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Um dos sanduíches mais emblemáticos de São Paulo, o bauru do Ponto Chic – quer dizer, o bauru original -, está completando 80 anos. Todo mundo conhece a história desse clássico que nasceu, em 1937, da fome de um aluno da Faculdade de Direito do Largo São Francisco, Casimiro Pinto Neto, apelidado de Bauru e que ficou famoso justamente por causa da receita.

Às margens dos rios Anhangabaú e Tamanduateí nasceu São Paulo de Piratininga, onde chegaram os jesuítas pela trilha dos tupiniquins, que subia do mar à Serra de Paranabiacaba, em direção a Guarapiranga, Aricanduva. Cresceu para depois do Anhembi, do Butantã, do Ipiranga, cercou o Jaraguá, avançou o Vale do Paraíba. Habituou-se a comer mandioca, goiaba, paçoca, abacaxi, a tomar guaraná, suco de caju, catuaba. As palavras em tupi descrevem história e geografia dessa cidade porque assim ela nasceu, de europeus a seguir pegadas dos índios.

Se há um indicador que coloca todos os países no mesmo patamar é o de perdas e desperdício de comida. A cada ano, as nações industrializadas deixam de consumir 670 milhões de toneladas de alimento e as regiões em desenvolvimento não aproveitam 630 milhões de toneladas, segundo a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (ONU/FAO).

“As perdas estão relacionadas à produção, ao armazenamento e ao transporte”, afirma o boliviano Alan Bojanic, representante da FAO no Brasil. O desperdício tem a ver com práticas inadequadas de vendedores, que descartam itens em bom estado, e hábitos dos consumidores, que compram mais do que precisam e jogam no lixo boa parte da comida. “Somos estimulados a consumir cada vez mais. Até mesmo os alimentos se tornam descartáveis com muita facilidade”, diz.