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Formado em 1974 por estudantes universitários, grupo foi destaque no cenário musical da década seguinte. Foto: Acervo / Reprodução.Formado em 1974 por estudantes universitários, grupo foi destaque no cenário musical da década seguinte. Foto: Acervo / Reprodução.

Fantasia
É poesia
Que antes do som prenuncia
Que já está no ar
O que vai nascer
É sintonizar e reconhecer
Fantasia alivia o nosso olhar
Quando ele olha e não vê nada
Só vida parada parada

Os versos acima fazem parte da música Universo, uma das mais recentes do grupo Rumo, formado em 1974, em sua maioria por estudantes da USP. O grupo, que foi um dos principais nomes da Vanguarda Paulista nos anos 1980, é protagonista do documentário Rumo, dirigido por Flávio Frederico e Mariana Pamplona e produzido pela Kinoscópio Cinematográfica.

Rumo chegou ao circuito comercial no início deste mês e atualmente está em cartaz no Espaço Itaú de Cinema (Rua Augusta 1.470, São Paulo). O filme foi exibido pela primeira vez em 2019, em mostras de cinema como o Festival Internacional de Documentários É Tudo Verdade e o In-Edit Brasil, dedicado a documentários musicais.

O documentário surgiu da admiração e proximidade dos diretores com o Rumo. Flávio Frederico conta que, em sua adolescência, foi fã do grupo e viveu intensamente o momento da Vanguarda Paulista. Já Mariana Pamplona, que assina o roteiro do filme, tem uma experiência de bastidores: sua mãe é casada com Luiz Tatit, um dos membros do Rumo, e por isso desde pequena Mariana acompanha o grupo, frequentando os shows que aconteciam principalmente no Teatro Lira Paulistana, na Praça Benedito Calixto, no bairro de Pinheiros, em São Paulo. “Na época, eu era a única criança que circulava por ali, então o grupo ficou muito marcado para mim”, diz Mariana.

Para contar a história do grupo, o filme reúne imagens inéditas, músicas, shows raros, depoimentos e registros dos integrantes e material de arquivo. Além disso, traz um diferencial ao misturar desenho animado e composições gráficas às imagens usuais. Segundo Frederico, a ideia era trazer a originalidade tão presente no Rumo para a produção do filme. “A gente também tinha que entrar nesse jogo de fazer uma obra original, diferente, que experimentasse. Não dava para ser um filme convencional sobre o Rumo”, diz.

Para isso, Mariana pensou no desenho animado, que foi desenvolvido com a participação do ilustrador Fernando Heynen e do animador Mao Ambrosio. “As imagens começam em preto e branco, com poucos elementos, e ficam cada vez mais preenchidas, coloridas e detalhadas à medida que o grupo vai crescendo. Quando a história chega próxima da gravação dos dois primeiros discos, os personagens se transformam em carne e osso”, complementa Mariana.

“Achamos que isso casou perfeitamente com a estética dos anos 1980. A televisão estava sofrendo uma transformação também, então as imagens de arquivo, e a textura delas, têm um papel fundamental no filme”, relata Frederico. Para recriar o ambiente artístico daquele momento, os diretores acrescentaram ao longa imagens do cinema paulista da época e de outros cantores, além de mostrar como a imprensa via aquilo. “O filme dialoga com tudo o que estava acontecendo naquele Brasil do final da ditadura militar”, afirma.

Síntese perfeita

 Grupo Rumo em apresentação no ano de 1983. Foto: Acervo / Reprodução. Grupo Rumo em apresentação no ano de 1983. Foto: Acervo / Reprodução.

Rumo em show no SESC em 2020. Foto: Acervo / Reprodução.Rumo em show no SESC em 2020. Foto: Acervo / Reprodução.

“Os diretores conseguiram chegar a uma síntese muito bem feita de tudo que aconteceu com o Rumo e mesmo com tudo o que rolava à época”, confirma o músico Luiz Tatit, um dos integrantes do grupo desde sua formação original, que também é professor do Departamento de Linguística da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH) da USP. 

“O documentário apresenta com originalidade e emoção diversas etapas da nossa trajetória um tanto ‘heroica’, sempre à margem da indústria musical. Tem até um caráter meio épico, porque só assim era possível se sobressair num ambiente controlado de forma exclusiva pela ‘grana’. Isso tudo está no filme, mas com um roteiro musical de tirar o fôlego”, avalia Tatit. Para ele, as animações apresentadas na primeira parte do filme trazem uma surpresa bem-humorada ao público. “Nós mesmos rimos muito quando vimos pela primeira vez”, afirma.

Quanta gente!
Com ar aborrecido olhando pro chão
Pro reflexo dos edifícios e dos carros
Nas poças d’água
E pros pingos, pingando, pingando, pingando

(Ladeira da Memória).

Grupo Rumo com fundo do album "Rumo ao Vivo", 1991. Imagem: Acervo / Reprodução.Grupo Rumo com fundo do album "Rumo ao Vivo", 1991. Imagem: Acervo / Reprodução.

Ao escutar a canção Ladeira da Memória (1983) — a mais ouvida da página do grupo Rumo no Spotify — e outras músicas do grupo, percebe-se a originalidade das suas composições, que trazem a fala cotidiana para as melodias. Com esse trabalho característico, o Rumo tornou-se um dos principais destaques da Vanguarda Paulista (ou Vanguarda Paulistana), movimento cultural que ocorreu na cidade de São Paulo entre 1979 e 1985. 

Marcada por certo experimentalismo e uma nova forma de compor, a proposta do movimento encontrava resistência na televisão e nas rádios, por se diferenciar do que era mais comum e popular nessas mídias. Por isso, as produções da Vanguarda Paulista ficaram mais restritas ao cenário alternativo e a iniciativas independentes. O grupo Rumo dividia o momento com personalidades como Arrigo Barnabé e Itamar Assumpção e com os grupos Premeditando o Breque e Língua de Trapo.

Quando o Rumo foi constituído, em 1974, por estudantes universitários — em sua maioria da Escola de Comunicações e Artes (ECA) da USP —, a formação original contava com dez integrantes: Akira Ueno, Ciça Tuccori, Gal Oppido, Geraldo Leite, Hélio Ziskind, Luiz Tatit, Ná Ozzetti, Paulo Tatit, Pedro Mourão e Zecarlos Ribeiro. Ciça Tuccori morreu em 2003.

Luiz Tatit conta que o primeiro show do Rumo foi naquele mesmo ano, no colégio Equipe, em São Paulo. Depois, ele se apresentou na Faculdade de Arquitetura e Urbanismo (FAU) da USP e nos teatros da Aliança Francesa e do Museu da Imagem e do Som (MIS), dentre outros centros culturais da capital. 

“Até então, o grupo se encontrava apenas para conversar sobre a proposta de uma nova maneira de composição e arranjo para a música brasileira. Nosso material de estudo era, em especial, a canção de rádio dos anos 1930 e 1940, quando nascia o samba ‘profissional’, aquele que era gravado em disco e que participava de programas de rádio”, diz Tatit. “Queríamos chegar a uma canção com sonoridade diferente, mas que mantivesse os principais ‘ingredientes’ na relação entre melodia e letra, que, para nós, era a própria identidade da canção.” 

Ele também destaca a heterogeneidade do grupo, que era formado por músicos, mas também por estudantes de Arquitetura, Letras, Sociologia e Psicologia. Isso agregava diversidade, em termos dos interesses dos participantes. 

Luiz Tatit em cena do documentário. Imagem: Reprodução.Luiz Tatit em cena do documentário. Imagem: Reprodução.

Ah!
Mas é tão boa essa palavra
Carregada de sentido
E com o som tão delicado
Agora eu vou ter que trocar

Ah! (1981).

Segundo Tatit, a ideia de música nova vinha das experiências vanguardistas da música erudita. “Mas os critérios de inovação teriam que ter a personalidade do mundo da canção, e não da música em sentido amplo”, explica. Sobre a incorporação da melodia da fala, ou seja, as entonações, como matéria-prima das composições do Rumo, Tatit diz que “era o que já acontecia, sem consciência explícita, nas composições dos sambas antigos”. Esses músicos compunham a partir do modo de falar, com apoio em ritmos percussivos ou em pequenas orquestras, diz. 

“Nos anos 1980, essas canções entoativas tornaram-se marca do Rumo — o grupo da ‘música falada’ —, já que a entoação era especialmente preservada nos arranjos instrumentais. A ponto de o público pensar que a gente estava improvisando quando cantava aquelas canções”, conta Tatit. “De fato, a sonoridade do Rumo era bem diferente do que se ouvia nas rádios e, provavelmente, era também o que nos impedia de entrar na programação radiofônica da época”, avalia.

Em 1977, o Rumo também passou a realizar uma atividade paralela de recriação interpretativa. Cantavam obras do passado musical brasileiro, de compositores como Noel Rosa, Lamartine Babo e Sinhô, cujos sambas eram objetos de estudo do grupo.

“Naquela época, era muito difícil chegar ao primeiro disco sem vínculo com gravadoras. Só em 1981 tivemos essa oportunidade, mas com produção ‘independente’”, lembra Tatit. Naquele ano, o grupo lançou dois LPs com seus melhores trabalhos: Rumo e Rumo aos Antigos. O primeiro era formado por canções originais e o segundo, por suas recriações. “Ambos atingiram cerca de 20 mil cópias vendidas, sem ajuda de gravadora ou das rádios de grande audiência”, diz. Os discos garantiram ao grupo dois prêmios da Associação Paulista de Críticos de Arte (APCA), de Melhor Grupo Vocal e Melhor Grupo Instrumental.

Rumo em foto de 1979. Foto: Acervo / Reprodução.Rumo em foto de 1979. Foto: Acervo / Reprodução.

“Esse lançamento coincidiu com o aparecimento de outras bandas que também traziam novas propostas de composição. Surgia, além disso, um núcleo de apoio a todas essas iniciativas independentes, conhecido como Teatro Lira Paulistana, tudo no coração do bairro de Pinheiros, na Praça Benedito Calixto”, relembra o músico. “Talvez essa reunião de esforços tenha alimentado, por algum tempo, certo sucesso de todos esses artistas, mesmo que jamais tenham entrado no mainstream. Esses grupos eram conhecidos em São Paulo, no Rio de Janeiro, em Minas Gerais, em Brasília, mas não chegaram a ter êxito realmente nacional”, considera Tatit.

Os trabalhos seguintes do Rumo foram Diletantismo (1983), Caprichoso (1985) e Quero Passear (1988), sendo este último um disco infantil lançado pelo selo Eldorado. Por ele, receberam dois Prêmios Sharp — hoje chamado Prêmio da Música Brasileira — nas categorias Melhor Disco Infantil, de 1988, e Melhor Canção Infantil, pela música A Noite no Castelo. Em 1989, uma antologia dos melhores trabalhos do grupo foi lançada também pelo selo Eldorado, o LP O Sumo do Rumo. Os shows do grupo eram elogiados pela crítica paulistana, e uma dessas apresentações, realizada em 1991 no Sesc Pompeia, foi gravada para o CD Rumo ao vivo.

Afasta um pouquinho
Vai mais pra lá
Pra dar perspectiva
Assim, ooh,
Agora eu te reconheço

(Encontro, 1981).

Grupo Rumo em foto de divulgação de temporada em 2020. Foto: Gal Oppido.Grupo Rumo em foto de divulgação de temporada em 2020. Foto: Gal Oppido.

Alguns anos mais tarde, em 2004, o grupo relançou seus álbuns em CD, realizou shows e fez uma exposição sobre sua trajetória no mesmo Sesc Pompeia. Também gravou um DVD em celebração aos seus 30 anos. Já em 2009, Sopa de Concha foi lançado a partir de gravações encontradas no Instituto Moreira Salles (IMS) do Rio de Janeiro por Geraldo Leite, um dos membros do Rumo. Grandes músicos participaram do instrumental, enquanto o grupo produziu as interpretações vocais. 

Entre suas melhores lembranças da trajetória do Rumo, Tatit diz que os dois primeiros discos foram inesquecíveis. “Nossa primeira ida ao Rio para fazer temporada na sala Funarte também foi surpreendente. A rádio Fluminense FM fez uma grande promoção e foi um imenso sucesso de público e crítica. Não esperávamos”, relembra.

O trabalho mais recente do Rumo, Universo, foi lançado em 2019 pelo selo Sesc. Com 14 canções inéditas, o álbum marca uma reunião dos nove integrantes do grupo, após 45 anos de sua formação.

O documentário Rumo pode ser assistido no Espaço Itaú de Cinema (Rua Augusta, 1.470, centro, São Paulo). O filme deve chegar às plataformas digitais no início de agosto.

***
Por Gabriela Caputo no Jornal da USP.

"Floresta linguística" homenageia 23 das mais de 7 mil línguas faladas atualmente no mundo. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1."Floresta linguística" homenageia 23 das mais de 7 mil línguas faladas atualmente no mundo. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.

"Graças à palavra o mundo parece ter um sentido", diz o Nobel da Literatura José Saramago em um vídeo exibido na exposição permanente do Museu da Língua Portuguesa, que será reaberto no próximo 31 de julho depois de um incêndio em dezembro de 2015 ter destruído parte do prédio, localizado na Estação da Luz, região central de São Paulo.

O Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado em 2006 e ardeu em chamas em 21 de dezembro de 2015. Foto: Cris Fraga.O Museu da Língua Portuguesa foi inaugurado em 2006 e ardeu em chamas em 21 de dezembro de 2015. Foto: Cris Fraga.

Na frase de Saramago, a palavra que dá sentido ao mundo é em língua portuguesa, idioma falado por 261 milhões de pessoas em todo o mundo.

“A gente costuma provocar a pessoa para olhar para a língua não como um objeto. Porque você fala e não percebe que a língua é algo central na sua formação. Eu costumo dizer que a gente sonha, a gente pensa, a gente ama em português, e as pessoas não pensam nessas diferentes dimensões que nos constituem”, afirma o curador Hugo Barreto.

O G1 participou de uma visita monitorada pelos curadores na manhã da última segunda-feira (12). Logo na entrada, uma viga de madeira do telhado que foi queimada no dia do incêndio está exposta para relembrar a história aos visitantes.

Museu da Língua Portuguesa será reaberto no próximo dia 31 de julho. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1Museu da Língua Portuguesa será reaberto no próximo dia 31 de julho. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1

O visitante é parte atuante na exposição na medida em que o museu é composto por instalações interativas, algumas totalmente novas e outras que foram preservadas e atualizadas, de acordo com a também curadora Isa Grinspum Ferraz.

“Nossa maneira de estar no mundo é através da língua portuguesa. Se a gente quer pensar em um futuro para o Brasil, a gente tem de conhecer a nossa história e a nossa língua. O museu convida o visitante a pensar a língua e a conhecê-la. Todos nós nascemos imersos na língua e não nos damos conta que ela pode ser um objeto de reflexão, pensamento, aprendizado e mesmo de descoberta. Mantivemos a alma do museu, mas ampliamos nosso olhar sobre esse tema. Cada língua é um mundo”, afirma Ferraz.

A viga queimada que está exposta na entrada do museu relembra o acidente do dia 21 de dezembro de 2015. Foto: DivulgaçãoA viga queimada que está exposta na entrada do museu relembra o acidente do dia 21 de dezembro de 2015. Foto: Divulgação

Cerca de 85% da madeira necessária para a recuperação das esquadrias do Museu da Língua Portuguesa foram utilizados do próprio material já existente no edifício. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.Cerca de 85% da madeira necessária para a recuperação das esquadrias do Museu da Língua Portuguesa foram utilizados do próprio material já existente no edifício. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.

A exposição mostra a história e trajetória da língua portuguesa, que vem sendo modificada por seus falantes e incorporando palavras de origens diversas, como árabe, africana e indígena. Mas além disso, a língua falada nas ruas é protagonista de vários dos espaços no museu, de acordo com Hugo Barreto.

“A língua está sempre em movimento e constante transformação. Ela é forjada pelas ruas e pelos poetas. De uma certa maneira, existe a dimensão da erudição da língua culta que alguns supervalorizam, mas ela não é o que orienta a própria trajetória da língua”, afirma ele.

A ideia, porém, não foi hierarquizar a língua oral em detrimento da erudita, de acordo com Ferraz, mas mostrar ao visitante que não importa quem ele seja, enquanto falantes de língua portuguesa, todos nós somos autores da língua de alguma maneira.

“A língua culta também é homenageada na Rua da Língua, onde temos, por exemplo, Augusto de Campos ao lado do grafite. Não quisemos hierarquizar, toda a língua portuguesa tem sua riqueza e beleza e seu contexto de uso. Todos os falantes são autores da língua de alguma maneira”, afirma.

Exposição permanente do Museu da Língua Portuguesa foi revista e ampliada. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.Exposição permanente do Museu da Língua Portuguesa foi revista e ampliada. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.

A Rua da Língua a que se refere Ferraz é um painel de 106 metros de comprimento onde são projetados murais e outdoors como se ali fossem as ruas das cidades: pichações, provérbios, poemas, propaganda e inscrições anônimas da grande cidade.

O painel já existia antes do incêndio, de acordo com Ferraz, mas o olhar sobre a língua portuguesa foi ampliado com reflexões dos cerca de 4 milhões de visitantes que o museu teve em seus dez anos de funcionamento. A linha do tempo, no segundo andar, possui uma escultura do poeta e cantor Arnaldo Antunes que simboliza justamente a língua portuguesa em movimento.

"A língua intermedia nossa relação com o mundo. Já a poesia possibilita experiências diretas, mas ela é em si um mundo", diz Antunes em um vídeo feito exclusivamente para o museu.

Novidades

Escultura de Arnaldo Antunes que sintetiza a ideia de que a língua está em movimento. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1Escultura de Arnaldo Antunes que sintetiza a ideia de que a língua está em movimento. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1

Entre as novas instalações estão “Línguas do Mundo”. Trata-se de uma “floresta de línguas” feita com totens que recitam frases em 23 das mais de 7 mil línguas faladas atualmente.

Já a instalação “Falares”, traz diferentes sotaques e expressões do idioma no Brasil. Por fim, a instalação “Nós da Língua Portuguesa” apresenta a língua portuguesa no mundo, com os laços, embaraços e a diversidade cultural da Comunidade de Países de Língua Portuguesa (CPLP).

Continuam no acervo as principais experiências, como a instalação “Palavras Cruzadas”, que mostra as línguas que influenciaram o português no Brasil; e a “Praça da Língua”, espécie de planetário do idioma que homenageia a língua portuguesa escrita, falada e cantada em um espetáculo imersivo de som e luz.

No terceiro piso, há um terraço com vista para o Jardim da Luz e a torre do relógio. Este espaço, que homenageia o arquiteto Paulo Mendes da Rocha, que morreu neste ano, receberá um café.

Exposição temporária

Museu da Língua Portuguesa coloca falantes como a cartunista Laerte e o indígena Denilson Baniwa para pensar a respeito da língua. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.Museu da Língua Portuguesa coloca falantes como a cartunista Laerte e o indígena Denilson Baniwa para pensar a respeito da língua. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.

O primeiro andar do museu é dedicado às exposições temporárias. A mostra “Língua Solta”, que traz os diversos desdobramentos da língua portuguesa na arte e no cotidiano, marca a reinauguração do espaço.

São 180 peças que vão desde mantos bordados por Bispo do Rosário até uma projeção de memes do coletivo Saquinho de Lixo, com curadoria de Fabiana Moraes e Moacir dos Anjos.

Os visitantes terão contato com o embaralhamento proposto pelos curadores, conectando a arte à política, à vida em sociedade, às práticas do cotidiano e às formas de protesto, de religião e de sobrevivência - sempre atravessados pela língua portuguesa.

Registros de língua portuguesa na exposição temporária do Museu da Língua convidam a refletir sobre a língua. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.Registros de língua portuguesa na exposição temporária do Museu da Língua convidam a refletir sobre a língua. Foto: Bárbara Muniz Vieira/G1.

Cartazes de rua, cordéis, brinquedos, revestimento de muros e rótulos de cachaça se misturam a obras de artistas como Mira Schendel, Leonilson, Rosângela Rennó e Jac Leirner, entre outros.

Antes do incêndio, o museu promoveu mais de 30 exposições temporárias. Entre os homenageados com exposições estiveram escritores como Guimarães Rosa, Clarice Lispector, Machado de Assis e Fernando Pessoa, além do cantor e compositor Cazuza.

Mais segurança

A reconstrução também incorpora melhorias de infraestrutura e segurança, especialmente contra incêndios, que superam as exigências do Corpo de Bombeiros. Entre as novas medidas, está a instalação de sprinklers (chuveiros automáticos) para reforçar o sistema de segurança contra fogo.

Além da restauração, houve toda uma atualização das normas de segurança. Foto: Valeria Gonçalvez / Estadão.Além da restauração, houve toda uma atualização das normas de segurança. Foto: Valeria Gonçalvez / Estadão.No caso do museu, os sprinklers não são uma exigência legal, mas foi uma recomendação dos bombeiros acatada para trazer mais segurança para o projeto. Cerca de 85% da madeira necessária para a recuperação das esquadrias foi utilizada do material já existente no edifício, com a reutilização de madeira da cobertura original, datada de 1946. "Uma viga de madeira queimada no dia do incêndio está na entrada do museu para relembrar a história aos visitantes", disse o curador.

Já na construção da nova cobertura, foram empregadas 89 toneladas (67 m³) de madeira certificada proveniente da Amazônia.Os recursos necessários para a reconstrução do Museu da Língua Portuguesa foram de R$ 85,8 milhões – a maior parte do valor é proveniente de parceria com a iniciativa privada via lei federal de incentivo à cultura e indenização do seguro contra incêndio.

Serviço

O trabalho de restauração das fachadas do Museu da Língua Portuguesa. Foto: Gilberto Marques / A2imgO trabalho de restauração das fachadas do Museu da Língua Portuguesa. Foto: Gilberto Marques / A2imgMuseu da Língua Portuguesa

Praça da Luz, s/nº, Portão 1, Bom Retiro.
Terça a domingo, 9h às 18h (bilheteria fecha às 16h30) (40 pessoas por vez).
Ingressos: R$ 20 (inteira), R$ 10 (meia). Grátis aos sábados. Compra pelo site sympla.com.br.
Os ingressos estarão disponíveis a partir da próxima semana e poderão ser adquiridos exclusivamente pela internet, com dia e hora marcados, e a capacidade de público está restrita a 40 pessoas a cada 45 minutos. Os visitantes receberão chaveiros touchscreen para evitar toque nas telas interativas.
A cerimônia oficial de inauguração, no dia 31, terá transmissão ao vivo pelas redes sociais do museu. A posterior abertura ao público se dará sob as restrições determinadas pelas medidas de combate à Covid-19.

A reconstrução do Museu da Língua Portuguesa é uma iniciativa do Governo do Estado de São Paulo em parceria com a Fundação Roberto Marinho.

***
Com informações do G1.

O festival In-Edit Brasil começou oficialmente nesta última quarta-feira, 16, e segue até o dia 27 com uma seleção de filmes para se ver em casa, de graça ou pagando muito pouco, R$ 3, pela plataforma https://br.in-edit.org/.

Uma parte da programação das mais das 50 produções ficará também na plataforma do Sesc Digital, a sescsp.org.br/cinemaemcasa, e, a partir de 28 de julho, um dia após o término oficial da exibição, alguns filmes permanecem até 28 de setembro no espaço virtual da Spcine Play: https://www.spcineplay.com.br/. Ou seja, se há perdas físicas na realização de um festival inteiramente virtual, os ganhos também existem, e a possibilidade de vê-los fora das exigências de horários impossíveis a muita gente é um deles.

A maioria dos filmes vistos com antecedência pela reportagem faz parte da programação nacional e ao menos três deles saltam aos olhos pela carga emocional e pela fuga do costumeiro depoimento seguido de depoimento. Algo muito difícil de se conseguir.

Alzira E - Aquilo Que Eu Nunca Perdi, de Marina Thomé, é um deles. Sensível, investigativo, tem imagens preciosas de arquivo da grande família Espíndola e esforços de uma câmera esperta. Marina olha para Alzira, e já era tempo de alguém fazer isso, sem querer criar conflitos onde eles não existem para valorizar seu personagem. Ela a trata com respeito e valoriza seus muitos encontros, desde a saída do lar dos cinco irmãos artistas, em Mato Grosso do Sul, até a chegada definitiva a São Paulo e sua união com Itamar Assumpção, Luli e Lucina, Luiz Waak, Arrigo Barnabé e Ney Matogrosso. Gente de cantos diferentes que, incrivelmente, falava a mesma língua.

Jair Rodrigues em imagem do filme 'Jair – Deixa que digam'. Foto: DivulgaçãoJair Rodrigues em imagem do filme 'Jair – Deixa que digam'. Foto: Divulgação

A vida de Jair Rodrigues aparece perfilada por Rubens Rewald no ótimo Deixa que Digam. Sempre foi um desafio biografar Jair, um homem sem conflitos e sem contradições, dois temperos tomados como imprescindíveis às grandes histórias. Talvez um único período de contratempo mencionado no longa de 100 minutos seja um afastamento de Jair da mídia, por um suposto desinteresse por parte dos veículos de comunicação, entre meados dos anos 1980 e entrada dos 90, mas há dúvidas que mesmo isso possa tê-lo afetado. Jair é uma pedreira a quem busca problematizá-lo. Ele não se levantou contra os militares, não por apoiá-los, mas por não politizar a vida para a qual insistia em sorrir.

Não assumiu o passado na lavoura no interior de São Paulo como uma história de superação por nunca entender que precisava de uma para ser maior do que já era, e nunca valorizou possíveis casos de racismo contra sua pessoa para levantar-se com a imponência de um militante. A história de Jair Rodrigues, sem dramas internos, é grandiosa exatamente por isso. E as cenas em que o filho Jair de Oliveira interpreta as falas e os trejeitos do pai para narrar alguns episódios foram uma sacada brilhante.

“Paulo César Pinheiro – Letra e alma”, dirigido por Cleisson Vidal e Andrea Prates, apresenta a trajetória do cantor e compositor carioca. Foto: Divulgação.“Paulo César Pinheiro – Letra e alma”, dirigido por Cleisson Vidal e Andrea Prates, apresenta a trajetória do cantor e compositor carioca. Foto: Divulgação.

Autor dos mais prolíficos do samba e da MPB, Paulo César Pinheiro é tema de Letra e Alma, de Andrea Prates e Cleisson Vidal. As imagens de arquivo estão lá, mas o eixo central é guiado pelo close das câmeras que visitam o compositor em seu apartamento, no Rio, para ouvir suas tantas histórias. Paulo recita alguns de seus versos e conta passagens ótimas sobre as origens de músicas conhecidas. E Lá Se Vão Meus Anéis, assinada com o parceiro de São Paulo, Eduardo Gudin, e gravada pelos Originais do Samba, saiu depois de uma longa noite em que ele levou um saco de dinheiro consigo até esquecê-lo, na final da madrugada, dentro de um táxi. Há muitos casos de cortes em seus versos feitos pela censura e de ameaças veladas para que ele mudasse seu jeito de compor. Claro, todas elas devidamente ignoradas.

“Todas as Melodias” entrega saudade para quem é fã do músico. Foto: Rubens Maia / Divulgação.“Todas as Melodias” entrega saudade para quem é fã do músico. Foto: Rubens Maia / Divulgação.

É bonito também o filme Todas as Melodias, que Marco Abujamra fez sobre a história de Luiz Melodia, com muitas imagens raras e um foco especial na narração da mulher do cantor, Jane Reis. Não é definitivo e, de Melodia, cabem sempre muitos mergulhos, mas emociona, informa e, o mais importante, contamina a quem assiste com a irresistível aura deste artista. A matriz criativa de Melodia foi estabelecida sobre fontes diferentes daquelas de seus pares. De todos esses gigantes, ele é um raro pensador de música brasileira que disse sim ao blues e ao rock para fazê-los andar junto a todo samba que chegava ao Estácio. Melodia não precisou sufocar seus estrangeirismos para afirmar uma brasilidade imaginária. É por isso que o blues, mesmo diluído, está em tudo o que fez.

Canto de Família, de Paula Bessa Braz e Mihai Andrei Leaha, conta a história da família dos irmãos Cruz, gente humilde e de talento que vive de ensinar jovens e crianças muito pobres em uma escola de música num dos bairros mais violentos de Fortaleza. Que bom que o filme não cai na armadilha de mostrá-los deslumbrados quando chegam ao Rio de Janeiro para um concurso de música. Seria tão forçado quanto a ideia de Wim Wenders em mostrar os velhinhos cubanos do Buena Vista maravilhados ao chegarem aos Estados Unidos. O filme brasileiro é real em tudo.

'Rockfield: The Studio On The Farm', é um documentário sobre o lendário estúdio em que os álbuns clássicos do rock foram gravados. Imagem: Divulgação.'Rockfield: The Studio On The Farm', é um documentário sobre o lendário estúdio em que os álbuns clássicos do rock foram gravados. Imagem: Divulgação.

Um dos destaques internacionais é Rockfield, que narra a história de dois irmãos fazendeiros do interior do País de Gales que criaram, por serem apaixonados por rock and roll desde que ouviram Elvis Presley, o primeiro estúdio caseiro do mundo. É para lá, no meio dos porcos e das vacas, que vão gravar Robert Plant em sua fase de procura por si mesmo no pós-Led Zeppelin; Ozzy Osborne em busca de um som com o Black Sabbath; o Simple Minds, que recebe a visita de David Bowie; Lemmy Kilmister e seu carregamento de drogas; e os irmãos Gallagher, do Oasis, como sempre, em pé de guerra.

Outros nacionais

Chico Mário - A Melodia da Liberdade
Silvio Tendler, Brasil, 2020, 100 min

Francisco Mário de Sousa tinha tudo para ser ofuscado por dois de seus irmãos: o cartunista Henfil e o sociólogo Betinho. Mas foi na música que ele descobriu sua maneira de se expressar e de olhar o mundo.

Dois tempos
Pablo Francischelli, Brasil, 2020, 88 min

O diretor Pablo Francischelli nos traz um road movie, tendo como protagonistas os violonistas Yamandu Costa e Lucio Yanel e um velho motorhome. Mas este encontro não é ao acaso. O argentino Yanel foi mestre de Yamandu e, aqui, eles se reencontram, muitos anos depois, para viajarem rumo ao sul, em direção a Corrientes, cidade natal de Lucio, para se apresentarem em um festival.

Secos & Molhados
Otávio Juliano, Brasil, 2021, 90 min.

Grupo Secos & Molhados tem história recontada em documentário sob a perspectiva de João Ricardo. Foto: Ary Brandi.Grupo Secos & Molhados tem história recontada em documentário sob a perspectiva de João Ricardo. Foto: Ary Brandi.

Neste documentário, João Ricardo, o criador da banda, surge contando a sua história. Com o Teatro Municipal de São Paulo vazio a seus pés, ele narra sua infância, a iniciação musical, a criação dos Secos & Molhados, a estreia, o sucesso e as brigas.

Toada para José Siqueira
Eduardo Consonni e Rodrigo T. Marques, Brasil, 2020, 131 min.

José de Lima Siqueira nasceu no alto sertão paraibano e lá teve sua iniciação musical. Anos depois, foi para o Rio de Janeiro para estudar composição e regência, e acabou fundando a Orquestra Sinfônica Brasileira.

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Com informações de O Estado de S. Paulo.

Na mostra, Lilian Pacce, curadora, Claudia Liz e Criola, artistas, fazem a intersecção de suas visões artísticas sobre o universo e as questões atuais da mulher. "Oportunidade" de Liz. Imagem: Divulgação.Na mostra, Lilian Pacce, curadora, Claudia Liz e Criola, artistas, fazem a intersecção de suas visões artísticas sobre o universo e as questões atuais da mulher. "Oportunidade" de Liz. Imagem: Divulgação.

Em 3 de junho, dia de Corpus Christi, chega à 7ª edição a Exposição da Paulista, iniciativa da União Geral dos Trabalhadores – UGT, que em 2021 traz um tema importante e urgente às mulheres e à população preta do Brasil: Feminino Plural.

Sustentando a necessidade de políticas públicas, o cumprimento dos instrumentos nacionais e internacionais de direitos humanos e o fim de todas as formas de violências e discriminações sobre mulheres e a população preta, questões abordadas pela central sindical em sua atuação juntos aos trabalhadores, a UGT convidou a jornalista, escritora, curadora e consultora de moda Lillian Pacce para a curadoria, que selecionou duas artistas/mulheres, com origens e trajetórias distintas, para traduzirem o tema:  Criola, mulher preta, grafiteira, que faz da arte urbana a sua luta política para fortalecer as mulheres negras, explorando cores e elementos bem brasileiros, e Cláudia Liz, artista multimídia, ícone da moda capaz de colocar sua arte em contextos tão diversos como ilustrar a coluna de política de um jornal de grande circulação e atuar num ensaio fotográfico pleno de atitude e questionamentos.

Criola faz da arte urbana a sua luta política para fortalecer as mulheres negras. Foto: Acervo pessoal da artista.Criola faz da arte urbana a sua luta política para fortalecer as mulheres negras. Foto: Acervo pessoal da artista.

A curadora ressalta a importância da discussão de questões tão urgentes para a toda a sociedade, através desta exposição de grande força tanto imagética, quanto do conteúdo transmitido por elas: “Tudo é muito forte! As obras produzidas exclusivamente para ‘Feminino Plural’ são ao mesmo tempo um alento e um alerta para este momento sombrio. A força das mensagens, das cores e da produção destas duas artistas, vindas de universos tão distintos, costuram vários temas absolutamente relevantes para toda a coletividade como diversidade, liberdade, sororidade, igualdade de direitos e resistência das mulheres, brancas ou pretas.”

 Claudia Liz, artista multimídia e ícone da moda em seu ateliê. Foto: Adriano Damas. Claudia Liz, artista multimídia e ícone da moda em seu ateliê. Foto: Adriano Damas.

“Homenageio aqui mulheres que tem muito a nos ensinar e convido vocês a ouvirem suas vozes, convido vocês também a refletirem sobre padrões de beleza que encarceram o feminino e sobre o desejo de liberdade e de segurança para simplesmente ser mulher e exercer uma cidadania plena e equitativa. Não ha espaço na Paulista para todas nos entrarmos, então selecionei algumas mulheres que foram importantes nessa reflexão: Djamila Ribeiro, Tomie Ohtake, Sonia Guajajara, Marielle Franco, entre outras”, declara Cláudia Liz. E Criola emenda: “Fico muito feliz e honrada com o convite para participar desse projeto, principalmente pela importância em abordar temas urgentes e necessários exatamente nesse momento histórico que estamos atravessando.”

"Brazil" obra de Criola. Imagem: Divulgação."Brazil" obra de Criola. Imagem: Divulgação.

A Exposição da Paulista, uma das maiores exposições ao ar livre do mundo ocupará, de 3 a 30 de junho, um quilômetro da ciclovia da principal artéria da cidade, a Avenida Paulista, entre a Rua Augusta e a Alameda Campinas.

“Feminino plural, esse tema sempre foi muito caro à UGT. Essas bandeiras nos acompanham desde a nossa fundação, em 2007. Agora, estamos fazendo essa exposição, homenageando as mulheres. Todas elas, brancas ou pretas, são muito importantes nessa luta pela igualdade de direitos”, afirma Ricardo Patah, presidente da UGT e atual presidente do Sindicato dos Comerciários de São Paulo.

A vereadora carioca Marielle Franco por Cláudia Liz. Imagem: Divulgação.A vereadora carioca Marielle Franco por Cláudia Liz. Imagem: Divulgação.A mostra, que traz 30 obras inéditas criadas especialmente sobre o tema, 15 de cada artista, amplia seu alcance, através de uma visita virtual, que será lançada logo após a abertura – que tradicionalmente acontecia em maio em celebração ao Dia do Trabalho, em 2020 e, agora, em 2021, foi transferida por imposição da pandemia da Covid-19, seguindo os protocolos assumidos pelo Governo Estadual e pela Prefeitura de São Paulo.

“A Exposição em formato virtual amplia para todo o Brasil e para fora também o alcance da Exposição para além dos 5 milhões de pessoas diferentes que passam em um mês pela Paulista. As ações digitais de lançamento, como podcasts e lives com curadoria e artistas, aumentam a eficiência das contrapartidas aos patrocinadores e massifica ainda mais a discussão de temas tão fundamentais como etnia e gênero”, declara André Guimarães, da Maná Produções.

"Sem Título" por Criola. Imagem: Divulgação."Sem Título" por Criola. Imagem: Divulgação.

Combater discriminações étnicas, religiosas e de gênero é missão da UGT, que vem trabalhando pelo desenvolvimento e execução de políticas públicas específicas para estes grupos historicamente vulneráveis.

Apesar de serem a maioria da população brasileira (51,8%, segundo o IBGE), as mulheres ainda enfrentam cenários desiguais, seja na divisão das tarefas domésticas ou nos ganhos no mercado de trabalho. As mulheres, em especial as mulheres negras, são as que mais sofrem com a pobreza extrema, com o analfabetismo, com as falhas do sistema de saúde e com a violência doméstica. A UGT mantém sua luta pelos direitos dos trabalhadores e, em especial, pelas mulheres, neste momento em que a pandemia escancara as diferenças e as dificuldades existentes em nosso país e a perda de direitos dos trabalhadores se aprofundam. A mesma pesquisa mostra que mais da metade das mulheres que tem crianças de até 3 anos estão fora do mercado (54,6%). Isso sem falar no aumento da violência doméstica e dos casos de feminicídio durante a pandemia.

Enfermeira Mônica em criação de Cláudia Liz. Imagem: Divulgação.Enfermeira Mônica em criação de Cláudia Liz. Imagem: Divulgação.

“Lute você também contra o feminicídio, o racismo, os preconceitos, os assédios, o machismo, o patriarcalismo, a misoginia, as desigualdade de gênero e as injustiças sociais, econômicas e raciais”, declara Chiquinho Pereira, Secretário Nacional de Organização e Formação Político-sindical da UGT, que completa: “As mulheres e meninas merecem respeito, empoderamento, apoio e participação efetiva de toda a sociedade brasileira nos debates e ações por seus direitos humanos e pelo fim de todas as formas de violência, opressão e discriminação.”

Exposição da Paulista – Feminino Plural

Eli Iwasa traz sua ancestralidade para apresentação singular na Oca. Foto: Pedro Pinho.Eli Iwasa traz sua ancestralidade para apresentação singular na Oca. Foto: Pedro Pinho.

A Oca do Parque Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo, será palco do Festival Não Existe de música eletrônica brasileira na quinta-feira (27) e na sexta-feira (28). O evento será totalmente transmitido online e ao vivo pelo canal da Gop Tun, realizadora do festival, em função da pandemia de coronavírus.

Um dos destaques na programação é a apresentação inédita e exclusiva do músico Marcio Lomiranda - pioneiro do uso de sintetizadores no país - que nunca se apresentou ao público antes.Reconhecido por sua parceria musical com Alceu Valença, Ney Matogrosso, Cássia Eller e Milton Nascimento, Lomiranda cria uma trilha sonora ao vivo para o filme da jornalista, fotógrafa e filmmaker Gabriela Rabaldo.

Uma das mais importantes representantes femininas da cena e DJ precursora nos anos 90, Eli Iwasa apela às suas raízes para, mais uma vez, se reinventar musicalmente, trazendo um repertório de pós-punk ao Festival. Fundadora do clube Caos, em Campinas, empresária e modelo, Eli é uma das DJs mais respeitadas no Brasil, tendo passagens por megafestivais, como Rock In Rio e Time Warp.

Ensaios para captação de som. Foto: Felipe Gabriel / Divulgação.Ensaios para captação de som. Foto: Felipe Gabriel / Divulgação.

De acordo com os organizadores, o Festival Não Existe apresenta ao público a evolução dos artistas diante de todo o novo cenário e de novas referências e perspectivas em apresentações inéditas, aparições raras, talks e DJ sets especiais.

Para celebrar a efervescência da cena, ao lado de grandes nomes da música eletrônica que fortalecem essa dinâmica proposta pelo coletivo, a Oca - prédio-monumento de Oscar Niemeyer no Parque Ibirapuera - foi escolhida como palco.

O festival explora todas as possibilidades de espaço deste patrimônio histórico da cidade, com captação de ponta que, além de apresentar novas perspectivas sobre a Oca, em seu primeiro evento durante a pandemia, mostra outros aparelhos culturais e imóveis históricos do entorno do parque, conferindo mais dinamismo às performances.

Mais destaques

A DJ e produtora musical paulista BADSISTA também integra o line-up em apresentação singular para o Festival Não Existe. A artista, que já teve parcerias com Jaloo, Linn da Quebrada e Urias, coleciona sucessos e elogios em território nacional e internacional.

Vermelho Wonder. Foto: Pedro Pinho.Vermelho Wonder. Foto: Pedro Pinho.

A programação também traz Vermelho Wonder, apresentação do DJ Márcio Vermelho e de Ivana Wonder, alter ego performer e cantora de Victor Ivanon, que trazem à Oca suas novas composições autorais, além de versões sintetizadas e soturnas para clássicos da MPB.

Outro destaque é a apresentação de Arthur Joly, considerado o mestre dos sintetizadores. Há mais de 20 anos produzindo sintetizadores e pedais, Arthur Joly presenteia os fãs da música eletrônica em rara apresentação para o Não Existe.

Rakta. Foto: Felipe Gabriel / Divulgação.Rakta. Foto: Felipe Gabriel / Divulgação.

O Forró Red Light, projeto formado por Geninho Nacanoa e Ramiro Galas, se apresentará trazendo o forró para a realidade da música eletrônica contemporânea. A dupla apresenta um repertório de músicas próprias e remixes de clássicos do xote e do frevo. O último EP do Forró Red Light, “Tropeiros Trópicos”, foi lançado recentemente pelo selo Gop Tun.

Bate-papos 

Arthur Joly. Foto: Felipe Gabriel / Divulgação.Arthur Joly. Foto: Felipe Gabriel / Divulgação.

Além de apresentações musicais, a conversa “Não seria "black" toda "music"?”, com participação do historiador e DJ Gustavo Keno e as DJs Mari Boaventura e Lys Ventura, mediado pelo jornalista e pesquisador GG Albuquerque, integra o festival.

A renomada dupla de grafiteiros Osgemeos e o precursor da cena hip hop DJ Hum promovem o bate-papo "Que tempo bom, que não volta nunca mais", que remete às origens do movimento hip hop e a ansiedade pela liberdade da época, impulsionada pelas mobilizações democráticas que colocaram fim na ditadura militar brasileira.

Este momento é ilustrado pelos irmãos Gustavo e Otávio Pandolfo, que começaram a carreira artística como b-boys, e o DJ Hum com discos de suas coleções, mostrando também a conexão entre a cultura de rua e as pistas de dança. 

O Festival Não Existe acontece nesta quinta-feira (27) e sexta-feira (28). Foto: Felipe Gabriel / Divulgação.O Festival Não Existe acontece nesta quinta-feira (27) e sexta-feira (28). Foto: Felipe Gabriel / Divulgação.

Serviço:

Festival Não Existe

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Com informações da Agência Lema

Com sessões em dois horários aos sábados e domingos, evento exibirá filmes para todas as faixas etárias. Foto: CERET.Com sessões em dois horários aos sábados e domingos, evento exibirá filmes para todas as faixas etárias. Foto: CERET.

Ainda que a pandemia da Covid-19 não possibilite que a vida cultural paulistana volte à normalidade, algumas possibilidades ajudam a manter vivo o prazer de se apreciar arte em locais públicos. As charmosas sessões de cinema Drive-In ganharam, neste contexto, ainda mais força e chegam à Zona Leste da capital paulista com o ‘Cine Buzina’, que levará exibições gratuitas ao Parque CERET nos finais de semana entre 22 e 30/5, sempre em duas sessões diárias, às 18h30 e 21h. O projeto, exibirá  gratuitamente os filmes “Scooby – O Filme”, “Mulher-Maravilha 1984”, “Trolls 2”, “Bohemian Rhapsody”, “Soul”, “Mulan”, “Sonic: O Filme” e “Nasce Uma Estrela”. 

O primeiro final de semana do evento terá um cardápio com personagens famosos das telinhas, dos quadrinhos e da vida real. A sessão que abre o ‘Cine Buzina’ no CERET, no dia 22, às 18h30, exibirá ‘Scooby-Doo – O Filme’, produção de 2020 que se apoia na maior das aventuras do cão mais esperto dos desenhos animados e sua turma formada pelo seu fiel escudeiro Salsicha, Velma, Fred e Daphne. Mais tarde, às 21h, o público poderá assistir a uma das mais aclamadas películas do ano passado, “Mulher-Maravilha 1984”, de Patty Jenkins. Trata-se de uma obra que resgata a heroína (interpretada por Gal Gadot) adepta da empatia e da ternura, mesmo com os seus inimigos, em trama que traz um alento à dura realidade dos dias atuais.

Além de mostrar as origens da Mistério S/A, revelará que Scooby tem um destino maior do que seus amigos poderiam imaginar. Imagem: Divulgação.Além de mostrar as origens da Mistério S/A, revelará que Scooby tem um destino maior do que seus amigos poderiam imaginar. Imagem: Divulgação.

O domingo (23) será dia de a família se divertir com a animação “Trolls 2”, a partir das 18h30.  No filme é contada a saga de rainha Poppy (Anna Kendrick) e de seu amigo Tronco (Justin Timberlake), que descobrem a existência de outros povos de sua espécie, cada qual dedicado a um estilo musical diferente: rock, funk, música erudita, country e techno. Já às 21h, os mais velhos poderão se emocionar com a história do astro do rock Freddie Mercury no filme “Bohemian Rhapsody”, de 2018.

Para o final de semana seguinte estão programados dois filmes muito especiais. Em 29/5, ganha exibição a produção “Soul”, a mais nova animação que conquistou o Oscar na maior premiação do cinema mundial. A obra retrata a saga entre dois mundos, o do dia a dia e outro que representa o além-vida, a partir da história de Joe Gardner, um professor de música que recebe a chance de sua vida frente a uma banda de jazz. À noite, a telona ganha o detalhismo de imagens impressionantes com as aventuras de “Mulan”, longa de 2020 que traz a personagem central à forma humana.

‘Mulher-Maravilha 1984’: novo filme pega carona na ebulição dos anos 80 e reforça luta feminina. Foto: Divulgação.‘Mulher-Maravilha 1984’: novo filme pega carona na ebulição dos anos 80 e reforça luta feminina. Foto: Divulgação.

O fechamento do evento, em 30/5, ainda reserva emoções para crianças e adultos. Às 18h30, pequenos se deliciarão com as aventuras de “Sonic: O Filme”, que leva para a tela o herói dos videogames em suas batalhas contra o Doutor Eggman, um cientista louco que planeja dominar o mundo, e o Doutor Robotnik. Às 21h, projeção do filme que arrebatou corações com grandes atuações e boa música: “Nasce Uma Estrela”, de 2018. A história de Jackson Maine (Bradley Cooper) e Ally (Lady Gaga) encantou o mundo com a canção ‘Shallow’, que embala o romance entre os personagens.    

O ‘Cine Buzina’ foi iniciado em 2020, com 16 sessões em diferentes locais, com sucesso de público. “O Cine Buzina garantirá, mais uma vez, entretenimento para toda a família, levando diversão às pessoas de forma inclusiva, acessível e com segurança”, afirma Paulo Galina, gerente de marketing da Lorenzetti.

O enredo de 'Nasce uma Estrela', com Bradley Cooper e Lady Gaga,  já foi tema de filmes em 1937, 1954 e 1977, sempre com o mesmo título. Foto: Divulgação. O enredo de 'Nasce uma Estrela', com Bradley Cooper e Lady Gaga, já foi tema de filmes em 1937, 1954 e 1977, sempre com o mesmo título. Foto: Divulgação.

Os filmes são exibidos com áudio e legendas em português como medida de acessibilidade para pessoas surdas ou com baixa audição. O sistema de som tem conexão via rádio veicular e, dessa forma, o automóvel utilizado nas sessões deverá possuir um aparelho sonoro em boas condições. Todos os participantes deverão usar máscaras e, à entrada, será feita a aferição de temperatura. Somente serão admitidos quem apresentar até 37,2° C. É permitido levar alimentos e bebidas.

Serviço: Cine Buzina

Datas e horários: 22, 23, 29 e 30/5, às 18h30 e às 21h.
Local: Rua Eleonora Cintra, s/n, altura do número 1000 - Portão 4.
Ingresso: gratuito e disponível no site https://www.sympla.com.br/cinebuzina
Lotação: 150 vagas, sujeito a lotação.
Mais informações: Facebook - https://www.facebook.com/cinebuzina
Instagram: @cinebuzina

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Com informações da Baobá Comunicação.