com a participação do artista plástico Cândido Portinari e do paisagista Burle Marx.

“O conjunto foi criado para que fosse um marco de modernidade. Teria que ser ousado. Oscar Niemeyer usou dos movimentos modernos para dar uma identidade vanguardista. JK já era um homem preocupado em trazer modernidade para a jovem capital que não tinha nem 40 anos”, disse o historiador e diretor do Arquivo Público de Belo Horizonte, Yuri Mesquita.

Para a manutenção do título, a Prefeitura de Belo Horizonte (PBH) deve retirar a guarita da Casa do Baile, reestruturar as praças Dino Barbieri e Dalva Simão, demolir o prédio anexo do Iate Tênis Clube, além de despoluir a Lagoa da Pampulha.

Igreja da Pampulha despertou polêmica à epóca da inauguração. Foto: Leo Horta.

 

A PBH informou que tem três anos para fazer as readequações necessárias. Ainda segundo a prefeitura, outros trabalhos de restauração das formas e curvas criadas por Niemeyer também estão previstos.

“Nem a linha reta, dura, inflexível, criada pelo homem. O que me atrai é a curva livre e sensual, a curva que encontro nas montanhas do meu país, no curso sinuoso dos seus rios, nas ondas do mar, no corpo da mulher preferida. De curvas é feito todo o universo, o universo curvo de Einstein”, dizia o arquiteto.

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Texto: Thais Pimentel / G1 em MG.

 

Pesquisa da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP mostra a utilização dos movimentos populares de moradia como instrumento de reivindicação de políticas sociais. A tese, defendida no Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social, também traz elementos para compreender as causas que levaram à deflagração de manifestações em todo o País, nos meses de maio e junho, contra a redução de políticas públicas habitacionais adotadas pelo governo interino Michel Temer.

O estudo acompanhou o processo de construção de dois conjuntos habitacionais da Cidade de Tiradentes, zona leste de São Paulo: o Florestan Fernandes e o José Maria Amaral, com perspectiva de atendimento de 496 famílias. O antropólogo Carlos Roberto Filadelfo de Aquino observou a trajetória das famílias desde o ingresso nos mutirões até a obtenção da casa própria. A pesquisa foi feita entre 2011 e 2014.

O modelo utilizado para construção foi o mutirão de autogestão (Minha Casa, Minha Vida) para famílias de baixa renda, com financiamento público gerenciado pelos próprios beneficiários. Os participantes dos movimentos tinham a responsabilidade pela compra do terreno, contratação da construtora para levantar o empreendimento e de uma assessoria técnica, além da definição e compra de todo o material de construção, desde o básico até o acabamento. O envolvimento dos moradores em todo o processo da construção resultou em maior qualidade dos materiais e barateamento do custo final das casas.

Mutirão de autogestão: barateamento no custo final da obra e acabamento de melhor qualidade. Mutirão União da Juta. Foto: Nelson Kon.

Segundo Aquino, movimentos sociais de autogestão, além de gerar ganhos econômicos, fortalece nas pessoas uma consciência de seu papel social nas lutas por seus direitos. O pesquisador relatou que era comum ouvir dos moradores que a luta não se restringia apenas à aquisição da casa própria. Era a realização de um sonho que os impulsionavam na busca de outras conquistas. “Foi através dos movimentos sociais de moradia que as famílias descobriram formas inéditas de luta, de fazer política e de reivindicação de bens, serviços e direitos que iam além da habitação”, avalia.

Constituição familiar nas lutas sociais

Uma das abordagens da pesquisa foi a compreensão da importância da família para pensar as relações entre os poderes públicos e movimentos sociais, uma vez que a família servia de “medição entre os dois polos”. O pesquisador traçou um paralelo entre os termos família e movimentos de moradia que, a seu ver, estavam intrinsecamente ligados.

O entendimento de família, nesse contexto, foi além daquelas estabelecidas por laços de consanguinidade, filiação e casamento. Abrangiam outras configurações como de amizades, parentescos distantes, união homoafetiva, solteiros e solteiras, dentre outras. Aquino verificou que era a preocupação com a família, como o destino dos filhos, por exemplo, que levava o comprometimento das mulheres com a luta para aquisição da casa própria. “A posição da mulher se destacava nos movimentos. Ela era considerada a portadora privilegiada de atributos de luta”, afirma.

As prioridades eram decididas em reuniões e assembleias de moradores. Foto: Arquivo pessoal de Carlos Filadelfo de Aquino.

Retrocesso nas políticas públicas de habitação

No Brasil, a falta de moradia sempre representou um grave problema social. Até hoje, foram poucos “os programas habitacionais voltados para o atendimento da população de baixa renda, com famílias com renda de até três salários mínimos”. Segundo o pesquisador, o momento político vivido pelo Brasil é preocupante. O governo interino de Michel Temer já sinalizou com mudanças e reduções nas políticas públicas habitacionais. Foi o caso da revogação de uma portaria que autorizava a liberação e ampliação de recursos diretamente para famílias de baixa renda organizadas em cooperativas.

A portaria que autorizava a construção de 11.000 unidades habitacionais deflagrou o início das manifestações dos movimentos em prol de moradias por todo o Brasil. Segundo o pesquisador, os movimentos sociais populares amadureceram ao longo dos anos. Em qualquer governo, da oposição ou da situação, haverá um posicionamento contra políticas que não priorizem a área.

A pesquisa A luta está no sangue: família, política e movimentos de moradia em São Paulo foi orientada pela professora Ana Claudia Duarte Rocha Marques, do Programa de Pós-Graduação em Antropologia Social do Departamento de Antropologia da FFLCH.

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Ivanir Ferreira no Jornal da USP.
 


Uma parte do trajeto do revezamento da tocha Olímpica, passará pelo Estado de São Paulo a partir deste fim de semana. O Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016 informou que ela estará no Estado de São Paulo de 16 a 27 de julho, passando por 41 cidades, antes de entrar na fase final do percurso já em terras cariocas.

A tocha será utilizada para acender a pira no Maracanã em 5 de agosto durante a cerimônia de abertura do evento.

A primeira cidade do Estado a receber a tocha olímpica será Itararé em 16 de julho, já que o revezamento passará antes pelo Paraná. A última, Ubatuba, no litoral, antes do revezamento prosseguir para Paraty, já no Rio de Janeiro. São Paulo é a única cidade do Estado que abriga o artefato por um dia completo, 24 de julho.

No Brasil, ela passará por 300 cidades, carregada por 12 mil condutores em 100 dias. Cada pessoa deve levar a tocha por aproximadamente 250 metros. São 20 mil quilômetros por estradas e 10 mil milhas aéreas no trajeto.

Veja o trajeto da tocha olímpica em São Paulo:

16 de julho

Itararé
Itapeva
Capão Bonito
Itapetininga

17 de julho

Sorocaba
Tatuí
Botucatu
Lençóis Paulista
Bauru

18 de julho

Jaú
Araraquara
São Carlos
Ribeirão Preto

19 de julho

Sertãozinho
Jaboticabal
Barretos

Franca

20 de julho

Rio Claro
Limeira
Americana
Campinas

21 de julho

Indaiatuba
Itu
Jundiaí
Osasco

22 de julho

Praia Grande
São Vicente
Guarujá
Santos

23 de julho

Guarulhos
São Caetano
Santo André

São Bernardo

24 de julho

São Paulo

25 de julho

Dia livre

26 de julho

Suzano
Mogi das Cruzes
Jacareí
São José dos Campos

27 de julho

Taubaté
São Luiz do Paraitinga
Ubatuba

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Com informações do Comitê Organizador dos Jogos Olímpicos do Rio de Janeiro 2016.

A  é patrocinadora oficial do Revezamento da Tocha Olímpica dos Jogos Olímpicos Rio 2016. #QuemSeAtreve
 


A Prefeitura de São Paulo recebeu nesta quarta-feira (13) um projeto de uma empresa interessada em construir o novo entreposto de abastecimento em Perus, na Zona Norte de São Paulo, em substituição ao Ceagesp, na Vila Leopoldina (Zona Oeste).

A desativação do atual entreposto é um desejo antigo do prefeito de São Paulo, Fernando Haddad (PT), que afirma que a mudança vai tirar os 14 mil veículos - boa parte caminhões- da região da Ceagesp, melhorando o trânsito e diminuindo a poluição.

O projeto protocolado nesta quarta na Prefeitura pelo Nesp, um grupo de 25 produtores e comerciantes de alimentos, prevê a construção do entreposto em uma área de quatro milhões de metros quadrados. O bairro de Perus é considerado estratégico por estar perto do Rodoanel e também de ferrovia.

O projeto foi protocolado por meio de uma manifestação de interesse público (MIP) e não há garantias de que será executado. Ele será estudado por um prazo de até 120 dias por um grupo formado por representantes da prefeitura e do governo federal, já que o Ceagesp pertence à União.

O grupo foi formado em junho de 2015, quando Haddad firmou um termo de cooperação com a União visando a transferência do Ceagesp. À época, o Ministério da Agricultura estimou que a licitação para definir a empresa responsável pelo novo serviço seria concluída em um ano, mas ela não chegou a sair do papel.

O prefeito Fernando Haddad afirma que o projeto também será discutido com os moradores da Lapa e de Perus em audiências publicas e apontou diversos benefícios. Um deles é a criação de 30 mil empregos no novo Ceagesp e a criação de áreas verdes pelo Nesp em parte do terreno.

Já a área do atual Ceagesp, que tem 700 mil metros quadrados, receberia um projeto de urbanização envolvendo empreendimentos imobiliários, o que poderá criar 38 mil empregos, segundo o prefeito. Parte das habitações deverão ser de interesse social. A área poderia ainda abrigar instalações da USP, segundo o prefeito - a cidade universidade fica próxima, do outro lado do Rio Pinheiros.

A estimativa do Nesp é que o novo entreposto receba investimentos de até R$ 5 bilhões. Já a Prefeitura estima que a construção de um bairro planejado aproveitando uma área nobre da cidade e relativamente próxima ao Centro, caso da Vila Leopoldina, compreenda investimentos de R$ 10 bilhões.

Haddad afirma que o projeto é positivo não apenas do ponto de vista da população e do meio ambiente, mas dentro de um projeto maior de desenvolver os entornos dos rios de São Paulo. "Queremos olhar para o Tietê como as grandes cidades do mundo fizeram ao olhar para o seu principal rio e desenvolvê-lo adequadamente, socialmente e ambientalmente", afirmou.

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Márcio Pinho do G1 São Paulo.

 

 

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