Por quanto tempo o Coronavírus sobrevive nas superfícies cotidianas? - São Paulo São

Superfície de vidro. Foto: @avtk. Superfície de vidro. Foto: @avtk.

A pandemia do Coronavírus tem tomado conta dos noticiários há alguns meses e impondo modificações, até então inimagináveis, ao cotidiano de toda a população mundial. Ainda que a situação seja preocupante e até desesperadora em alguns casos, ter ciência do comportamento do vírus e entender formas de evitá-lo, parece ser o melhor caminho. A Covid-19 é uma doença respiratória e se espalha por gotículas no ar. O que a torna especialmente perigosa é sua alta taxa de contágio, uma vez que o vírus pode sobreviver fora do corpo humano, no ar e em superfícies como metal, vidro e plásticos, se estes não forem desinfetadas adequadamente. Mas de que forma o vírus se comporta em cada um dos materiais?

Cobre. Foto: Shutterstock.Cobre. Foto: Shutterstock.

Tem sido visto que as transmissões entre humanos apresenta tempo de incubação entre 2 e 10 dias, propagando-se por gotículas expelidas através de tosses e espirros, por mãos ou superfícies contaminadas. Para se ter uma ideia, uma única tosse pode produzir até 3 mil gotículas e, segundo um estudo realizado por virologistas nos Estados Unidos, o vírus pode sobreviver por até três horas após ser expelido em gotículas no ar. Quando estas chegam às superfícies, como paredes, roupas, móveis e outros objetos, o vírus possui comportamentos distintos de acordo com o material da superfície.

Como é possível observar nesses gráficos, o Sars-Cov-2 (nome correto do Coronavírus que vem causando a pandemia) permanece vivo em superfícies plásticas e de aço inoxidável por cerca de 72 horas. Em superfícies de cobre, no entanto, o vírus apresenta um comportamento distinto, morrendo após 4 horas. Em superfícies de papelão o vírus permanece por cerca de 24 horas, o que acende um grande alerta quanto aos itens entregue pelo correio ou serviços de delivery.

Superfície de aço inoxidável. Foto: Shutterstock.Superfície de aço inoxidável. Foto: Shutterstock.

Outro estudo científico fez um apanhado de 22 artigos acerca da persistência de todos os tipos de coronavírus, mas ainda sem dados sobre o próprio SARS-CoV2, por este ser uma mutação recente. Os resultados mostraram que, enquanto em superfícies de vidro ou madeira o vírus pode permanecer por até 4 dias, em outras de alumínio ele ficará vivo por cerca de 8 horas. Mas o mais importante é que a pesquisa mostrou que os coronavírus podem ser inativados em um minuto desinfectando as superfícies com álcool ou 0,5% de água oxigenada ou água sanitária contendo 0,1% de hipoclorito de sódio, os quais não deixam de ser produtos de limpeza doméstica comuns.

Superfície de policarbonato. Foto:  Shutterstock.Superfície de policarbonato. Foto: Shutterstock.

Em situações como essa sempre acabamos nos indagando de que forma nossa profissão pode contribuir. A arquitetura hospitalar já segue padrões de projeto que evitam, ao máximo, a proliferação de possíveis patógenos em suas superfícies e sistemas. Buscar incorporar alguns dos seus preceitos para projetos com outras tipologias pode ser algo a ser considerado em tempos de euforia, como esse. Mas é sempre importante lembrar que recursos naturais e gratuitos, como o sol e o vento, podem tornar os ambientes muito mais saudáveis de uma forma natural e passiva. Ou mesmo pensar em materiais autolimpantes, que podem reagir automaticamente e matar vírus e bactérias, pode ser um exercício positivo para antecipar novas pandemias no futuro. As possibilidades são infinitas, e a única certeza que temos é que é em tempos de crise que as melhores idéias aparecem.

Madeira. Foto: Shutterstock.Madeira. Foto: Shutterstock.

Referências

  • Persistence of coronaviruses on inanimate surfaces and their inactivation with biocidal agents. Disponível neste link.
  • Aerosol and Surface Stability of SARS-CoV-2 as Compared with SARS-CoV-1. Disponível neste link
  • Natural Ventilation for Infection Control in Health-Care Settings. Disponível neste link

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Por Eduardo Souza no Arch Daily.



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