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Campanha contra bitucas em Londres, Inglaterra. Elas são 75% do lixo encontrado nas ruas. Foto: Getty Images.Campanha contra bitucas em Londres, Inglaterra. Elas são 75% do lixo encontrado nas ruas. Foto: Getty Images.Basta caminhar pelas ruas de qualquer cidade brasileira para ver uma bituca de cigarro em cada canto. Muitos fumantes ainda jogam suas bitucas em qualquer lugar depois que o cigarro acaba, esquecendo ou sem conhecer o risco ambiental que esse descarte incorreto representa. Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), o número estimado de fumantes no mundo é de 1,6 bilhão. Essa enormidade de pessoas joga fora, de acordo com informações da Autoridade para as Condições de Trabalho (ACT), 7,7 bitucas de cigarro por dia. Ou seja, são cerca de 12,3 bilhões de bitucas descartadas diariamente.

A preocupação em relação aos números é grande porque um dos "esportes" mais praticados pelos fumantes é o “lançamento de bitucas”, que se familiarizou nas ruas de muitas cidades por todo o mundo, trazendo o terrível inconveniente das pequenas montanhas de bituca de cigarro em frente a bares e outros locais de grande circulação, o que prejudica a cidade e o meio ambiente. No Estado de São Paulo, a lei antifumo, de 2009, agravou ainda mais esse problema, já que não é permitido fumar em ambientes fechados - e muitos estabelecimentos não disponibilizam cinzeiros ou lixeiras apropriadas para a coleta das bitucas. No Paraná e na cidade do Rio de Janeiro, por outro lado, foram criadas leis para multar quem for pego jogando bitucas no chão e para forçar a instalação de coletores de bitucas em pontos estratégicos.

Basta caminhar pelas ruas de qualquer cidade brasileira para ver uma bituca de cigarro em cada canto. Foto: Shutterstock.Basta caminhar pelas ruas de qualquer cidade brasileira para ver uma bituca de cigarro em cada canto. Foto: Shutterstock.

E em relação aos outros tipos de lixo, a bituca de cigarro parece ser inofensiva quando lançada nas ruas e avenidas. O estrago que esse pequeno objeto causa, no entanto, é muito maior do que muita gente imagina.

Para se ter uma ideia, o tempo de decomposição de uma bituca de cigarro descartada incorretamente pode chegar a até cinco anos, principalmente se for jogada no asfalto. Sem contar o fato de que ela contém mais de 4,7 mil substâncias tóxicas, o que prejudica o solo, contamina rios e córregos. Essa relativa demora na decomposição se deve ao fato de que 95% dos filtros de cigarros são compostos de acetato de celulose, de difícil degradação.

Segundo informações do Portal do Governo do Estado de São Paulo, entre as estações secas, a bituca de cigarro é uma das principais causadoras de incêndios. Essas queimadas, provocadas pelo contato da bituca com a vegetação, provocam danos ambientais e ainda reduzem a segurança em locais próximos de pistas, por conta da fumaça que impede uma melhor visibilidade dos motoristas.

O problema de fumar

A pessoa que não gera nenhuma bituca de cigarro, obviamente, não as joga no chão. Foto: Getty Images.A pessoa que não gera nenhuma bituca de cigarro, obviamente, não as joga no chão. Foto: Getty Images.

Tudo isso sem contar o mal à saúde que o cigarro faz. Com mais de 4,7 mil substâncias químicas consideradas tóxicas presentes em sua fumaça, o cigarroagrava doenças respiratórias, aumenta o risco de câncer de pulmão e diminui a vontade de praticar exercícios físicos.

Segundo o site do Ministério da Saúde, 23 pessoas morrem por hora em consequência de doenças ligadas ao tabagismo e, de acordo com estimativa da Organização Mundial da Saúde (OMS), as vítimas do uso do tabaco chegam a cinco milhões por ano. O cultivo de tabaco também promove o desmatamento, já que para secar as folhas de tabaco é necessário utilizar fornos a lenha. E, claro, há a dependência química que o cigarro provoca, sendo considerado um dos vícios mais difíceis de serem abandonados, e o gasto público com saúde devido a doenças relacionadas ao tabagismo.

Por isso, a opção de parar de fumar é a que mais soluciona os problemas. A pessoa que não gera nenhuma bituca de cigarro, obviamente, não as joga no chão. Mas, para quem tem dificuldade em parar, esforce-se pelo menos para jogar a bituca no lixo. Segure a sua bituca de cigarro até encontrar uma lixeira ou "bituqueira". Outra opção é apagar a bituca e guardá-la de volta no maço de cigarros até que você encontre uma lixeira. Isso vai influenciar na quantidade de dinheiro público que é gasto para limpar as vias públicas os e para o tratamento da água contaminada, além de diminuir a quantidade de lixo nas ruas da sua cidade.

Reciclagem

Caixa de reciclagem de bitucas afixada em poste de rua em Nova York, EUA. Foto: Getty Images.Caixa de reciclagem de bitucas afixada em poste de rua em Nova York, EUA. Foto: Getty Images.

A reciclagem de bitucas é possível, mas o serviço ainda não é tão difundido Brasil afora, embora muitas cidades tenham ganhado lixeiras específicas para a coleta de bitucas após a provação da lei antifumo nacional, em vigor desde 2014. Já existem diferentes processos de retirada de elementos químicos das bitucas para transformá-las em matéria-prima para indústrias siderúrgica, cimenteira, de plástico, de papel, de adubo e até de fibras naturais.

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Por Caetano Penna no eCycle. Edição: São Paulo São.

Foto: Tony Netone.Foto: Tony Netone.

Localizado no sudeste da Turquia, o Göbekli Tepe, de 11 mil anos, é considerado o templo mais antigo do mundo, superando em muito o Stonehenge, na Inglaterra, e as pirâmides egípcias. O antigo local, listado como Patrimônio da Humanidade pela Unesco em julho de 2018, antecede a cerâmica, a escrita e a roda, levando arqueólogos como Klaus Schmidt a considerar se Göbekli Tepe pode ser, de fato, não apenas a primeira arquitetura do mundo, mas um catalisador crucial para o surgimento da civilização.

Espalhado por oito hectares perto da cidade de Sanliurfa, Göbekli Tepe é uma colina artificial que abriga uma série de estruturas circulares enterradas, adornadas com esculturas de calcário, que se acredita terem sido ocupadas por milhares de anos antes caírem no abandono. 

Foto: N05. Foto: N05.

A estrutura de 11 mil anos de idade foi encontrada pela primeira vez na era moderna por uma equipe de antropólogos da Universidade de Chicago e da Universidade de Istambul na década de 1960. No entanto, seu significado só foi verdadeiramente revelado pelo arqueólogo alemão Klaus Schmidt em 1994.

O sítio contêm enormes esculturas de pedra feitas na pré-história sem o auxílio de ferramentas de metal, cerâmica ou técnicas agrícolas. Sem evidências de que pessoas residiram permanentemente no lugar, acredita-se que o Göbekli Tepe fora um local de culto sem precedentes, ou, como Schmidt descreve, a primeira "catedral" da humanidade.

Foto: Rstiller / Flickr.Foto: Rstiller / Flickr.

Anos de escavações revelaram lentamente colunas de calcário monolíticas em forma de T, dispostas em círculos, com colunas maiores, até cinco metros de altura, localizadas em seu centro. Uma vez que os anéis de pedra eram entalhados, colocados na vertical e finalizados, os construtores da pré-história os cobriam com terra, para então construir o próximo anel a partir da altura do anterior. 

Com o passar do tempo, esse ato repetitivo resultou em um local de adoração no topo de uma colina. As esculturas abstratas de figuras humanas e animais nos pilares de pedra são particularmente fascinantes, dado que foram produzidas seis mil anos antes da invenção da escrita. Ao passo que Schmidt está certo de que Göbekli Tepe fora uma estrutura religiosa, uma teoria definitiva de qual era sua função, a quem se dedicava, ou quem está ali enterrado, continua inexistente. 

Foto: rstiller / Flickr.Foto: rstiller / Flickr.

O debate sobre Göbekli Tepe gira menos em torno de sua função e mais em torno de seu potencial de inverter nossa compreensão de como a civilização se desenvolveu. Especialistas há muito argumentam que o tempo, o planejamento e os recursos necessários para construir essas estruturas só seriam possíveis em uma sociedade rural já assentada. A descoberta de Göbekli Tepe leva Schmidt a teorizar o contrário - que o desejo de construir obras arquitetônicas tão intrincadas pode ter sido o catalisador para o desenvolvimento de sociedades complexas e sedentárias. 

Foto: Orientalizing / Flickr.Foto: Orientalizing / Flickr.

Schmidt argumenta que Göbekli Tepe teria exigido centenas de mãos, o que exigiria moradia e alimento. Embora a descoberta de ossos de animais no local sugerisse que caça acumulativa ainda era uma prática comum na época, esse método por si só não poderia ter sustentado a força de trabalho necessária para construir um templo tão elaborado.

Schmidt acredita que os construtores de Göbekli Tepe estavam à beira de uma grande mudança na forma como as pessoas viviam, com evidências de caça acumulativa combinada com agricultura básica, como ovelhas selvagens e grãos com potencial de cultivo.

Foto: Orientalizing / Flickr.Foto: Orientalizing / Flickr.

A descoberta de animais domesticados e grãos em uma aldeia pré-histórica próxima, supostamente 500 anos mais nova, sugere que a construção de Göbekli Tepe coincidiu com um movimento revolucionário crucial em que os humanos passaram de caçadores nômades às sociedades sedentárias agrárias - que acabariam se tornando a gênese dos assentamentos urbanos que conhecemos hoje. 

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Fonte: The Smithsonian Magazine (Inglês).