Recomendados - São Paulo São

São Paulo São Recomenda

Mostra de Cinema de São Paulo terá exibição presencial e virtual. Serão exibidos 264 títulos de mais de 50 países.Mostra de Cinema de São Paulo terá exibição presencial e virtual. Serão exibidos 264 títulos de mais de 50 países.Após fazer uma edição totalmente online por causa da pandemia da covid-19 no ano passado, a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo promove este ano uma edição híbrida, com filmes presenciais nos cinemas e também virtual por meio do aplicativo Mostra Play ou gratuitamente pelos aplicativos Sesc Digital ou Itaú Cultural Play. O tradicional evento tem a abertura marcada para esta quarta-feira (20) e termina no dia 3 de novembro.

Tilda Swinton em cena de Memória, de Apichatpong Weerasethakul (prêmio do júri em Cannes) Foto: Adam Zoller.Tilda Swinton em cena de Memória, de Apichatpong Weerasethakul (prêmio do júri em Cannes) Foto: Adam Zoller.

Em sua 45ª edição, a mostra apresenta 264 títulos de mais de 50 países, sendo que 157 poderão ser vistos nas plataformas digitais. Alguns dos filmes estarão disponíveis nas duas formas, mas alguns deles só poderão ser vistos nos cinemas. A decisão sobre a forma de exibição coube aos produtores ou distribuidores.
Como a prefeitura de São Paulo suspendeu a exigência de distanciamento social dentro das salas de cinema, cada local decide se pretende manter um limite de público em cada sala ou se irá liberar todas as poltronas ao público.

'Annette', de Leos Carax (melhor direção em Cannes). Foto: Divugação.'Annette', de Leos Carax (melhor direção em Cannes). Foto: Divugação.

O Centro Cultural São Paulo (CCSP), a Biblioteca Roberto Santos e o Petra Belas Artes vão trabalhar com a ocupação total das salas. Já o Cinesala, o Cine Marquise, o CineSesc, o Espaço Itaú de Cinema e o Reserva Cultural vão manter 50% de ocupação.

Para frequentar a mostra de cinema presencial será necessário apresentar o comprovante de vacinação. O uso de máscara é obrigatório.

Titane, de Julia Ducournau, vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Foto: Divulgação.Titane, de Julia Ducournau, vencedor da Palma de Ouro em Cannes. Foto: Divulgação.

Neste ano, os destaques são para 'Titane', de Julia Ducournau, vencedor da Palma de Ouro em Cannes e 'Má Sorte no Sexo' ou 'Pornô Acidental', de Radu Jude, vencedor do Urso de Ouro em Berlim. Também estarão em exibição o escolhido pelo Brasil para o Oscar do próximo ano, 'Deserto Particular', de Aly Muritiba; 'Annette', de Leos Carax (melhor direção em Cannes); 'Memória', de Apichatpong Weerasethakul (prêmio do júri em Cannes); 'Um Herói', de Asghar Farhadi; e A 'Crônica Francesa', de Wes Anderson, entre outros.

'Má Sorte no Sexo' ou 'Pornô Acidental', de Radu Jude. Foto: Divulgação.'Má Sorte no Sexo' ou 'Pornô Acidental', de Radu Jude. Foto: Divulgação.

Haverá também exibição de filmes gratuitos no vão livre do Museu de Arte de São Paulo (Masp) e no Vale do Anhangabaú, além do Centro Cultural da Juventude Ruth Cardoso e Centro Cultural Tiradentes. Entre os filmes programados para esses lugares está 'Bob Cuspe', 'Nós Não Gostamos de Gente', de Cesar Cabral, vencedor do Festival de Annecy.

Além da exibição de filmes, o evento ainda promove um fórum virtual para discutir aspectos políticos e criativos do cinema, que será transmitido pelo canal da Mostra no YouTube. E, entre os dias 25 e 26 de outubro, a mostra promove ainda o Seminário Internacional Mulheres do Audiovisual, que também será transmitido pelo YouTube.

Mais informações sobre o evento e a programação dos filmes podem ser obtidas no site da mostra ou em suas redes sociais.

***
Com informações da Agência Brasil.

No próximo sábado (23 de outubro), o Instituto Moreira Salles inaugura, em sua sede de São Paulo, a exposição Constelação Clarice. A mostra investiga a poética da escritora Clarice Lispector (1920-1977), identificando temas e recursos estéticos presentes em sua produção. Em diálogo, são exibidas obras de 26 artistas visuais mulheres, que atuaram na mesma época de Clarice, entre as décadas de 1940 e 1970. No conjunto, há trabalhos de Maria Martins, Mira Schendel, Fayga Ostrower, Lygia Clark, Letícia Parente, Djanira e Celeida Tostes, entre outras.

A mostra reúne ainda aproximadamente 300 itens, incluindo manuscritos, fotografias, cartas, discos e matérias de imprensa, entre outros documentos do acervo pessoal da autora. A curadoria é do poeta Eucanaã Ferraz, consultor de literatura do IMS, e da escritora e crítica de arte Veronica Stigger. A entrada é gratuita, com agendamento prévio pelo site

Ocupando dois andares do IMS Paulista, a exposição celebra a obra e o legado de Clarice, cujo centenário foi comemorado no ano passado. Nome fundamentalImagem: IMS.Imagem: IMS. da literatura brasileira, a autora também nutria grande interesse pelas artes visuais, expresso tanto em sua incursão pela pintura, na década de 1970, quanto pela presença de personagens artistas em seus livros. Diante dessa proximidade, quais conexões seria possível estabelecer entre a produção textual de Clarice e as obras de mulheres que, no mesmo período, marcaram a história da arte brasileira? Como seus modos de criação se relacionam? 

Para criar essas interlocuções, a curadoria adotou o conceito de constelação, presente no título e na expografia da mostra. Em 11 núcleos, são apresentados trabalhos em diversos suportes, como escultura, pintura, desenho, fotografia e vídeo. As obras das artistas estão sempre em diálogo com trechos de textos de Clarice, formando uma teia de novos significados, como apontam Ferraz e Stigger: “Por meio da aproximação propiciada por Clarice, ganha lugar uma compreensão renovada e mais complexa daquele momento da arte brasileira. Por outro lado, a partir dessa constelação entre os trabalhos plásticos e a escrita, também a literatura de Clarice aparece sob nova óptica.” 

Na entrada da mostra, o público encontrará a escultura Calendário da eternidade, da artista Maria Martins, que também participa da exposição com outros trabalhos. De formato circular, a obra remete à ideia de continuidade, tema presente na produção de Clarice. Em seguida, são exibidas 18 pinturas de autoria da própria escritora, produzidas entre 1975 e 1976, sem pretensão profissional. Nos quadros, é possível identificar algumas recorrências, como o tratamento gestual e a predileção também pela circularidade. 

Imagem: IMS.Imagem: IMS.Outro destaque é a seção “Tudo no mundo começou com um sim”, frase proveniente do romance A hora da estrela (1977). O núcleo aborda o tema da origem, que é recorrente na obra da autora, evocado por imagens como a do ovo e da caverna. No livro Água viva (1973), por exemplo, a narradora questiona: “Por que é que as coisas um instante antes de acontecerem parecem já ter acontecido?”. Neste eixo, há obras de Maria Polo, Anna Maria Maiolino, Celeida Tostes e Wega Nery, entre outras. 

Já o núcleo “Eu não cabia” investiga o cenário da casa. Em muitos romances de Clarice, a banalidade do ambiente doméstico é interrompida por momentos de estranhamento e desconcerto. Esse questionamento do espaço do lar, transitando entre a segurança e o sufocamento, aparece também em obras como Caixa de fósforos, de Lygia Clark, no vídeo Eu armário de mim, de Letícia Parente, ou ainda nas pinturas coloridas de Wanda Pimentel e Eleonore Koch, que apresentam uma casa estranhamente vazia, por vezes vista pelas frestas. 

Assim como a casa, o corpo é fonte de redescoberta na produção da autora. Ao romper com os papéis sociais, os protagonistas dos livros acabam se fragmentando, como pontua a curadoria: “Nessa caminhada para o desconhecido, os personagens de Clarice não raro perdem sua integridade pessoal, veem desmontar-se sua primeira identidade: o corpo”. Em diálogo, está a série Sônia, de Claudia Andujar, que retrata a mesma mulher a partir de vários ângulos distintos, ou ainda a famosa obra Epidermic Scapes, de Vera Chaves Barcellos, composta por imagens ampliadas da pele da própria artista.

Já na seção “Adoração pelo que existe”, a curadoria destaca a presença da natureza, em especial dos animais e vegetais, na obra da autora. Galinhas, cachorros, baratas, árvores e flores aparecem com frequência nos textos de Clarice, revelando outras formas de habitar o mundo, para além das certezas antropocêntricas. As formas e enigmas dos seres vivos são investigados ainda nas esculturas Pegada de onça brava, de Amelia Toledo, e Flores e troncos, de Wilma Martins, entre outras.

A mística também é uma característica central da produção de Clarice. Em seus textos, há referências tanto a elementos das culturas judaica e cristã quanto à astrologia e à prática da cartomancia. Neste núcleo, intitulado “A vida é sobrenatural”, estão trabalhos como Homenagem a Deus-Pai do Ocidente, de Mira Schendel, e a pintura Onírico, de Djanira. Os visitantes encontrarão ainda um áudio da escritora Hilda Hilst, no qual, em sua famosa residência na Casa do Sol, ela tenta estabelecer contato com o espírito de Clarice.

"Onírico", de Djanira. Imagem: IMS / Reprodução."Onírico", de Djanira. Imagem: IMS / Reprodução.Outra questão central em sua obra é a reflexão sobre a própria escrita, como pontua a curadoria: “Para Clarice, a escrita é pensamento, mas também inscrição ― como se ferisse a matéria. Há algo de corporal no embate com a palavra”. A mostra traz obras que tratam dessa ideia de grafia, como algumas matrizes das xilogravuras de Fayga Ostrower, além dos manuscritos de A hora da estrela, um dos principais romances da escritora.

A última seção trata do tema do inacabado. Segundo Ferraz e Stigger, na produção de Clarice, “os questionamentos em relação ao começo da vida, do mundo e da escrita confundem-se com a permanente dúvida em relação ao momento em que as coisas se acabam: a conclusão dos textos ou o fim da própria vida”. Serão exibidos os manuscritos de Um sopro de vida, último livro da autora, que permaneceu inconcluso, e obras como a xilogravura Retorno, de Wilma Martins, e os registros da ação Caminhando, de Lygia Clark.

"Retorno" de Wilma Martins. Imagem: IMS / Reprodução."Retorno" de Wilma Martins. Imagem: IMS / Reprodução.

Nos dois andares da mostra, há ainda núcleos documentais, com itens que pertenceram à escritora, como cartas, diplomas, discos, máquinas de escrever e fotografias dos álbuns de família. Neste conjunto, destacam-se os quadros de sua coleção, entre os quais seu famoso retrato assinado pelo artista Giorgio de Chirico. Entre as fotografias, está um registro de Clarice tirado pelo romancista Erico Verissimo, na década de 1950, em Washington. O material inclui também as primeiras edições dos livros da autora, periódicos, além da entrevista que a escritora concedeu à TV Cultura, meses antes de sua morte, em 1977. A maioria dos itens exibidos provém dos arquivos do IMS e da Fundação Casa de Rui Barbosa, instituições que detêm o acervo da escritora, e da coleção pessoal de seu filho, Paulo Gurgel Valente.

Por ocasião da mostra, será lançado um catálogo, com textos críticos de especialistas na obra de Clarice, como Alexandre Nodari, Carlos Mendes de Sousa, Evando Nascimento, João Camillo Penna, José Miguel Wisnik, Nádia Battella Gotlib, Paulo Gurgel Valente, Yudith Rosenbaum e Vilma Arêas. A publicação estará à venda na Livraria IMS por Travessa, localizada no centro cultural, e na loja online.

Em cartaz até fevereiro de 2022, a exposição contará com uma ampla programação, que será divulgada posteriormente nos canais do IMS. Conteúdos sobre a autora também podem ser acessados no site https://claricelispector.ims.com.br/, portal bilíngue dedicado à escritora, lançado pelo IMS no ano passado. Em 2022, a mostra seguirá para a sede do Rio de Janeiro.

***
Com informações do Instituto Moreira Salles.

Começa neste 14 de outubro a exposição gratuita “O Dia Seguinte”, que tem como foco a conscientização acerca da crise climática a partir dos centros urbanos. A mostra traz espaços lúdicos e sensoriais para o público experienciar os efeitos das mudanças climáticas e suas consequências nas cidades. 

“O Dia Seguinte” conta desde a história do aquecimento global, explicando como a Humanidade chegou até aqui, e apresenta soluções possíveis para a crise climática a partir das cidades.  Atualmente, segundo a Organização das Nações Unidas (ONU), os centros urbanos ocupam apenas 3% da superfície do planeta, mas consomem 70% de toda a energia gerada no mundo. “Acredito que precisamos repensar nosso estilo de vida como um todo, e o conhecimento é o primeiro passo das mudanças. Tendo informação, nós podemos escolher a cidade e o mundo que queremos viver. É esta reflexão que propomos ao longo da experiência na exposição”, afirma Felipe Lobo, diretor da produtora Na Boca Do Lobo, idealizador e realizador do evento.

Para falar da relação entre cidades e clima, O Dia Seguinte usa dois pontos de partida: a cidade do futuro que queremos e a que não queremos, e com isso mostra como os modelos de desenvolvimento urbano impactam positiva e negativamente o clima, trazendo temas como infraestrutura, paz e segurança, saúde, igualdade de gênero, justiça climática, direitos humanos, segurança alimentar e energia como fatores a se refletir.Imagem: Higor Bono / Cognição Eletrônica.Imagem: Higor Bono / Cognição Eletrônica.

O passado do mundo é apresentado ao público na entrada da exposição, para que se entenda tanto o presente quanto potenciais futuros. Nesta etapa, um piso de LED mostra a dualidade entre os aspectos positivos e negativos das cidades, convidando os espectadores para o início da reflexão. No mesmo ambiente, também há uma grande escultura do globo terrestre feita por resíduos domésticos que chama a atenção para o impacto do consumo diário da sociedade.

Em [Des]ordem, o público é convidado a refletir como a desigualdade social nas cidades faz com que os impactos climáticos sejam sentidos em maior nível por populações economicamente vulneráveis. A ONU estima que em 2050 podemos ter 250 milhões de refugiados climáticos no mundo. Neste módulo, em uma sala escura, alvéolos de LED nas paredes e no teto projetam eventos climáticos extremos reais pelo mundo promovendo uma experiência imersiva, complementada com uma intensa experiência sensorial de chuvas, fumaças e ventos. Já em [Des]humanidades, a exposição apresenta ao público histórias reais de pessoas impactadas pelos eventos climáticos extremos, que deixam rastros de destruição por onde passam.Imagem: Higor Bono / Cognição Eletrônica.Imagem: Higor Bono / Cognição Eletrônica.

Com animações em 2D e 3D projetadas em paredes, no piso e em um globo terrestre, a exposição apresenta em  [Trans]formação a história da Humanidade, desde a Pangeia, passando pelos dinossauros, História Antiga, até chegar na Revolução Industrial, momento em que acende o farol amarelo do planeta, com o surgimento das grandes cidades e suas tecnologias modernas.

A vivência da exposição passa por cinco módulos que unem informações em projeções, pisos de led, telas interativas, animações, jogos e experiências empíricas a fim de pensar em como as cidades impactam o clima e como elas são um elemento transformador para a construção de um mundo sustentável

[R]evolução, o último módulo da exposição, traz mensagens de esperança apresentadas em torres de LED, que mostram uma cidade do futuro possível com espaços mais organizados, limpos e habitáveis, energias renováveis, transportes públicos eficientes, saneamento básico universal, alimentação saudável, microclima equilibrado e desenvolvimento tecnológicos. 

Imagem: Higor Bono / Cognição Eletrônica.Imagem: Higor Bono / Cognição Eletrônica.

Nesta etapa, “O Dia Seguinte” convida o público a mergulhar nas reflexões provocadas pelos módulos anteriores, trazendo painéis informativos com infografias interativos e jogos que falam sobre os 17 Objetivos do Desenvolvimento Sustentável (ODS) elencados pela ONU para que os visitantes se aprofundem mais no tema e visualizem os benefícios da adoção de modelos de desenvolvimento mais sustentáveis.

“Durante toda a exposição, nós buscamos trazer o passado, o presente e as possibilidades futuras para que o público possa refletir os caminhos que estamos tomando como sociedade”, conta Felipe Lobo. “Nós buscamos trazer também bons exemplos de cidades atuais para mostrar ao público a viabilidade de modelos sustentáveis de desenvolvimento”.

Exposição "O Dia Seguinte", edição de 2019 no Rio de Janeiro. Foto:  Anette Alencar.Exposição "O Dia Seguinte", edição de 2019 no Rio de Janeiro. Foto: Anette Alencar.

A exposição “O Dia Seguinte” segue o modelo de compensação de carbono em sua organização, tendo parceria com o Programa Amigo do Clima, reduzindo a emissão de gases do efeito estufa durante toda a Mostra. A exposição também tem seu conteúdo em audioguias e libras, gravados sequencialmente e disponibilizados em tablets.

Para mais informações, visite o site: https://www.odiaseguinteexpo.com.br/a-exposicao 

Imagem: Higor Bono / Cognição Eletrônica.Imagem: Higor Bono / Cognição Eletrônica.

Serviço:

Exposição 'O Dia Seguinte'.
Museu Catavento.
Endereço: Av. Mercúrio, s/n - Parque Dom Pedro II, São Paulo.
Horário de funcionamento: De terça a domingo das 9h às 17h.
Agendamento de visitas: De segunda a sexta-feira, das 9h às 17h pelos telefones 11 3246 4067 /4140/ 4167.
Preço: Gratuito.
Classificação indicativa: livre.

***
Com informações da Agência Lema.

Itens que fazem parte da carreira da artista, como figurinos, perucas e objetos pessoais, podem ser vistos de perto pelo público na mostra no MIS, em São Paulo. Foto: Divulgação.Itens que fazem parte da carreira da artista, como figurinos, perucas e objetos pessoais, podem ser vistos de perto pelo público na mostra no MIS, em São Paulo. Foto: Divulgação.

Uma explosão de cores, de música e de alegria. Assim pode ser descrita a exposição Samsung Rock Exhibition Rita Lee realizada pela Dançar Marketing. A mostra sobre a maior roqueira brasileira, acontece no MIS - Museu de Imagem e do Som em São Paulo.

“Sou dessas acumuladoras que não jogam fora nem papel de embrulho e barbante. Vou adorar abrir meu baú e dividir as histórias que as traquitanas contam com quem for visitar. Tenho recebido ajuda de uma turma da pesada: o grand maestro da cenografia é do meu querido Chico Spinosa, meu figurinista e carnavalesco da Vai-Vai; a direção é do meu multitalentoso Guilherme Samora e a curadoria é do meu filho João”, conta Rita.

Figurinos, perucas, objetos pessoais e instrumentos musicais são alguns dos artigos guardados pela cantora ao longo de sua trajetória. Foto: Guilherme Samora / Divulgação.Figurinos, perucas, objetos pessoais e instrumentos musicais são alguns dos artigos guardados pela cantora ao longo de sua trajetória. Foto: Guilherme Samora / Divulgação.

“É muito emocionante. Tem uma parte dessa história que vivi com ela e tem outra que não estava aqui ainda. Então, ver essas roupas, esses momentos tomarem vida, é muito emocionante. São personagens, também, de meus sonhos e imaginação. E é a história de vida da minha mãe. E isso mexe diretamente com minha emoção”, avalia João Lee, o curador.

E essa mistura deu à exposição um jeito muito próprio, como conta Guilherme Samora, o diretor artístico. “Acredito que as pessoas vão se surpreender. Existe tanto acervo da Rita que o que enfrentamos nessa exposição foi justamente a edição do que ficaria de fora. Artigos preciosos e raridades não faltam. Por isso, ela foge do estilo de exposições com muitas reproduções ou essencialmente virtuais. Durante a montagem, fiquei arrepiado em diversos momentos, só de sentir o valor de cada peça, de cada sala. Tudo lá tem um motivo. E uma das grandes preciosidades é justamente ter o Chico Spinosa, que trabalhou com a Rita pela primeira vez em 1982, nessa viagem com a gente.”

Spinosa é um artista. Ao visitar a exposição, nada ali é fruto de um padrão, de uma forma ou de escala industrial. Tudo foi pensado, feito e readaptado para uma realidade colorida, seguindo o roteiro da direção: uma roqueira cheia de cor que chega à Terra em um disco voador. Detalhes, como uma aura de Aparecida ou das estrelas feitas à mão, assim como a recriação do palco giratório da tour 1982/1983 (ou O Circo, como ficou conhecida), tudo é feito para a mostra. Artesanal, no melhor sentido da palavra. A equipe colocou o trabalho em cada letra pintada na parede, em cada figurino que precisou ser restaurado ou em cada peruca: todas, com cores e cortes estudados.

Mostra sobre os 50 anos de carreira de Rita Lee tem áudio-guia com histórias contadas pela roqueira. Foto: Divulgação.Mostra sobre os 50 anos de carreira de Rita Lee tem áudio-guia com histórias contadas pela roqueira. Foto: Divulgação.

Um dos destaques?  As manequins, com estudos de Spinosa e Samora, e feitas uma a uma por Clívia Cohen, em posições de Rita, com o rosto da artista em todas elas, com uma precisão surreal e excelente interpretação artística.

A divisão das salas é temática e, em tantos casos, afetiva. E Rita tem suas preferências: “Todas as peças contam uma história diferente e engraçada. Mas o vestido de noiva que Leila Diniz usou e a bota prateada da Biba eu dou valor.  E ambos são produtos de roubo”, diverte-se Rita, ao lembrar que nunca devolveu o vestido depois de usar numa apresentação dos Mutantes e da famosa história das botas, com as quais saiu andando da butique Biba, de Londres, em 1973. Ela não só foi perdoada pela estilista Barbara Hulanicki, a criadora das botas, como ganhou dela os figurinos da tour Babilônia (1978) que também estão expostos. Assim como o piano de mais de 100 anos que era da mãe de Rita, Chesa, que foi o instrumento com o qual ela teve seu primeiro contato com a música.

Rita Lee e Roberto de Carvalho estão juntos há 44 anos. Foto: Acervo Pessoal.Rita Lee e Roberto de Carvalho estão juntos há 44 anos. Foto: Acervo Pessoal.

O encontro e o amor de Rita e Roberto de Carvalho; a repressão da ditadura (Rita é a compositora mais proibida, segundo dados da época) e a prisão; a família; a causa animal e obras de arte da Rita têm destaque. Assim como estruturas criadas especialmente para a mostra, como o palco giratório, a manequim que levita, o Peter Pan que sobrevoa a entrada…

O estúdio é um caso à parte: terá uma experiência de áudio imersivo que utiliza a tecnologia Dolby Atmos, com projeto desenvolvido pela ANZ Immersive Audio, trazendo uma experiência sonora imersiva para a sala da exposição baseada em um estúdio. Ultrapassando a reprodução de som da maneira convencional, o áudio imersivo proporciona uma escuta similar à vida real, com sons acima, abaixo, aos lados, na diagonal, em toda sua volta. A ANZ espacializou músicas da rainha do rock em 3D, e preparou uma instalação na qual as caixas de som, de altíssima qualidade, foram perfeitamente posicionadas para o público escutar algumas de suas obras como nunca: vindas de todas as direções. “É uma tecnologia que permite que a gente consiga ouvir vários detalhes da música que antigamente a gente não conseguiria. Vai dar claridade aos elementos e muito mais profundidade. E vai ser superinteressante: ao invés de a música te pegar só na direita e esquerda, ela te pega em 360°”, explica João.

"O vestido de noiva que Leila Diniz usou e a bota prateada da Biba eu dou valor", diz Rita sobre os objetos expostos. Foto: André Veloso.  "O vestido de noiva que Leila Diniz usou e a bota prateada da Biba eu dou valor", diz Rita sobre os objetos expostos. Foto: André Veloso.

Um detalhe especial – e que vai levar a exposição a outro nível – é a visita guiada pela própria Rita. Através de QRCodes, os visitantes poderão ouvi-la contando sobre alas, peças, histórias... “Achamos que ia ficar simpático ter minha voz narrando as histórias das peças, me sinto mais íntima do visitante. Não seria exagero dizer que esta exposição vai ser a mais bacana até agora, porque foi pensada para dar alegria às pessoas no meio de tantas tristezas”.

Serviço

Samsung Rock Exhibition Rita Lee
Data: 23/setembro a 28/novembro, 2021.
Local: MIS - Museu da Imagem e do Som - Avenida Europa, 158, Jardim Europa - São Paulo/SP.
Horário: de terça a domingo, das 10h às 18h.
Ingressos: a partir de R$ 25,00, nas plataformas da Ingresso Rápido e INTI.
Classificação indicativa: Livre.

*** 
Com informações da Dançar Marketing.

O Centro Cultural Vila Itororó acaba de ser plenamente inaugurado em São Paulo, depois de anos de espera. Foto: Edson Lopes Jr. / SECOM.O Centro Cultural Vila Itororó acaba de ser plenamente inaugurado em São Paulo, depois de anos de espera. Foto: Edson Lopes Jr. / SECOM.

A Prefeitura de São Paulo, por meio da Secretaria Municipal de Cultura, reinaugurou na última sexta-feira (10) o Centro Cultural Vila Itororó, na região central da cidade, com programação 100% gratuita. O espaço de 6 mil m² conta agora com dez edificações que abrigarão as mais diversas atividades artísticas e de lazer. Anteriormente, apenas a área do Galpão estava disponível para performances.

Espaço localizado na Bela Vista foi reaberto e conta com mais de dez edificações, que abrigarão atividades artísticas e de lazer. Foto: Edson Lops Jr. / SECOM.Espaço localizado na Bela Vista foi reaberto e conta com mais de dez edificações, que abrigarão atividades artísticas e de lazer. Foto: Edson Lops Jr. / SECOM.

A “Vila” foi tombada pelo CONPRESP (Conselho Municipal de Preservação do Patrimônio Histórico, Cultural e Ambiental da Cidade de São Paulo) em 2002 e pelo CONDEPHAAT (Conselho de Defesa do Patrimônio Histórico), em 2005. Sua restauração teve início em 2013.

Foto: Edson Lops Jr. / SECOM.Foto: Edson Lops Jr. / SECOM.

Foto: Edson Lops Jr. / SECOM.Foto: Edson Lops Jr. / SECOM.

A secretária municipal de Cultura, Aline Torres, destacou que o centro cultural tem um simbolismo muito grande. “A Vila Itororó completará cem anos em 7 de setembro de 2022. Foi feito com recurso público, com apoio da Lei Rouanet e com muito apoio. Hoje está sendo aberto para a sociedade apropriar-se dele”, afirmou a secretária.

Atrações

Foto:Edson Lopes Jr. / SECOM.Foto:Edson Lopes Jr. / SECOM.

Foto: Edson Lops Jr. / SECOM.Foto: Edson Lops Jr. / SECOM.A reabertura foi marcada pela iluminação cênica da artista Lígia Chaim, intitulada “Fonte de Luz do Itororó”, assim como os shows de Jairo Pereira e do projeto de música eletrônica, com projeções de vídeo arte Freebeats. No sábado (11) o Vila estreia no circuito cultural paulistano, integrando a Jornada do Patrimônio, que reúne atividades diversas ligadas à memória da cidade.

Cinema e aprendizado

Foto: Edson Lopes Jr. / SECOM.Foto: Edson Lopes Jr. / SECOM.Shows, feiras gastronômicas e de artesanato, assim como oficinas, exposições e um café farão parte das atrações fixas do complexo. Futuramente, o acervo da biblioteca que já está funcionando no local será integrado ao Sistema Municipal de Bibliotecas de São Paulo.

Sessões de cinema ao ar livre também estão previstas na programação do Itororó, com o projeto Cine Clube Éden. Trata-se de uma homenagem ao Clube Éden Liberdade, espaço esportivo que funcionava no imóvel.

Além de opções de lazer, o complexo conta com uma unidade do Fab Lab, rede de laboratórios públicos com 13 espaços espalhados pela cidade. Nesses locais é possível fazer cursos de diversas áreas como criação de jogos, costura ou modelagem 3D. Artesãos e pequenos empreendedores da região também podem usar os equipamentos do Fab Lab para produzir itens como roupas, artesanato e até cenários para peças teatrais.

Serviço

Vila Itororó
Endereço: R. Maestro Cardim, 60 - Bela Vista, São Paulo.
Informações: https://vilaitororo.prefeitura.sp.gov.br/ 

***
Com informações da SECOM.

Inicialmente prevista para 2020, mas adiada por conta da pandemia, Bienal terá 1.100 trabalhos de 91 artistas de todos os continentes. Foto: Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo.Inicialmente prevista para 2020, mas adiada por conta da pandemia, Bienal terá 1.100 trabalhos de 91 artistas de todos os continentes. Foto: Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo.A 34ª Bienal de São Paulo abre as portas ao público neste sábado (4) no Pavilhão da Bienal, no Parque do Ibirapuera, na Zona Sul de São Paulo. A entrada é gratuita.

Inicialmente prevista para 2020, mas adiada por conta da pandemia, a Bienal tem como tema deste ano a frase "Faz escuro mas eu canto", um verso do poeta amazonense Thiago de Mello escrito em 1965. A mostra reúne mais de 1.100 trabalhos de 91 artistas de todos os continentes.

Por conta do coronavírus, o projeto teve que se desdobrar no espaço e no tempo com programação tanto física quanto online. Foto: Van Campos / Foto Arena. Por conta do coronavírus, o projeto teve que se desdobrar no espaço e no tempo com programação tanto física quanto online. Foto: Van Campos / Foto Arena.

Além das obras de artes, a Bienal exibe ainda 14 "enunciados", instalações que contam histórias com a ajuda de objetos diversos. O primeiro é composto por três objetos pertencentes ao acervo do Museu Nacional que sobreviveram de diferentes formas ao incêndio, entre eles o meteorito Santa Luzia, o segundo maior objeto espacial conhecido no Brasil.

Meteorito Santa Luzia, o segundo maior objeto espacial conhecido no Brasil, integrante do acervo do Museu Nacional e atualmente exposto na 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Patrícia Figueiredo/G1 SP.Meteorito Santa Luzia, o segundo maior objeto espacial conhecido no Brasil, integrante do acervo do Museu Nacional e atualmente exposto na 34ª Bienal de São Paulo. Foto: Patrícia Figueiredo/G1 SP.

As visitas não precisam ser agendadas previamente, mas é obrigatório o uso de máscaras e a apresentação de um comprovante de vacinação contra Covid-19, com pelo menos uma dose, para a entrada no pavilhão. O "passaporte da vacina" poderá ser apresentado por aplicativo de celular, chamado E-saúde, ou em formato físico (veja aqui como baixar a versão digital).

Entrada é gratuita, e apresentação de comprovante de vacinação contra Covid-19, com pelo menos uma dose, é obrigatória. Foto: Van Campos / Foto Arena.Entrada é gratuita, e apresentação de comprovante de vacinação contra Covid-19, com pelo menos uma dose, é obrigatória. Foto: Van Campos / Foto Arena.

O público pode optar por visitas livres ou participar de visitas mediadas, que ocorrem sem agendamento e em horários fixos, além de visitas temáticas, mediadas por profissionais de diferentes áreas. Os horários de cada tipo de mediação podem ser conferidos na agenda oficial do evento. Há ainda visitas em inglês, em espanhol, com interpretação em Libras ou específicas para crianças.

Esta será a edição da Bienal com maior representatividade de artistas indígenas. Foto: Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo.Esta será a edição da Bienal com maior representatividade de artistas indígenas. Foto: Levi Fanan / Fundação Bienal de São Paulo.

Para atender o público da mostra, o pavilhão da Bienal foi equipado com dois restaurantes temporários, um na área externa do térreo e outro no segundo andar do edifício. Há ainda o café oficial da Bienal, que foi decorado com uma coleção completa dos cartazes das 33 edições da Bienal de São Paulo. Também será possível emprestar cangas no local para fazer piquenique no parque.

Serviço

34ª Bienal de São Paulo - Faz escuro mas eu canto

  • Datas: De 4 de setembro a 5 de dezembro de 2021;
  • Horários: Terça, quarta, sexta e domingo, 10h - 19h (última entrada às 18h30); quinta e sábado, 10h - 21h (última entrada às 20h30);
  • Entrada gratuita;
  • Acesso mediante apresentação de comprovante de vacinação contra Covid-19 (carteirinha de vacinação impressa ou QR Code, também disponível nos aplicativos ConecteSUS, E-Saúde e Poupatempo);
  • Endereço: Av. Pedro Álvares Cabral, s.n. Parque Ibirapuera, Portão 3, São Paulo, SP.

***
Com informações da34ª Bienal de São Paulo.