Há 60 anos, Cine Olido chegava com luxo e inovação - São Paulo São

“Inaugura-se amanhã o cinema que faltava em São Paulo!”, dizia o anúncio publicado no Estadão na véspera. A abertura do Cine Olido, na avenida São João,  foi um grande acontecimento naquele 13 de dezembro de 1957 para 1.500 convidados, entre eles o governador de São Paulo Jânio Quadros.

A “retumbante festa”, como descreveu o jornal alguns dias depois começou com “holofotes, cordões de isolamento, três bandas de música e bela decoração”. E isso foi só o “trailer”, segundo o texto publicado no Suplemento Feminino. Uma orquestra com 36 músicos regida pelo maestro Rafael Puglielli executou números instrumentais e acompanhou as contoras Cidalia Meireles e Laila Cury. “No requintado ambiente surgiu até o 'raio de lua' que romanticamente se 'derramou' sobre os convidados surpresos”.

A sessão de cinema começou com a exibição de um 'short', como eram chamados os filmes de curta-metragem, um cinejornal sobre o Paraná dirigido pelo documenarista Primo Carbonar. O filme “Tarde Demais para Esquecer”, com os astros Debora Kerr e Cary Grant e que por seis meses seria exibido exclusivamente no Olido, encerrou a programação. Na saída da moderna sala de espera, um órgão completava o encantamento dos presentes, oferecendo-lhes suave música para encerrar a bela noite”.   

O requinte e o glamour que marcaram o início das atividades não eram as únicas atrações oferecidades pelo Olido. Com uma grande opção de salas pelo centro da cidade, o cinema era uma das principais formas de diversão e lazer naqueles tempos. Para se diferenciar da concorrência, o Cine Olido trouxe inovações que já eram vistas fora do país, com a venda antecipada de ingressos com poltrona marcada.

Se hoje isso é comum e corriqueiro, sendo  possível comprar o ingresso, a pipoca e o refrigerente com antecedência em breves cliques no smartphone,  à época essa simples mudança mostrava-se uma pequena revolução para a melhoria das aglomerações nas filas no tradicional sistema de compras.

As vantagens descritas no anúncio dão um panorama de como era concorrido ir ao cinema naqueles dias: “Você evitará sair de casa correndo!; não ficará mais na fila!; não apanhará chuva!; não será mais atropelado para entrar na sala de exibição; sentará com certeza ao lado de sua  esposa, sua noiva, sua namorada, seus amigos, com visibilidade perfeita!”

Uma reportagem do Jornal da Tarde em 1982, quando a grande sala de exibição perdera o glamour e foi dividida em três menores, descreveu como era a solene o ato de ir ao cinema nos áureos tempos. “Ir ao Olido implicava pequenos cuidados elegantes. Desde chegar antes do início da sessão para assistir ao espetáculo musical com piano e orquestra, até trajar-se com o cuidado de quem vai a uma festa, reparando em detalhes como combinar sapato e bolsa ou escolher camisas e vestidos impecavelmente engomados.

Ir ao Olido, lembram os frequentadores mais antigos, era um programa completo: era o primeiro cinema da cidade dentro de uma galeria, dos poucos que tinha piano e orquestra e um prefixo musical inesquecível “The Best Things In Life are Free”, uma oportunidade deliciosa para ir ao centro e, quem sabe depois, passear pelas avenidas e escolher uma boa casa de chá ou leiteria para terminar a tarde.”

Com o passar do tempo a região central da cidade foi perdendo o status que outrora possuía de local aonde as pessoas iam para ver e ser vistas, passear e ir aos cinemas, e com o surgimento dos shoppings, os cinemas de rua e mesmo o Olido, localizado em uma galeria, perderam a sua força. Desde 2004, o local vizinho à conhecida Galeria do Rock virou a Galeria Olido, um centro cultural municipal com sala para cinema, espetáculos de dança e local para  exposições.

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Por Cristal da Rocha no Acervo de O Estado de S.Paulo. *Imagens: Blog Salas de Cinema.


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