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Foto: Tony Netone.Foto: Tony Netone.

Localizado no sudeste da Turquia, o Göbekli Tepe, de 11 mil anos, é considerado o templo mais antigo do mundo, superando em muito o Stonehenge, na Inglaterra, e as pirâmides egípcias. O antigo local, listado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em julho de 2018, antecede a cerâmica, a escrita e a roda, levando arqueólogos como Klaus Schmidt a considerar se Göbekli Tepe pode ser, de fato, não apenas a primeira arquitetura do mundo, mas um catalisador crucial para o surgimento da civilização.

Espalhado por oito hectares perto da cidade de Sanliurfa, Göbekli Tepe é uma colina artificial que abriga uma série de estruturas circulares enterradas, adornadas com esculturas de calcário, que se acredita terem sido ocupadas por milhares de anos antes caírem no abandono. 

Foto: N05. Foto: N05.

A estrutura de 11 mil anos de idade foi encontrada pela primeira vez na era moderna por uma equipe de antropólogos da Universidade de Chicago e da Universidade de Istambul na década de 1960. No entanto, seu significado só foi verdadeiramente revelado pelo arqueólogo alemão Klaus Schmidt em 1994.

O sítio contêm enormes esculturas de pedra feitas na pré-história sem o auxílio de ferramentas de metal, cerâmica ou técnicas agrícolas. Sem evidências de que pessoas residiram permanentemente no lugar, acredita-se que o Göbekli Tepe fora um local de culto sem precedentes, ou, como Schmidt descreve, a primeira "catedral" da humanidade.

Foto: Rstiller / Flickr.Foto: Rstiller / Flickr.

Anos de escavações revelaram lentamente colunas de calcário monolíticas em forma de T, dispostas em círculos, com colunas maiores, até cinco metros de altura, localizadas em seu centro. Uma vez que os anéis de pedra eram entalhados, colocados na vertical e finalizados, os construtores da pré-história os cobriam com terra, para então construir o próximo anel a partir da altura do anterior. 

Com o passar do tempo, esse ato repetitivo resultou em um local de adoração no topo de uma colina. As esculturas abstratas de figuras humanas e animais nos pilares de pedra são particularmente fascinantes, dado que foram produzidas seis mil anos antes da invenção da escrita. Ao passo que Schmidt está certo de que Göbekli Tepe fora uma estrutura religiosa, uma teoria definitiva de qual era sua função, a quem se dedicava, ou quem está ali enterrado, continua inexistente. 

Foto: rstiller / Flickr.Foto: rstiller / Flickr.

O debate sobre Göbekli Tepe gira menos em torno de sua função e mais em torno de seu potencial de inverter nossa compreensão de como a civilização se desenvolveu. Especialistas há muito argumentam que o tempo, o planejamento e os recursos necessários para construir essas estruturas só seriam possíveis em uma sociedade rural já assentada. A descoberta de Göbekli Tepe leva Schmidt a teorizar o contrário - que o desejo de construir obras arquitetônicas tão intrincadas pode ter sido o catalisador para o desenvolvimento de sociedades complexas e sedentárias. 

Foto: Orientalizing / Flickr.Foto: Orientalizing / Flickr.

Schmidt argumenta que Göbekli Tepe teria exigido centenas de mãos, o que exigiria moradia e alimento. Embora a descoberta de ossos de animais no local sugerisse que caça acumulativa ainda era uma prática comum na época, esse método por si só não poderia ter sustentado a força de trabalho necessária para construir um templo tão elaborado.

Schmidt acredita que os construtores de Göbekli Tepe estavam à beira de uma grande mudança na forma como as pessoas viviam, com evidências de caça acumulativa combinada com agricultura básica, como ovelhas selvagens e grãos com potencial de cultivo.

Foto: Orientalizing / Flickr.Foto: Orientalizing / Flickr.

A descoberta de animais domesticados e grãos em uma aldeia pré-histórica próxima, supostamente 500 anos mais nova, sugere que a construção de Göbekli Tepe coincidiu com um movimento revolucionário crucial em que os humanos passaram de caçadores nômades às sociedades sedentárias agrárias - que acabariam se tornando a gênese dos assentamentos urbanos que conhecemos hoje. 

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Fonte: The Smithsonian Magazine (Inglês).

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