Dia da Consciência Negra: feriado em mais de 1.000 cidades brasileiras - São Paulo São

Zumbi dos Palmares (Alagoas,1655 – Alagoas, 20 de novembro de 1695). Imagem: Reprodução.Zumbi dos Palmares (Alagoas,1655 – Alagoas, 20 de novembro de 1695). Imagem: Reprodução.

O dia 20 de Novembro foi escolhido como uma homenagem a Zumbi dos Palmares, data na qual morreu, lutando pela liberdade do seu povo no Brasil, em 1695. Zumbi, líder do Quilombo dos Palmares, foi um personagem que dedicou a sua vida lutando contra a escravatura no período do Brasil Colonial, onde os escravos começaram a ser introduzidos por volta de 1594. Um quilombo é uma região que tinha como função lutar contra as doutrinas escravistas e também de conservar elementos da cultura africana no Brasil.

Em 2003, no dia 9 de Janeiro, a lei 10.639 incluiu o Dia Nacional da Consciência Negra no calendário escolar. A mesma lei torna obrigatório o ensino sobre diversas áreas da História e cultura Afro-Brasileira. São abordados temas como a luta dos negros no Brasil, cultura negra brasileira, o negro na sociedade nacional, inserção do negro no mercado de trabalho, discriminação, identificação de etnias, entre outras coisas mais.

Imagem: Reprodução.Imagem: Reprodução.

Em inglês, a tradução literal de Dia da Consciência Negra seria “Black Awareness Day”. No entanto, nos Estados Unidos e Canadá existe o “Black History Month” (Mês da História Negra), que é celebrado todos os anos em Fevereiro. Em 2011, a presidente Dilma Roussef sancionou a lei 12.519/2011, que criou a data, mas que não obriga que ela seja feriado. Isso significa que ser feriado ou não vai variar de cidade para cidade. O Dia da Consciência Negra é um feriado em mais de 1.000 cidades brasileiras, entre elas, São Paulo capital.

A história do Brasil e do mundo é cheia de exemplos de pessoas que fizeram a diferença e que contribuíram para um mundo mais igualitário. Elas deixaram sua marca na política, no ativismo, na música, no esporte, no cinema e na literatura. Entre elas está Nelson Mandela (1918-2013) um dos mais conhecidos representantes do Continente Africano, que foi um líder político e presidente da África do Sul entre 1994 e 1999.

Nelson Mandela em visita à Universidade de Brasília em 1991. Foto: Arquivo/Universidade.Nelson Mandela em visita à Universidade de Brasília em 1991. Foto: Arquivo/Universidade.

Sendo reconhecido no calendário oficial de mais de mil municípios brasileiros, entre eles o da cidade de São Paulo, o Dia da Consciência Negra se tornou um momento para discutir a condição dos negros na sociedade atual e conta com programações voltadas para a promoção da igualdade social. Confira a seguir algumas sugestões para aproveitar o feriado na capital paulista:

1) Visite o Museu Afro Brasil

Museu Afro Brasil, que desde 2004 ocupa o Pavilhão Padre Manoel da Nóbrega do Parque Ibirapuera, reúne mais de seis mil obras artísticas – esculturas, fotografias, gravuras e peças etnológicas – produzidas por artistas brasileiros e estrangeiros do século XVIII até hoje e que ajudam a contar a influência da história cultural dos negros, africanos e afro-brasileiros, a partir de temas como arte, escravidão e religião, entre outros temas.

Carolina Maria de Jesus (1914-1977) – que dá nome à biblioteca do Museu Afro Brasil. Foto: Divulgação.Carolina Maria de Jesus (1914-1977) – que dá nome à biblioteca do Museu Afro Brasil. Foto: Divulgação.

Vinculado à Secretaria de Estado da Cultura de São Paulo em 2009, o Museu oferece exposições temporárias e de longa duração, além de manter um auditório e uma biblioteca. Atualmente, é possível visitar a exposição Carolina em Nós, uma homenagem idealizada pelo grupo Ilú Obá de Min para a escritora, poetisa e sambista Carolina Maria de Jesus (1914-1977) – que dá nome à biblioteca do Museu Afro Brasil -, em cartaz até 31 de janeiro.

Autora de Quarto de Despejo, lançado em 1960, onde retrata a dura rotina como catadora de lixo e moradora de uma favela na zona norte de São Paulo, além de outras livros e textos, Carolina tem sua vida e obra apresentada por meio de fotos e painéis.

Especificamente no dia 20 de novembro, o Museu Afro Brasil promove a contação de histórias Aos Pés do Baobá e compartilha narrativas africanas e afro-brasileiras seguidas por uma conversa mediada pelo Núcleo de Educação do equipamento cultural. Acontecem ainda a abertura da exposição Um tributo ao historiador Joel Rufino do Santos, lançamentos de livros e uma oficina de culinária afro-brasileira, que busca revelar as raízes africanas presentes na culinária nacional, além de uma roda de conversa com Dona Cici.

2) Eventos culturais 

Às 14h, a Casa das Rosas promove um bate-papo sobre literatura e questões sociais com as presenças de Djamila Ribeiro, Plínio Camillo e Thiago Cervan, como parte das atividades do Centro de Apoio ao Escritor (CAE) mantido pela instituição cultural.

O ponto de vista das mulheres negra sobre a data comemorativa também ganha destaque na programação da Casa das Rosas durante o 3º Xirê – Iyalodes* Em luta pela preservação da ancestralidade, organizado pelo GT de Cultura – Núcleo Estadual para a Marcha das Mulheres Negras 2015. A partir das 16h.

A Banda Black Rio mistura funk, soul, jazz e samba. Foto: Carla Barbiero / Divulgação.A Banda Black Rio mistura funk, soul, jazz e samba. Foto: Carla Barbiero / Divulgação.

Com quantas literaturas se faz uma língua? traz uma instalação multimídia sobre autores e temas negros descritos em obras literárias de língua portuguesa e está aberta à visitação durante todo o mês, no 2º andar do Museu da Língua Portuguesa.

O Dia da Consciência Negra no Museu do Futebol será de Jogo da memória, uma atividade educativa que reflete, por meio de pares de cartas, sobre as personalidades negras destacadas no Museu do Futebol e que são importantes tanto para o meio esportivo quanto para a cultura e a sociedade.

Parte integrante da Semana da Consciência Negra promovida pela Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial, vinculada à Prefeitura de São Paulo, os shows têm início às 11h30, no Vale do Anhangabaú.

A partir das 12h, a Embaixada do Samba convida Velha Guarda abre o palco, que contempla ainda os shows de Izzy Gordon, Banda Black Rio, Chico César, Nereu Mocotó e Tereza Gama, Sampagode convida Leci Brandão, Jorge Aragão convida Alcione e Arlindo Cruz e a apresentação da escola de samba Vai-Vai, às 22h.

3) Cidadania

Na Biblioteca de São Paulo, coletivos se reúnem para oferecem oficinas de turbantes , discotecagem, literatura marginal e intervenções de rap. Para participar, é preciso retirar senha com 30 minutos de antecedência. A partir das 13h.

Cena da série 'Diz Aí – Extermínio da Juventude Negra'. Imagem: Reprodução.Cena da série 'Diz Aí – Extermínio da Juventude Negra'. Imagem: Reprodução.

Em sua unidade do Bom Retiro, o Sesc São Paulo promove a oficina de turbantes para contar a origem e os usos contemporâneos deste acessório, utilizado como símbolo de resistência. Na Vila Mariana, será exibida a série Diz Aí – Extermínio da Juventude Negra, que aborda a violência sofrida por jovens negros nos dias atuais.

4) Passeie por comunidades quilombolas da região do Vale da Ribeira

Existem 35 comunidades quilombolas no Estado de São Paulo, sendo que a maioria fica na região do Vale do Ribeira, em municípios como Barra do Turvo, Eldorado e Iporanga. Outra parte está presente entre o litoral norte, a cidade de Itapeva e também na região de Sorocaba.

Sem abandonar tradições, comunidades quilombolas transformam relação com território no Vale do Ribeira. Foto: Divulgação.Sem abandonar tradições, comunidades quilombolas transformam relação com território no Vale do Ribeira. Foto: Divulgação.

É possível visitar algumas das comunidades remanescentes de quilombo na região do Vale da Ribeira. Que tal aproveitar o feriado para fazer isso e conhecer mais sobre esses grupos sociais? Consulte o site Quilombos do Ribeira.

5) Pesquise dados oficiais sobre a população negra no Brasil

Ministério das Mulheres, da Igualdade Racial e dos Direitos Humanos 
Secretaria de Políticas de Promoção da Igualdade Racial
Secretaria da Justiça e Defesa da Cidadania – População negra e indígena
Secretaria Municipal de Promoção da Igualdade Racial 

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Da redação.