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Se existe uma tarefa complicada para um jornalista que se propõe a escrever sobre viagens pelo Brasil, é falar sobre destinos tranquilos para passar o Carnaval. Afinal, os avessos ao confete e à serpentina podem não simpatizar com Rei Momo, mas não têm como não gostar do feriado. A festa pode ser a desculpa perfeita para se pôr o pé na estrada, viajar para um lugar bonito e relaxante, e recarregar as energias.

E, de qualquer forma, se quiser um pouco de animação, toda cidade, por mais pequena que seja, tem sempre uma bandinha, um bloco, um baile ou mesmo um desfile de crianças. Os cinco destinos listados abaixo não passam incólumes às agitações, mas garantem muito mais momentos de tranquilidade do que folia.

Garis da Comlurb limpam a Avenida Rio Branco depois da passagem de bloco, que atraiu cerca de 500 mil foliões ao Centro do Rio de Janeiro em 2018. Foto: Divulgação/Comlurb.Garis da Comlurb limpam a Avenida Rio Branco depois da passagem de bloco, que atraiu cerca de 500 mil foliões ao Centro do Rio de Janeiro em 2018. Foto: Divulgação/Comlurb.

Desperdício e lixaiada, os males do Brasil são. Claro que há muitos outros. Mas, no Carnaval de rua, esses dois gritam. Milhões de latinhas de cerveja, garrafas PET, papéis e embalagens que as pessoas jogam no chão, sem dó. Os funcionários da limpeza pública recolhem esses materiais, jogam nos caminhões de lixo comum, embora seja sabido que são recicláveis, e vai tudo parar no aterro sanitário, quando não vai para um lixão a céu aberto.

Jogo inaugural do futebol brasileiro reuniu 22 homens na Várzea do Carmo, Brás. Foto: Trivela / Reprodução.Jogo inaugural do futebol brasileiro reuniu 22 homens na Várzea do Carmo, Brás. Foto: Trivela / Reprodução.

O estudo da trajetória de um time de futebol amador de São Paulo permitiu à historiadora Diana Mendes Machado da Silva concluir que os clubes da várzea da cidade surgiram a partir de organizações “associativas”, com base em relações familiares e dinâmicas comunitárias.

Em seu trabalho de mestrado apresentado na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP, A Associação Atlética Anhanguera e o futebol de várzea na cidade de São Paulo (1928-1950), Diana analisou uma série de documentos da entidade, fundada por brasileiros e imigrantes italianos, localizada no bairro do Bom Retiro. 

Anos 40: jogadores da Companhia de Gás de São Paulo, em Campo da Mooca. Foto: Acervo FES / São Paulo.Anos 40: jogadores da Companhia de Gás de São Paulo, em Campo da Mooca. Foto: Acervo FES / São Paulo.

Este “associativismo” possuía entre suas principais características a organização baseada no mundo do trabalho e no cotidiano familiar. “Além de laços de parentesco, os componentes do clube tinham profissões comuns”, conta a pesquisadora. Estes podem ser os motivos que explicam por que o clube está, ainda hoje, estabelecido no mesmo local, tendo resistido ao crescimento do bairro e às especulações imobiliárias.

Esta organização se deu ao mesmo tempo em que o futebol se caracterizava como um esporte elitista. Vários clubes eram formados por “cavalheiros” que se reuniam e faziam do jogo de futebol um acontecimento social. “Em seus times se reuniam os filhos das classes abastadas, alguns recém-chegados da Europa”, descreve Diana, lembrando que os que praticavam o esporte na várzea eram os chamados “canelas negras”.

Estreia de camisas da Associação Atlética Anhanguera, anos 1930.Estreia de camisas da Associação Atlética Anhanguera, anos 1930.

Segundo a pesquisadora, esta diferença se acentuou com o uso do Velódromo da cidade e de outros espaços especializados como campos de futebol pelos clubes de elite. “No Velódromo, local onde hoje é a Rua Nestor Pestana, no centro da cidade, eram cobrados caros ingressos”, conta Diana. “Em contrapartida, o futebol de várzea da cidade tomou rumos diferentes, sendo uma prática de afirmação de elos sociais”, complementa. Aliás, o termo várzea advém da prática do futebol ter sido efetiva junto às várzeas dos rios, principalmente o Tietê — que tinha seu curso sinuoso — e o Tamanduateí, na época.

Cronologia e “mito”

“Oficialmente, o futebol chegou ao Brasil em 1894, quando Charles Miller trouxe da Inglaterra um par de chuteiras, uma bola e um livro de regras”, conta Diana. Contudo, ela acredita que mesmo antes desta data o esporte já era praticado no Brasil. Miller teria organizado a primeira partida de futebol na Várzea do Carmo, onde hoje está situado o Parque Dom Pedro.

Em 14 de abril de 1895, Charles Miller e seus amigos tiraram as vacas do terreno e desenharam um quadrilátero para demarcar o campo.Em 14 de abril de 1895, Charles Miller e seus amigos tiraram as vacas do terreno e desenharam um quadrilátero para demarcar o campo.

Segundo ela, há trabalhos que questionam fato, o que tornaria Charles Miller um “mito fundador”. Afinal, há registros de que, antes dele, operários e marinheiros de origem inglesa que chegaram ao Brasil já praticavam o esporte. Entre 1880 e 1890, como conta Diana, o futebol foi introduzido num colégio da cidade de Itu, no interior de São Paulo. “A prática chamada de ‘bate-bolão’, era uma adaptação do esporte para ambientes fechados”.
 
Emblema da Associação Atlética Anhanguera.Emblema da Associação Atlética Anhanguera.
 

Ao explorar o cotidiano do Anhanguera, a historiadora identificou o repertório cultural por meio do qual o esporte foi recebido entre os ítalo-brasileiros da Barra Funda. “Ainda que o Anhanguera tenha dialogado, em vários momentos, com o universo oficial, principalmente via imprensa, o clube se voltou menos para o modelo de organização clubística do association inglês do que para o das associações recreativas e de socorro mútuo, há muito tempo presentes na várzea do Rio Tietê”, descreve.

Jogo de 1905 do Club Athletico Paulistano que foi fundado em dezembro de 1900. Foto: São Paulo Antiga.Jogo de 1905 do Club Athletico Paulistano que foi fundado em dezembro de 1900. Foto: São Paulo Antiga.

Fotos: cedidas pela pesquisadora.

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Por Antonio Carlos Quinto na Agência USP de Notícias.

 

Vista da Pedra Grande. Foto: Karine Kakazu.Vista da Pedra Grande. Foto: Karine Kakazu.

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A energia é gerada quando uma pisada comprime a placa de 5 a 10 mm. Foto: Pavegen / Divulgação.A energia é gerada quando uma pisada comprime a placa de 5 a 10 mm. Foto: Pavegen / Divulgação.

Sol e vento vêm à nossa cabeça rapidamente quando pensamos em energias provindas de fontes renováveis. Descentralizar a produção de energia elétrica de grandes usinas é algo que tem movido engenheiros e inventores por todo o mundo. Mas pensar em transformar a energia mecânica do caminhar das pessoas em energia elétrica é algo que sai um pouco do senso comum.

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