Há disposição de incentivar a ocupação do espaço público, diz secretário - São Paulo São


Em 2015, o paulistano está mais na rua. E em praças, escadarias, jardins. Ocupado, o espaço público, sucateado nas últimas décadas, torna-se atraente de novo. Tanto para os empresários de olho nos consumidores quanto para o cidadão que quer um parquinho legal para o filho brincar e conhecer outras crianças.
 
A sãopaulo ouviu coletivos e pessoas por trás de iniciativas que pensam o espaço público como forma de experimentar a cidade. Além disso conversou com Nabil Bonduki, 60, secretário Municipal de Cultura de São Paulo, para saber como o poder público observa o assunto. Veja entrevista abaixo.

sãopaulo - O filósofo Antonio Negri argumenta que deveríamos ver a metrópole como uma fábrica para a produção do comum. Como direito à cidade a ideia parece interessante e sedutora. Esse ideal é muito distante?
Nabil Bonduki - Eu acho que estamos caminhando aqui em São Paulo. Mas historicamente, pelo menos nos últimos 50 anos, nós fizemos um processo contrário. Processos que levaram à progressiva privatização do espaço público e da vida cotidiana. As pessoas passaram a frequentar locais privados e o espaço público passou a ser visto como abandonado e perigoso. Com outras políticas e outra mentalidade estamos tentando transformar esse cenário. Não vai ser fácil, mas é um processo em curso.

Há um mapeamento de tudo que está sendo realizado na cidade nesse sentido?
Não sei se alguém da Prefeitura tem isso de maneira estruturada porque as iniciativas são coordenadas por subprefeituras. É muita coisa. Teria que centralizar em alguém. Seria interessante. Segundo coletivos entrevistados, o diálogo com as subprefeituras melhorou muito. Alguns reclamam, no entanto, que passam muitos projetos superficiais.

É preciso mais cuidado? Os projetos são avaliados por cada subprefeitura.
Não posso falar de todos. Depende de cada caso. A Secretaria de Cultura tem apoiado várias ações no Largo da Batata, como o Carnaval de rua, o aniversário de Pinheiros e outras ações. Claro que não tem que aprovar tudo. Não dá pra aprovar uma ação se não tem recurso, por exemplo. Ou uma atividade às duas da manhã em área residencial e que complica o trânsito. Mas há uma disposição de viabilizar a ocupação do espaço público. A princípio havia uma tendência de proibir.

Qual o próximo passo?
Avançou-se muito nos últimos dois anos. Mas ainda são iniciativas restritas se considerar o tamanho da cidade. Existem 71 parklets implantados ou em processo de implantação na cidade. É muito, mas insignificante se pensar no tamanho de São Paulo. Ainda há uma concentração de atividades no centro e na zona oeste. Precisamos levar experiências piloto de alguns poucos lugares para outros lugares além da Paulista, por exemplo. É uma etapa difícil. Porque quanto mais a gente vai para a periferia, observa que é mais estreito, as casas não tem garagem. Tudo isso dificulta.

Em que fase estamos no processo de resgatar a cidade como espaço de convívio, de encontro?
Nós estamos numa fase ainda de disputa simbólica sobre o que se quer pela cidade. Muita coisa está acontecendo. O fechamento do Minhocão para carros aos sábados foi aprovado no início do mês, a inauguração da ciclovia na avenida Paulista em junho, o fechamento da via para carros aos domingos também deve ser adotado. Mas não acho que esteja consolidado, pelo contrário, há manifestações contrárias a isso. Vou dar um exemplo: o Minhocão lota de pessoas e bicicletas, tem feiras. No entanto, boa parte da população é contra o fechamento e à demolição integral do elevado. Há visões em disputa.

Natália Albertoni na Folha de S.Paulo.

 


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