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Apesar de nunca ter usado placa oficial, o prefeito Fernando Haddad decidiu ampliar a prática para toda a administração municipal. Haddad assinou nesta quarta-feira (30) um decreto para abolir o uso de placas autolacradas (as chamadas placas pretas, identificadas com nomes de órgãos públicos e um número) em automóveis oficiais da Prefeitura de São Paulo.

O texto altera um dos artigos do Decreto nº 29.431, de dezembro de 1990, que regulamenta a gestão de veículos do serviço público municipal. A partir da próxima segunda-feira (05/10), quando entrará em vigor, fica proibida a utilização de placas autolacradas em automóveis oficiais da Administração Direta e Indireta do município.

O decreto de 1990 permitia a utilização dessas placas nos carros destinados ao prefeito e aos secretários.

Desde o início de seu mandato, no entanto, o prefeito Fernando Haddad já dispensou o uso das placas oficiais em seus deslocamentos e só utiliza veículos com chapa comum.

O objetivo da medida é colocar fim à distinção entre veículos oficiais e comuns e reforçar mensagem de que todos os carros são iguais e devem cumprir as leis de trânsito.
 
Fonte: Secretaria Executiva de Comunicação
 
 

 
No Rio de Janeiro onde participou do Fórum Internacional de Arquitetura e Urbanismo 2015, ex-skatista alemão que estuda “montanhas russas” acredita que a beleza do jeito brasileiro está no pensamento menos tecnológico e mais humano.

“Estudei arquitetura na Alemanha e, em 2006, tornei-me mestre pelo Instituto Federal de Tecnologia de Zurique (ETH). Já trabalhei com o Rem Koolhaas, um dos principais pensadores de arquitetura vivos, e, agora, em meu estúdio, realizo experimentos para repensar a mobilidade urbana” 
 
Conte algo que não sei. 
Atualmente, tem-se a ideia de que as cidades são os locais mais importantes do planeta, por sua concentração populacional. Mas o que a maior parte dos designers urbanísticos faz hoje é tentar se certificar de que os carros possam percorrer esses espaços, e, os arquitetos, que os elevadores estejam “bem embrulhados”. Ou seja, construímos cidades para carros e elevadores. Precisamos repensar se esse é o modelo que mais desejamos. 
 
Como mudar isso? 
Primeiro, através de um reconhecimento dessa realidade por todos. Os carros estão isolando as pessoas umas das outras, e se tornando uma dor de cabeça brutal. Assim, espero que não seja só a arquitetura que traga as mudanças, mas que elas partam das próprias pessoas. 
 
Quão grande é o desafio da mobilidade nas cidades?
Definitivamente, é um dos principais, à medida que nossas vidas se tornam fisicamente mais ou menos móveis. Viemos para as cidades para encontrar com outras pessoas. Se eu não consigo ir do ponto A ao ponto B, o conceito de cidade fracassa. 
 
Qual é a solução, então? 
Acredito que as principais tecnologias que impulsionam a mudança não são aquelas ligadas à mobilidade em si, como carros, mas sim as móveis e digitais, como as que permitem compartilhar carros, por exemplo. Além disso, a macromobilidade está se tornando cada vez mais importante, com scooters e bicicletas elétricas. Temos um projeto baseado em um estudo com montanhas russas. A ideia é que se você tem um morro e o asfalto, pode ligá-los por meio de um sistema que passa por cima das favelas e, depois, por debaixo da terra.
 
O que despertou sua paixão por este viés da arquitetura?
Aos 14 anos aprendi a ler a cidade de uma forma completamente diferente andando de skate: para o skatista, os elementos considerados obstáculos à mobilidade se tornam oportunidades para fazer manobras. Esta leitura tridimensional do espaço me ensinou a vê-lo por meio do movimento. Essa é minha paixão por trás do urbanismo: o modo como nos movemos pela cidade informa e molda o design urbano.
 
O que chamou a sua atenção no Rio desde a sua última visita, há dez anos? Posso ser sincero?
As pessoas estão mais gordas. Não só no Rio, mas no Brasil como um todo. Não sei o que acontece. Por isso devemos colocar as pessoas em foco, e não os carros e elevadores.
 
Qual imagem passou a ter de nós após namorar uma brasileira por quatro anos?
O que aprendi a partir da convivência com ela e os seus amigos, uma geração jovem de fotógrafos, arquitetos e artistas, foi uma grande ambição em trazer uma escala humana ao seu trabalho. Essa para mim é a beleza do jeito brasileiro de pensar: vocês tem um ponto de vista menos tecnológico, e mais humano.
 
Qual é a sua cidade favorita? 
Barcelona. Por causa da sua mobilidade, mas também por reunir de forma harmoniosa um certo hedonismo, uma escala humana, uma identidade cultural e uma beleza, mesmo com a presença de um poder econômico por trás disso.
 
Thiago Jansen em O Globo.
 


Investigar o futuro é o trabalho do designer Guto Requena ao longo dos últimos 15 anos. Dentro desta abrangente pesquisa, a faceta que mais tem chamado sua atenção recentemente é o urbanismo. “Estamos em um momento de reocupação da rua, do espaço público”, diz. É neste cenário vibrante que se passa a sua série de vídeos Design Hoje!, patrocinada pela Gafisa e lançada no Design Weekend, em cartaz nos cinemas de São Paulo e Rio de Janeiro até o fim do ano e disponível no canal de Guto no You Tube.

São cinco episódios, com diferentes temas e entrevistados. O novo design brasileiro, com Adélia Borges, colunista da Bamboo, fala das caraterísticas do design contemporâneo brasileiro e do design na dimensão urbana. Design e mobilidade apresenta as reflexões de André Moral sobre a importância das ciclovias e a pesquisa sobre o futuro da mobilidade urbana do alemão Max Schwitalla. Design pela natureza mostra Marko Brajovic discorrendo sobre o design inspirado pela natureza, as tecnologias digitais e a evolução nas relações entre pessoas e design. A casa do futuro traz o Nomads, Núcleo de Estudos de Habitares Interativos da Universidade de São Paulo, que estuda o morar perante novas estruturas familiares e a fabricação digital.
 

Por fim, Cidade, arte e tecnologia, mostra o bate-papo entre Guto e Giselle Beilgueman, ambos especialistas na intersecção entre os temas. “Vejo um futuro em que os edifícios não são mais envelopes, mas sim em que a arquitetura é interativa. Luzes e computadores são tão importantes quando tijolos”, diz o arquiteto. Seu próximo projeto, uma fachada digital para o prédio do SESI-SP, que será inaugurada no fim de outubro, é mais um exemplo de arte digital na cidade. 

Temas tão profundos são abordados na série com leveza, em pílulas de três minutos. “Não é feito apenas para especialistas, é acessível a qualquer pessoa. Afinal, o futuro das cidades é uma preocupação de todos”, explica. Num formato em que o áudio é fator principal, podem ser assistidos por quem está de pé, andando, no taxi – em fim, são pensados para a vida urbana contemporânea. “Considero a cidade como o principal personagem da série”, resume Guto.

Maria Silvia Ferraz / Bamboo.


Em matéria desta quarta-feira do jornal americano Wall Street Journal, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, foi classificado como "visionário", por suas políticas sociais e reformas do sistema de mobilidade.


"Se o impopular prefeito de São Paulo fosse o chefe de São Francisco, Berlim ou alguma outra metrópole de característica inovadora, ele seria reconhecido como umvisionário em políticas urbanas", diz o jornal.

O texto ressalta a importância do projeto social Braços Abertos, que dá apoio a usuários de crack a se livrar da dependência química, e reconhece o esforço do prefeito em criar soluções de mobilidade para uma cidade superlotada, representadas pela implementação das ciclovias e corredores de ônibus.

Outro fator ressaltado pelo jornal é o fechamento de vias como a Avenida Paulista e o Minhocão para lazer dos paulistanos. "Em uma cidade tão carente de áreas verdes, a medida proporcionou o deleite de pedestres, ciclistas e skatistas, mas desagradou comerciantes e moradores do local."

Pelo fato de essas políticas desagradarem parcelas mais conservadoras da população, o jornal aposta que a oposição usará essas cartas para tentar impedir sua reeleição.

"Essas iniciativas lideram as críticas a sua administração, caracterizada como 'demagógica' e 'imprudente', como definiu o editorial do jornal O Estado de S. Paulo", diz o texto. "Outros críticos classificam as ciclovias como um luxo em uma cidade com índices crescentes de criminalidade, escolas desmoronando e hospitais falidos."

O jornal ressalta, no entanto, que as iniciativas vêm sendo bem aceitas por especialistas em transporte e pela população. O jornal cita a aprovação de 80% das ciclovias e de 91% das faixas de ônibus para justificar que Haddad aproveitou seu mandato para mudar o conceito centrado no automóvel que a cidade sempre teve.

De Raphael Martins / EXAME.com    

 


A 9ª Pesquisa sobre Mobilidade Urbana feita pelo Ibope para o Dia Mundial Sem Carro, nesta terça-feira, 22, indica que caiu 11 pontos porcentuais o número de motoristas que usam o automóvel todos os dias ou quase todos os dias na capital paulista. Em 2014, 56% dos paulistanos diziam usar o carrodiariamente, ante 45% neste ano.
 
A pesquisa foi encomendada pela Rede Nossa São Paulo em parceria com a Federação do Comércio de Bens, Serviços e Turismo do Estado de São Paulo (Fecomercio-SP). Foram entrevistados 700 moradores da capital, acima de 16 anos, entre os dias 28 de agosto e 5 de setembro. Os números foram apresentados na manhã desta terça-feira, 22, no Sesc Consolação.
 
Os moradores de São Paulo gastam, em média, oito minutos a menos nos deslocamentos em comparação com o ano anterior, indicou o estudo. Somente entre os que usam o carro todos os dias, o tempo médio de locomoção diária é de 2h48 - uma queda de cinco minutos em relação aos números de 2014. Por outro lado, os usuários do transporte público passaram a gastar dez minutos a mais nos deslocamentos. Quase a metade dos paulistanos (48%) gasta pelo menos duas horas por dia, considerando o total.
 
Segundo Maurício Broinizi, coordenador da Secretaria Executiva da Rede Nossa São Paulo, a tendência é de que mais paulistanos deixem o automóvel em casa porque o tempo de deslocamento entre quem se locomove de carro e de transporte público é quase igual. "O que está dando para perceber é que, talvez, o tempo de deslocamento dos ônibus tenha realmente melhorado em relação à locomoção de carro. O tempo que se gasta no trânsito está quase empatando."
 
Bicicleta
O levantamento apontou que, em 2007, 34% afirmavam que não usariam bicicleta na capital "de jeito nenhum". O número de pessoas que recusava a locomoção por bicicleta vem caindo ao longo dos anos: em 2014, eram 24% e, em 2015, 13%. Entre os que não usam bicicleta, 44% declararam que usariam caso houvesse mais segurança, outros 18% se tivesse mais sinalização nas ruas e 13%, mais ciclovias (em 2014, o número era 26%). Caso houvesse uma boa alternativa de transporte, 80% afirmaram que deixariam de usar o carro, contra 71% no ano passado.
 
Lotação
Em relação ao ano passado, cresceu a percepção de que a lotação é maior. A pesquisa mostrou que 59% disseram que a lotação aumentou no último ano, 30% afirmaram que está igual e 8% acreditam que diminuiu. Em 2014, 39% disseram que a lotação havia crescido, 54% declararam que estava igual e 7%, que reduziu.
 
Transporte público
A avaliação do transporte público é mais negativa entre os que declararam utilizar carro "todos os dias" ou "quase todos os dias" (4,1) em relação aos usuários do próprio serviço, que deram nota de 5,1. A diferença também é grande no item "tempo gasto para se deslocar": a nota média entre os que usam carro todos os dias ou quase é 3,3, e de 5,2 entre os que não usam.
 
Ônibus
As notas em relação ao serviço dos coletivos de São Paulo continuam abaixo da média (5,5). Mas, de acordo com a pesquisa, "houve significativa melhora" no porcentual de notas 9 e 10 nos itens como limpeza, conservação e manutenção dos terminais (passou de 5% para 13%), cordialidade e respeito por parte de motoristas e cobradores (de 5% para 10%), limpeza, conservação e manutenção dos ônibus (de 4% para 10%), tempo de duração da viagem (de 2% para 8%), entre outros. Entre os entrevistados, 90% são a favor da construção de faixas e corredores de ônibus. "É um dado significativo porque no começo teve muita reclamação e, agora, os usuários de carros estão respondendo favoravelmente", afirmou Broinizi.
 
Áreas problemáticas
As áreas mais citadas foram saúde (55%), segurança pública (37%), educação (33%), desemprego (33%), trânsito (29%), transporte coletivo (27%), abastecimento de água (21%) e poluição (17%). Os itens 'trânsito' e 'transporte público' vêm caindo ao longo dos anos. Hoje são, respectivamente, a 5ª e 6ª preocupações dos paulistanos. Em 2014, a preocupação do paulistano com desemprego era de 11%. Uma pergunta inédita na pesquisa apontou que 62% dos entrevistados - ou alguém que mora no mesmo domicílio - já tiveram problemas de saúde em função da poluição de São Paulo.

Confira o infográfico produzido pela Fecomércio:http://scup.it/a1sf
 
Juliana Diógenes / O Estado de S.Paulo.
 
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