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A Avenida Paulista ganhou nesta terça-feira,15, a última obra pública da artista plástica Tomie Ohtake, morta em fevereiro, aos 101 anos. A instalação da escultura de 7 toneladas e 8,5 metros de altura realiza o sonho da artista de ter uma peça sua exposta na principal avenida de São Paulo.
 
Resultado de um projeto desenvolvido por Tomie em parceria com a Associação Paulista Viva, a obra teve patrocínio do Banco Citi, que comemora 100 anos no País - suas formas poderão ser vistas na frente do número 1.111 da via, sede do banco.
 
Presidente do Instituto Tomie Ohtake e um dos filhos da artista, Ricardo Ohtake afirma que a mãe certamente diria que a escultura é uma homenagem à cidade. “A Tomie gostava muito de fazer obras públicas. Ela considerava que essa era uma maneira de as pessoas tomarem gosto pela arte sem precisar visitar um museu ou ir a uma exposição”, conta. Ao longo da carreira, Tomie fez aproximadamente 50 intervenções urbanas em cidades do Brasil e do exterior.
 
Na capital, as obras mais conhecidas são o Monumento aos 80 anos da Imigração Japonesa, na Avenida 23 de Maio, os painéis da Estação Consolação do metrô, a cobertura do Auditório do Ibirapuera e a tapeçaria do Auditório do Memorial da América Latina, destruída em um incêndio e atualmente em processo de restauração. “A escultura da Paulista tem a cara, os traços da obra da minha mãe. Quem olhar certamente vai reconhecer seu trabalho”, acredita Ricardo, que classifica a peça como uma “obra reversa”, sem forma definida.
 
Tomie costumava dizer que a “linha reta não é da natureza humana”, ao justificar seu apreço pelas curvas, traduzidas em peças que dão a sensação de movimento.
 
A obra inaugurada é mais um exemplo desse portfólio inovador e colorido. Produzida em aço, a partir de um modelo de 40 centímetros desenhado por Tomie, a escultura foi pintada com tinta contra pichação nas cores vermelha, na face externa, e prata, na face interna. Sua instalação, segundo a Paulista Viva, leva arte e cultura de qualidade à avenida.

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Adriana Ferraz em O Estado de S.Paulo.

 


O prefeito Fernando Haddad apresentou na manhã desta segunda-feira (14) ao pleno do Conselho da Cidade três projetos de lei que visam o reequilíbrio urbano da capital paulista. A propostas tratam da criação da Operação Urbana Consorciada Bairros do Tamanduateí, da revisão da operação Urbana Água Espraiada e do alinhamento viário do Arco Tietê. As leis, que serão encaminhadas à Câmara Municipal, compõem as diretrizes da criação da Macroárea de Estruturação Metropolitana, prevista no novo Plano Diretor Estratégico (PDE).

“Temos que transformar a cidade com as devidas cautelas, para não gentrificar, para não excluir. Temos várias iniciativas que vão na direção de fazer o desenvolvimento urbano dobrar a esquina entre os rios Pinheiros e Tietê. Isso é importantíssimo para a volta ao Centro”, afirmou Haddad.

Os projetos de incentivo ao desenvolvimento urbano se somam à Revisão da Lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, que está em debate na Câmara, e a revisões de operações urbanas, como a Água BrancaFaria Lima, já aprovadas pelos vereadores. 

A criação da Operação Urbana Consorciada Bairros do Tamanduateí (OUCBT) visa requalificar as regiões do Cambuci, Mooca, Ipiranga, vilas Carioca e Prudente, no limite das zonas leste e sul. O objetivo equilibrar a oferta de empregos e de moradias na região, promovendo o adensamento populacional, construtivo e incentivando a chegada de mais diversidade de serviços e do comércio local. A licença ambiental prévia para a operação foi obtida em setembro de 2013. 

A previsão é incentivar 6 milhões de metros quadrados de novas construções, com a venda 6,5 milhões de Certificados de Potencial Adicional de Construção (Cepacs), títulos comercializados com construtoras para permitir coeficientes de aproveitamento maiores. A expectativa é que rendam cerca de R$ 5,5 milhões em 20 anos. Os recursos arrecadados serão utilizados para o financiamento de obras e melhorias nas regiões de abrangência da operação urbana.

Reunião do Pleno do Conselho da Cidade. Foto: Fabio Arantes / Secom.

Entre as intervenções previstas na operação, estão a construção de duas novas avenidas, ligando Heliópolis à Estação Tamanduateí do Metrô, além da recuperação da avenida do Estado. Na via, o objetivo é recuperar vegetação do rio que leva o nome da Operação Urbana e retirar parte da cobertura de sua extensão. O projeto também prevê a utilização de 25% dos recursos levantados para a criação de 20 mil novas unidades habitacionais de interesse social em toda a área. Cerca de 15% dos recursos serão empregados na instalação de equipamentos públicos.

Está prevista ainda a criação de 11 parques no limite dos cinco bairros, incluindo áreas das regiões do Brás, Sacomã e o Belém. Uma das áreas verdes será implantada na extensão da avenida Tereza Cristina, onde se localiza a Foz do Córrego Ipiranga. As intervenções previstas na operação também pretendem aumentar a drenagem do alto dos montes formados pelos bairros da Mooca e do Ipiranga, aliviando as margens do Tamanduateí e do Moinho Velho. O objetivo do município é criar uma Área de Proteção Permanente (APP) ao redor dos rios, integrada aos parques, com sete novos canais de drenagem. 

Três setores receberão incentivos urbanísticos distintos: a região da Mooca receberá ações de promoção da economia criativa, inclusive com a possibilidade de aquisição de imóveis históricos, o entorno da avenida Henry Ford terá o estímulo a atividades industriais e a Vila Carioca comporá uma plataforma de logística de bens. Para a construção do projeto, foi realizado um amplo processo participativo com diálogos regionais, reunião com movimentos de moradia, associação comercial, CADES e associações de moradores, além de audiências públicas. 

Veja a apresentação da Operação Urbana Bairros do Tamanduateí


Arco Tietê

O segundo projeto de lei apresentado aos conselheiros trata do plano de melhoramento viário doperímetro do Arco Tietê. A proposta prevê conexões entre bairros através de bulevares que priorizam o transporte público, deslocamentos a pé e de bicicleta.  Ruas existentes de menor capacidade serão redesenhadas para que novos modais sejam incorporados à rede. Estão previstas a abertura de 34.373 metros de vias e a ampliação de 40.676 metros com desapropriações e 3.740 metros sem desapropriações.

As estratégias adotadas para o desenvolvimento territorial do perímetro do Arco Tietê baseiam-se nas diretrizes do PDE somadas aos elementos obtidos no processo participativo da elaboração do projeto de revisão da lei de Parcelamento, Uso e Ocupação do Solo, que está em tramitação na Câmara Municipal de São Paulo, e nos estudos técnicos realizados para a transformação urbana.“É uma região a cidade com uma baixíssima densidade populacional, 63 habitantes por hectare e nós de fato queremos adensar de forma significativa em um local já bastante privilegiado do ponto de vista de empregos”, explicou o secretário Fernando Mello Franco (Desenvolvimento Urbano).

A proposta tem por finalidade viabilizar a implantação de uma rede de mobilidade urbana, interligando de forma abrangente as regiões norte e sul, leste e oeste do Arco Tietê. Essa rede será capaz de integrar o sistema viário local dos distritos e conectar os terminais de transporte público. Leis de alinhamento viário são importantes instrumentos de planejamento que objetivam reservar espaços da cidade para a implantação das novas infraestruturas. A motivação é o atendimento das diretrizes do PDE na busca da melhoria da qualidade de vida, promoção de adensamento populacional em região com grande número de oferta de empregos e aumento das atividades econômicas e sociais da região. A previsão é que em 2016 seja encaminhado à Câmara o projeto de criação da Operação Urbana Consorciada Arco Tietê.

Veja a apresentação do plano de melhoramento viário do Arco Tietê


Revisão da Operação Urbana Água Espraiada

O terceiro projeto foi a lei para atendimento à licença ambiental da Operação Urbana Consorciada Água Espraiada. A proposta apresenta o Plano Chucri Zaidan, que propõe trazer incremento na oferta de espaços públicos na região. A intervenção inclui a criação de espaços verdes e de novas vias, permitindo maior mobilidade e qualidade do adensamento populacional e na implantação aos novos empreendimentos nessa área.

Em associação a esse plano, e em consonância com o programa de investimentos da operação urbana, novos estudos econômicos e consultas aos órgãos reguladores foram elaborados para permitir a comercialização de novos títulos de Cepac, garantindo o avanço das obras, principalmente de habitação de interesse social. Estão previstas 8 mil unidades, destinadas a população em situação de vulnerabilidade que já reside na região. “A operações urbanas foram criadas para resolver problemas de habitação social, além de requalificação das áreas. Durante muito tempo, várias operações urbanas esqueceram delas”, lembrou a conselheira Ermínia Maricato, urbanista e professora da Universidade de São Paulo.

Por meio da operação, estão em construção as pontes Laguna e Itapaiúna, que facilitarão o acesso à Marginal Pinheiros da população vinda de bairros da zona sul, aliviando a ponte João Dias. A obras devem ser concluídas no primeiro semestre de 2016.

Saiba mais sobre a Operação Urbana Consorciada Água Espraiada aqui

Macroárea de Estruturação Metropolitana

A Macroárea de Estruturação Metropolitana, contida no Plano Diretor, reconhece urbanisticamente que São Paulo como parte de uma região metropolitana que se articula a partir de importantes eixos viários, ferroviários, rodoviários e das planícies fluviais dos rios Tietê, Pinheiros e Tamanduateí. O território ao longo dessas infraestruturas possui grande potencial de transformação urbana, econômica e ambiental.

Para adequar as transformações aos territórios específicos, a Macroárea de Estruturação Metropolitana é dividida em três setores: o Setor da Orla Ferroviária e Fluvial, o Setor dos Eixos de Desenvolvimento e o Setor Central. Cada um possui características e objetivos particulares. No Setor da Orla Ferroviária e Fluvial, há grande concentração de emprego e pouco uso residencial. Por isso, é um território estratégico para promover a ampliação da oferta de moradia. O Arco Pinheiros, o Arco Tietê e o Arco Tamanduateí fazem parte desse setor.

Por outro lado, no Setor dos Eixos de Desenvolvimento há muitos moradores, mas com pouca oferta de emprego. Assim, é importante fomentar a dinamização econômica desses eixos. Esse setor inclui, por exemplo, a região do entorno das avenidas Jacu-Pêssego e Cupecê, onde foram demarcados perímetros de incentivo de desenvolvimento econômico.

As renovações previstas na Macroárea de Estruturação Metropolitana visam otimizar e reequilibrar o uso e a ocupação do solo, permitindo um melhor aproveitamento das infraestruturas existentes, além de promover melhorias urbanísticas na cidade. Dentre os instrumentos elencados pelo PDE, destacam-se a Área de Intervenção Urbana (AIU) e a Operação Urbana Consorciada (OUC).

A reunião discutiu ainda o plano de obras gerenciado pela Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, apresentado pelo secretário Roberto Garibe, e as novas regras para projetos de intervenção urbana, apresentado pelo Procurador Geral do Município, Antonio Carlos do Amaral Filho. Também participaram da reunião os secretários municipais Jilmar Tatto (Transportes) e José Américo (Relações Governamentais).

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Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação.

 


Sob o título Incerteza Viva, a 32a Bienal de São Paulo tem como eixo central a noção de incerteza a fim de refletir sobre atuais condições da vida em tempos de mudança contínua e sobre as estratégias oferecidas pela arte contemporânea para acolher ou habitar incertezas. 
A exposição acontece de 10 de setembro a 11 de dezembro de 2016 no Pavilhão Ciccillo Matarazzo, reunindo aproximadamente 90 artistas e coletivos, 54 deles agora anunciados.

 
Cartaz da 32ª Bienal de São PauloCartaz da 32ª Bienal de São Paulo

Cartaz da 32ª Bienal de São Paulo © Design Bienal: Aninha de Carvalho, Adriano Campos e Roman Atamanczuk.
 
A exposição se propõe a traçar pensamentos cosmológicos, inteligência ambiental e coletiva assim como ecologias naturais e sistêmicas.

Para que possamos enfrentar objetivamente grandes questões do nosso tempo, como o aquecimento global e seu impacto em nosso hábitat, a extinção de espécies e a perda de diversidade biológica e cultural, a instabilidade econômica ou política, a injustiça na distribuição dos recursos naturais da Terra, a migração global, entre outros, talvez seja preciso desvincular a incerteza do medo. A incerteza está claramente conectada a noções endêmicas no corpo e na terra, com uma qualidade viral em organismos e ecossistemas. Embora esteja atrelada à palavra crise, não é equivalente a ela. Incerteza é, sobretudo, uma condição psicológica ligada aos processos individuais ou coletivos de tomada de decisão, descrevendo o entendimento e o não entendimento de problemas concretos.

A noção de incerteza faz parte do repertório de muitas disciplinas – da matemática à astronomia, passando pela lingüística, biologia, sociologia, antropologia, história ou educação. Diferentemente do que acontece em outros campos, no entanto, a incerteza na arte aponta para a desordem, levando em conta a ambiguidade e a contradição. A arte se alimenta da incerteza, da chance, do improviso, da especulação e ao mesmo tempo tenta contar o incontável ou mensurar o imensurável. Ela dá espaço para o erro, para a dúvida e até para os fantasmas e receios mais profundos de cada um de nós, mas sem manipulá-los. Não seria o caso, então, de fazer com que os vários modos de pensar e de fazer da arte pudessem ser aplicados a outros campos da vida pública?

Aprender a viver com a incerteza pode nos ensinar soluções. Compreender diariamente o sentido da Incerteza Viva é manter-se consciente de que vivemos imersos em um ambiente por ela regido. Assim, podemos propor outras formas de ação em tempos de mudança contínua. Discutir incerteza demanda compreender a diversidade do conhe- cimento, uma vez que descrever o desconhecido significa interrogar tudo o que pressupomos como conhecido. Significa, ainda e também, valorizar códigos científicos e simbólicos como complementares em vez de excludentes. A arte promove a troca ativa entre pessoas, reconhecendo incertezas como sistemas generativos direcionadores e construtivos.

Clique e confira a lista dos artistas.

32ª Bienal de São Paulo – Incerteza Viva. 
10 de setembro a 11 de dezembro de 2016. 
Curador: Jochen Volz. 
Cocuradores: Gabi Ngcobo, Júlia Rebouças, Lars Bang Larsen e Sofía Olascoaga.

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Fonte: Fundação Bienal.

 
Cerca de 40 crianças que vivem em cortiços das ruas Sinimbu e Glicério, na região do Baixo Glicério, comemoraram na tarde deste sábado (12), na Praça das Artes, um ano cheio de mudanças, que culminou no lançamento de um livro, um vídeo, duas músicas e até um projeto de revitalização de uma praça da região feitos por elas. 

Com a chegada das ações do “Criança Fala na Comunidade – Escuta Glicério”, da ONG Criacidade em parceria com outras entidades e a Prefeitura, por meio da articulação do São Paulo Carinhosa, desde março deste ano, a região degradada e pobre em pleno centro de São Paulo vem se transformando dia após dia.

“A São Paulo Carinhosa está com vocês. Está com a Criacidade e com todas as pessoas que querem fazer a vida da criança melhor na cidade, na sua casa e em todos os espaços. O nosso compromisso é que aqueles que estão chegando a vida possam ser bem-vindos”, afirmou a coordenadora da política para primeira infância e primeira dama, Ana Estela Haddad.

Por meio de ações promovidas pela ONG, que vão desde a transformação física dos cortiços, com pinturas artísticas ou mesmo a construção de uma casinha de brinquedo, até a formação de servidores públicos que atuam na região, além de passeios culturais, rodas de leitura e brincadeira, os produtos, antes sonhos dos pequenos, se tornaram realidade.

“A escuta das crianças é um pretexto para chegar na cidade que a gente acredita. Uma cidade mais humanizada, mais sustentável e mais criativa. A partir do momento que a gente transforma as ideias das crianças em ação, a gente ativa essa rede articulada e colaborativa”, disse uma das fundadoras do projeto, Nayana Brettas.  

O livro “Glicério por suas crianças”, lançado no evento, conta com um mapa afetivo, com relatos e desenhos feitos pelas crianças com locais do bairro que as identificam, como as coxinhas do Bar do Valdomiro ou ainda o Centro para Crianças e Adolescentes (CCA).

“No ato de promover o brincar, estou promovendo a saúde. Saúde não é só ações pontuais. Estou promovendo saúde quando vacino? Sim, mas para as crianças é preciso uma amplitude”, afirmou a enfermeira da Unidade Básica de Saúde (UBS) Sé, Patrícia Lino Pinheiro, que junto com a EMEF Duque de Caxias, o CEI Quintal da Crianças e Diretoria Regional de Educação (DRE) Ipiranga apoiaram a ONG em projetos voltados para as crianças, integrando suas áreas com atividades lúdicas da entidade.

O vídeo com o mesmo nome mostra as expectativas dos pequenos para o desenvolvimento da cidade de São Paulo e o que eles gostariam que fosse feito, como a ampliação do plantio de árvores e de áreas de lazer em vias públicas.

“Essa parceria só acrescentou para nós e espero que continue acrescentando por muito tempo a mais”, disse a professora de artes da EMEF Duque de Caxias, Marisa Pires Duarte.

A tarde também foi de lançamento de duas músicas, compostas por profissionais com base em falas e comentários feitos pelas próprias crianças durante o ano de projeto. Também durante o evento foi lançada uma exposição de fotografias com imagens das crianças e do bairro, com orientação de profissionais voluntários.

“Queremos um Glicério de qualidade, porque tem pessoas muito bacanas, generosas, carinhosas e queremos começar no Glicério algo que possa ecoar por toda a São Paulo”, disse o educador do projeto, José Roberto da Silva, o Beto.
 

A primeira-dama Ana Estela Haddad, coordenadora do SP Carinhosa. Foto: Fernando Pereira / SECOM.


Praça
Além dos lançamentos, as crianças desenvolveram um projeto arquitetônico para revitalização da Praça José Luiz de Mello Malheiro, que foi elaborado com a orientação de profissionais da consultoria de projetos sociais e urbanos Criacidade, com o apoio da Associação Fábrica da Cidadania e com a participação de estudantes de arquitetura do Centro Universitário Belas Artes de São Paulo. 

Por meio de oficinas lúdicas, as crianças puderam dar sugestões do que queriam fazer na praça e quais brinquedos gostariam de brincar.

De acordo com a coordenadora do São Paulo Carinhosa, o processo para implementar as mudanças está em andamento e as áreas técnicas estão planejando medidas além da reforma praça na questão de segurança, iluminação, trânsito e transportes.

“Além de projetarem a praça, algo muito bacana que vocês fizeram foi que vocês pensaram o espaço para brincar, mas também espaço para os adultos e o papel da população de rua, sugerido por vocês para serem cuidadores do espaço. Vocês não sabem, mas o vídeo com que vocês projetaram foi para outras regiões e o que fizeram está servindo de exemplo para outras crianças pensarem tão bem quanto pensaram essa praça”, disse Ana Estela.

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Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação.



Uma visão extrema: o capitalismo perderá a dominância e dará lugar à economia colaborativa, compartilhada, em meados do século 21. O raciocínio é desenvolvido em "Sociedade com Custo Marginal Zero", do economista norte-americano Jeremy Rifkin, que ensina executivos a tornar suas empresas sustentáveis na escola de negócios Wharton (da Universidade da Pensilvânia, nos EUA).
 
O autor também publicou o best-seller "A Terceira Revolução Industrial". Para ele, o dinamismo e a eficiência produtiva do sistema, somados à evolução das máquinas, serão os responsáveis por seu colapso.
 
Rifkin aponta que o grande e constante avanço tecnológico possibilita um ritmo de produção cada vez mais acelerado, tornando o custo marginal –preço para produzir uma unidade a mais de determinado produto– muito próximo de zero. Assim, o acesso a tudo se torna mais fácil.
 
Com essa perspectiva, relata que lucros das corporações começam a diminuir, a ideia de propriedade vai se enfraquecendo e uma economia baseada em escassez é substituída por uma cena de abundância. As pessoas passam a compartilhar bens, desfrutam de produtos ou serviços, sem necessariamente comprá-los.
 
Para Rifkin, uma sociedade com essa característica torna-se um cenário ideal para promover o bem-estar geral, representando o triunfo do capitalismo e, ao mesmo tempo, a sua inevitável saída do palco mundial.
 
De acordo com o autor, "enquanto o mercado capitalista baseia-se no interesse próprio e é guiado pelo ganho material, os bens comuns sociais são motivados por interesses colaborativos e guiados por um profundo desejo de se conectar com os outros e de compartilhar".
 
Posse x Acesso
 
Rifkin diz que, se a propriedade privada é a característica definidora de um sistema capitalista, então o automóvel particular é seu símbolo de status. Comparando novas gerações com a sua, o autor vê um decréscimo no número de jovens que dão extrema importância aos automóveis. 
 
Ele destaca empresas como a Zipcar ou a City Car Share, nos EUA, cujo objetivo é disponibilizar veículos e estimular a ideia de acesso – não mais a posse. A tendência de compartilhar tudo deve aumentar e, no futuro, chegar aos carros autônomos, sem motorista – por exemplo, os desenvolvidos pelo Google. 
 
Além de veículos, casas, roupas e outros itens passam a ter evidência no compartilhamento e já têm impacto na economia, aponta o autor. "A busca do interesse próprio está sendo moderada pela pressão de interesses colaborativos, e o tradicional sonho de enriquecimento financeiro está sendo suplantado pelo sonho de uma qualidade de vida sustentável", escreve o autor.


Protótipo do carro autônomo do Google. Foto: AFP.
 
Trabalho
 
A tecnologia, que faz alcançarmos baixos custos na produção marginal, também afeta o mercado de trabalho. Internet das coisas (objetos interconectados que geram benefícios para o cotidiano), big data (coleta e análise de muitos dados), algoritmos, inteligência artificial e robótica ajudam na substituição da mão de obra humana nos setores mais variados, aponta Rifkin.

A perspectiva levantada por ele é de centenas de milhões de pessoas sem emprego na primeira metade do século 21. Mas a substituição de pessoas por máquinas não é exatamente motivo para pânico, de acordo com o autor.


Robô da ABB pode trabalhar com os operários. Foto: Adriano Vizoni / Folhapress.


Rifkin enxerga oportunidades para empreendedores sociais e empregos em organizações sem fins lucrativos. Há outras chances em um meio conectado com a internet das coisas, que o autor considera a alma gêmea do modelo emergente de bens comuns. 
 
Com auxílio de impressoras 3D, por exemplo, as pessoas passam a ser "prosumidores", ou seja, produtores e consumidores ao mesmo tempo –de uma simples caneta a um móvel. Jeremy Rifkin assume ter uma posição ambígua em relação ao capitalismo. Para ele, o sistema foi o mecanismo mais ágil e eficiente para organizar a economia no passado. Mas ele não lamenta o fim do regime. 
 

A Robtec Cube, impressora 3D que já é utilizada no Brasil, e os objetos impressos no teste. Foto: Eduardo Anizelli / Folhapress.
 
 
Livro: "Sociedade com Custo Marginal Zero"
Autor: Jeremy Rifkin.
Editora: M.Books. 
Quanto: R$ 89 (400 págs.). 
Avaliação: bom.

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Amom Borges, Caderno Mercado / Folha de S.Paulo.

 


Uma das palestrantes do 1.o Congresso Internacional de Paisagem Urbana, realizado em São Paulo nos últimos dia 7 e 8, a arquiteta e paisagista Diana Wiesner é fundadora e diretora da Fundación Cerros de Bogotá. Diana integra o Conselho de Ordenamento Urbano da cidade colombiana. Ela foi entrevistada pelo blog.
 
Em sua opinião, quais são as principais semelhanças e diferenças entre São Paulo e Bogotá, considerando que ambas são grandes cidades latino-americanas?
 
Diana Wiesner: São Paulo, uma das maiores cidades do mundo, com quase 22 milhões de habitantes vivendo em sua região metropolitana e mais de 11 milhões na própria cidade. Bogotá, com uma área urbana de 384 quilômetros quadrados e uma área rural de 1.298 quilômetros quadrados, com uma população de 7,3 milhões de habitantes e mais quase 2 milhões na região metropolitana.
 
Bogotá é uma das cidades mais densamente povoadas da América Latina. Tem grandes oportunidades de se converter em uma cidade muito agradável e humana se resolver as questões de mobilidade e oferta de transporte público e der prioridade a seu sistema geográfico e natural para melhorar a qualidade de vida.
 
As semelhanças entre as duas cidades são resultado de um processo histórico de desenvolvimento coincidente, em que se tem dado prioridade a um sistema econômico e funcional de infraestrutura, em vez de valorizar os sistemas geográficos – no caso de São Paulo, não se evidencia a presença de seus rios na imagem da cidade. Ainda que São Paulo conte com um enorme sistema de mobilidade pública, o impacto da infraestrutura urbana em sua legibilidade e na escala humana de suas áreas públicas fazem da cidade um local difícil para os visitantes.
 
Atrevo-me a mencionar que se percebe o contraste entre grandes parques predominantes e um sistema de parques locais acessíveis e integrados aos bairros. Se em Bogotá a falta de vegetação também é evidente, a percepção de uma cidade mais verde existe pela presença de suas colinas e, em alguns bairros, pela intensa arborização urbana.
 
Entre as semelhanças também destaco a negligência ao cuidado integral e ecológico aos rios e à negativa em utilizá-los como articuladores urbanos, espaços públicos e conectores regionais.

Quais são os principais desafios contemporâneos de Bogotá? O que se está fazendo para resolvê-los?

D.W.: São muitos. Entre os mais relevantes estão a mobilidade, a segurança, a desigualdade social e a própria visão de cidade. 
A mobilidade, tema central comum de muitas administrações, é algo que mais gera descontentamento da população – ao lado da segurança. Atualmente, está se discutindo a atualização do Plano Diretor e as visões preponderantes são de uma cidade compacta, em contraposição a de uma que abrange também os municípios vizinhos. Este tema está associado diretamente à visão ecológica da cidade, protegendo as reservas ambientais e bacias hidrográficas.

Em sua opinião, quais são os principais pontos já resolvidos por Bogotá? De que maneira São Paulo pode seguir o exemplo e adaptar por aqui soluções adotadas por Bogotá? 

D.W.: Uma cidade compacta como Bogotá, fazendo uso eficiente de sua infraestrutura, tem o potencial de ser um local focado na recuperação do espaço público e do sistema de vegetação. Programas de arborização urbana, implantação de ciclovias, cultura cívica e participativa são exemplos que tornaram Bogotá referência para outras cidades. Bogotá se destacou também por projetos de escolas, bibliotecas e melhorias de acesso ao espaço público. Na sequência, outras cidades colombianas começaram a implementar estratégias semelhantes, e Medellín deu um salto enorme para programas inclusivos dando prioridade às populações marginalizadas e recuperando espaços públicos. É evidente que quando há vontade política para dar prioridade às questões estruturais, as mudanças nas cidades se tornam evidentes. São Paulo poderia dar prioridade à recuperação dos rios como um componente estrutural do espaço público, integrando áreas isoladas e gerando uma nova vitalidade para a cidade, uma nova maneira de percebê-la – a pé ou de bicicleta.

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Edison Veiga em seu blog no Estadão.