A maior enchente de São Paulo aconteceu em 1929 - São Paulo São

A maior enchente da história de São Paulo aconteceu em 1929, no Centro da cidade. A data foi tão marcante que uma placa de bronze indicando a altura em que chegou a água do Rio Tietê foi instalada na Rua Porto Seguro, na Luz.

O episódio, ocorrido há 88 anos, mudou a relação do paulistano com a água. “As pessoas que foram atingidas tinham botes em casa a partir daí”, disse a historiadora Maíra Rosin. “Houve perda de muitos objetos, então essa relação da casa inundada passa a ser diferente ali.”

Ao longo dos anos as pessoas foram aprendendo a lidar com as enchentes. É só reparar na quantidade de casas na cidade que são protegidas por comportas.

Uma das alternativas para amenizar o impacto das cheias em áreas urbanas são os piscinões. A capital possui 22. O número, porém, não é suficiente. Basta lembrar os alagamentos após o temporal que atingiu a Grande São Paulo há algumas semanas.

Um estudo feito em 2012 pelo governo do estado, no Plano Diretor da Bacia do Alto Tietê, recomenda a construção de vários piscinões. “A questão da drenagem urbana tem dois vieses. Um é a quantidade de água e o outro, a qualidade da água”, disse o professor de engenharia hidráulica da USP José Rodolfo Scatari.

Enchente de 1929. Foto: Anônimo / Acervo Iconografico MCSPDPH.Enchente de 1929. Foto: Anônimo / Acervo Iconografico MCSPDPH.

“A questão de quantidade vem em primeiro plano porque ela minimiza danos diretos, perdas econômicas, financeiras, sociais, ambientais, que vêm no momento desses eventos. Então o reservatório de detenção, o piscinão, tem essa função bastante direcionada.”

Segundo o especialista, os piscinões não bastam apenas. “Temos de conter o lixo, o lançamento de esgotos regulares no sistema de drenagem, tudo isso tem que ser combatido numa escala de megacidades.”

Na Zona Leste, só para segurar o Rio Aricanduva são oito piscinões. O rio corta toda a região, onde a população cresceu 40% em 30 anos. Aí, mesmo com vários reservatórios, quando chove muito é bem comum haver alagamentos.

Motoristas em alagamento da Marginal Tietê, em São Paulo, após uma forte chuva. Foto: Newton Meneses/Futura Press/Estadão Conteúdo)Motoristas em alagamento da Marginal Tietê, em São Paulo, após uma forte chuva. Foto: Newton Meneses/Futura Press/Estadão Conteúdo)Os moradores admitem que antes do piscinões a situação era pior, mas sofrem em ter que dar bom dia e boa noite para um vizinho indesejável. “Mau cheiro, mosquito. É terrível, terrível”, disse o vendedor de carros Washington Timóteo. “Ele te resolve um problema e te cria um problema colateral.”

São Paulo acabou virando refém dos temporais e da necessidade de construir mais piscinões. A cidade assumiu esse risco quando enjaulou os rios debaixo do asfalto e ocupou suas várzeas. “Fazer com que a cidade recupere a sua retenção de águas de chuva. Se a cidade continuar crescendo e continuar jogando o volume, e um volume cada vez maior de água de chuva sobre os sistema de drenagem, nós não vamos ter solução paras as enchentes”, disse o geólogo Álvaro Rodrigues dos Santos.

Construir mais piscinões custa caro. Para reflorestar parte da cidade são necessárias grandes áreas disponíveis, uma raridade. Uma coisa, porém, não exclui a outra. Enquanto nada disso acontece, a solução para diminuir os estragos causados pelas enchentes pode ser mais simples. “A Prefeitura poderia incentivar o uso de calçadas permeáveis, o plantio de canteiros e árvores nativas nas calçadas por meio de desconto no IPTU”, disse o geólogo e professor da USP Pedro Luiz Côrtes.

Os deslocamentos das famílias durante a enchente de 1929. Imagem: Reprodução.Os deslocamentos das famílias durante a enchente de 1929. Imagem: Reprodução.

“Isso faz com que você tenha um processo de corresponsabilização aonde o contribuinte, o morador, passa a trabalhar também na solução. Não dá só para o estado, para a Prefeitura, arcar com todo esse ônus de obras para contornar o problema das enchentes”, acrescentou.

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Por Filippo Mancuso no G1.



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