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São Paulo São Outros

Jeffrey Milstein é um dos fotógrafos mais publicados e premiados do mundo. Tem um portifólio vastíssimo com destaque para fotos tiradas do alto de cidades, portos, navios e aeroportos.

Visite a galeria e conheça a sua rica produção, que inclui coleções como Los Angeles vista de cima, os carros antigos de Havana, os trailers de Palm Springs, as ruas no Egito, na Índia e em Cuba etc.

A última coleção são as fotos de Nova Iorque vista de cima, a primeira cidade que ele fotografou há mais de 50 anos, quando ainda era adolescente, voando em um Cesna.

Agora, do alto de um helicóptero e com equipamentos de última geração para fotografias aéreas, Jeffrey produziu imagens incríveis da Big Apple. Confira os detalhes na matéria do DailyMail Online: "New York from 2,000ft: Photographer captures stunning aerial images of the Big Apple as you’ve never seen it before". Aqui: http://goo.gl/2Ta00E

Indo a Nova Iorque, visite a galeria Benrubi, onde ele está expondo até o dia 22 de agosto de 2015.

Jurandir Craveiro em seu Blog do Jura.


Pesquisa constatou que cidadão é aberto para aspectos sexuais, mas sustenta pensamento conservador em temas coletivos.

Abertura para liberdades sexuais e conservadorismo para propostas de promoção de igualdade social. Foi com um perfil complexo que o paulistano se apresentou em uma pesquisa inédita da Fundação Escola de Sociologia e Política de São Paulo (FESPSP), que será lançada no próximo mês e que traçou o perfil sociopolítico do cidadão da capital.

Ao mesmo tempo em que 70% dos 1.288 entrevistados acenaram positivamente para o casamento entre pessoas do mesmo sexo, 30% concordaram que, de alguma forma, a ditadura militar é melhor do que a democracia.

O paulistano, além de defendem valores individuais, crê na meritocracia. São 92% que acreditam que homens e mulheres devem receber salários equivalentes, mas 53% entendem que programas como o Bolsa Família estimulam a preguiça e que pessoas de baixa renda tenham mais filhos.

"Tem um senso comum que se difundiu que São Paulo seria mais conservadora que o resto do País, mas isso é mais complexo. O que a gente percebeu é que o paulistano é mais progressista nas liberdades sexuais, mas, quando a gente olha as questões de direitos sociais, de igualdade, há um conservadorismo", explica o economista William Nozaki , que é o coordenador da pesquisa.

O levantamento, intitulado "Conservadorismo e Progressismo na Cidade de São Paulo", foi feito na segunda semana de junho deste ano, durante oito dias, por meio de um questionário com 70 perguntas. Segundo Nozaki, ele foi motivado pelo quadro de polarização que começou a se espalhar no País e na capital principalmente após as manifestações de junho de 2013 e do segundo turno das últimas eleições presidenciais.

"O que constatamos é que não é correto fazer qualquer tipo de associação entre ser conservador e de direita e ser progressista e de esquerda. Há uma mistura noções de conservadorismo e progressismo no centro e na periferia da cidade que não cabem em um esquema engessado."

Contrastes. 

Ainda de acordo com a pesquisa, que tem 95% de confiança e margem de erro de três pontos porcentuais para mais ou para menos, 74% são a favor do respeito às diferentes expressões religiosas, 42% afirmam que os Direitos Humanos têm como objetivo a defesa de bandidos, 54% aceitam novas configurações familiares e 62% são a favor da redução da maioridade penal.

"A tradição e a modernidade se encontram na cidade, mas as ideias estão sistematicamente mudando. Isso revela que há uma complexidade ligada a um cosmopolismo e a um amplo acesso a possibilidades culturais e sociais encontradas em São Paulo. A cidade é permeada pela diversidade e pelas desigualdades", diz o pesquisador e professor da FESPSP Rodrigo Estramanho de Almeida.

Almeida diz que o estudo favorece não só ao entendimento do perfil do paulistano, mas também às novas formas de elaboração de políticas públicas e pode nortear movimentos organizados da cidade e educadores.

Paula Felix no Estadão.

O prefeito Fernando Haddad afirmou na manhã desta terça-feira (14) que a cidade de São Paulo garantirá, a partir de 2016, a universalização da matrícula de crianças da pré-escola. O anúncio foi realizado durante a cerimônia de abertura do Seminário Nacional sobre Desigualdades Intramunicipais: Rumo à Inclusão de Crianças e Adolescentes em Centros Urbanos, realizado pelo Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF) em parceria com a Prefeitura de São Paulo.


"O Brasil é um dos poucos países do mundo que tem obrigatoriedade de matrícula com 14 anos de escolaridade. A partir do ano que vem nós temos que atender de forma universal a todas crianças e adolescentes dessa faixa etária [de 4 a 17 anos de idade]. A cidade de São Paulo vai cumprir a emenda constitucional e, a partir do ano que vem, toda criança terá matrícula garantida. Nenhuma criança [estará] fora da escola a partir dos 4 anos de idade, como manda a Constituição", afirmou Haddad.

Atualmente, a Prefeitura atende a mais de 204 mil crianças em Escolas Municipais de Educação Infantil (EMEIs), unidades responsáveis pela pré-escola. A demanda remanescente para essa categoria é de 10.780 vagas, de acordo com dados divulgados pela Secretaria Municipal de Educação (SME) em junho deste ano. 

Realizado ao longo de todo o dia na Praça das Artes, no centro da capital, o seminário marcou os 25 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) e integra uma série de ações da Plataforma dos Centros Urbanos, iniciativa do UNICEF, das prefeituras e dos Conselhos Municipais dos Direitos da Criança e do Adolescente (CMDCAs) de oito capitais brasileiras pela redução das desigualdades intramunicipais que afetam a vida de meninos e meninas.

"A criação dessa legislação certamente colocou o Brasil em outro patamar na história mundial. Mas a comemoração só será completa quando alcançarmos 100%, sem exceção. Ainda temos muitos desafios para garantir direitos de cada criança e cada adolescente no Brasil. A legislação é muito boa, mas ainda precisamos aperfeiçoar as políticas públicas para otimizá-la", disse Gary Sthal, representante do Unicef no Brasil.

Durante a cerimônia de abertura, tanto Haddad quanto prefeitos de outras capitais destacaram a educação como medida fundamental para o combate das desigualdades comuns à sociedade brasileira. "Se nós quisermos combater a desigualdade no nosso país, vamos começar pelo começo, pela primeira infância e, portanto, resolver o problema educacional brasileiro. O Brasil avançou muito na educação nos últimos anos. O caminho agora é investir mais em educação e atingir as metas do Plano Nacional de Educação, sancionado no ano passado e com vigência de 10 anos. São 20 metas, a maioria delas focadas na criança e no adolescente, que vai efetivamente vão fazer o país mudar de patamar", pontuou Haddad.

"O alicerce do nosso trabalho está focado na política educacional, na política de inclusão social, na política de estímulo e incentivo ao esporte e na política de saúde. Todas elas são importantes em relevância, mas o carro chefe da [nossa] administração é a educação. A educação tem que ser prioridade número um - e não apenas no discurso, tem que ser na prática", destacou Antônio Carlos Magalhães Neto, prefeito de Salvador.

Para Rui Palmeira, prefeito de Maceió, a educação é, inclusive, chave para o combate da violência. "Enquanto o Brasil acreditar que nós vamos combater a violência com polícia, estamos fadados a fracassar. Obviamente que é necessária a interferência da polícia, mas nós precisamos investir em políticas públicas para assim diminuir as desigualdades e conseguir vencer a violência contra as crianças e os adolescentes no nosso país", complementou.

Também acompanharam a cerimônia de abertura do seminário Ana Estela Haddad, primeira-dama e coordenadora do programa São Paulo Carinhosa; Adilson Pires, vice-prefeito do Rio de Janeiro; Nádia Campeão, vice-prefeita de São Paulo, além dos secretários municipais Vicente Trevas (Relações Internacionais e Federativas), Eduardo Suplicy (Direitos Humanos e Cidadania) e Nunzio Briguglio (Comunicação).

São Paulo Carinhosa

O compromisso com a educação, enfatizado pelo prefeito Haddad na abertura do seminário, foi lembrado em suas diferentes dimensões durante um painel que destacou os avanços de várias cidades rumo à redução das desigualdades. Ao lado de representantes de Fortaleza, Rio de Janeiro, Salvador, São Luis, Belém, Maceió e Manaus, a primeira-dama de São Paulo, Ana Estela Haddad, apresentou algumas das ações da Política Municipal para o Desenvolvimento Integral da Primeira Infância (Programa São Paulo Carinhosa), da qual é coordenadora.

Ana Estela explicou que um dos objetivos da Política, lançada em agosto de 2013, é fortalecer a proteção social e enfrentar a violação de direitos fundamentais, entre eles, o direito à educação. Segundo ela, estimular as crianças desde cedo é fundamental para que elas sejam capazes de absorver a bagagem educacional que receberão no futuro. “O conhecimento acumulado sobre o desenvolvimento da arquitetura cerebral [mostra que] quando a fundação está fraca, não está bem estruturada, tudo é muito frágil depois”, disse.

Essa lógica se aplica a todas as crianças e jovens, especialmente àqueles inseridos em áreas vulneráveis da cidade. Por isso, conhecer melhor a realidade de tais regiões foi um dos primeiros desafios da São Paulo Carinhosa. “O nosso esforço foi, de um lado, identificar nas várias secretarias as ações que estavam sendo construídas para a infância e como priorizá-las. Ao lado disso, um esforço de conhecer o território. Uma pesquisa que foi muito importante foi o Mapa de Inclusão e Exclusão do Município de São Paulo. A escolha dos territórios [nos quais as ações seriam focadas] se baseou muito na análise dos indicadores”, declarou a primeira-dama.

A partir desse estudo, as diversas ações do Programa passaram a ser articuladas em 15 áreas com os maiores índices de vulnerabilidade infantil: Jardim Ângela, Cidade Tiradentes, Brasilândia, Sapopemba, Cidade Ademar, Lajeado, Capão Redondo, Cidade Dutra, Jardim São Luís, Campo Limpo, Grajaú, Vila Jacuí, São Mateus, Sé e Anhanguera.

“Mas nós não trabalhamos só esses territórios, temos muitas ações de alcance universal, como o Educação Além do Prato e o Circuito São Paulo de Cultura. De 600 atrações do Circuito no primeiro semestre, 200 foram voltadas para as crianças e suas famílias”, declarou Ana Estela, lembrando que o processo educacional deve abranger diferentes esferas, como o acesso à alimentação de qualidade e ao lazer e cultura.

A primeira-dama destacou ainda a atenção às crianças e adolescentes inseridos nas áreas atendidas pelo Programa De Braços Abertos, que visa resgatar a dignidade de usuários de drogas. “Nós começamos a trazer essas crianças para atividades culturais no município, levando para essas atividades não só as crianças, mas também suas famílias. Essa atividade conjunta trouxe resultados de resgate dos próprios usuários, que se reaproximaram dos seus familiares naquelas atividades culturais”, exemplificou.

Dirigindo-se aos demais integrantes da mesa, Ana Estela enfatizou que o sucesso de quaisquer ações que visem à redução das desigualdades depende, essencialmente, da capacidade de diálogo entre os municípios e a sociedade. “É muito importante o espaço de encontro entre a política pública e a vida das pessoas. A gente não pode se fechar no gabinete ou olhar só os números. A gente precisa estar ali onde a vida acontece, não esquecer de estar em contato com as pessoas”, finalizou.

Encerramento

No encerramento do seminário, na noite desta terça-feira (14), os participantes do encontro foram divididos em quatro salas diferentes, com três mesas em cada uma, para debater as formas de impulsionar ainda mais as iniciativas do poder público em relação à inclusão de crianças e adolescentes em centros urbanos. Cada mesa era formada por quatro ou cinco participantes que se revezavam em outras mesas na discussão de três temas diferentes, apoiados por um relator e um anfitrião, que permaneciam no espaço. Ao final, foram apresentados resultados dos debates e encaminhamentos para os próximos encontros ou seminários. 

“É uma construção coletiva. Cada sessão que tivemos aqui foi pensada em parceria. Cada um colocou sua ideia, expôs sua opinião, falou sobre a forma e foi exitoso, porque contou com a participação de todos nós”, afirmou a coordenadora da Plataforma dos Centros Urbanos do Unicef, Luciana Phebo.

“Utilizamos hoje aqui a tecnologia mais eficiente do mundo. Alguns podem achar que é uma tecnologia sofisticada, como aparelhos eletrônicos e a internet. Mas a tecnologia mais avançada que temos é uma boa conversa e essa boa conversa que tivemos gera aprendizado”, disse a diretora executiva do Centro de Promoção da Saúde (Cedaps), Kátia Edmundo.

Plataforma dos Centros Urbanos

Trata-se de uma contribuição do Unicef na busca de um modelo de desenvolvimento inclusivo das grandes cidades, que reduza as desigualdades que afetam a vida de suas crianças e seus adolescentes, garantindo a cada um deles maior e melhor acesso à educação de qualidade, à saúde, à proteção e à oportunidade de participação. 

Criada em 2008 nas cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Itaquaquecetuba, a iniciativa, que prevê ampla participação da sociedade civil, acontece em oito grandes cidades brasileiras: Belém, Fortaleza, Maceió, Manaus, Rio de Janeiro, Salvador, São Luís e São Paulo. 

Com São Paulo Carinhosa e Secretaria Municipal de Direitos Humanos e Cidadania de São Paulo.

Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação.

Uma fresta numa parede do subsolo da Oca, no parque Ibirapuera, deixa ver o que parece ser a batina de um padre no meio de faixas coloridas vibrantes. É o único pedaço visível, por enquanto, de um mural que ficou esquecido lá embaixo há mais de 60 anos. 

Quase um cenário de ficção científica quando surgiu num imenso gramado em 1954, o Ibirapuera e seus prédios desenhados por Oscar Niemeyer foram a materialização da utopia industrial paulista na época - a Oca, como pavilhão de exposições, foi aberta naquele ano com uma mostra que narrava episódios da história do país. 

Na exposição que marcou o quarto centenário da metrópole, enormes murais de Tarsila do Amaral, Di Cavalcanti, Clóvis Graciano e do artista português Manuel Lapa mostravam as naus saindo de Portugal em direção ao Brasil, uma fazenda de café, as minas de ouro e uma procissão católica no campo.

Também havia outro, representando o que poderia ser a primeira missa realizada no país, que nunca mais viu a luz do dia. Era o único pintado não sobre placas de madeira, como o resto dos murais, mas direto na parede do pavilhão. 

Quando foram montar a mostra que celebra os 60 anos do Ibirapuera em cartaz desde o ano passado, funcionários do Museu da Cidade, órgão da prefeitura responsável pela Oca, descobriram que atrás de um muro falso do subsolo estava um quinto painel da famosa "Exposição de História de São Paulo", evento que inaugurou o prédio. 

"Fomos tateando e descobrimos a parede falsa de madeira", conta Afonso Luz, diretor do Museu da Cidade. "Foi incrível. Uma montadora da equipe disse que um mural tinha sido tampado ali." 

Essa montadora, na verdade, também estava lá quando encobriram o mural. Ela contou à direção do museu que ele saiu de cena há 15 anos para a ambientação da mostra que comemorava os 500 anos do descobrimento do Brasil. 

Mesmo antes disso, no entanto, não foram encontrados registros visuais desse painel esquecido no subsolo. Funcionários da prefeitura chegaram a pensar que o mural escondido também fosse de Manuel Lapa, como o das caravelas, mas descartaram a hipótese quando puderam comparar o estilo da obra descoberta com o traço do artista português. 

"Há só uma referência textual dizendo que o Lapa teria pintado a primeira missa para a exposição", conta Luz. "Mas isso não dá certeza se esse quadro é mesmo a primeira missa ou se houve confusão. Não creio que seja, já que as cores e composições na outra pintura não têm nada em comum com essa."

Enquanto toda a parede falsa que esconde o mural não for removida, essas dúvidas vão persistir. A prefeitura deve iniciar o desmonte só agora porque esperava encontrar um patrocinador para restaurar os painéis antes de escancarar de vez o mural - um acordo foi fechado na semana passada com o Bank of America, que vai financiar as obras orçadas em R$ 400 mil.

Recuperação histórica 

Em estado precário, todos os murais precisam passar por uma readequação estrutural, para que não descasquem de seus suportes de madeira. No caso do mural no subsolo, a abertura no muro falso deixa ver manchas de mofo que precisarão ser removidas. 

"É uma recuperação da história do prédio", resume Luz. "Naquela utopia da industrialização, esses murais foram feitos com compensado de madeira e tintas industriais que não resistiram bem." 

Nalu de Medeiros, da supervisão de acervos da cidade, diz que o restauro vai permitir que os painéis não sofram mais danos a cada montagem - eles foram pintados sobre módulos soltos, como um grande quebra-cabeça. 

"Toda vez que eles são montados, acabam precisando de reparos", diz Medeiros. "É um problema estrutural." 

Depois do restauro, que a prefeitura tentará concluir até o final do ano, todos os painéis serão exibidos na Oca junto da obra recém-descoberta, reunindo esse conjunto pela primeira vez desde 1954. A ideia, aliás, é inaugurar a mostra no Ibirapuera no próximo 25 de janeiro, aniversário de São Paulo. 

"Esses painéis são históricos", diz Luz. "Vamos poder ver como o modernismo se reconfigurou com o muralismo dessa época, com obras que contavam a história do país."

Silas Martí na Ilustrada da Folha de S.Paulo.

 

As imagens, adquiridas diretamente do autor pelo Instituto Moreira Salles, registram uma fase de transição da cidade, na qual ainda era possível ver animais em meio a automóveis e bondes, mas também novos edifícios, como o Martinelli, sendo construídos em meio a roupas penduradas nos varais.

Considerado um dos grandes intelectuais do século XX, Lévi-Strauss chegou ao Brasil em 1935, aos 27 anos, integrando a segunda leva de professores estrangeiros convidados a dar aulas na USP.

Aqui: http://goo.gl/HgK5v5

Fonte: Instituto Moreira Salles.



“Alôca!?”

Assim atendeu ao telefone o promoter Nenê Krawitz, numa tarde qualquer do ano de 1995. O local: um imóvel na Rua Frei Caneca, em São Paulo. A casa estava sendo reformada para abrigar um clube noturno que estrearia em breve, ainda sem título. O fone fixo tocou, Nenê atendeu e disparou de improviso o trocadilho. Pronto. Nascia o nome da boate.

Nem é preciso dizer que a “frase” pegou e virou gíria, que permanece em alta até hoje. Sim, quando alguém diz algo como “Vou sair na rua pelada, a louca!”, na verdade está alimentando a expressão que nasceu com o nome do clube que seria a cara do underground de São Paulo nos anos 90 e 2000.

Em julho de 1995, estreava A Lôca, no mesmo espaço onde havia funcionado brevemente outro clube, o Samantha Santa – também criado por Nenê, que por sua vez vinha do sucesso do Sra. Krawitz, casa que marcou a cultura clubber da cidade no início dos anos 90. O Samantha e, depois, A Lôca, foram a continuidade do trabalho de Nenê no universo da noite alternativa paulistana.

O promoter criou o conceito da Lôca, convocando para decorar o espaço Sílvio Galvão, que havia criado o visual e os cenários da série de TV Castelo Rá-Tim-Bum. Assim surgiu a estética cavernosa e meio fetichista que se mantém até hoje no local.

Mas o início da casa não foi tão glorioso. O proprietário, o argentino Aníbal Aguirre, relembra que os primeiros tempos foram difíceis, pois o clube ainda procurava sua identidade em plena metade da década de 90. “A Lôca surgiu numa época em que a cena GLS era dividida entre os Jardins e o centrão, e ficava bem no meio, numa área degradada, que era a Frei Caneca / Baixo Augusta. Éramos o patinho feio do circuito gay”, recorda André Pomba, DJ que em 1998 criaria a principal atração da casa.

Um dos acertos era a aposta na noite eletrônica, que então começava a explodir, com os primeiros chill-outs e after-hours. A Lôca foi pioneira em afters, e chegou a ser o único clube que investia no gênero, por volta de 1997, quando o pioneiríssimo Hell’s Club havia fechado temporariamente.

Mas faltava o salto definitivo, que colocaria de vez a casa no olimpo das mais importantes da noite. A transição veio em maio de 1998, quando nasceu a festa Grind – Rock Project for Mix People. Criada pelo DJ André Pomba, tinha como objetivo principal tocar rock para o público gay (GLS na época, hoje LGBT).

Pode parecer surreal dizer isso hoje, mas simplesmente não havia nada parecido no Brasil da época. Até aquele momento, gays só iam em boates de drag music, e lésbicas apenas em barzinhos de voz e violão MPB. Se um gay ou uma lésbica quisesse dançar rock num clube, teria de ir em clubes héteros – e, claro, não poderia se manifestar livremente, beijar, paquerar, etc., sob pena de provocar um tumulto ou ser rechaçado. O Grind foi o primeiro lugar onde gays podiam ouvir rock enquanto beijavam seus pares (com exceção do Madame Satã na fase da década de 80).

O Grind continua até hoje, 17 anos depois, sempre aos domingos – começou como uma simples matinê das 19h às 23h, e hoje se estende até as seis da manhã de segunda-feira. A festa deu origem a projetos “irmãos”, como a Locuras, às quintas-feiras, também capitaneada por Pomba, e alavancou A Lôca – o clube é o único da cidade com programação fixa de terça a domingo, sem pausas.

O sucesso atraiu os famosos da mídia, que passaram a despencar por lá no auge da fase pop da Lôca, entre 2001 e 2006. Nomes como Ana Paula Arósio, Luciana Gimenez, Otávio Mesquita, Marina Lima, entre outros, viraram figurinhas carimbadas, e até a veterana Tônia Carrerobaixou por lá uma vez, além da lendária Maria Alice Vergueiro – cujo hit no YouTube, Tapa na Pantera, batizou a noite de terça do clube, criada por Nenê e que segue até hoje. Mais recentemente, outros famosos foram conferir a casa – entre eles, James Franco.

Gays, lésbicas, mauricinhos, travestis, celebridades, políticos, modelos, clubbers, roqueiros, enfim, todos queriam estar lá. Mas talvez nada supere a aparição de Marta Suplicy e Eduardo Suplicy (então casados) em setembro de 2000, quando ela fazia campanha para a prefeitura de São Paulo – que venceu. Marta fez discurso no palco da Lôca, para espanto do público. Quem viu, viu. Essas e outras peripécias estão documentadas no livro Tragam os Cavalos Dançantes (de Lufe Steffen, este que vos fala), publicado em 2008, quando a festa Grind celebrou 10 anos de vida. O livro trazia depoimentos de frequentadores, staff, DJs, jornalistas, e pode ser encontrado em sebos e através do site Estante Virtual.

A Lôca também foi cenário de filmes (como o curta Os Clubbers Também Comem, de 1999), foi registrada em documentários (Grind – E o Rock Saiu do Armário, 2000; A Volta da Pauliceia Desvairada, 2012), foi tema de músicas (Vestidinho Vermelho, 2006, de Marina Lima: “Eu estava lá na Lôca, é, naquele inferninho…”), abrigou shows da banda Cansei de Ser Sexy, foi o primeiro lar para as boemias de Thiago Pethit…

Enfim, são muitas histórias em 20 anos de vida. “Ninguém esperava isso, pois nos anos 90 estávamos acostumados às casas efêmeras, que duravam pouco mais de um ano”, comenta Pomba.

“A casa continua sua trajetória”, diz Aníbal Aguirre. “Sabemos que esses 20 anos são um marco na noite paulistana e tanto o público quanto o staff esperam festejar muitos e muitos aniversários sempre de portas abertas a todos que querem se divertir e soltar suas loucuras na pista de dança”.

Veja a galeria de fotos: http://goo.gl/sbYd9D

Por Lufe Steffen no Portal Vírgula.

 

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