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O Itaú Cultural homenageia Maria e Herbert Duschenes. Apesar de atuarem em áreas distintas – ela no campo da dança e ele no da arquitetura –, ambos se dedicaram à educação e desenvolveram formas inovadoras de compartilhar o saber.

O programa Ocupação chega à sua 29ª edição e celebra o que o casal Duschenes transformou em arte: a capacidade e a generosidade de dividir experiências. O espaço expositivo revela fotos, planos de aulas, vídeos e outros documentos que contam em parte como era a construção de conhecimento realizada por eles e por seus alunos.

Maria e Herbert – ela húngara e ele alemão – chegaram ao Brasil na mesma data, em 1940, e pelo mesmo motivo – os conflitos gerados pela Segunda Guerra Mundial (1939-1945). Influenciada pelos estudos do coreógrafo e teórico da dança Rudolf Laban (1879-1958), Maria desenvolveu aqui um trabalho de dança pioneiro baseado na experimentação, na liberdade e no autoconhecimento.

Família Duschenes e amigos reunidos em Montreal, no Canadá (Foto: acervo família Duschenes/Itaú Cultural).
 

Na década de 1950, a bailarina e professora passou a dar aulas práticas e teóricas em sua casa, em São Paulo (SP), além de ministrar cursos de formação. Os anos seguintes foram marcados por importantes coreografias criadas por ela, como as dos espetáculos O Sacro e o Profano: Muitas São as Faces do Homem (1965), Espetáculo Cinético (1972), Magitex (1978), Origens I (1990) e Origens II (1991).

As ideias vanguardistas de seu companheiro, Herbert, revelam a comunhão não apenas pessoal, mas também profissional de ambos. Na sala de aula de Herbert cabia o mundo. Os vídeos de suas viagens por diferentes culturas convidavam os alunos a enxergar o entorno de forma ampla e autônoma.

Imagem do espetáculo Magitex (1978), que contava com coreografia de Maria Duschenes e participação de bailarinos
como Denilto Gomes, Juliana Carneiro da Cunha e J. C. Violla. Foto: Acervo Centro Cultural São Paulo.

Em 1967, Herbert ingressou como docente no Departamento de Artes Plásticas da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap), onde lecionou por cerca de 30 anos. Durante esse período, conhecer outras culturas passou a ser parte importante da profissão de professor. Ao longo de sua atividade docente, Herbert percorreu vários locais da Europa, da Ásia, da África e da América.

Além da exposição, você pode saber mais sobre o casal em uma publicação que o Itaú Cultural preparou para a ocasião e no site do programa Ocupação.

Acesse a aba programação e confira mais informações.

Serviço

Ocupação Maria e Herbert Duschenes.
Visitação quinta 28 de abril a domingo 12 de junho de 2016.
Terça a sexta 9h às 20h (permanência até as 20h30).
Sábado, domingo e feriado 11h às 20h.
Piso térreo.
Entrada gratuita - livre para todos os públicos.

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Fonte Itaú Cultural.

 


Era uma casa / muito engraçada / mas que pena / foi derrubada". Essa "releitura" dos versos de "A Casa", de Vinicius de Moraes, pode ilustrar a situação de muitas tradicionais e belas construções em São Paulo que dão lugar a grandes prédios, estacionamentos e outros empreendimentos.
 
Com essa realidade de uma metrópole em transformação, em 2015, o artista plástico e antropólogo João Galera, 34, resolveu registrar por meio de desenhos com nanquim casas paulistanas "antes que elas acabem".
 
São mais de 50 desenhos que farão parte da exposição "Antes que Acabe", em cartaz a partir do último sábado (4), no Museu da Casa Brasileira (zona oeste de São Paulo). "Tento ressaltar a beleza que existe na simplicidade de cada uma delas e que acabamos não enxergando no dia a dia.
 
Casinhas e sobrados de Pinheiros, da Vila Mariana, do Bexiga e da Bela Vista são representadas pelo paranaense, que se mudou para São Paulo no fim de 2011. "Andando pelas ruas observei essas casas tão típicas de alguns bairros e percebi uma beleza simples e peculiar, que deixam a cidade mais humana."
 
Durante suas caminhadas, João tira fotos com o celular para depois fazer a arte. "Procuro características peculiares, como determinadas janelas, os jardins e a própria estrutura da construção. Detalhes únicos de cada morador: vasos, plantas, uma janela entreaberta, uma gaiola pendurada", afirma.
 
Por ora, a maioria das construções fotografadas e desenhadas por João ainda estão de pé, mas um caso em Pinheiros chamou a atenção do artista.
 
"Fui fotografar algumas casas da rua Amaro Cavalheiro para fazer o desenho panorâmico e, quando cheguei lá, vi que faltava uma delas. Perguntei para a moradora da casa da frente e ela me falou que tinha sido demolida havia pouco tempo", relembra. A partir dessa cena, ele criou a obra "Essa não deu tempo", que também estará na exposição.
 
 

João Galera desenha em uma das paredes do MCB para a exposição "Antes que Acabe".

Livro e outros lugares
 
Com essa primeira fase de "Antes que Acabe" o artista vai lançar um livro por meio de financiamento coletivo pelo site Partio. A arrecadação terá início junto com a exposição. Para uma segunda edição, ele quer continuar o projeto em outros bairros como Ipiranga, Lapa e Mooca. "As pessoas falam comigo, mandam mensagens no Facebook, com sugestões de lugares para eu desenhar", conta ele. Mas a paisagem urbana de São Paulo não é a única que desperta o interesse de João, que pensa em levar o projeto para cidades como Rio de Janeiro, Salvador e Londrina. Fora do país, o artista tem o desejo de reproduzir construções típicas em cidades como Buenos Aires (Argentina) e Lima (Peru).
 
Desenhando a cidade

A exposição "Antes que Acabe" abre a série "Desenhando a Cidade" realizada pelo Museu da Casa Brasileira. De acordo com diretor técnico do MCB, a ideia é apresentar ao público diferentes leituras da cidade e mostrar a rica complexidade urbana de São Paulo. Trabalhos de outros artistas como Carla Caffé serão apresentados.

Serviço­
"Antes que Acabe"
Onde: Museu da Casa Brasileira ­ Av. Brig. Faria Lima, 2.705 ­ Jd. Paulistano.
Quando: 4 de junho a 31 de julho.
Horários: 10h às 18h (ter. a. dom.).
Quanto: R$ 7 (Crianças até 10 anos e maiores de 60 anos são isentos) / fim de semana e feriados grátis.
Mais informações: (11) 3032­.3727.

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Amom Borges na Folha Ilustrada.
 


Em meio às restrições sociais, a vontade de independência. No decorrer da história, desde o império, as mulheres brasileiras lutaram para obter visibilidade pela arte, literatura e educação. O seminário “A Presença Feminina na História Brasileira“, com entrada gratuita, entre os dias 6 e 8 de junho no Unibes Cultural, em São Paulo, discutirá de que maneira as mulheres fizeram valer sua presença artística, à frente das iniciativas de formação cultural.

A escritora Carolina de Jesus, estudada pela professora Elena Pajaro Peres, pós-doutoranda do Instituto de Estudos Brasileiros, é um personagem simbólico a exercer a cidadania. Escritora afro-brasileira, moradora da favela do Canindé, ela chegou a São Paulo, vinda de Minas Gerais, no final da década de 1930, quando começou a produzir literatura.

A persistência em tentar publicar sua obra só pôde ser comparada ao empenho em criar os três filhos sozinha, catando papel para sobreviver. “Carolina sempre procurou ultrapassar o papel que a sociedade lhe havia reservado”, diz a pesquisadora, que fará um painel sobre seu percurso.

Desconhecida do público, mas de ação insistente na formação cultural das crianças nas décadas de 1930 e 1940, Lenyra Fraccaroli implantou e dirigiu a primeira biblioteca infanto-juvenil de São Paulo. De maneira inovadora, como analisa a professora e pós-doutoranda da Universidade de São Paulo Patricia Raffaini, permitiu que o espaço se abrisse à projeção de filmes, à realização de jogos e à promoção de palestras com escritores de renome, como Monteiro Lobato e Malba Tahan, além de ter criado um jornal feito pelas crianças, A Voz da Infância, e um grupo teatral, o Timol.

Nos livros Primeiras Estórias e Tutameia: Terceiras Estórias, a infância surge caracterizada de diversas formas, e Guimarães Rosa personifica a mulher em quatro personagens infantis, como relata a professora Camila Rodrigues, pós-doutoranda da USP.

Nas artes visuais brasileiras, uma múltipla artista como Hilde Weber fez a charge de modo singular, em sintonia com o cartoon, como aquelas que realizou sobre Getúlio Vargas, como narra a pesquisadora Andrea de Araujo Nogueira.

Docente do IEB, Ana Paula Cavalcanti Simioni mostra como, ao longo do século XIX, as mulheres foram excluídas do ensinamento artístico pelas academias de arte. No entanto, no Brasil, duas escultoras se sobressaíram, Julieta de França e Nicolina Vaz de Assis.

Naquele século de profundas disparidades sociais, Jean-Baptiste Debret observou a mulher branca escondida em sua residência e a profusão de escravas nas ruas do Rio, como descreverá a doutora Ana Paola Baptista, curadora dos Museus Castro Maya. Sua palestra desvendará ainda os registos escritos deixados pela princesa austríaca Leopoldina, primeira Imperatriz do Brasil.

Serviço
A Presença Feminina na História Brasileira – Arte, Literatura e Educação.
Na Unibes Cultural (rua Oscar Freire, 2.500, Metrô Sumaré, tel. 11-3065-4333).
De 6 a 8 de junho, entre 9h e 12h30.
Inscrições gratuitas.


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Da redação de Carta Capital.


São Paulo, 1922. A Semana de Arte Moderna muda o mundo das artes, embora o descendente de espanhóis Francisco Rebolo Gonsales não lhe dê muita atenção. Aos 20 anos, prefere correr atrás da bola na esquadra reserva do Corinthians. Não leva a taça, mas na foto oficial da comemoração do Campeonato Paulista, vestido de gravata e terno, posa entre os titulares. O jovem talvez tivesse seguido como jogador de seu time do coração, para quem até mesmo desenharia o símbolo, se houvesse sentido futuro na carreira futebolística. Em lugar disso, preferiu pintar paredes.

Muito trabalho haveria para ele, que iniciara a formação artística na Escola Profissional Masculina, do Brás. Em 1926, mestre na confecção de frisos e florões, investiu em uma empresa de decoração na Rua São Bento. Os negócios prosperaram e ele quis pintar de verdade. Mas onde montaria seu ateliê? Rebolo mirou no Palacete Santa Helena, inaugurado em 1925 na Praça da Sé. O prédio, que seria derrubado em 1971 para a construção do Metrô, continha então um belo tea­tro e oferecia acomodações confortáveis para escritórios.

Mas decaía em prestígio nos anos 1930, porque aqueles em boa condição financeira começavam a rumar para a Praça da República ou a Avenida Paulista. Em 1933, o pintor detectou a baixa no preço dos aluguéis e tomou para si a sala 231. Ali fixaria seu ateliê e o escritório de decoração. Dois anos depois, o amigo Mário Zanini, decorador e empreiteiro, ocuparia a sala contígua, a de número 233, para idênticos fins. Logo o ateliê se tornaria uma sala só e os potenciais artistas da cidade acorreriam a ela em busca de oportunidades.

Lenhadores, de Rebolo, óleo sobre tela (1950). Imagem: Divulgação.


Sem se autointitular um movimento artístico nem proferir manifestos, o Santa Helena, estabelecido como grupo em 1936, incluiria sete outros pintores, apelidados pelo escritor Mário de Andrade de “proletários”. Durante a semana, no grande ateliê, os artistas, todos do sexo masculino, geriam seus escritórios e representavam naturezas-mortas.

Nos fins de semana, saíam à rua para retratar a cidade e seus arredores. Seus trabalhos começaram a chamar a atenção geral, embora gerassem observações em leve tom irônico. O crítico Geraldo Ferraz, por exemplo, descreveu-os como tradicionalistas, “a morrer de amores pelos processos de Giotto e Cimabue”.

Em 1937, eles seriam convidados a integrar a 1ª Exposição do Grupo de Artistas Plásticos Família Artística Paulista, ao lado dos consagrados Anita Malfatti e Waldemar da Costa. Como Rebolo e Zanini, os italianos Fulvio Pennacchi e Alfredo Volpi, o português Manoel Martins e os filhos de migrantes italianos Clóvis Graciano, Humberto Rosa e Alfredo Rizzotti viviam de colorir paredes, pintar carroças ou vender carnes, sem se dedicar à briga de conceitos que levaria a arte até o concretismo.

Espelhados no movimento Novecento, que na Itália advogava o retorno à técnica da boa pintura, eles negavam os preceitos futuristas, fauvistas ou cubistas, de todo modo anacrônicos na Europa, e exerciam quase sem exceção sua arte figurativa, a ecoar as experiências de um Cézanne, às vezes de um Matisse. 

Palaceta Santa Helena: modernos para os acadêmicos, acadêmicos para os modernos. FotoDivulgação.

“Eles corporificaram o ideal de que a virtude está no meio, nem em um extremo nem em outro da arte. Foram modernos para os acadêmicos e acadêmicos para os modernos”, diz o crítico Enock Sacramento, curador da exposição Grupo Santa Helena – 80 Anos, até 10 de junho na Proarte Galeria, em São Paulo. O fato de a homenagem dar-se em um espaço comercial de características museológicas e não em um museu talvez demonstre a extensão do apreço que a crítica oficial tem devotado ao grupo no decorrer da história. Grande parte das obras agora expostas pertence a colecionadores e herdeiros. E apenas alguns quadros de propriedade da galeria estarão à venda, como os de Volpi, o único entre os artistas do grupo a ter acenado aos concretistas, de quem oportunamente se desligou. 


A exposição divide os pintores por núcleos autorais. Sete obras foram escolhidas para representar cada um dos nove autores, exceto no caso de Humberto Rosa, de quem houve apenas três quadros disponíveis para a exposição, os óleos sobre tela Margem do Tietê,Paisagem com Igreja e Batuque. É rara a oportunidade de conhecê-lo, como a Manoel Martins, cuja arte combativa ecoou as representações surrealistas das pintoras mexicanas, e à obra de Alfredo Rizzotti, que documentou a paisagem e o casario com grossa pincelada impressionista, contrária àquela dos acadêmicos brasileiros, adeptos do uso do pincel fino.

Em cada núcleo desta mostra de apuro histórico observa-se a evolução de estilo de cada autor, cujas obras se enfileiram segundo sua realização no tempo. Assim é que se sabe como Aldo Bonadei, que estudou arte na Itália de seus pais, caminhou da representação figurativa até a expressão abstrata, a partir dos famosos casarios da Rua Abolição. De Clóvis Graciano apreende-se a monumentalidade dos painéis históricos, um deles confeccionado para a sede legislativa municipal. “Você está indo bem, mas é preciso estudar um pouco”, disse Candido Portinari ao deparar com sua produção inicial. O jovem se veria influenciado pelo mestre na representação humana, a menos comum entre os santo-helenistas.

Arcos sobre mulheres, acrílica sobre chapa de Fulvio Pennacchi (1977). Imagem Divulgação.

Graciano começou como pintor de carroças. Depois lutou na Revolução de 1930 e foi parar no presídio de Ilha Grande, onde dividiu a cela com intelectuais. Gostava de estudar e, para viver, tornou-se fiscal. Seguiu representando seu universo telúrico em que havia som e ritmo. Tornou-se diretor da Pinacoteca do Estado de São Paulo e ocupou o cargo de adido cultural brasileiro em Paris. Era versado no mundo, assim como Fulvio Pennacchi, que, formado em sua Itália natal, chegou ao Brasil em 1929, certo de que faria a América. O País, contudo, mergulhava em crise, e ele partiu para o ramo das carnes. Seu açougue prosperou na Rua Bela Cintra. “Era muito criativo, um artesão no bom sentido da palavra”, diz o curador Sacramento. Incumbido de dar aulas de pintura às mulheres da família Matarazzo, o artista casou-se com uma delas, Filomena. Eis por que, com algum pesar, abandonou a profissão de açougueiro, pouco indicada para um homem em sua nova condição social.

Cabaré, óleo sobre tela de Manoel Martins (1946). Imagem: Divulgação.

Pennacchi construiu a própria casa de um quarteirão. Desenhou os móveis, compôs afrescos. Pintou a paisagem toscana e a brasileira, fez naturezas-mortas. E representou de modo tão próprio as festas populares, como as de São João, que fez Alfredo Volpi declarar, sobre sua marca na pintura: “Subtraio, do retângulo, o triângulo. Pinto o retângulo. Na verdade, não sou um pintor de bandeirinhas. Quem pinta bandeirinhas é o Pennacchi”. 

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Por Rosane Pavam. *Reportagem publicada originalmente na edição 902 de CartaCapital, com o título "O esplendor proletário".


No próximo domingo, dia 29 de maio, o Parque Ibirapuera será invadido por carteiros/dançarinos! Neste dia, o Grupo Zumb.boys, apresenta sua intervenção “Dança por Correio” dando andamento ao seu atual projeto, contemplado pelo PROAC Circulação de Espetáculo de Dança - 2015. Nesta intervenção, o grupo criará um espaço de interação com a plateia, propondo novas relações entre espaço, dança e musicalidade.

Vestidos como carteiros, os dançarinos vão entregar cartas para o público e, a partir delas, traduzir em dança os sentimentos e as sensações contidas no papel. A ideia é que haja um diálogo não-verbal entre os intérpretes-criadores e os espectadores, interferindo no fluxo cotidiano e na paisagem urbana. O espetáculo é apresentado a partir de improvisos e jogos coreográficos pré-estabelecidos, que surgiram das pesquisas realizadas pelo grupo.

 O Grupo Zumb.Boys surgiu em 2007, com a proposta do diretor Márcio Greyk de criar uma linha de pesquisa nas danças urbanas, transformando a ideia de ser uma dança apresentável apenas nas ruas, para ser levada aos palcos, através de uma estrutura de pesquisa, produção e criação.

O grupo traz em sua formação os bailarinos que possuem diferentes históricos na dança contemporânea, participando inclusive do processo criativo de importantes companhias como OMSTRAB, Cia. de Dança, Teatro Ivaldo Bertazzo e entre outros.

O Grupo Zumb.boys, tem em seu histórico uma aclamada temporada de estreia de seu último espetáculo, realizada em 2015, chamado O que se rouba, passando pelo Teatro Flávio Império, Teatro Alfredo Mesquita e esgotando os ingressos em um local emblemático para a dança em São Paulo: o Centro Cultural São Paulo. Com este trabalho, o grupo apresentou um trabalho inédito na cena do breaking e hip-hop, promovendo o encontro e o diálogo com diferentes linguagens das artes lapidando o espetáculo, expandindo as possibilidades de investigação corporal e corroborando com novas estruturas de pensamento criativo. Dessa forma, o grupo segue valorizando a cultura de danças urbanas, fortalecendo a cena e elevando seu patamar de pesquisas nessa modalidade.

Da necessidade de maior interação com o público, em 2012, em uma produção independente, os Zumb.boys estrearam “Dança por Correio”, seu primeiro espetáculo de intervenção urbana, com caráter performático. Desde então, circulou com a intervenção por diferentes espaços e cidades, se apresentando em unidades do SESC, Galeria Olido, Mostra Tudo Pra Rua (mostra de dança em espaço urbano), diversas unidades do CEU, Circuito Cultural Paulista e importantes festivais.

Convidado pelo Grupo Esparrama, famoso por realizar intervenções na janela de um apartamento em frente ao Minhocão, em 2015, participou da ação Esparrama Amigos pela Janela, adaptou a intervenção e também esparramou sua arte pela janela. A intervenção especial foi chamada “Dança por Correio em: A Casa do Carteiro” e reuniu cerca de 300 pessoas no Minhocão, que interagiram e se divertiram com os carteiros dançarinos.

Agora, contemplado pelo PROAC Circulação de Espetáculo de Dança – 2015, o grupo apresenta novamente a intervenção Dança Por Correio e convida a todos que estiverem aproveitando o domingo no Parque Ibirapuera, a parar por um momento e interagir com os carteiros dançarinos que estarão distribuindo cartas e muita diversão. A intervenção acontecerá às 17h.

É só chegar para receber sua carta e ver o que surge a partir dela! 

Para conhecer mais o trabalho do grupo, acesse a página Grupo Zumb.boys no facebook e o site http://www.zumbboys.com/

Serviço

Intervenção - Dança por Correio Grupo Zumb.boys
Quando: Dia 29 de maio (domingo).
Horário: 17h.
Endereço:  Parque Ibirapuera - Av. Pedro Álvares Cabral - Vila Mariana, São Paulo – SP.
Duração: 60 minutos.
Classificação indicativa: livre.
QuantoGrátis.

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Assessoria de imprensa: Luciana Gandelini / [email protected] 


Em seu primeiro longa, Vera Egito (roteirista de Serra Pelada) põe em foco personagens que conhece muito bem. Amores Urbanos é sobre os ainda jovens, na faixa dos 30 anos, meio perdidos na urbe. Desorientados, como convém, expressam esse caráter urbanoide da modernidade, um mix de vida charmosa, angustiada e liberada do ponto de vista sexual. Porém, não a ponto de colocá­los a salvo de culpas e repressões. A formação conservadora é mais poderosa do que se supõe. Está inscrita no DNA social.
 
Entre vários personagens, três formam a vanguarda da narrativa, põem­-se à frente do palco, por assim dizer. Júlia (Maria Laura Nogueira), Diego (Thiago Pethit) e Micaela (Renata Gaspar) dividem apartamento. Júlia é hétero, mas não encontra companheiro fixo. Diego e Micaela são gays. Diego é dado a aventuras noturnas e por isso entra em conflito com o namorado, que deseja uma relação estável. Micaela namora uma diretora de teatro, Eduarda (a cantora Ana Cañas), mas essa recusa­se a assumir a relação. São esses pontos de conflitos que imantam a história. 

O enredo se dá em torno desses personagens, suas aventuras, suas angústias, suas visões de mundo, instáveis como seus relacionamentos. Uma graça da direção é não pedir a nenhum deles demasiada coerência. Comportam­se da maneira errática própria da idade (hoje a adolescência vai longe) e colocam o relacionamento amoroso no ápice das preocupações.
 
Desse modo, quase não há uma história, com muitas reviravoltas e suspense e desfecho, mas o registro a seco dessas vidas jovens tentando se ajustar a um mundo careta. E ajustar­se a si mesmas. Há uma vivacidade, um frescor na filmagem, em seu naturalismo sem exageros. Assistimos a longas conversas entre os membros do trio e de cada um com seus supostos e problemáticos pares. A gíria dá o tom nos diálogos e esses primam pela espontaneidade. 

A contrapartida é o caráter meio raso na construção desses personagens. Pouco sabemos deles no início e pouco descobriremos ao final. Enfim, Julia tem seus problemas com os pais que, donos do dinheiro, deram o apartamento onde mora e que partilha com os amigos. A relação conflituosa que Micaela e Eduarda mantêm talvez seja a mais interessante, porque a mais sofrida. Inclui elementos de gênero e a hesitação em assumir a homossexualidade ou a bissexualidade, mesmo em meios tidos como abertos. Diego reserva prudente distância de uma família que o rejeitou. Uma morte terá o efeito de confrontá­lo com o passado. 

Tudo isso parece promissor em termos de dramaturgia e, de fato, impulsiona a narrativa. Seria possível esperar talvez um pouco mais de profundidade nesses dramas da cidade? Talvez. São dramas pequenos? Bem, para quem os vivem, são imensos. Nem Diego, nem Júlia, nem Micaela sofrem problemas materiais. Uma certa indefinição profissional faz parte da idade e mais ainda em uma etapa de transe da organização social, na qual tudo parece instável, efêmero, prestes a se diluir no ar. 
 
Talvez esse, que parecia um defeito, pode bem ser um mérito por antítese do filme. Como pedir profundidade a vidas que flutuam na superfície? Não por culpa dos personagens, naturalmente, mas porque é assim que as coisas se dão? Como ponto de vista da direção, pode­se dizer que esses personagens não são nem idealizados nem hostilizados. Há empatia com eles, com seus pequenos dramas e problemas, que são os de todos nós. Numa época sem épica, é o que temos para o momento.

Assista o trailer aqui.

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Luiz Zanin Oricchio no Estadão.