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Em 2012, a convite da revista ZUM, o fotógrafo paulista Mauro Restiffe fotografou o bairro da Luz, região que abriga a famosa Cracolândia e que passava por controversa intervenção municipal e estadual. Em 2013, Restiffe foi convidado a estender o trabalho e registrar a transformação da cidade no período que antecedeu a realização da Copa do Mundo.

A exposição São Paulo, fora de alcance, que abre em 14 de abril no IMS Paulista, é o resultado de muitas caminhadas diárias que o fotógrafo realizou durante cerca de três meses em bairros centrais e periféricos, como Brás, República, Pinheiros, Vila Congonhas e Itaquera. Conhecido pelas séries fotográficas que desenvolve em torno de questões urbanas de relevância histórica, política e arquitetônica, Restiffe produziu centenas de fotografias com a câmera Leica e o filme preto e branco de alta sensibilidade que fazem parte sua poética artística.

O acervo arquitetônico do centro de São Paulo inventariado em três livros recentemente lançados surpreende até mesmo os iniciados no assunto. Dois deles, publicados pela editora Monolito, são essenciais para reavaliar a importância de projetos modernos que marcaram definitivamente a feição da metrópole: Arquitetura do Centro de São Paulo e Adolf Franz Heep: Um Arquiteto Moderno. Um terceiro, Campos Elíseos – História e Imagens, com um ensaio fotográfico de Juan Esteves e texto de Antonio Carlos Suster Abdalla (Cult Arte/Instituto Porto Seguro), concentra-se no passado da cidade, num bairro que ainda preserva edificações do período pré-modernista e testemunhou a verticalização do centro.

Edificio Racy projeto do arquiteto Aaron Kogan. Avenida Sao João, 1588. Foto: Juan Esteves.Edificio Racy projeto do arquiteto Aaron Kogan. Avenida Sao João, 1588. Foto: Juan Esteves.

Como disse Caetano Veloso ao se lembrar do movimento tropicalista na cidade, “você sente que São Paulo pode. E que São Paulo ter reunido essa energia dá muita força ao projeto Brasil”.Como disse Caetano Veloso ao se lembrar do movimento tropicalista na cidade, “você sente que São Paulo pode. E que São Paulo ter reunido essa energia dá muita força ao projeto Brasil”.

São Paulo – A capital tropicalista – celebra os 50 anos do movimento mais transgressor da música brasileira e faz uma homenagem à cidade de São Paulo, como cenário e plataforma da Tropicália. A abertura acontece no próximo dia 6 de abril, às 19h e fica em cartaz até o dia 6 de maio, na Sala Tarsila do Amaral do Centro Cultural São Paulo.

O cometa tropicalista durou pouco mais de um ano, mas sua influência pode ser percebida até hoje, nos imperativos de ruptura estética que movem a música brasileira nos últimos 50 anos. Aberta às novidades e aos movimentos artísticos, São Paulo foi a usina que permitiu aos tropicalistas aperfeiçoarem seu discurso, o terreno que abrigou a explosão da vanguarda iconoclasta, o coração do país que se debatia entre o arcaico e o novo, o ponto de fusão de todos os Brasis.

São Paulo – A capital tropicalista

O vídeo será projetado simultaneamente em 13 anteparos, com cerca de três metros de altura cada um. Imagem: United VJs.O vídeo será projetado simultaneamente em 13 anteparos, com cerca de três metros de altura cada um. Imagem: United VJs.O sistema de vídeo-mapping a ser usado na exposição da Sala Tarsila pretende reproduzir uma experiência tropicalista – canções que se constituem num desenrolar de imagens, nascidas da justaposição de objetos e desejos. Um dos mais importantes VJs do país, com trabalhos realizados para grandes audiências, como o da abertura das Olimpíadas do Rio, Spetto criou um vídeo de 12 minutos, especialmente para a exposição, a partir da preciosa trilha sonora do período.

A exposição vai apresentar o que existe de mais avançado hoje, nas técnicas conhecidas como “projecionismo”. Imagem: United VJsA exposição vai apresentar o que existe de mais avançado hoje, nas técnicas conhecidas como “projecionismo”. Imagem: United VJs

Na Sala Tarsila, de 617 metros quadrados, o vídeo será projetado simultaneamente em 13 anteparos, com cerca de três metros de altura cada um – criando cenários distintos, de realidade e sonho, em que o visitante poderá circular entre imagens de época, as espaçonaves e guerrilhas do final dos anos 60, até filmes e fotos dos artistas em grandes performances. Se os tropicalistas queriam usar toda a tecnologia então disponível nos seus arranjos, montagens e instrumentos elétricos, a exposição pretende apresentar o que existe de mais avançado hoje, nas técnicas conhecidas como “projecionismo”.

Curadoria: Isa Pessoa – criação audiovisual: VJ Spetto.
Sexta, 6/4 às 19h – livre – Sala Tarsila do Amaral.
Grátis – sem necessidade de retirada de ingressos.

Cinema Tropicália

Serão exibidos dois documentários sobre os grandes artistas que fizeram parte do movimento tropicalista nas décadas de 1960 e 1970. Repletas de imagem de arquivos, essas obras são verdadeiras viagens no tempo e contam com relatos de Caetano Veloso, Gilberto Gil, Rita Lee e Torquato Neto.

Quinta, dia 5/4, às 17h30 e 19h30 – Sala Lima Barreto (99 lugares)
R$2,00 – a bilheteria será aberta uma hora antes da primeira sessão do dia.

Tropicália - 17h30

Documentário mistura um valioso material de arquivo recuperado especialmente para a produção.Documentário mistura um valioso material de arquivo recuperado especialmente para a produção.Uma análise sobre o importante movimento musical homônimo, liderado por Caetano Veloso e Gilberto Gil no final dos anos 1960. O documentário resgata uma fase na história do Brasil em que cena musical fervilhava e os festivais revelavam vários novos talentos. Ao mesmo tempo, o Brasil sofria com a ditadura no poder, o que fez com que Caetano e Gil fossem exilados do País.
Direção: Marcelo Machado, 2012, 87min, DCP.

Torquato Neto – Todas as Horas do Fim - 19h30

Documentário sobre a trajetória de vida do poeta, cineasta, compositor e jornalista Torquato Neto. Documentário sobre a trajetória de vida do poeta, cineasta, compositor e jornalista Torquato Neto. O longa-metragem acompanha da infância do artista, em Teresina, sua cidade natal, até seu aniversário de 28, quando tirou sua própria vida após deixar colaborações indeléveis em movimentos artísticos como a Tropicália. O ator Jesuíta Barbosa dá vida a poemas e outros escritos de Torquato.
Direção: Eduardo Ades, Marcus Fernando, 2017, 88min, DCP.