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O governo de São Paulo lançou um chamamento público para estudos de concessão à iniciativa privada do Palacete Joaquim Franco de Mello, última construção ainda em pé da primeira fase residencial da Avenida Paulista, no centro da capital. O objetivo é restaurar o casarão para abrigar o Museu da Gastronomia do Estado de São Paulo. Objeto de litígio entre a família e o governo estadual, o imóvel sofreu processo de deterioração e atualmente está fechado.

O ato de chamamento, pelas secretarias estaduais de Cultura e Economia Criativa, e Projeto, Orçamento e Gestão, foi publicado no Diário Oficial do Estado de São Paulo na sexta-feira, 16. Os interessados podem se inscrever até o dia 2 de agosto e acessar os regulamentos nos sites das secretarias. A concessão será por 35 anos.

Além de restauro e conservação da residência, o estudo prevê a edificação de um anexo à construção atual, que ocupa terreno de 2 mil metros quadrados. O imóvel é tombado pelo Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo (Conpresp) e, também, pelo Conselho do Patrimônio Histórico, Artístico, Arqueológico e Turístico (Condephaat) do Estado desde 1992.

Detalhe da arquitetura do Palacete Joaquim Franco de Mello. Imagem: Wikimedia Commons.Detalhe da arquitetura do Palacete Joaquim Franco de Mello. Imagem: Wikimedia Commons.

De acordo com Frederico Mascarenhas, chefe de gabinete da Secretaria de Cultura, o plano é transformar o casarão e seu entorno em uma referência gastronômica. "A cidade de São Paulo é um polo gastronômico nacional e a gastronomia é um dos pilares da economia criativa. A ideia é atrair empreendedores interessados em recuperar e explorar esse espaço, que é um dos mais nobres da capital", disse.

A construção do anexo visa dar a estrutura necessária para a exploração do potencial econômico que deve surgir com a revitalização do palacete. "O terreno é amplo e dá para fazer o anexo preservando o visual do casarão e do entorno. Como são prédios tombados, nós fomos atrás do aval dos patrimônios históricos municipal e estadual", explicou.

Projeto desenvolvido pelo escritório DMDV arquitetos e premiado com o segundo lugar no concurso para o Museu da Diversidade Sexual no casarão da Avenida Paulista. Imagem: Divulgação.Projeto desenvolvido pelo escritório DMDV arquitetos e premiado com o segundo lugar no concurso para o Museu da Diversidade Sexual no casarão da Avenida Paulista. Imagem: Divulgação.

A nova tentativa de restaurar o palacete acontece após o fracasso de uma parceria entre o Estado e o Serviço Social da Indústria (Sesi) de instalar o Museu da Ciência no local. O acordo foi anunciado em novembro de 2019 pelo governo estadual, porém, segundo o chefe de gabinete, o advento da pandemia em 2020 levou o Sesi a desistir do projeto. Antes, havia sido proposta a instalação de um museu LGBT no local.

Mascarenhas lembra que os novos estudos indicaram a concessão como melhor forma de recuperar um patrimônio relevante da capital. O avanço do projeto depende do interesse dos futuros parceiros. "Temos várias experiências bem sucedidas, entre elas a concessão do Zoológico e Jardim Botânico, concluída em fevereiro deste ano."

O número 1919

Número do Palacete Joaquim Franco de Mello. Imagem: Wikimedia Commons Número do Palacete Joaquim Franco de Mello. Imagem: Wikimedia Commons

Localizado no número 1919 da Paulista, o palacete é o único imóvel remanescente da primeira fase residencial da avenida, entre os anos de 1891 e 1937 quando membros da alta sociedade paulistana, formada por fazendeiros do café, donos de indústrias e comerciantes abastados, ali ergueram suas elegantes residências.

O casarão foi construído em 1905, pelo construtor português Antônio Fernandes Pinto, em estilo eclético, com influências da arquitetura europeia. O imóvel de 600 m2 de área construída possui 35 cômodos internos e uma grande área verde, incluindo um jardim lateral, totalizando 4,7 mil m2.

O palacete é considerado de alto valor arquitetônico por reunir exemplos concretos das diferentes formas de construção da época. As torres são no estilo mourisco, os capitéis e frontões de influência provençal e o telhado com mansarda possui detalhes renascentistas. Na entrada, ficam a sala de visitas e o escritório, no centro a sala de jantar e os quartos e, nos fundos, cozinha, despensa e banheiros. Foi uma das primeiras casas paulistanas a ter banheiro com água encanada. O prédio tem ainda uma biblioteca no subsolo.

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Por José Maria Tomazela no Estadão.

Entre 1982 e 1987, a casa noturna Carbono 14 abrigou praticamente tudo que acontecia de novo e interessante em São Paulo. Juntou tribos diversas em clima familiar. Inspirou bandas, movimentos, parcerias. E ficou gravada a ferro na memória afetiva de uma geração. 

Os 'Carbonários' 

Nas matinês de heavy metal do Carbono 14, Castilhão deixava num canto da pista uma pilha de ripas de madeira. As ripas vinham da inacreditável marcenaria que o número 164 da rua 13 de Maio abrigava. Não, uma marcenaria em si não tem nada exatamente de inacreditável, mas é que o Carbono era, no início dos anos 80, o lugar mais moderno para dançar em São Paulo. E ver show. E assistir a vídeo. E ouvir ópera. E ver dança. E jogar fliperama. E conhecer gente.

A marcenaria, no segundo dos quatro andares do prédio na Bela Vista, ficava trancada de noite. Motivo mais do que suficiente para provocar todo tipo de especulação por parte dos frequentadores. O que de tão secreto poderia rolar ali naquela sala fechada? Porque, digamos, as cenas mais ou menos normais de sexo e drogas eram liberadas nas diversas salas e muitas escadas escuras do Carbono.

Talvez a marcenaria fosse simplesmente para aquilo mesmo, cortar as ripas de madeira que viravam guitarras imaginárias nas mãos de garotos de 12, 13 anos enquanto viam vídeos de bandas como Motorhead e Iron Maiden.

Supermercado de Cultura 

 "Muita gente teve sua primeira vez no Carbono 14, metaforicamente ou não." Foto: Marcelo Yellow. "Muita gente teve sua primeira vez no Carbono 14, metaforicamente ou não." Foto: Marcelo Yellow.

Como tudo na história do Carbono 14, as memórias vêm numa espécie de névoa, iluminada aqui e ali por algum tipo de revelação. No “supermercado de cultura” da família Castilho muita gente teve sua primeira vez. Metaforicamente falando ou não.

Nas salas de vídeo ou na de 16 mm, o então radialista e vocalista de uma banda chamada Verminose descobriu Sebastiane, a versão explicitamente gay da vida de São Sebastião feita pelo cineasta inglês Derek Jarman. (À frente de uma nova banda, o Magazine, esse mesmo radialista fincaria o primeiro p é paulistano na porta da new wave brasileira com o hit “Eu sou boy”). “O Castilhão e os filhos viajavam e traziam filmes desse lado mais maldito.”

Ali, no Carbono, um garoto de 14 anos assistiu a Urgh! A Musical War!, espécie de quem é quem do pós-punk inglês. (Depois, inventou um moicano daqueles sustentados por sabão e, como se dizia, à época, passou a “andar no visual” punk 24 horas por dia). “Eu assisti ao filme e pensei: ‘É isso que eu quero ser’.”

A Banda Voluntários de Pátria. Foto: Marcelo Yellow.A Banda Voluntários de Pátria. Foto: Marcelo Yellow.

Um outro punk, então quase um veterano ali por 1983, 1984 (vinha da pioneira Restos de Nada e já estava à frente de sua segunda banda, Inocentes; além disso, era autor de “Pânico em SP”, faixa essencial da coletânea Grito suburbano), passava reto pelas salas de “filme de arte alemão chato pacas” e subia para os shows. Como os dois do Agentss, banda de new wave séria e efêmera, que levava uma montanha de sintetizadores para o palco. Ou os da Gang 90 & Absurdettes, Júlio Barroso à frente e as lindas e moderníssimas Alice Pink Pank e Mae East de backing vocals.

Foi num show, o punk veterano não se lembra qual deles, que Marcelo Nova teve sua sobrevivência garantida por mais alguns anos: “Um daqueles punks treteiros pediu um gole de cerveja para a mulher do Marcelo. Ela deu, mas o punk não quis devolver o copo. O Marcelo resolveu engrossar; daí juntaram uns dez punks para bater nele. Sem pensar, eu disse que ele era meu amigo, mesmo sem nunca ter visto o cara antes. Os caras recuaram e a gente começou a trocar ideia”.

Apesar da atração estética pela transgressão e pelos lados mais escuros da existência, o Carbono era um lugar tranquilo. “Era o único lugar onde podia tudo, sem ninguém para perturbar. Não tinha um segurança e não me lembro de brigas ou encrencas”, lembra Miguel Barella, guitarrista do mesmo Agentss e, depois, dos Voluntários da Pátria (que também tocou lá). 

Medo do Novo

A banda Akira S e as Garotas que Erraram, com Alex Antunes (vocal) e Akira S (baixo). Foto: Marcelo Yellow.A banda Akira S e as Garotas que Erraram, com Alex Antunes (vocal) e Akira S (baixo). Foto: Marcelo Yellow.

Andrez Castilho, o Castilhão, não deixava a polícia entrar, quase como uma declaração de princípios de alguém que foi presidente do grêmio da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras da USP nos anos 50 e chegou a ajudar organizações clandestinas de esquerda no imediato pós-68. Eram tempos ainda de confronto, apesar da distensão iniciada pelo processo de abertura política do regime militar. Havia resquícios de censura (Je vous salue, Marie ainda teria sua exibição proibida em 1985, por exemplo) e os comportamentos mais transgressores, os cabelos mais curtos e espetados, as roupas escuras eram olhados com desconfiança.

Imagem: Marcelo Yellow / Acervo Pessoal.Imagem: Marcelo Yellow / Acervo Pessoal.

Mas ali, no Carbono, valia tudo, desde que fosse interessante e tivesse qualquer indício de conter informação nova. Era, na verdade, um empreendimento familiar. Foi concebido durante a temporada europeia da família – Andrez e Maria Helena Varoli, jornalista de moda, mudaram-se para a França em 1.976 com os filhos Andrez Filho, Renata e Theo. No fim dos anos 70, morando em Paris, desencantado com as possibilidades de transformação pela via política e convivendo com a intensidade e a diversidade da vida cultural na Europa, Andrez imagina fazer um centro cultural privado. No início, Rudá de Andrade, filho de Oswald de Andrade e Pagu, também participa das discussões. “Mas o Rudá queria fazer um outro MIS [Museu da Imagem e do Som] e meu pai tinha sacado que a história era fazer uma coisa mais jovem, mais pop”, lembra Andrez Filho.

(...) ali, no Carbono, valia tudo, desde que fosse interessante e tivesse qualquer indício de conter informação nova. Foto: Divulgação.(...) ali, no Carbono, valia tudo, desde que fosse interessante e tivesse qualquer indício de conter informação nova. Foto: Divulgação.Os filhos de Castilho, então com 20 e poucos anos (à época da inauguração, Andrezinho tinha 23, Renata, 22 e Theo, 20), depois de uma adolescência passada na Europa entre viagens meio aventureiras, cinematecas, museus e muita música pop, tinham acesso a essa informação nova e uma rede de amigos. Alguns também com passagens pela Europa, como os críticos Pepe Escobar e Fernando Naporano, que integravam a equipe renovada do caderno Ilustrada da Folha de S.Paulo e faziam barulho a cada evento do Carbono. Outros, ligados ao que estava acontecendo aqui no Brasil em todas as áreas da cultura, desde que contivessem algum tipo de reação ao clima dominante de hippismo tardio, nacionalismo populista de esquerda ou da lixaiada mais comercial.

“Eu cheguei ao Brasil com cabelo supercurto, roupas de brechó e vi aquele bando de bicho-grilo, com camisa xadrez e cabelo comprido. Foi um choque.” Renata, a filha do meio e única mulher, tinha vindo cuidar da programação visual dos folhetos, dos cartazes e da revista mensal que o Carbono editava. Por algum tempo, também cuidou de uma loja no térreo que vendia acessórios e onde as pessoas entravam para perguntar como fazer para, elas também, ficarem modernas. “As pessoas tinham um pouco de medo, mas muita curiosidade.”

As Mercenárias: a baixista Sandra Coutinho, a vocalista Rosália Munhoz e a guitarrista Ana Maria Machado.  Edgard Scandurra era o baterista. Foto: Divulgação.As Mercenárias: a baixista Sandra Coutinho, a vocalista Rosália Munhoz e a guitarrista Ana Maria Machado. Edgard Scandurra era o baterista. Foto: Divulgação.Para muita gente, a curiosidade vencia o medo e, nos cinco anos que durou, o Carbono acabou t ornando-se a força centrípeta para a qual convergiu quase tudo o que foi interessante e novo em São Paulo. Ou quase todos que, daquilo que viram e aprenderam por lá, sairiam fazendo coisas interessantes e novas nas décadas seguintes. O punkinho que andava no visual é Alex Atala. O radialista, Kid Vinil. O punk veterano, Clemente, dos Inocentes (a banda existe e continua tocando por aí). Grupos como Ira!, Mercenárias, Smack, Nau, Cabine C e Violeta de Outono passaram por lá. Alguns volta e meia se reúnem e são redescobertos todo dia pela molecada.

“Arte é datação, arte é datação.” Theo, o filho mais novo da família, insiste nessa ideia. Tem razão. Quase três décadas depois de sua inauguração, alguns anos após as mortes de Castilhão e Maria Helena, o Carbono 14 (nome do elemento químico cujo ritmo de dispersão serve para calcular a idade de qualquer material orgânico) ainda emana suas partículas no ambiente.

Ver música, aliás, era uma das coisas que mais se faziam naquele centro cultural pop e libertário. Isso mesmo: no início dos anos 80, era uma absoluta novidade poder assistir a shows e documentários em vídeo ou 16 mm sobre música. Ou ver cinema alternativo, underground. Ou ver animação adulta, de vanguarda. Ou filmes de surf.

“A sacada foi o vídeo. Àquela época, no Brasil, quem não tinha viajado para fora do país não tinha visto quase nada.” O nada a que Andrez Castilho Filho se refere é tudo: de shows dos Rolling Stones a filmes de Andy Warhol. De videoclipes do pós-punk – Siouxsie, Bauhaus, Cure – a Bob Marley. Alguns clipes de bandas do mainstream rolavam na TV. Cinema tinha mais: o circuito de cineclubes era intenso e já havia a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, mas não chegavam os filmes mais pop, mais radicais.

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Por Bia Abramo para a Revista TPM.

O dado faz parte de um conjunto de notas técnicas intitulado Políticas do Urbano, Desigualdades e Planejamento. Foto: Getty Images,O dado faz parte de um conjunto de notas técnicas intitulado Políticas do Urbano, Desigualdades e Planejamento. Foto: Getty Images,

A capital paulista tem, pela primeira vez, mais residências verticais, ou seja em prédios, do que residências horizontais, mostra estudo divulgado ontem (6) pelo Centro de Estudos da Metrópole (CEM), Centro de Pesquisa, Inovação e Difusão (Cepid) da Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de São Paulo (Fapesp).

O dado faz parte de um conjunto de notas técnicas intitulado Políticas do Urbano, Desigualdades e Planejamento. Os trabalhos sobre planejamento municipal, mobilidade, participação social e orçamento serão divulgados semanalmente até setembro, quando ocorre o Fórum SP 21. O evento entre os dias 21 e 30 analisará o planejamento urbano de São Paulo.

A primeira nota técnica explora o tema do estoque residencial formal do município entre 2000 e 2020. Foram utilizadas informações da Secretaria da Fazenda Municipal (SF), as quais servem de base para o lançamento do Imposto Predial Territorial Urbano (IPTU). Ficam de fora, portanto, favelas e loteamentos não regularizados. “Tem aí entre 20% e 25% das residências em São Paulo fora desse universo”, explica Eduardo Marques, diretor do CEM.

A pesquisa não leva em conta moradias informais, como as favelas. Foto: Gui Christi / Nat Geo.A pesquisa não leva em conta moradias informais, como as favelas. Foto: Gui Christi / Nat Geo.

De acordo com os pesquisadores, a expansão dos prédios se dá com o significativo crescimento dos imóveis verticais de padrão médio, assim como pelo dos imóveis verticais de padrão alto. O texto da nota aponta que “a cidade parece estar acelerando um processo de elitização das tipologias residenciais”.

No ano 2000, São Paulo tinha 1,23 milhão de imóveis residenciais horizontais, ocupando 152 milhões de metros quadrados (m²). No mesmo período, eram 767 mil unidades verticais em 108,7 milhões de m². Dez anos depois, as casas eram 1,37 milhão em 183,7 milhões de m² e os imóveis verticais somavam 1,38 milhões, numa área de 190,4 milhões de m².

“Outras notas mais pra frente que vão explorar essa informação geral que estamos lançando na primeira nota em termos geográficos, em termos espaciais. Vamos poder entender as tendências mais localizadas, porque certamente atrás desse número total estão ocultos processos espaciais que são diferenciados”, apontou Marques à Agência Brasil.

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Fonte: Agência Brasil.

Estudo avaliou impactos da pandemia na saúde e na educação. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.Estudo avaliou impactos da pandemia na saúde e na educação. Foto: Rovena Rosa / Agência Brasil.

A pandemia de covid-19 causou insônia ou excesso de sono em 50% da população da capital paulista, segundo pesquisa divulgada na última terça-feira (25) pela Rede Nossa São Paulo.

O estudo, que avaliou os impactos da pandemia na saúde e na educação dos moradores da cidade, mostrou que 44% das pessoas têm sofrido mudanças bruscas de humor e 43% delas sentem angústia e medo.

Para elaboração da pesquisa, a empresa Inteligência em Pesquisa e Consultoria (IPEC) ouviu 800 pessoas com mais de 16 anos, entre os dias 12 e 29 de abril, em todas as regiões da cidade e distribuídas em perfis que levam em consideração idade, classe social e raça.

Saúde pública e privada

Atualmente, em torno de sete em cada dez residentes da cidade de São Paulo não têm plano de saúde (69%). O número é 3 pontos percentuais maior do que o registrado em 2018, quando 66% disseram não contar com planos privados. O percentual dos que têm plano caiu de 31% para 29% no período, sendo que 2% não quiseram ou não souberam responder à questão.

Foto: MS / SUS / Divulgação.Foto: MS / SUS / Divulgação.A proporção de pessoas com plano de saúde é consideravelmente maior na zona oeste da cidade (53%), onde estão concentrados alguns dos bairros com maior renda da capital paulista. Na zona leste apenas 19% têm plano de saúde. O número de pessoas com plano de saúde também é maior entre brancos (39%) do que entre negros, sendo que 80% dos pretos e pardos declararam não ter planos.

No último ano, 77% da população utilizou o Sistema Único de Saúde (SUS) de alguma forma, sendo que 15% do total não usou nenhum sistema de saúde e 8% foram atendidos exclusivamente pelo setor privado. Usaram exclusivamente o SUS, 29% dos residentes na cidade. O serviço de saúde pública mais usado é a distribuição de medicamentos, usufruído por 55% da população, seguido pelo atendimento ambulatorial (54%).

Diagnóstico

Ao menos uma pessoa foi diagnosticada com covid-19 em 23% dos domicílios da cidade. Entre os entrevistados, 34% disseram que ao menos uma pessoa no local onde mora procurou um serviço público de saúde para ser atendido em relação à doença e 26% buscou serviços privados devido a preocupações com o novo coronavírus.

Entre os que tiveram diagnóstico de covid-19 em casa, 64% tiveram alterações no sono e 57% sofreram com angústia ou medo.

Escolas

Foto: iStock.Foto: iStock.

Com relação a crianças e adolescentes que frequentam escolas, 45% dos entrevistados informaram dificuldades com as aulas remotas devido à falta de internet com velocidade adequada. Problemas em manter os filhos concentrados foram relatados por 39% e 32% disseram não ter os equipamentos adequados para educação à distância.

Entre os que têm filhos, 21% disseram que pelo menos um jovem ou criança sob sua responsabilidade abandonaram os estudos durante a pandemia. O índice é maior entre os mais jovens: 37% na faixa entre 16 e 24 anos; 27% entre os negros; e 26% entre os moradores da zona leste.

As dificuldades com conexão e internet foram apontadas como razão de 57% das desistências na escola, seguida pela falta de celulares e computadores adequados (38%) e as dificuldades de concentração (34%).

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Fontes: Rede Nossa São PauloAgência Brasil.

O metrô de Londres é o terceiro sistema de metrô mais movimentado da Europa, depois de Moscou e Paris. Foto: Transport for London. O metrô de Londres é o terceiro sistema de metrô mais movimentado da Europa, depois de Moscou e Paris. Foto: Transport for London.

O metrô mais antigo do mundo é o de Londres (Inglaterra), com 158 anos de operação. Sua inauguração trouxe lições valiosas sobre mobilidade que são importantes até hoje. 

O pioneiro

Ilustração mostra passageiros balançando seus chapéus no ar durante uma viagem experimental no Metrô de Londres. Imagem: BBC Newsround.Ilustração mostra passageiros balançando seus chapéus no ar durante uma viagem experimental no Metrô de Londres. Imagem: BBC Newsround.

O London Underground teve as operações iniciadas em 10 de janeiro de 1863, com 30 mil passageiros já no primeiro dia de transporte. Atualmente, mais de 5 milhões de pessoas usam o sistema diariamente para cruzar a capital.

Ainda no século 19 já havia uma preocupação em oferecer um modelo alternativo de transporte para escapar de congestionamentos, considerando que a região central de Londres estava sobrecarregada de veículos de tração animal como charretes e alta quantidade de pessoas a pé

Começo modesto

O primeiro trem a vapor viaja pelo Túnel do Tamisa. Imagem: BBC Newsround.O primeiro trem a vapor viaja pelo Túnel do Tamisa. Imagem: BBC Newsround.

A primeira linha tinha 6 quilômetros, era composta por sete estações e usava locomotivas bastante simples, movidas a vapor e com estrutura de madeira. Ao todo, a viagem entre os extremos de Paddington e Farringdon levava cerca de 18 minutos, com picos nos horários de entrada e de saída de serviços.

Essa rota foi construída como parte da Metropolitan Railway, a via metropolitana que deu origem ao termo “metrô”. Em dezembro de 1890, o serviço se modernizou com o sistema subterrâneo de trilhos eletrificados.

Estação de metrô de Londres na década de 60. Foto: Rex / Shutterstock.Estação de metrô de Londres na década de 60. Foto: Rex / Shutterstock.

O apelido do sistema de metrôs é “The Tube” (O Tubo), adotado graças aos inovadores túneis que foram abertos em uma profundidade maior para abrigar somente o conjunto de trens subterrâneos. Ainda assim, ele não é feito totalmente debaixo da terra: 55% das vias ficam na superfície.

A unificação do que seria conhecido como London Underground levou mais tempo, afinal as primeiras linhas eram construídas e mantidas por companhias privadas, sem integração entre as plataformas.

Em 1933, o London Passenger Transport Board foi criado, permitindo uma administração mais completa do sistema de transporte da cidade. Em 1948, o serviço foi passado para a British Transport Comission (BTC), uma instituição estatal que finalizou a construção de linhas e ampliou o acesso a outras áreas da cidade.

Sempre em evolução

O “Novo Metrô de Londres” que começou a operar inicialmente na linha Piccadilly e que recebeu ar condicionado pela primeira vez na rede de túneis profundos. Foto: TFL.O “Novo Metrô de Londres” que começou a operar inicialmente na linha Piccadilly e que recebeu ar condicionado pela primeira vez na rede de túneis profundos. Foto: TFL.

O metrô de Londres é uma prova de que plataformas antigas podem ser reformuladas sem perderem a identidade. Melhorias realizadas na última década ampliaram a recepção de sinal mesmo nos túneis subterrâneos, permitindo a utilização de redes de telefonia celular e até Wi-Fi nos vagões.

O London Underground também foi o primeiro metrô do mundo a oferecer serviços noturnos, a partir de 2014, embora em uma operação bem mais limitada do que na linha tradicional.

Atualmente, ele é composto de 11 linhas com 270 estações e um trajeto total que consiste em 402 quilômetros. Por muito tempo, foi o maior metrô do mundo em extensão, até ser superado pelos de Xangai (570 quilômetros) e Pequim (465 quilômetros), ambos na China, e pelo de Nova York (465 quilômetros), nos Estados Unidos.

Mapa do Metrô de Londres. Imagem: TFL.Mapa do Metrô de Londres. Imagem: TFL.

Ainda assim, ele não escapa de críticas: vagões lotados e falta de estações em certas regiões da cidade ainda são um problema, apesar de o sistema já ter recebido diversas obras para melhorar a estrutura e o acesso.

Vale lembrar que o primeiro metrô do Brasil, localizado em São Paulo (SP), iniciou as atividades em 1974.

11 curiosidades sobre o Metrô de Londres

Embora existam mais de 250 estações ao norte do Rio Tâmisa, existem apenas 29 ao sul. Foto: TFL.Embora existam mais de 250 estações ao norte do Rio Tâmisa, existem apenas 29 ao sul. Foto: TFL.

  1. Na gíria de rimas cockney, o London Underground é conhecido como Oxo (Cube / Tube).
  2. Uma média de 2,7 milhões de viagens de metrô são feitas no metrô de Londres todos os dias.
  3. Apenas três bebês nasceram no tubo. O primeiro foi em 1924, o segundo em 2008 e o terceiro em 2009.
  4. A estação mais movimentada é Oxford Circus, que é usada por mais de 98 milhões de passageiros por ano.
  5. O metrô de Londres é o terceiro sistema de metrô mais movimentado da Europa, depois de Moscou e Paris.
  6. A estação mais profunda é Hampstead, 58,5 metros abaixo do solo.
  7. A velocidade média no metrô é de 33 km por hora, incluindo as paradas das estações.
  8. A viagem mais longa em um único trem é a viagem de 54,5 km entre West Ruislip e Epping na Linha Central.
  9. O recorde de visitas a todas as estações da rede do metrô de Londres - conhecido como Tube Challenge - é atualmente detido por Ronan McDonald e Clive. Burgess. A dupla completou o desafio em 16 horas, 14 minutos e 10 segundos em 19 de fevereiro de 2015.
  10. Em Harry Potter, Dumbledore tem uma cicatriz em forma de mapa do metrô de Londres em seu joelho.
  11. Existem apenas dois nomes de estações de metrô que contêm todas as cinco vogais - "Mansion House" e "South Ealing".

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Fontes: Transport for London, London Transport Museum.