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A maioria das pessoas vivem hoje em cidades, que estão crescendo rapidamente. Estamos vivendo na era da urbanização, uma era que começou no início do século 19, quando grandes massas de pessoas decidiram estar mais perto umas das outras em vez de perto da terra.

Não existe dúvida de que mais cedo ou mais tarde a grande maioria de nós, humanos, estaremos vivendo em cidades. Ainda assim, podem haver exageros sobre até que ponto já chegamos nesse caminho e isso tem implicações importantes.

Manchetes recentes, citando novos números lançados pela Comissão Europeia, informaram que "tudo que você ouviu sobre urbanização global estava errado". Os pesquisadores, ao usar imagens de satélites mais avançadas e dados populacionais globais, afirmaram que 84% da população mundial mora em áreas urbanas, em vez dos 55% estimados pela Divisão de População das Nações Unidas em 2018.

Em um novo estudo para o Instituto de Gestão Urbana da Universidade de Nova York nós apresentamos argumentos amparados por amplas evidências, afirmando que os números da Comissão Europeia não são plausíveis se quisermos que a palavra "urbano" mantenha qualquer significado já conhecido.

O argumento divide-se em três pontos principais:

Primeiro, de acordo com a Organização Internacional do Trabalho, 27% da força de trabalho global foi empregada na agricultura em 2015. Isso, somado à estimativa de acréscimo no emprego em vilas não-agrícolas (30%) e com o tamanho das famílias nas áreas rurais sendo 15% maior do que nas áreas urbanas, sugere que não mais do que 60% da população mundial vivia em cidades em 2015.

Um grande paralelepípedo de concreto desperta a atenção de quem passa, é a casa Butantã, uma construção cinquentenária, projetada por Paulo Mendes da Rocha para sua própria residência. Nascido em 1928, o arquiteto ocupa posição de destaque no cenário da arquitetura brasileira e, em 2007, foi o ganhador do prêmio Pritzker, considerado o Oscar da categoria.

Muito do que Mendes da Rocha aplica em seus projetos está na casa construída entre 1964 e 1967, em São Paulo. Nela, o arquiteto incorporou (quase) todos os princípios que fundamentavam o ideário moderno e transformou-a em um verdadeiro laboratório, onde a franqueza no emprego do concreto armado, deixado sem revestimento, expressa seus atributos de rudeza, austeridade e força.

Mas na Butantã o arquiteto foi além: utilizou o concreto não apenas como estrutura, mas na totalidade da construção das vedações externas ao mobiliário e seu “brutalismo” se manteve intacto. Atualmente em processo de tombamento, a casa encontra-se em perfeito estado de conservação e é moradia de seu filho, o fotógrafo Lito Mendes da Rocha.

Forma por forma

Alegres, cheias de vida e divertidas, algumas cidades ao redor do mundo são conhecidas pelas suas cores, não apenas das suas paisagens, mas também das suas construções, desde pequenas casinhas até exuberantes edifícios. Por isso, o blog de viagens "Secret Escapes" fez uma lista com 10 das cidades mais coloridas do planeta. 

Respirar ar puro é o sonho de qualquer morador de uma grande cidade, ainda que ele goste muito do meio urbano. E as ruas arborizadas, além de bonitas e agradáveis, são comprovadamente benéficas para a saúde física e mental. Então, porque não incluí-las nas verbas de financiamento da saúde? É isso que questiona a organização The Nature Conservancy, que criou um documento onde explica e demonstra em números as razões pelas quais isso deve ser feito.

Fabricada em ladrilho hidráulico, a calçada é de fácil produção e instalação, e acabou afirmando-se como uma identidade paulistana. Imagem: ADBR / Arch Daily.Fabricada em ladrilho hidráulico, a calçada é de fácil produção e instalação, e acabou afirmando-se como uma identidade paulistana. Imagem: ADBR / Arch Daily.

No constante vai e vem de quem passa pela cidade de São Paulo, é possível que você já tenha percebido o típico grafismo que se repete em diversas calçadas. A clássica padronagem por trás dos módulos que conformam graficamente o mapa do estado de São Paulo foi criado em 1966 pela arquiteta e artista Mirthes dos Santos Pinto. Tudo começou quando o antigo prefeito, João Vicente Faria Lima, lançou na década de 1960 um concurso para o desenho do novo calçamento da cidade. Mirthes, que na época trabalhava como desenhista da Secretaria de Obras da Prefeitura de São Paulo, criou um mapa estilizado do Estado de São Paulo, a partir de módulos quadrados em peças geométricas brancas e pretas, que se alternavam, ora em cor sólida, ora pintada com a variação pela diagonal da peça, criando um padrão.

Croqui da proposta. Imagem: Mirthes dos Santos Pinto / Acervo Pessoal.Croqui da proposta. Imagem: Mirthes dos Santos Pinto / Acervo Pessoal.

Segundo a artista, em entrevista audiovisual concedida ao jornal Folha de S.Paulo em 2015, tudo aconteceu de maneira espontânea: “Eu comecei a rabiscar e surgiu o mapa. Foi sem querer! Rabisquei um desenho lá e larguei na gaveta. Meu chefe na época abriu a gaveta, pedindo um lápis e viu o desenho, comentando ‘Nossa, que legal, de quem é?’. Falei ‘eu que rabisquei’ e ele então disse, ‘passa no vegetal que você vai concorrer!’”. [1] Na época, ainda descrente com a proposta de linhas puras e incerta quanto ao potencial artístico do trabalho, concretizou os desenhos e enviou-os à competição.

Imagem: Cortesia de Mirthes dos Santos Pinto.Imagem: Cortesia de Mirthes dos Santos Pinto.

Na comissão julgadora de 17 pessoas, a proposta de linhas simples, modular e original consagrou-se como vencedora.

Após o concurso, por motivos legais a artista realizou a patente da criação em desenho industrial, sendo informada que teria direito a uma “porcentagem por calçada implantada”, com exceção a canteiros centrais. Infelizmente, mesmo com a execução de centenas de metros quadrados por toda a cidade de São Paulo ao longo dos mais de 50 anos, a autora não recebeu nenhum valor: “Eu acho que merecia. Afinal de contas, tentei embelezar São Paulo”. [2]

Mirthes Bernardes. Foto: Eduardo Anizelli / Folhapress.Mirthes Bernardes. Foto: Eduardo Anizelli / Folhapress.

Apesar da lamentável situação, considera-se homenageada ao ver proprietários debruçando-se sobre sua criação ao utilizá-la como calçamento, mas acredita que produtos, marcas e publicações envolvendo a criação, deveriam citá-la enquanto criadora.

A padronagem apresenta duas versões materiais, em lajota e pedra portuguesa seguindo o mesmo padrão de cores. Mirthes também salienta que a cidade carece de manutenção e restauro de suas calçadas. [3]

Foto: Rene de Paula Jr. / Flickr.Foto: Rene de Paula Jr. / Flickr.

Notas:
[1] (FOLHA, 2015);
[2] Idem.
[3] Idem.

Referências Bibliográficas:
FOLHA. Criadora do 'piso paulista' diz que nunca recebeu 1 centavo pelo desenho. Disponível em: <https://www.youtube.com/watch?v=BLGKXZUrfnQ>. 

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Por Matheus Pereira no Arch Daily.

 

Redução de 8 km de rio morto é reflexo de esgoto que deixou de ser lançado. Foto: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo.Redução de 8 km de rio morto é reflexo de esgoto que deixou de ser lançado. Foto: Gabriela Biló / Estadão Conteúdo.

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