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Quem passar pela Avenida Paulista até o dia 28 de agosto vai se surpreender novamente com as inusitadas obras eletrônicas expostas na fachada coberta de luzes de led do prédio da Fiesp. A 17ª edição do File, Festival Internacional de Linguagem Eletrônica aberta ao público nesta terça (12), como 331 obras que convidam o público a mais que simplesmente contemplar.

Considerado o mais importante evento de arte e tecnologia da América Latina, o festival ocupa, além da fachada, o Centro Cultural Fiesp-Ruth Cardoso com instalações interativas, obras de realidade virtual com óculos 3D, games, animações, videoarte, net arte, arte sonora e performances de artistas de 31 países. Ao contrário de outras exposições, o visitante é convidado a interagir com os trabalhos. A entrada é gratuita.

Este ano, o festival tem como tema a transgressão de fronteiras entre as diferentes estéticas artísticas e a tecnologia. Entre os destaques, o experimento em 4D "Be boy, be girl" promete inquietar o público. O trabalho dos holandeses Frederik Duerinck e Marleine van der Werf aborda a questão de gênero de um jeito diferente: colocando o visitante para viver uma inusitada experiência num cenário praiano no corpo de uma mulher e de um homem.
 
"Nothing but Nonsense", de Siyu Mao. Imagem: Divulgação.

Já o grupo europeu Numem/For Use construirá durante oito dias uma instalação inspirada em uma enorme teia de aranha. A "Tape São Paulo" convidará o visitante a caminhar por entre seus túneis suspensos, confeccionados com 32 quilômetros de fitas adesivas fabricadas especialmente para a obra, extrapolando o espaço da galeria até a calçada da Avenida Paulista.

Ao longo de quatro domingos, de 17 de julho a 7 de agosto, sempre às 15h30, artistas também apresentarão performances sonoras e audiovisuais no palco montado em frente ao prédio da Fiesp. A segunda edição do File Anima+Games premiará três trabalhos que mostrem a ponte entre os universos das animações e dos games, com ênfase na influência mútua desses dois meios.

Serviço

FILE 2016 – Festival Internacional de Linguagem Eletrônica.
Quando: 12 de julho a 28 de agosto de 2016, das 10h às 20h (entrada até às 19h40).
Onde: Centro Cultural Fiesp – Ruth Cardoso (Avenida Paulista, 1.313 – em frente à estação Trianon-Masp do Metrô).
Quanto: entrada gratuita.
Mais informações: pelo site www.file.org.br e pelo telefone (11) 3146-7439.

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Do UOL, em São Paulo.


O FIME - Festival Internacional de Música Experimental, surgido no ano passado, se ampliou, firmou diversas parcerias e com isso traz para São Paulo um evento intenso com duração de 15 dias, com cerca de 30 apresentações de artistas vindos de mais de 10 países, 5 oficinas práticas relacionadas a aspectos da música experimental, sessões de conversa e um espaço livre para interações entre os participantes e interessados.

A programação contará com apresentações de artistas em diferentes estágios da carreira. Entre ele: Peter Brötzmann, lenda da improvisação europeia, que comemora seus 75 anos em 2016 e se apresenta no primeiro dia do festival; o músico e ativista Dror Feiler, que neste ano completa 65 anos e volta a São Paulo pelo segundo ano consecutivo, dessa vez para estrear uma peça inédita, “The No Flow”.

Dror Feiler, compositor de música contemporânea de concerto, atuante como improvisador e na música de ruído. Foto: Divulgação.

Outras atrações a destacar: o grupo Hrönir, de Pernambuco, que completa 15 anos de existência; a flautista Ine Vanoeveren tocando a obra integral para flauta do compositor inglês Brian Ferneyhough; o argentino Javier Bustos com seu inusitado instrumento Aerodrone, construído com bexigas amplificadas e foles; a performance interativa “Mandala”, do húngaro David Somló; entre outras.

O II FIME acontece de 16 a 30 de julho em vários espaços culturais da cidade: Biblioteca Mário de Andrade, Centro Cultural São Paulo, Sala Olido e SESC Consolação.

Quase todas as atividades - com exceção das apresentações no SESC Consolação - terão entradas gratuitas.

Mais informações também podem ser encontradas no site do festival: http://www.fime.art.br/2016/pb/

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Com informações de Natasha Maurer.


O Sesc Belenzinho convida para um mergulho nas lembranças escondidas nos monóculos, nos retratos pendurados em casa e em todo universo do retrato popular. Sob curadoria de Rosely Nakagawa, Valeria Laena e Titus Riedl, a exposição Retrato Popular - do vernáculo ao espetáculo reúne obras do acervo do Museu da Cultura Cearense – Centro Dragão do Mar de Arte e Cultura e de colecionadores particulares que reconstroem a história da fotografia popular.

Quem for ao Belenzinho verá coleções de monóculos, ex-votos fotográficos, câmeras de lambe-lambe, cavalinhos e charretes para fotografias de crianças, além de moldes e retratos pintados por Mestre Júlio, um dos maiores nomes da fotopintura brasileira. Há também fotografias, gravuras, esculturas em madeira e argila, e lonas pintadas por profissionais que se dedicam ao ofício, como Tiago Santana, Luiz Santos e Tonho Ceará.

Esculturas de argila do recriam cenas do filme 'Câmara Viajante', cuja história inspirou parte da mostra 'Retrato Popular'. Foto: Fábio Tito/G1.

Outros registros fotográficos, em sua maioria de pessoas anônimas, fazem parte da coleção pessoal de Titus RiedL, um dos curadores. Pesquisador e professor da Universidade Regional do Cariri, Titus pesquisa a fotografia popular há mais de 20 anos. "Meu interesse maior é dessa fotografia anônima, uma fotografia íntima, sem ambição artística. É a fotografia que se guarda em casa, nas caixas de sapatos, nas gavetas. A fotografia que por muito tempo foi considerada barata, menor, marginal, mas que justamente hoje nessa transição da fotografia analoga para a fotografia digital está se tornando interessante e cada vez mais observada, percebida e valorizada. O meu interesse foi neste aspecto não pretensioso da fotografia que é mais lúdica, festiva e mais próxima das pessoas. Ela permite uma identificação muito grande. Todo mundo tem um contato muito grande com a fotografia vernacular", afirma.A proposta da exposição é mostrar a importância dessa tradição comum em todo o Brasil, que é considerada um patrimônio da história da fotografia regional e parte relevante do registro de cidadãos de todas as classes sociais. Essa fotografia popular que, ao longo dos anos, tornou-se cada vez mais rara nas feiras e passou a integrar a arte contemporânea.

Retrato com a estátua de Padre Cícero em Juazeiro do Norte é visto contra a luz em um monóculo. Foto: Fábio Tito/G1.

"O projeto foi desenvolvido há quase 10 anos atrás, quando essa fotografia do monóculo, do lambe-lambe e retrato pintado estava em vias de extinção. Nós colhemos alguns depoimentos dos fotógrafos populares, sobre essas transformações das técnicas que eles usavam. Percorremos as cidades de romaria cearense Canindé e Juazeiro do Norte em busca desses fotógrafos. Foi uma experiência muito rica, que resultou no filme Câmara Viajante, no encontro de fotógrafos e exposição que aconteceu no Centro Dragão do Mar. Agora, dez anos depois estamos olhando novamente para essa fotografia", conta Valéria Laena.

 

Visitantes se divertem na área interativa da mostra 'Retrato Popular. Foto: Fábio Tito / G1.

No Nordeste é ainda muito comum a criação de um novo contexto em torno da pessoa fotografada, que difere da realidade. Mestre Júlio, que até os anos 90 utilizou tintas mas agora faz uso do Photoshop, é o especialista nisso. Entre os retratos feitos por ele, dois chamam a atenção. O primeiro é o de um médico identificado como Dr. Hermínio, que queria ter sido mecânico e, por isso, pediu para ser retratado junto a alguns carros, usando uniforme e portando ferramentas. O segundo é o de um menino que se veste como formando universitário e pede para que a família seja inserida na foto. Há também obras que questionam a hegemonia branca e hierárquica na história brasileira, como a de Tercília da Silva, que pediu para que pintassem seus olhos na cor azul e fosse representada como uma rainha.

O fotógrafo Tiago Santana posa diante de duas das suas imagens que compõem a mostra 'Retrato Popular'. Foto: Fábio Tito/G1.

Tiago Santana é o responsável pelos flagrantes da área de peregrinação em Juazeiro do Norte, enquanto Tonho Ceará e Luiz Santos são coautores de retratos de povos nômades – indígenas, circenses, ciganos, sem-terra. 

Na programação ainda estão previstas oficinas, projeções e a interação do público por meio de autorretratos com o uso de celulares, atualizando o conceito de retrato popular com as selfies. Para isso, foi especialmente criado um cenário que reproduz o ambiente de uma pequena cidade do Nordeste. Também serão promovidos encontros e workshops com a participação dos curadores e artistas.

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Fonte: SESC SP.


Os atrasos e a falta de senso de compromisso não fizeram do cartunista Glauco um profissional que nenhuma redação queria contratar. Longe disso: "Era uma 'sem-noçãozice' que, em outra pessoa, soaria cínica, mas nele não", diz Laerte, em depoimento gravado em vídeo para a mostra "Ocupação Glauco".

A ideia de um sujeito meio torto e excepcionalmente talentoso vai se formando entre um depoimento e outro.

Em vídeo, o irmão Pelicano, também desenhista – ofício compartilhado ainda com a mãe –, conta histórias de como Glauco, desde a infância, se desligava do mundo e deixava as obrigações em suspenso.

Em registro no pequeno livro lançado para acompanhar a exposição, o designer e ex-editor de arte da Folha Jair de Oliveira retoca o traço da indisciplina. "O cara às vezes não aparecia no dia de fazer a charge", conta.

Com seu jeito à toa, Glauco Vilas Boas publicou regularmente na Folha de 1984 até a morte, em 2010. Ele e o filho Raoni foram vítimas de um assassino confesso.

Como outros 29 projetos que também ocuparam o térreo do Itaú Cultural nos últimos sete anos –entre eles, foram temas Zé Celso, Nelson Rodrigues e Laerte –, "Ocupação Glauco" procura dar conta justamente da relação entre personalidade e obra.

Descobrimos ali que Dona Marta e sua volúpia, Geraldão com suas seringas e o ciumento Casal Neuras são frutos de uma mente anárquica – e que, reconhecida como tal, amigos e chefes sabiam perdoar.

Seu carisma tinha a capacidade de seduzir inclusive a polícia. Conta o desenhista Emílio Damiani, também no livro, que Glauco, quando foi preso em Pinheiros por portar "um negocinho de cocaína no plástico do seu cigarro", acabou liberado depois de desenhar um ajudante do guarda.


Charge do cartunista exposta no Itaú Cultural. Imagem: Divulgação.

Daime e Presidentes 

No fundo da mostra, apresenta-se Glauco por outro prisma: foi recriado o hexágono colorido de bandeirinhas do teto do Céu de Maria, igreja que ele fundou em Osasco para a cerimônia do Santo Daime. O artista foi adepto da celebração em torno do chá de ayahuasca desde os anos 1980 e se tornou líder religioso. Após sua morte, a mulher, Beatriz Veniss, deu continuidade às atividades do centro.

Foi ela quem forneceu boa parte do material agora exposto, incluindo o acordeão que ele tocava nas cerimônias do Daime e estudos que, embora tenham dado origem a trabalhos de jornal, nunca foram publicados ou exibidos antes.

Glauco não costumava registrar as datas de sua produção, e a exposição acaba deixando o visitante sem referências temporais. São centenas de charges e tirinhas exibidas sob critério da interatividade.

Há, por exemplo, as charges de conteúdo mais erótico, como a de Geraldão batendo "90 bronhas" no banho, que podem ser vistas por um buraco de fechadura – referência ao perfil voyeur de um personagem ou outro, e à abertura a sentidos psicanalíticos.

Outra preciosidade – esta, com referência temporal – são duas edições do "Manual do Metalúrgico de Osasco", ilustrado por Glauco entre 1982 e 1984, publicado pelo sindicado da cidade e emprestado à exposição pela entidade.

Destaca-se também a seção dedicada às charges políticas, muitas delas publicadas na Folha, e as referências aos presidentes que ele retratou – Collor, Itamar, FHC e Lula.

Charge do cartunista exposta no Itaú Cultural. Imagem: Divulgação.

Livro

Não vendeu em banca nem em livraria. "Minorias do Glauco Nº 1", primeiro livro do cartunista, foi publicado em 1982 pelo Lira Paulistana, casa de shows que funcionou nos anos 1980 na praça Benedito Calixto, em Pinheiros –a mesma que lançou os músicos da Vanguarda Paulista.

Quem fez o resgate da preciosidade, editada pelo cartunista ainda na juventude, em parceria com José Antonio Silva e Ribamar de Castro, foi Toninho Mendes, que editou na Circo Editorial as revistas "Geraldão".

Para a publicação, Mendes pediu a velha impressão a um amigo e saiu em busca de patrocínio. Agora, o livro terá sua segunda edição, com lançamento previsto para o fim de agosto, no Itaú Cultural.

Ele diz que o volume revela personagens importantes na trajetória de Glauco. Dona Marta e Geraldão aparecem em suas páginas. Também há tiras retratando brigas de casais, o que ele julga ser o berço do ciumento Casal Neuras.

Além de ter investido no resgate da obra, Mendes participa da "Ocupação Glauco" com um depoimento em vídeo, contando sobre as cartas que ele e Glauco recebiam de leitores e embarcando no clima de delírio dos quadrinhos que sugeriam desejo sexual entre Geraldão e sua mãe.

"Como a gente era muito esculhambado, os caras mandavam cartas totalmente insanas para nós", conta Mendes. "Teu pinto é pequeno?" e "tem baseado aí na redação?", por exemplo, eram duas perguntas recorrentes de leitores, cita o editor.

Ocupação Glauco
Onde: Itaú Cultural, av. Paulista, 149, tel. (11) 2168-1776.
Quando: ter. a sex., das 9h às 20h; sáb., dom. e feriados, das 11h às 20h; de 9/7 a 21/8.
Quanto: grátis.
Classificação: 12 anos.

Minorias do Glauco Nº 1
Autor: Glauco Vilas Boas
Editoras: Peixe Grande e Expressão e Arte.
Quanto: R$ 19 (72 págs.).

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Gustavo Fioratti para a Ilustrada da Folha de S.Paulo.

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