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A Pinacoteca de São Paulo, museu da Secretaria da Cultura do Estado de São Paulo, apresenta, de 18 de agosto a 19 de novembro de 2018, a grande exposição coletiva Mulheres Radicais: arte latino-americana, 1960-1985, no primeiro andar da Pinacoteca.

Martha Araújo, (Brasileira, 1943). Hábito/Habitante (Habit/inhabitant), 1985. Documentação da performance. Coleção de Martha Araújo; cortesia Galeria Jaqueline Martins. Martha Araújo, (Brasileira, 1943). Hábito/Habitante (Habit/inhabitant), 1985. Documentação da performance. Coleção de Martha Araújo; cortesia Galeria Jaqueline Martins.

A mostra tem curadoria da historiadora de arte e curadora venezuelana britânica Cecilia Fajardo-Hill e da pesquisadora ítaloargentina Andrea Giunta e é a primeira na história a levar ao público um significativo mapeamento das práticas artísticas experimentais realizadas por artistas latinas e a sua influência na produção internacional. Quinze países estarão representados por cerca de 120 artistas, reunindo mais de 280 trabalhos em fotografia, vídeo, pintura e outros suportes. 

Josely Carvalho (Naturalizada norte-americana, nascida no Brasil, 1942), Waiting, 1982. Coleção da artista. Foto: Ed Mumford.Josely Carvalho (Naturalizada norte-americana, nascida no Brasil, 1942), Waiting, 1982. Coleção da artista. Foto: Ed Mumford.Quinze países estarão representados por cerca de 120 artistas, reunindo mais de 280 trabalhos em fotografia, vídeo, pintura e outros suportes.  A apresentação na capital paulista encerra a itinerância e conta com a colaboração de Valéria Piccoli, curadora-chefe da Pinacoteca.   

Mulheres radicais aborda uma lacuna na história da arte ao dar visibilidade à surpreendente produção, realizada entre 1960 e 1985, dessas mulheres residentes em países da América Latina, além de latinas e chicanas nascidas nos Estados Unidos. Entre elas, constam na mostra algumas das artistas mais influentes do século XX -- como Lygia Pape, Cecilia Vicuña, Ana Mendieta, Anna Maria Maiolino, Beatriz Gonzalez e Marta Minujín -- ao lado de nomes menos conhecidos -- como a artista mexicana Maria Eugenia Chellet, a escultora colombiana Feliza Bursztyn e as brasileiras Leticia Parente, uma das pioneiras da vídeoarte, e Teresinha Soares, escultora e pintora mineira que vem recebendo atenção internacional recentemente.  

O recorte cronológico da coletiva é tido como decisivo tanto na história da América Latina, como na construção da arte contemporânea e nas transformações acerca da representação simbólica e figurativa do corpo feminino. Durante esse período, as artistas pioneiras partiram da noção do corpo como um campo político e embarcaram em investigações radicais e poéticas para desafiar as classificações dominantes e os cânones da arte estabelecida. “Essa nova abordagem instituiu uma pesquisa sobre o corpo como redescoberta do sujeito, algo que, mais tarde, viríamos a entender como uma mudança radical na iconografia do corpo”, contam as curadoras.Essas pesquisas, segundo elas, acabaram por favorecer o surgimento de novas veredas nos campos da fotografia, da pintura, da performance, do vídeo e da arte conceitual.   Sandra Eleta (Panamenha, 1942), Edita (la del plumero), Panamá, 1977, da série La servidumbre, 1978-79. Cortesia Galería Arteconsult S.A., PanamaSandra Eleta (Panamenha, 1942), Edita (la del plumero), Panamá, 1977, da série La servidumbre, 1978-79. Cortesia Galería Arteconsult S.A., Panama

A abordagem das artistas latino-americanas foi uma forma de enfrentar a densa atmosfera política e social de um período fortemente marcado pelo poder patriarcal (nos Estados Unidos) e pelas atrocidades das ditaduras apoiadas por aquele país (na América Central e do Sul), que reprimiram esses corpos, sobretudo os das mulheres, resultando em trabalhos que denunciavam a violência social, cultural e política da época. “As vidas e as obras dessas artistas estão imbricadas com as experiências da ditadura, do aprisionamento, do exílio, tortura, violência, censura e repressão, mas também com a emergência de uma nova sensibilidade”, conta Fajardo-Hill.    

Para Giunta, tópicos como o poético e o político são explorados, na exposição, “em autorretratos, na relação entre corpo e paisagem, no mapeamento do corpo e suas inscrições sociais, nas referências ao erotismo, ao poder das palavras e ao corpo performático, a resistência à dominação; feminismos e lugares sociais”. E complementa: “Estes temas atravessaram fronteiras, surgindo em obras de artistas que vinham trabalhando em condições culturais muito diferentes”. Não à toa, a mostra é estruturada no espaço expositivo em torno de temas em vez de categorias geográficas.

A curadora da Pinacoteca, Valéria Piccoli, destaca a importância da representatividade das brasileiras dentro da mostra: “além dos nomes que participaram das exposições no Hammer e no Brooklyn Museum, também vamos incluir obras de Wilma Martins, Yolanda Freyre, Maria do Carmo Secco e Nelly Gutmacher na apresentação em São Paulo”, revela.   

A América Latina conserva uma forte história de militância feminista que -- com exceção do México e alguns casos isolados em outros países nas décadas de 1970 e 1980 -- não foi amplamente refletida nas artes. Mulheres radicais propõe consolidar, internacionalmente, esse patrimônio estético criado por mulheres que partiram do próprio corpo para aludir -- de maneira indireta, encoberta ou explícita –- as distintas dimensões da existência feminina. Para tanto, as curadoras vêm realizando uma intensa pesquisa, desde 2010, que inclui viagens, entrevistas, análise de publicações nas bibliotecas da Getty Foundation, da University of Texas entre diversas outras.  

O argumento central da exposição mostra que, embora boa parte dessas artistas tenham sido figuras decisivas para a expansão e diversificação da expressão artística em nosso continente, ainda assim não haviam recebido o devido reconhecimento. “A exposição surgiu de nossa convicção comum de que o vasto conjunto de obras produzidas por artistas latino-americanas e latinas tem sido marginalizado e abafado por uma história da arte dominante, canônica e patriarcal”, definem as curadoras. 

Marie Orensanz (Argentina, 1936), Limitada, 1978/2013. Coleção de Marie Orensanz; cortesia Alejandra von Hartz Gallery. Marie Orensanz (Argentina, 1936), Limitada, 1978/2013. Coleção de Marie Orensanz; cortesia Alejandra von Hartz Gallery.

Segundo o diretor da Pinacoteca, Jochen Volz, “foram, principalmente, artistas mulheres as pioneiras que experimentaram novas formas de expressão, como performance e vídeo, entre outras. Assim, a itinerância da mostra Mulheres radicais para o Brasil é de grande relevância para a pesquisa contemporânea artística e acadêmica e o público em geral”.   Esse rico conjunto de trabalhos, bem como os arquivos de pesquisa, coletados para a concepção da exposição, chegam finalmente ao público paulista, contribuindo para abrir novos caminhos investigativos e entendimentos acerca da história latino-americana. ”O tópico agora faz parte de uma pauta ampla e ao mesmo tempo urgente. Entretanto, ainda há muito trabalho a ser feito e temos plena consciência de que este é apenas o começo”, finalizam as curadoras.

Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985 é organizada pelo Hammer Museum, Los Angeles, como parte da Pacific Standard Time: LA/LA, uma iniciativa da Getty em parceria com outras instituições do Sul da Califórnia e teve curadoria das convidadas Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta. 

Catálogo

Lenora de Barros (Brasil, 1953), Poema, 1979/2016. Publicada pela primeira vez na revista conceitual “Zero a Equerda” em 1981. Publicada em 1983 no livro da artista “Onde se Vê”. Fotografia: Fabiana de Barros.Lenora de Barros (Brasil, 1953), Poema, 1979/2016. Publicada pela primeira vez na revista conceitual “Zero a Equerda” em 1981. Publicada em 1983 no livro da artista “Onde se Vê”. Fotografia: Fabiana de Barros.

Mulheres radicais será complementada com um catálogo que inclui as biografias das mais de 120 artistas e mais de 200 imagens de obras da mostra além de outras de referência documental, ampliando o panorama deste mapeamento para além da exposição. A publicação original é a primeira a reunir uma extensa pesquisa sobre o tema e sua versão portuguesa editada pela Pinacoteca de São Paulo é a primeira a tornar este conteúdo acessível aos leitores da América Latina. Diferentemente da mostra, o catálogo é organizado por países acompanhados de ensaios de Fajardo-Hill e Giunta, assim como outros dez autores, como a curadora-chefe do Hammer Museum, Connie Butler, e a guatemalteca Rosina Cazali.   

Serviço:

Mulheres radicais: arte latino-americana, 1960-1985.
Curadoria de Cecilia Fajardo-Hill e Andrea Giunta.
Colaboração de Valéria Piccoli.
Abertura: 18 de agosto de 2018, sábado, às 11h.
Visitação: de 18 de agosto a 19 de novembro de 2018. 
De quarta a segunda-feira, das 10h às 17h30 – com permanência até às 18h.
Pinacoteca: Praça da Luz 2, São Paulo, SP.
Ingressos: R$ 6,00 (entrada); R$ 3,00 (meia-entrada para estudantes com carteirinha).
Menores de 10 anos e maiores de 60 são isentos de pagamento.
Aos sábados, a entrada da Pina é gratuita para todos.
A Pina Estação é gratuita todos os dias.

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Com informações da Pinacoteca.

A partir de 21 de agosto, o IMS Paulista recebe a exposição Irving Penn: centenário. A mostra, que foi exibida pela primeira vez no Metropolitan Museum of Art (The Met), apresenta um panorama da produção do fotógrafo norte-americano. A seleção reúne mais de 230 fotografias, concebidas ao longo de quase 70 anos de carreira, além de cerca de 20 periódicos.

O conjunto evidencia a ampla variação temática de Irving Penn (1917-2009), que, além de trabalhos inovadores no campo da moda, produziu retratos, naturezas-mortas, nus femininos, peças publicitárias, entre outras obras. A curadoria é de Maria Morris Hambourg, curadora independente, e de Jeff L. Rosenheim, curador do departamento de fotografia do Met.

O jazz envolve plateias (e as amplia) desde seu surgimento, em meados do século XIX no Mississipi, sudeste dos Estados Unidos. Marcado pela improvisação e o swing, o ritmo, que tem suas raízes na música negra, se expandiu e conquistou o mundo, absorvendo culturas e fundindo-se com outros gêneros. Sempre prezando a liberdade artística, ele está presente na programação do Sesc São Paulo desde a década de 1980 e, de 14 de agosto e 2 de setembro, ganha ainda mais visibilidade no estado de São Paulo com o Sesc Jazz, que apresenta ao público 22 atrações musicais nacionais e internacionais.

A dança contemporânea e a clássica juntas no palco do Municipal! Esta é a proposta da Gala do Balé da Cidade de São Paulo: Panorama e Memória. Em apenas uma noite, o público poderá assistir a apresentações do Balé da Cidade de São Paulo, da São Paulo Companhia de Dança e do Ballet do Theatro Municipal do Rio de Janeiro. O encontro acontece no dia 11 de agosto, às 20h.

A jornalista e ativista norte-americana Jane Jacobs (1916-2006). Foto: Divisão de Gravuras e Fotografias da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.A jornalista e ativista norte-americana Jane Jacobs (1916-2006). Foto: Divisão de Gravuras e Fotografias da Biblioteca do Congresso dos Estados Unidos.

O ano é 1961. Temos Jane Jacobs, norte-americana nascida na Pensilvânia e radicada em Nova York desde os 18 anos. Jornalista fascinada pela dinâmica efervescente da cidade que adotou, Jane escreve um livro de título grandiloquente, The Death and Life of Great American Cities (traduzido no Brasil com o nome mais universalista de Morte e Vida das Grandes Cidades). Das páginas do volume, vêm ao leitor expressões e ideias tão fulminantes quanto o título épico. O “balé das ruas”, os “olhos da rua” e todo um conjunto de reflexões que devolveriam a cidade e o pensamento urbanístico às pessoas. Vivendo na idade dos megaempreendimentos e da aurora dos subúrbios classe média feliz, Jane radicalizava ao propor uma cidade pensada a partir da gente que a habita e da memória arquitetônica que a sustenta.