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Profissionais que colaboram indiretamente com o turismo da cidade, seja prestando informações, dando orientações ou até oferecendo dicas de passeios para pessoas que visitam São Paulo, contam a partir da última segunda-feira (9) com entrada gratuita em 25 atrações, entre museus e locais históricos da capital paulista. A medida, que faz parte da segunda etapa do projeto “Pode entrar que a casa é sua”, apresentada em evento no Museu de Arte Moderna (MAM), beneficiará cerca de 330 mil trabalhadores de 14 categorias.

Entre elas estão policiais militares e civis, guardas civis metropolitanos, taxistas, agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET), do Metrô e da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM), além de frentistas, funcionários da limpeza pública, motoristas e cobradores de ônibus.O objetivo do projeto, além de incentivar a inclusão sociocultural e a valorização das categorias, é fazer com que esses profissionais, com o acesso às atrações, se transformem em agentes de promoção e transmissão de informações sobre a cidade, levando mais pessoas a visitarem esses espaços. Entre os locais em que eles  terão gratuidade estão os museus da Imagem e do Som (MIS), Afro Brasil, do Futebol, da Língua Portuguesa, de Arte Sacra, de Arte Moderna (MAM), da Imigração e o Instituto Butantan. A lista completa dos espaços culturais está disponível na página do “Pode entrar que a casa é sua”.

Cada trabalhador terá sua entrada gratuita e poderá levar até quatro acompanhantes, que também ingressarão de graça nos locais. Para ter o acesso aos espaços, os profissionais devem apresentar na bilheteria um comprovante de trabalho, como crachá ou holerite, acompanhado de documento com foto ou a carteira de trabalho.“Quem nunca pediu informações sobre um local para um agente de limpeza, um policial ou cobrador de ônibus? Queremos valorizar esses profissionais, incentivando-os para que conheçam os atrativos da cidade onde moram e tenham momentos de lazer com a família. Assim eles poderão ser multiplicadores de conhecimento e disseminadores de opinião sobre os atrativos”, afirmou o secretário municipal para Assuntos de Turismo, Salvador Zimbaldi.

A ação, que é uma parceria entre a Secretaria Municipal para Assuntos de Turismo, a São Paulo Turismo (SPTuris) e as secretarias de Cultura do município e do Estado, beneficiou 6.000 pessoas de sete categorias em sua primeira etapa, entre 2012 e 2013. A expectativa é que a segunda fase se estenda até dezembro de 2016. “O nosso objetivo é fazer com que, por exemplo, um frentista do posto de gasolina, que é uma das categorias atendidas, possa nos finais de semana ter uma atividade com a sua família, ou mesmo durante a semana, enquanto os museus da cidade estão abertos. Queremos que ele visite aquele museu, que conheça aquilo que ele está informando e também, é claro, possa levar os seus filhos”, disse Zimbaldi.

As categorias beneficiadas podem ser consultadas aqui: “Pode entrar que a casa é sua.”

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Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação.

 


Desde 29 de junho do ano passado, os habitantes da cidade holandesa de Eindhoven podem desfrutar de um passeio de bicicleta sem interrupção ou risco, graças à construção do 'Hovenring', um cruzamento "suspenso" em forma de carrossel, criado especialmente para ciclistas.
 
A infra-estrutura, de uso gratuito, permite que os ciclistas de quatro rotas diferentes entrem no cruzamento e saiam dele através de rampas, sem ter contato, em momento algum, com os carros da auto-estrada A2, que passa por baixo dele.
 
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O cruzamento 'Hovenring' visto à distância.
 
De longe, o cruzamento na estrada parece ser suspenso com sua estrutura circular de 72 metros de diâmetro, sustentada por 24 cabos, que por sua vez, convergem para um mastro central de 70 metros de altura .
 
Sua construção seu deu porque circulam pela auto-estrada A2, cerca de 25.000 veículos por dia, o que fazia o lugar perigoso para os ciclistas, especialmente para as crianças, que usam a via para frequentar a região dotada de escolas. De acordo com site de BicycleDutch, o cruzamento teve um custo total de 20 milhões de euros.
 

Imagem aérea antes da construção do “Hovenring”.
 
Se antes do 'Hovenring' havia rotas separadas no acostamento da rodovia além de semáforos, era suficiente que um motorista ou ciclista não respeitasse o sinal vermelho para que um acidente acontecesse. Na imagem acima, ainda se identificam as ciclovias, anteriores, de cor marrom.
 
Como a cidade de Eindhoven é sede de várias empresas globais de tecnologia e iluminação, se entendeu como necessária a construção do cruzamento livre - a auto-estrada A2 é a principal entrada para a cidade de Veldhoven e rota para o subúrbio Meerhoven - e infra-estrutura que demonstrasse parte da sua identidade, caracterizada pela inovação tecnológica, além de incentivar a utilização da bicicleta como meio de transporte.
 

Imagem durante a construção do “Hovenring”.
 
Durante a sua construção no início de 2012, o forte vento da região fez com que os fios vibrassem mais do que o esperado e então, decidiu-se trocar todos os cabos por outros, mais resistentes.
 
Em 29 de junho do ano passado, dia da inauguração, o cruzamento foi palco de um festival, com a participação dos habitantes e políticos de Eindhoven e Veldhoven. Além disso, em uma loja de carros localizado junto à auto-estrada, foram instaladas pequenas rampas onde as crianças puderam brincar com suas bicicletas.

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Constanza Martínez Gaete no Plataforma Urbana.

*Tradução São Paulo São.




Em março deste ano o Instituto de Arquitetos do Brasil, Departamento São Paulo foi procurado pela Fundação Calder para tratar de uma grande exposição que ocorreria em novembro de 2015, na Tate Modern de Londres. O edifício-sede da instituição está em obras há um bom tempo e particularmente o andar onde fica o móbile de Alexander Calder estava sendo recuperado – piso, caixilho e instalações. Assim, foi feito um acordo viabilizando a presença da obra de arte na mostra.

Estando o prédio em reforma, buscamos contrapartidas para o empréstimo de obra tão importante, patrimônio valioso do IAB-SP. Ainda no começo deste ano, o Itaú Cultural atendeu a nossa proposta para patrocinar ações da entidade. O Calder ficaria na sede deste instituto na Avenida Paulista durante 4 meses. A sinalização da Tate, de acordo com a Fundação Calder foi a de oferecer para o IAB-SP o restauro completo da peça em Nova York antes de sua ida a Londres. Considerando a importância mundial da Tate, bem como a publicização da obra no mundo – fomos alertados de que para o curriculum vitae da obra seria muito importante –, concordamos em emprestar a escultura.

O restauro seria feito em Nova York, preorçado em US$ 80.000 (oitenta mil dólares), pagos pela Tate. Toda a intervenção do processo de restauro foi comunicada ao IAB/SP, com registro fotográfico do processo. Para a ida a Nova York, um courier do instituto foi no mesmo avião, acompanhando todo o transporte “prego a prego”, como se diz no meio. O seguro exigido e todas as despesas de transporte foram assumidos pela Tate, além de todas as outras condições do IAB/SP terem sido aceitas: para o translado, foi confeccionada uma caixa segundo orientação de especialistas para acondicionar a escultura; para contratação do seguro (feira junto a uma companhia de propriedade do Governo do Reino Unido) se realizou anteriormente uma cotação junto a companhia Sothebys. Toda a documentação está arquivada no IAB-SP.

A exposição será finalmente aberta nesta segunda feira, às 19 horas. O trabalho de curadoria é primoroso, Archim Borchardt-Hume e Rachel Barker fizeram um trabalho que merece todos os elogios. Para o preparo do espaço da exposição, o grupo da Tate Modern contou com uma consultoria do escritório Herzog & De Meroun, responsável pelo restauro do edifício-sede e pelo projeto do anexo, em construção.

O título da exposição é autoexplicativo: Performing Sculptures, “escultura performáticas”. Uma exposição emocionante sobre o pensamento dos artistas do início do século 20, suas inquietações e visões, onde arte e arquitetura estavam próximas em diversos sentidos. A música, o circo, a arquitetura, a cultura de uma forma geral, estão presentes nesta exposição, nos fomentando inevitáveis reflexões sobre o que é feito hoje.

Além da escultura do IAB-SP, que foi instalada em uma sala própria e está no final do trajeto da exposição, merecem destaque duas seções: a de “desenhos no espaço”, com arames, melhor do que muita holografia atual; e a da orquestra formada por objetos diversos, que geram som a partir do toque de um móbile, estudado para isso. A reconstrução da escultura, o posicionamento dos objetos e a montagem da escultura seguiu rigorosamente o concebido por Alexander Carder quando criou a instalação. De fato, a Viúva Negra, nome da escultura do IAB-SP, não poderia faltar neste show.

A exposição acaba em 30 de abril de 2016, quando a obra volta para o IAB-SP cumprindo todas as condições acordadas. Até lá a reforma do prédio já estará mais adiantada e o espaço pronto para receber tão importante patrimônio do Brasil e, particularmente, do Instituto de Arquitetos do Brasil – Departamento de São Paulo, que a conserva por décadas e por outras tantas a manterá.

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José Armenio de Brito Cruz no site do IAB-SP.
 


O gRUPO êBA! contadores de histórias que estuda a cultura popular da infância e a cultura surda - lançará, com apoio do Programa VAI – Valorização de Iniciativas Culturais, da Secretaria Municipal de Cultura de São Paulo, o seu primeiro livro e DVD nas Escolas Municipais de Educação Bilíngue para Surdos - Emebs da cidade. Que contam e em imagens e Libras- Língua Brasileira de Sinais, a história ‘Pé de Sonho’, de autoria das próprias integrantes do grupo.

O grupo realizará apresentações em todas as Emebs durante os meses de novembro e dezembro. A proposta é levar arte e cultura a estas escolas e suas crianças, que muitas vezes ficam à margem da agenda cultural, sem acesso a qualquer tipo de manifestação artística.

 


Junto às apresentações, também serão doadas cópias do ‘livro-DVD’ às bibliotecas dessas escolas e a cada aluno. A iniciativa também visa estimular novas produções literárias nacionais em formato bilíngue, promovendo materiais que possam ser utilizados por profissionais e instituições escolares de educação infantil que trabalhem com o ensino de Libras e em outras de ensino dessa língua para ouvintes.

As apresentações exclusivas para alunos serão realizadas nas seguintes Emebs: Lucie Bray -Jaçanã; Neusa Basseto- Penha; Vera Lúcia Ribeiro-Pirituba; Mário Pereira Bicudo- Brasilândia; Anne Sullivan- Chácara Santo Antônio e Hellen Keller- Ipiranga.

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Fonte: Mundo da Inclusão


A urbanização na América Latina e China é um processo que tem se desenvolvido de forma muito similar, em decorrência do êxodo rural, mas que apresenta uma radical diferença: a velocidade.

Este fator se reflete, por exemplo, no fato de que nos últimos 35 anos, as cidades chinesas receberam mais de 560 milhões de habitantes provenientes das áreas rurais, quantidade equivalente a população total da América Latina, segundo o informativo “Urbanización Rápida y Desarrollo: Cumbre de América Latina y China”, elaborado pelo Banco Interamericano de Desenvolvimento (BID).

Utilizando os dados deste documento como referência, a arquiteta Nora Libertun - PhD em Desenvolvimento Urbano no MIT e mestre em urbanismo na Universidade de Harvard - acaba de elaborar cinco princípios para que a urbanização e os desafios colocados por ela possam ser abordados através de um enfoque sustentável, evitando, assim, a exagerada expansão urbana e o desequilíbrio do meio ambiente.

Veja, a seguir, os cinco princípios colocados por Nora Libertun:

1. Entender os serviços urbanos como partes de um circuito integrado.

Os serviços urbanos, como a água potável, luz elétrica e transporte público, entre outros, devem ser concebidos como um circuito único e não como a soma das suas partes através da infraestrutura de cada um.

Desta forma, a arquiteta Libertun considera que o circuito composto pelos serviços urbanos que deve ser otimizado na sua totalidade. Também apresenta um exemplo a respeito do zoneamento urbano quando se amplia a rede de transporte, entendendo que "uma melhor comunicação aumenta a demanda de espaço comercial e residencial".

2. Alinhar os incentivos econômicos com os benefícios ambientais 

Nas cidades, é bastante comum encontrar locais urbanizados, mas em desuso. Por este motivo, a arquiteta considera que se são desenhados projetos que tornam possível reutilizar estes espaços, esta prática deve ser recompensada e não proibida. 

Para isso, propõe que os incentivos possam ser documentados em políticas que promovam a ocupação em áreas urbanas, o que evitaria a construção de novos lugares nos subúrbios. 

3. Compreender que a sustentabilidade é inclusiva 

A chegada de novos habitantes nas cidades traz consigo uma maior demanda de serviços urbanos. Contudo, se os governos não os proporcionam, abrem-se caminhos para a criação de serviços que abastecem os bairros informais, que na América Latina acolhem um terço da sua população urbana, ou seja, 160 milhões de pessoas segundo o informativo do BID. Na China, a porcentagem é a mesma, representando 234 milhões de habitantes.

Diante disso, Libertun apresenta a ideia que é necessário ampliar a cobertura dos serviços urbanos, considerando o fato de que a sustentabilidade não pode ser alcançada se parte da população continua excluída destes serviços.

4. Incluir a sociedade civil na proteção do meio ambiente

Casos como a recuperação e conservação do rio Erren (Taiwan) por parte dos seus habitantes e a revitalização de um espaço subutilizado na área de jogos sustentável para as crianças de Uraycamuy (Bolívia), são alguns dos exemplos do que pode acontecer quando diversas organizações trabalham junto com os habitantes, fazendo com eles valorizem e reconheçam seu entorno.

Por este motivo, a arquiteta acredita que é importante favorecer a participação das comunidades, já que é assim que "os residentes valorizam seu entorno, utilizando e cuidando".

5. Fomentar o intercambio de conhecimento entre as cidades

A medida em que as cidades se desenvolvem, surgem novos desafios que podem ser ambientais, culturais, de desenho, gestão, etc. Por este motivo, Nora Libertun vê como uma oportunidade que as cidades compartilhem suas experiências e aprendizagens, para superar os desafios que podem ter pontos em comum.

Neste sentido, há alguns meses, Santiago integra uma rede que procura cumprir com o intercambio de conhecimento, focada em desenvolver estratégias para que as cidadessaibam como se recuperar de uma crise que pode ser econômica, física e social.

Trata-se da organização 100 Cidades Resilentes, dependente da Fundação Rockefeller, que em 2014 avaliou as propostas das cidades interessadas em fazer parte desta rede e que finalmente lhe permitiu eleger 35 cidades, sendo uma delas Santiago, que foi representada pela proposta da Organização Resiliência Sul.

Se quiser saber mais dados sobre a urbanização na China e na América Latina, é possível fazer o download do informativo “Urbanización Rápida y Desarrollo: Cumbre de América Latina y China”, feito pelo BID, aqui.

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Fonte: Plataforma Urbana.


Uma pista de triciclos e bicicletas – com direito a pequenos guardas para controlar o trânsito – circunda uma grande horta. De um lado, um gramado com árvores e brinquedos. Do outro, pista de carrinhos e parquinho sonoro. Ao fundo, uma quadra de futebol, com assentos feitos de tocos de árvores para que torcedores acompanhem as partidas completa a área de lazer.

Parece um parque, mas não é. É neste ambiente em que os 234 alunos da Escola Municipal de Educação Infantil Dona Leopoldina, na Zona Oeste de São Paulo, brincam, aprendem e se desenvolvem. Tudo feito com a colaboração direta dos alunos de 4 e 5 anos. 
 
Em 2012, com a troca de direção, a escola passou a ouvir as crianças ao tomar decisões relevantes para a instituição. “A escola é feita para a criança, então nada mais justo que a criança ajude a pensar essa escola que é feita para ela”, afirma a coordenadora pedagógica, Iveline Zacharias. A forma encontrada para isso foi criar o Conselho de Criança, que se reúne quinzenalmente para discutir pendências e investigar reivindicações dos estudantes.
 
Mensalmente, todos os alunos se reúnem em uma assembleia no refeitório da escola para tomar conhecimento dos temas que mais preocupam a escola na ocasião. “A gente só puxa o assunto para que eles comecem a pensar”, afirma a diretora Márcia Harmbach. Mesmo dividindo os alunos em dois grandes grupos é impossível ouvir a todos. Por isso, eles ficam com tarefas para desenvolver com sua turma, onde todos podem se manifestar, e registram de alguma forma o que discutiram.
 
Após duas semanas de trabalhos em sala de aula, munidos de desenhos, músicas ou outros registros, dois representantes de cada sala – sempre um menino e uma menina – participam de uma reunião com a direção em que todas as ideias são apresentadas e novas reivindicações podem ser feitas. Durante a reunião, todos os representantes têm oportunidade de falar e as ideias podem se tornar realidade. “As crianças vão percebendo que podem recorrer a alguém. Esperamos que eles se sintam autores do processo e que sintam que podem falar, buscar alternativas e cobrar soluções quando é necessário uma intervenção maior”, disse a diretora.
 
Conquistas do Conselho de Criança (Foto: Infográfico: Giovana Tarakdjian)Conquistas do Conselho de Criança (Foto: Infográfico: Giovana Tarakdjian)
 
 
Formando cidadãos

A experiência vai além de deixar a escola com cara de criança. A intenção é formar cidadãos melhor preparados para viver dentro de uma sociedade democrática. “Como se forma um cidadão que só estuda a cidadania no livro? Dentro de uma experiência que vai na contramão disso,  em que não há canal de participação, baseada em relações autoritárias, que é o que predomina na imensa maioria das nossas escolas?”, questiona a psicóloga e mestre em Psicologia Escolar pela USP Beatriz de Paula Souza. Segundo a especialista, a democratização do ensino tem se popularizado, mas exige que a consulta aos alunos não seja somente demagógica, mas busque transformações.


Na Emei Dona Leopoldina, o protagonismo dos alunos não é vista somente no Conselho de Criança. Na hora do lanche da tarde, as crianças podem comer quando quiserem, as salas de fantasias e ateliê de artes – com muito material reciclado, canetinhas e lápis, tintas e colas – ficam destrancadas, mas não há bagunça. As crianças passaram a considerar o ambiente também como sendo de responsabilidade delas. “A gente subestima muito a capacidade das crianças. Elas sabem o que querem, o que fazer, aonde querem ir”, afirma a coordenadora pedagógica.

O aprendizado não é apenas dos estudantes, mas também dos pais. Uma das primeiras decisões do conselho foi pelo fim da soneca. Com ensino em período integral, os alunos argumentaram que não queriam ser obrigados a dormir após o almoço, como acontecia. Após a discussão, mesmo com pé atrás de pais e professores, a soneca foi abolida.

"Quando os pais sabem o que acontece na escola, eles amam o projeto. Mesmo que por vezes fiquem desesperados com as decisões, como quando decidimos que as crianças poderiam subir em árvores ou quando acabamos com a soneca . Por isso, nós levamos as discussões do Conselho de Criança para o Conselho de Pais. E depois volta para as crianças. E eles se aprendem a respeitar”, afirma a diretora da escola.

O resultado é claro. Os pais passam a dizer que as crianças são mais reivindicadoras, dialogam mais e argumentam melhor. “As crianças se apropriam da oralidade e aprendem que através do dialogo conseguem se comunicar e mostrar seus desejos”, disse a assistente de coordenação, Simone Cavalcante.

Um desses desejos é, inclusive, continuar a fazer diferença nas escolas por onde passam. Márcia lembra com carinho de um ex-aluno que veio pedir que ela conversasse com a diretora da nova escola, já que a diretora “não conseguia resolver os problemas da escola”. “É muito gratificante, mas ao mesmo tempo ficamos até um pouco tristes, porque gostaríamos que todas as escolas tivessem o mesmo trabalho com as crianças”, afirma.
 
Marina Ribeiro na Revista Época.
 
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