'Ponte Viva': Prefeitura de Florianópolis reabre Ponte Hercílio Luz fechada há quase 30 anos - São Paulo São

O projeto enfoca a adaptação da ponte e ferro e suas cabeceiras para o tráfego de ônibus, ciclistas e pedestres. Foto: Prefeitura Municipal de Florianópolis / DivulgaçãoO projeto enfoca a adaptação da ponte e ferro e suas cabeceiras para o tráfego de ônibus, ciclistas e pedestres. Foto: Prefeitura Municipal de Florianópolis / Divulgação

Não é mais lenda. Fechada há quase 30 anos, a ponte pênsil Hercílio Luz, cartão-postal da cidade de Florianópolis, em Santa Catarina, foi reaberta para circulação de ônibus, ciclistas e pedestres na última segunda (30). Aproximadamente 200 mil pessoas passaram pelo monumento no primeiro dia. Até o próximo domingo (5), o local é palco de uma extensa programação cultural, com atividades esportivas, shows e aulas gratuitas. 

A expectativa é promover a integração de diferentes modais ao sistema viário da cidade e dar eficiência à mobilidade. Foto: Governo de Santa Catarina / Divulgação.A expectativa é promover a integração de diferentes modais ao sistema viário da cidade e dar eficiência à mobilidade. Foto: Governo de Santa Catarina / Divulgação.

A reinauguração, depois de anos de reforma, foi prometida pelo governo do estado de Santa Catarina em abril, junto com a primeira etapa do projeto “Ponte Viva: Hercílio Luz Para as Pessoas”, que prevê a requalificação urbanística dos arredores do local. O projeto, desenvolvido em parceria com a Prefeitura de Florianópolis, pretende melhorar a mobilidade e preservar o patrimônio histórico do município, além de desenhar ações que incentivem o turismo e o uso do entorno imediato da ponte, como explica o secretário municipal de mobilidade e planejamento urbano, Michel Mittmann. A primeira fase foca na melhoria do sistema viário de acesso à ponte. Conforme Mittman, o plano prevê obras em três eixos, dois na ilha e um no continente. No trecho insular, haverá requalificação da Avenida Jornalista Rubens de Arruda Ramos (a Beira Mar-Norte) e de ruas de seu entorno. Isso implica o redesenho do acesso à avenida para veículos, a implantação de melhorias em passeios e ciclofaixas, a reorganização de vagas de estacionamento, entre outras ações.

O projeto de requalificação envolve cinco eixos temáticos - Mobilidade, Patrimônio, Turismo, Cultura e Esporte e Lazer - que nortearão a retomada da ponte pela cidade. Foto: Governo do Estado de Santa Catarina.O projeto de requalificação envolve cinco eixos temáticos - Mobilidade, Patrimônio, Turismo, Cultura e Esporte e Lazer - que nortearão a retomada da ponte pela cidade. Foto: Governo do Estado de Santa Catarina.

A primeira fase do projeto Ponte Viva, foca na melhoria do sistema viário de acesso à ponte. Foto: Governo de Santa Catarina / Divulgação.A primeira fase do projeto Ponte Viva, foca na melhoria do sistema viário de acesso à ponte. Foto: Governo de Santa Catarina / Divulgação.

Também estão previstas obras que facilitem o deslocamento entre a ponte e o Terminal Central (Ticen), como a requalificação de vias tanto para veículos quanto para pedestres, além de estudos para implantação de novas paradas de ônibus, faixas exclusivas para o transporte coletivo e ciclofaixas. Do lado do continente, será construída uma intersecção entre as vias que têm acesso à ponte, o que tem por objetivo organizar o fluxo de veículos neste acesso. As duas cabeceiras da ponte também passarão a contar com boulevares com pista elevada, os quais devem abrigar pontos de embarque e desembarque de passageiros do transporte coletivo e de ônibus de turismo, estações de bicicletas compartilhadas e serviços de recepção e apoio turístico.

Foco no transporte coletivo

Procurou-se estabelecer um conceito mais amplo de planejamento, que trata da reintegração da ponte Hercílio Luz na cidade para além de suas funções relacionadas a mobilidade", diz a página do projeto.. Imagem: Desterro Arquitetos.Procurou-se estabelecer um conceito mais amplo de planejamento, que trata da reintegração da ponte Hercílio Luz na cidade para além de suas funções relacionadas a mobilidade", diz a página do projeto.. Imagem: Desterro Arquitetos.O projeto de reabertura da ponte não prevê a circulação de carros individuais pelo local. “Nossos estudos indicaram que se liberarmos o trânsito comum [de veículos individuais], vamos ter mais um ponto de engarrafamento que vai se tornar insustentável em breve”, explica o secretário de mobilidade e planejamento urbano. Dessa forma, apenas veículos da frota de transporte coletivo passarão por ali, assim como pedestres e ciclistas. A expectativa é promover a integração de diferentes modais ao sistema viário da cidade e dar eficiência à mobilidade. Há ainda o plano de fechar o acesso a veículos automotores à ponte nos fins de semana, transformando-a, principalmente, num espaço de lazer. No âmbito do patrimônio, deve ser feita a revitalização da Fábrica de Pontas e do Antigo Incinerador da Cidade, entre outras construções históricas. Outro tema bastante relevante é o turismo. Por isso, projetos de complementação de embarque e desembarque turístico próximo à ponte e transporte até outros pontos da cidade devem ser desenvolvidos.

A ponte

Surgiu da necessidade de unir continente e ilha a ideia de construir a ponte Hercílio Luz, inaugurada em 13 de maio de 1926 – Imagem: Reprodução / Anderson Coelho / ND.Surgiu da necessidade de unir continente e ilha a ideia de construir a ponte Hercílio Luz, inaugurada em 13 de maio de 1926 – Imagem: Reprodução / Anderson Coelho / ND.

A ponte foi batizada para homenagear o nome do idealizador e ex-governador e projetada para suportar o tráfego de trens elétricos, veículos e pedestres. Foto: Casa da Memória/ND.A ponte foi batizada para homenagear o nome do idealizador e ex-governador e projetada para suportar o tráfego de trens elétricos, veículos e pedestres. Foto: Casa da Memória/ND.Completando 93 anos em 2019, a ponte Hercílio Luz foi construída entre 1922 e 1926, e foi a primeira ligação entre a ilha e o continente no município de Florianópolis. Até então, a circulação de pessoas e produtos entre as duas partes acontecia por meio de balsas. A ponte funcionou normalmente até 1982, quando a deterioração de sua estrutura, principalmente das barras de olhal (que a sustentam), levou-a à interdição. Em 1988, ela foi reaberta para o tráfego de pedestre, bicicletas, motos e veículos de tração animal, mas precisou ser fechada novamente em 1991. Tombada como patrimônio histórico do município, do estado e do país, a ponte vem passando por reformas desde 2006, um processo que tem sido difícil e oneroso. “É um projeto de engenharia bastante complexo, no qual elementos estruturais foram recriados em ligas mais eficientes e as fundações das cabeceiras foram refeitas”, diz Mittmann.

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Fonte: Haus / Gazeta do Povo. Edição: São Paulo São.

 



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